Categoria: Ásia

  • ‘Sovietistão’ equilibra história e relato de viagem em ex-nações soviéticas

    ‘Sovietistão’ equilibra história e relato de viagem em ex-nações soviéticas

    4.jun.2021 às 20h00

    Carlos Graieb SÃO PAULO

    Rota da seda. Gás e petróleo. Herança soviética. O Mar de Aral que está secando. Ditadores malucos. Rapto de esposas. Estepe. Montanhas. Para mim (e acredito que para um imenso número de pessoas), a Ásia Central era isso até a semana passada: informação fragmentada e sem ordem. A leitura de “Sovietistão”, da escritora e antropóloga norueguesa Erika Fatland, pôs fim a essa bagunça.

    O livro é produto de oito meses de estadia nos cinco Estados centro-asiáticos que foram parte da União Soviética até 1991 e hoje existem de forma independente: Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Quirguistão e Tadjiquistão.

    Mulher segura bandeira da antiga União Soviética durante manifestação para comemorar o 151º aniversário denascimento do líder comunista Vladmir Lenin no Quirguistão
    Mulher segura bandeira da antiga União Soviética durante manifestação para comemorar o 151º aniversário de nascimento do líder comunista Vladmir Lenin no Quirguistão – Viacheslav Oseledko – 22.abr.2021/AFP

    Como as melhores narrativas de viagem, esta consegue equilibrar perspectiva histórica e testemunho pessoal com grande habilidade. Assim, cada um dos cinco países se separa da massa indistinta dos “istãos”, que tiveram as diferenças aplainadas pelo regime soviético, e emerge com seu passado, suas etnias, suas paisagens e suas peculiaridades sociais e políticas delineados de maneira clara.

    As distinções são necessárias, pois, como observa Fatland, os cinco países são “notavelmente dissimilares”. Enquanto mais de 80% do Turcomenistão é tomado pelo deserto, o Tadjiquistão é 90% montanhas. Enquanto o Cazaquistão nada em dinheiro, graças às suas reservas de gás, o Quirguistão depende em boa parte dos recursos enviados do exterior por gente que emigrou.

    Se o Turcomenistão é uma ditadura tão fechada quanto a Coreia do Norte (os dois países, aliás, insistem que não tiveram nenhum caso de Covid-19 graças à sabedoria de seus governantes) e talvez ainda mais bizarra, o Quirguistão tem votações democráticas e já depôs dois presidentes.

    As páginas em que Fatland expõe acontecimentos já distantes no tempo nunca são áridas. É assim, por exemplo, com sua explanação do “Grande Jogo”, a disputa entre os impérios britânico e russo que desenhou e redesenhou várias vezes o mapa da Ásia Central no século 19.

    É assim também com sua análise histórica das empreitadas soviéticas que provocaram devastação ambiental. A autora visitou a região de Semipalatinsk, no Cazaquistão, onde o regime de Moscou realizou a maioria de seus testes nucleares no século 20. Esteve, igualmente, nos extremos norte e sul do antigo Mar de Aral, que teve sua água roubada por grandes obras de irrigação na era soviética.

    Se a pesquisa dá estrutura ao livro, as experiências de Fatland lhe dão cor. A sorte a ajudou no Turcomenistão: depois de esperar horas debaixo do sol por uma corrida de cavalos que, todo mundo já sabia, teria o ditador Gurbanguly Berdymukhamedov como vencedor, ela o viu se estatelar no chão na linha de chegada.

    Depois da igreja, 1975
    Depois da igreja, 1975 Antanas Sutkus

    No Tadjiquistão, ela participa de um casamento em uma aldeia remota e dedica belas páginas descritivas à cerimônia e à paisagem. E atenção, fãs de Borat: no Quirguistão, e não no Cazaquistão do intrépido jornalista do cinema, ela explora a prática do rapto de esposas entrevistando mulheres que se resignaram a ela —e uma que se rebelou.

    Aquilo que Fatland não oferece é uma análise geopolítica mais ampla, que ponha os cinco países da Ásia Central em relação às potências econômicas e militares vizinhas, ou de outros continentes. A região está ensanduichada entre Rússia e China, mas apenas a ligação com a primeira recebe alguma atenção.

    A maneira como o Sovietistão se encaixa nos planos econômicos e políticos da China nem é arranhada, embora seja o fator mais importante para o seu futuro. Para quem quiser acrescentar essa peça ao quebra-cabeças, sugiro a leitura de “As Novas Rotas da Seda”, de Peter Frankopan, que tem edição portuguesa.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/06/sovietistao-equilibra-historia-e-relato-de-viagem-em-ex-nacoes-sovieticas.shtm

    Questões

    De que forma os ventos da “perestroika” e da “glasnost” se ligam ao título do texto jornalístico?

    Caracterizes cada um dos países da Ásia Central.

    O texto cita um grande impacto ambiental nessa região. Explique por que isso vem ocorrendo.

    Por que, no penúltimo parágrafo, o autor recorreu a uma palavra pouco usada para demostrar a situação geopolítica da região?

    Prof Luciano Mannarino

  • Navio de 400 metros de comprimento encalha e provoca ‘congestionamento’ no Canal de Suez

    Navio de 400 metros de comprimento encalha e provoca ‘congestionamento’ no Canal de Suez

    Segundo autoridades portuárias, embarcação foi atingida por ventos fortes; ao menos 30 navios ficaram bloqueados

    CAIRO | REUTERS

    24.mar.2021 às 9h08

    Atualizado: 24.mar.2021 às 9h58

    Um navio cargueiro de 400 metros de comprimento e 224 mil toneladas encalhou nesta terça-feira (23), bloqueando a passagem de outras embarcações no Canal de Suez, uma das vias navegáveis mais importantes do mundo.

    De acordo com a Autoridade do Canal de Suez (SCA), o navio Ever Given, um dos maiores navios porta-contêineres do mundo, ficou preso depois de perder a capacidade de direção ao ser atingido por ventos fortes e por uma tempestade de areia.

    Oito navios rebocadores tentavam recolocar o Ever Given em sua rota para liberar a passagem no canal. Segundo o GAC, agência portuária que monitora o trafego naval, o local deve ser liberado ainda nesta quarta-feira (24).

    Navio Ever Given encalhado no Canal de Suez depois de ser atingido por ventos fortes – Marina Passos/Autoridade do Canal de Suez – 24.mar.21/AFP

    Cerca de 12% do volume do comércio mundial passa pelo Canal de Suez, que conecta a Europa e a Ásia e está localizado no Egito. Ao menos 30 navios que vinham atrás do Ever Given e três no sentido oposto ficaram bloqueados, enquanto outras 15 embarcações tiveram suas rotas interrompidas e ficaram paradas em outros ancoradouros para esperar a liberação da passagem.

    Segundo a empresa BSM, responsável pelo Ever Given, o navio saiu da China em direção à Holanda e encalhou no canal por volta das 2h40 de terça-feira (horário de Brasília). Uma investigação sobre os fatores que levaram ao incidente está em andamento, informou a empresa, acrescentando que toda a tripulação está em segurança.

    Mapas de rastreamento mostravam o navio preso no trecho mais ao sul do canal, próximo ao porto de Suez no Mar Vermelho. A SAC emitiu um comunicado tranquilizando as empresas responsáveis por outras embarcações e disse que não está poupando esforços em relação ao “movimento de navegação pelo canal e seu retorno à regularidade”.

    Navio encalhado tem 400 metros de comprimento, 69 metros de largura e capacidade para 20 mil contêineres – Marina Passos/Autoridade do Canal de Suez – 24.mar.21/AFP

    Além dos 400 metros de comprimento —tamanho superior à altura do Empire State Building, um dos maiores arranha-céus do mundo—, o Ever Given tem 59 metros de largura e capacidade para transportar até 20 mil contêineres.

    Durante o ano de 2020, quase 19 mil navios passaram pelo Canal de Suez, estabelecendo uma média de 51,5 navios por dia e um total de 1,17 bilhão de toneladas em cargas, de acordo com dados da SCA.

    Analistas ouvidos pela agência de notícias Reuters alertam que o incidente com o Ever Given pode gerar congestionamentos nos portos europeus na próxima semana. O impacto nos transportes de petróleo—que já começou a registrar alta nos preços— e gás dependerá de quanto tempo levará até o retorno à normalidade no canal.

    Uma usuária do Instagram que estava em uma embarcação que vinha atrás do Ever Given publicou uma foto que mostra o navio atravessado no Canal de Suez. Segundo ela, o cargueiro está “superpreso” e o trabalho dos rebocadores “está levando a lugar nenhum”

    Se as autoridades no Egito conseguirem desencalhar o Ever Given e movê-lo para a lateral do canal em dois ou três dias, o episódio será um pequeno inconveniente para a indústria. As empresas de transporte geralmente incluem dias extras em suas programações para compensar os atrasos no trajeto.

    Mas se a extração do navio se revelar mais complexa, deixando o Suez bloqueado por mais tempo, isso pode representar um risco substancial para uma indústria que já está sobrecarregada. O comércio marítimo global sofreu um abalo no ano passado por causa da pandemia. No caso do Egito, a receita proveniente do Canal de Suez foi de US$ 5,61 bilhões (R$ 31 bilhões) em 2020, o que representa uma queda de 3% em relação ao ano anterior, de acordo com um levantamento do jornal New York Times.

    O episódio com o Ever Given, contudo, não é inédito. Nos últimos incidentes, o mesmo navio cargueiro japonês ficou preso duas vezes enquanto passava pelo canal, em outubro de 2017 e junho de 2018. Nas duas ocasiões, porém, os rebocadores conseguiram normalizar a situação em poucas horas.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/03/navio-de-400-metros-de-comprimento-encalha-e-provoca-congestionamento-no-canal-de-suez.shtml

    Questão

    1. Qual a importância do Canal de Suez para o comércio Global?

    2 Aponte outro importante Canal muito usado pelo comércio mundial.

    3.Por que essa região apresenta há uma forte incidência de ventos e tempestades de areia?

    4. Além da presença do Canal de Suez cite um outro elemento que transforma o Oriente Médio numa área estratégica para a economia mundial?

    Prof Luciano Mannarino

  • Dez anos após Fukushima, energia nuclear cresce com China e crise climática

    Dez anos após Fukushima, energia nuclear cresce com China e crise climática

    Produção mundial voltou aos níveis anteriores ao desastre; ambientalistas defendem fontes renováveis

    11.mar.2021 às 8h00

    Igor Gielow

    SÃO PAULO

    Em março de 2011, quando o desastre da usina japonesa de Fukushima horrorizou o mundo, o futuro comercial da energia nuclear foi dado como no mínimo incerto.

    A Alemanha anunciou o fim de seu programa de usinas atômicas, o Japão desligou para revisão seus 33 reatores, 3 dos quais tiveram seus núcleos derretidos após o terremoto e tsunami devastadores, grupos ambientalistas se disseram enfim reconhecidos no seu pleito por um mundo sem energia nuclear.

    A usina nuclear japonesa de Fukushima Daiichi, que teve três reatores atingidos no tsunami de 2011
    A usina nuclear japonesa de Fukushima Daiichi, que teve três reatores atingidos no tsunami de 2011 – Kazuhiro Nogi/AFP

    Dez anos depois, após uma queda, a produção mundial de suas usinas nucleares voltou aos índices pré-Fukushima. São 2.750 TWh (terawatts-hora), ante 2.720 TWh em 2010.

    E a tendência é de crescimento, puxado pela necessidade do corte mundial de emissões de carbono e pelo ambicioso programa energético da China.

    Durante seu encontro legislativo anual, chamado de Duas Sessões, o governo de Xi Jinping estabeleceu uma meta de aumento de 27% de sua produção nuclear até 2025.

    Das 53 usinas em construção em todo mundo, segundo a Associação Nuclear Mundial, o maior contingente (11) é chinês. Em 2020, havia 441 reatores civis em operação no planeta.

    O plano é considerado central para a ambição chinesa de atingir o máximo de sua emissão de carbono em 2030 e ser um país neutro no quesito em 2060. O tombo da economia mundial com a pandemia é visto como uma oportunidade de rearranjar a casa no clima.

    É o país mais poluente do mundo, segundo dados da Agência Internacional de Energia em 2020, responsável por 28% do despejo mundial de CO₂ na atmosfera —os EUA vêm em segundo lugar, com 15%.

    É o preço de ter virado uma das fábricas do mundo: de 1990 para cá, a emissão de carbono cresceu 356% no país, a segunda maior economia do mundo, atrás dos EUA.

    Hoje, apenas 4,7% da eletricidade consumida na China têm origem nuclear, sendo que dois terços da energia do país vem do ultrapoluente carvão.

    A terra do presidente e ativista climático Joe Biden, por sua vez, tem 19,4% de sua eletricidade oriunda de 94 usinas nucleares, maior parque da Terra. A produção anual está estável desde 2010 e fechou 2019 em 830 THh.

    Nem todo mundo está feliz com o plano chinês. O grupo ambientalista Greenpeace advoga que o mundo deve focar energias renováveis, como a solar e a eólica, mas isso esbarra na intermitência natural delas e no custo ainda alto devido à baixa escala.

    Uma vez ligado e alimentado, um reator nuclear gera energia virtualmente eterna sem emitir CO₂. Claro, a extração e o processamento do urânio que usa como combustível entram na conta, mas é uma fração muito baixa em relação a outras fontes poluentes.

    Usando fontes abertas sobre mortalidade e acidentes relacionados a fontes poluentes, o site Our World in Data fez uma comparação acerca dos efeitos de matrizes energéticas sobre uma cidade europeia média, com cerca de 188 mil habitantes e com o perfil usual de consumo no continente.

    A cidade de Namie, na província de Fukushima (Japão), classificada como de difícil retorno devido à radiação após acidente nuclear causado por terremoto e tsunami
    A cidade de Namie, na província de Fukushima (Japão), classificada como de difícil retorno devido à radiação após acidente nuclear causado por terremoto e tsunami Rodrigo Sicuro/Folhapress

    Pelas contas, 25 pessoas morreriam prematuramente por ano devido ao carvão, 18 pelo petróleo, 3 por causa do gás. Demoraria 14 anos para alguém morrer devido à energia nuclear, 29 anos pela eólica, 42 pela hidroelétrica, e 53, pela solar.

    Ou seja, aplica-se às usinas nucleares e sua relação com o entorno basicamente a regra do avião: é um modo muito seguro de transporte, desde que você não esteja dentro de um quando ele cai.

    Em conversa com a Folha no ano passado, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, apontou para essa contradição daqueles que demandam ação efetiva contra a mudança climática associada ao CO₂ na atmosfera.

    Para ele, a vantagem do nuclear é óbvia. Hoje, cerca de 10% da eletricidade consumida no mundo vêm de reatores nucleares, enquanto 38% vêm de carvão, 23% de gás natural, e 16%, de hidroelétricas. Alternativas (biomassa, solar e eólica) somam 7%.

    Já como fonte de energia para a economia, o petróleo segue imbatível com 31%, o carvão responde por 25%, e o gás, por 23%. O átomo fica com 4% do bolo, atrás de biomassa (7%) e hidroelétricas (6%). Vento e sol originam 3%.

    O caso alemão é exemplar do desafio colocado pelo temor de uma nova Fukushima —isso para não falar no pior acidente da história, em 1986, na usina de Tchernóbil (União Soviética, hoje Ucrânia). Em 2010, Berlim era a quinta maior geradora mundial de energia nuclear, com 140 TWh.

    Higashimatsushima, Província de Miyagi - 12.mar.11 / 3.mar.12
    Higashimatsushima, Província de Miyagi – 12.mar.11 / 3.mar.12 Reuters

    Em 2011, o país já havia decidido reduzir sua emissão de carbono. O acidente acelerou o processo de retirada da matriz nuclear, sob pressão da bancada verde no Parlamento, e o plano é desligar as seis usinas remanescentes em 2022.

    O problema é que a emissão de carbono se manteve relativamente estável, de 731 milhões de toneladas de CO₂ em 2011 para 677 milhões de toneladas em 2018, segundo a Agência Internacional de Energia.

    Curiosamente, países em que o movimento ambientalista é forte, como França e Suécia, têm alta dependência de energia nuclear: 71%, a maior do mundo, e 39%, respectivamente.

    País onde a tragédia de Fukushima ocorreu, o Japão vem religando suas usinas paulatinamente. Era o terceiro país em produção de energia atômica em 2010, com 286 TWh e 33 usinas. Em 2015, produziu apenas 4 TWh, quase quatro vezes menos que o Brasil e suas duas unidades em Angra dos Reis.

    Em 2019, último dado disponível, já havia subido para 70 TWh, tendo acionado nove de suas plantas nucleares.

    É um processo complicado, porque o trauma dos acidentes é altíssimo. Radiação é um subproduto perigosíssimo para lidar, e anos de construções com falhas de desenho (caso de Tchernóbil) ou em locais inadequados (Fukushima) colocam uma sombra permanente sobre a matriz nuclear.

    Na esteira de Tchernóbil, a segurança primária de reatores na antiga União Soviética foi melhorada, mas há lacunas. Enquanto nove unidades RBMK, iguais à que explodiu em 1986, ainda subsistem na Rússia, modelos de primeira e segunda geração VVER seguem pelo mundo.

    Um dos mais temidos por especialistas é o que equipa a planta de Metsamor, na Armênia. Numa região suscetível a terremotos devastadores, junto à capital Ierevan, ela quase foi alvo de forças azeris no conflito entre os países em 2020. Como fornece um terço da energia do país, deverá seguir onde está.

    Mulher presta homenagem às vítimas em cemitério de Kiev, na Ucrânia
    Mulher presta homenagem às vítimas em cemitério de Kiev, na Ucrânia Sergei Supinsky

    A questão dos resíduos é central, estatisticamente mais complexa do que a de acidentes em si. Lixo atômico é o combustível gasto pelos reatores, reciclável até certo ponto.

    No 14º Plano Quinquenal da China, revelado na reunião desta semana em Pequim, está inclusive previsto um trabalho específico em tecnologias que facilitem o reprocessamento do lixo.

    Os resíduos mais nocivos, o combustível gasto e não reciclável, precisa ser enterrado a centenas de metros por milênios. São um problema ambiental real, embora 99% do lixo seja de mais fácil manejo, como filtros, peças e roupas de proteção usadas.

    Por fim, mais intangível, há o preconceito que pode ser associado às tragédias e também às armas nucleares, que ocupam faixa semelhante no imaginário popular. Já os benefícios das aplicações médicas de isótopos radioativos, um terceiro ramo da energia nuclear, não costumam assustar tanto —exceto quando algo dá errado, como na exposição do césio-137 em Goiânia, em 1987.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/03/dez-anos-apos-fukushima-energia-nuclear-cresce-com-china-e-crise-climatica.shtml

  • América Latina e convergência de rendimentos: história de um fracasso?

    América Latina e convergência de rendimentos: história de um fracasso?

    EM13 CHS 206     Analisar a ocupação humana e a produção do espaço em diferentes tempos, aplicando os princípios de localização, distribuição, ordem, extensão, conexão, arranjos, casualidade, entre outros que contribuem para o raciocínio geográfico.

    3.mar.2021 às 18h22

    Carlos Andrés Brando: Historiador. Doutor em História Econômica, London School of Economics & Political Science. Pesquisador pós-doutorando na U. de los Andes e reitor da Faculdade de Economia da U. Jorge Tadeo Lozano.

    Uma ideia popular em economia sustenta que os países pobres tendem a crescer mais rapidamente do que os países ricos. Portanto, as economias do mundo acabam convergindo em seus níveis de renda. A vantagem mais importante que os retardatários têm é copiar os melhores padrões e práticas institucionais, tecnológicas e produtivas dos que estão à frente.

    Além disso, segundo a teoria, os pobres recebem grandes quantidades de capital dos ricos, o que significa que, apesar de investirem cada vez mais capital na formação de sua força de trabalho ou em suas indústrias, os retornos que obtêm com esses investimentos são cada vez menores.

    COMO É A TEORIA À LUZ DA HISTÓRIA?

    Após a Revolução Industrial Inglesa e o crescimento econômico moderno que ela gerou em meados do século 18, uma dúzia de países ocidentais atingiu níveis de renda semelhantes aos ingleses nos cem anos seguintes. Primeiro vieram a Holanda e a Bélgica. Depois França, Suíça, Dinamarca, Alemanha, Nova Zelândia, Austrália, Canadá e Argentina. No início do século passado, o grupo dos ricos foi completado pela Noruega e Suécia.

    Os Estados Unidos merecem uma menção especial, pois ultrapassaram a Inglaterra para se tornarem o país mais rico do mundo, o líder tecnológico e o poder político hegemônico global à beira da Primeira Guerra Mundial.

    Desde então, tem havido pouca convergência. Durante os chamados “anos dourados” do período pós-guerra, o crescimento econômico acelerado experimentado pela Áustria, Finlândia, Itália e Espanha os trouxe para o clube de elite. A Irlanda e Portugal somaram-se ao grupo recentemente.

    E A AMÉRICA LATINA?

    A região não tem sido completamente imune ao fenômeno. Entretanto, as experiências históricas de convergência têm sido amargas.

    A Argentina era uma das 12 economias mais prósperas do mundo durante o primeiro terço do século 20 e desde então começou um longo declínio gradual (relativo) de seu PIB per capita até os anos 2000. Foi superada pela Venezuela nos anos 1950, cuja economia cresceu rapidamente por mais duas décadas, apenas para sofrer uma grande retração e mais 30 anos de estagnação.

    Um frango chega a custar 14.600.000 Bs, pouco mais de R$ 8
    Um frango chega a custar 14.600.000 Bs na Venezuela, pouco mais de R$ 8 Carlos Garcia Rawlins/Reuters

    Assim, a Venezuela apresenta uma evolução de sua renda próxima à forma de um sino de distribuição normal. Evidentemente, em nenhum dos casos a convergência foi cimentada.

    Um século de convergência (ou divergência) na América Latina, anos 1920 - anos  2010
    Um século de convergência (ou divergência) na América Latina, anos 1920 – anos 2010 (Evolução do PIB real p/c, US$ de – Razões de países selecionados em relação aos Estados Unidos) – Reprodução

    Fonte: Elaboração própria a partir do Maddison Project Database (2020). G10+ (média do grupo de países ricos mencionados acima, dos quais Argentina e Venezuela fizeram parte temporariamente em diferentes décadas).

    Embora os casos do Chile e da Colômbia sejam semelhantes, já que ambos terminam suas trajetórias em níveis de renda muito próximos aos de seus pontos de partida um século atrás, o Chile fica marcadamente atrás do G10+ por 50 anos (1930 a 1970), e só começa a se recuperar na década de 1980. A Colômbia, entretanto, permaneceu praticamente estática desde a década de 1940, com uma reviravolta na última década.

    O Brasil é diferente. Mostra uma tendência ascendente apenas desacelerada pela crise da dívida dos anos 1980 e a subsequente “década perdida”. Em 100 anos, a renda dos brasileiros passou de representar pouco mais de 10% da renda dos Estados Unidos para 28%. A este ritmo, a convergência com o líder levará cerca de 300 anos.

    O SUCESSO DOS PAÍSES ASIÁTICOS

    O fracasso da América Latina em convergir é claro e contundente. Mas nem todos sofreram este destino. As experiências do Japão, Hong Kong, Singapura, Taiwan e Coreia do Sul (os “tigres” asiáticos) representam casos de convergência bem-sucedidos.

    Começando com o Japão nos anos 1960, e sucessivamente com diferenças de cerca de uma década entre os anos 1970 e 2000, os quatro casos restantes na ordem acima atingiram os níveis de renda do G10+. Enquanto o fizeram com taxas de crescimento diferentes, Hong Kong e Japão com taxas muito altas e a Coreia a um ritmo mais lento, todos eles alcançaram a terra prometida.

    Um século de convergência na Ásia Oriental, anos 1920 – anos 2010
    Um século de convergência na Ásia Oriental, anos 1920 – anos 2010 (Crescimento real do PIB p/c, US$ de 2011 – Razões de países selecionados em relação aos Estados Unidos) – Reprodução

    Fonte: Elaboração própria a partir do Maddison Project Database (2020). G10+ (média do grupo de países ricos mencionados acima, dos quais Argentina e Venezuela fizeram parte temporariamente em diferentes décadas).

    ONDE ESTÁ A DIFERENÇA?

    O fator decisivo para entender a razão das diferentes experiências nas duas regiões reside na natureza da integração com a economia internacional.

    Por um lado, a América Latina foi integrada através de exportações primárias. Ao longo do século, as matrizes de exportação das cinco economias foram dominadas por commodities: café, trigo, carne, borracha, lã, soja, cobre, nitrato, carvão e petróleo.

    Por outro lado, os “tigres” transformaram gradualmente suas matrizes, afastando-se da exportação de bens primários para se concentrarem no desenvolvimento das exportações de bens industriais (e serviços comerciais e financeiros em Singapura e Hong Kong).

    Os anos de rápido crescimento e convergência foram anos de dinamismo e consolidação em setores como o automotivo, máquinas de alta precisão, fibras sintéticas, plásticos, semicondutores, software de computador e produtos eletrônicos. Todos esses competindo nos mercados internacionais. Em outras palavras, estas economias deram um grande impulso à sua industrialização, redirecionando-a para a exportação.

    A industrialização das exportações estimulou a demanda por atividades domésticas ligadas à produção no exterior, gerou um trabalho formal cada vez mais qualificado, e permitiu que a acumulação de economias fosse recanalizada como investimento em infraestrutura e outros setores ávidos de recursos.

    Mas, acima de tudo, este compromisso de exportação exigiu a formação de um sistema tecnológico nacional capaz de inovação contínua, tanto nos produtos quanto nos processos de produção. Assim, empresas e trabalhadores asiáticos se tornaram mais produtivos e agregaram cada vez mais valor aos bens e serviços oferecidos. Como resultado, eles recebiam maiores rendimentos.

    Para ser justo, os latino-americanos conseguiram exportar produtos industriais. Mas eles o fizeram em proporções menores, na maioria das vezes regionalmente e episodicamente. Em vez de criar tecnologia em casa, ela foi importada e o círculo virtuoso foi rompido.

    As commodities traçaram outro caminho, com problemas estruturais antigos: vulnerabilidade externa, desvalorização da moeda, volatilidade do crescimento e escassez de estímulos e ligações com outras atividades.

    O mundo mudou e as notícias não são boas. As condições para saltar adiante são mais difíceis agora do que eram para os “tigres” há quatro ou cinco décadas. Os acordos comerciais bilaterais, as regras do jogo regulatório do comércio internacional e a ubiquidade dos direitos de propriedade intelectual reduziram significativamente o espaço para desenvolver o tipo de políticas industriais que os agora ricos implementaram quando procuraram sair da pobreza.

    A América Latina parece condenada a contribuir para as teorias da divergência.

    Tradução do espanhol por Maria Isabel Santos Lima

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/latinoamerica21/2021/03/america-latina-e-convergencia-de-rendimentos-historia-de-um-fracasso.shtml

  • Indústria de chips dos EUA pede que administração Biden financie fábricas

    Indústria de chips dos EUA pede que administração Biden financie fábricas

    Pandemia levou a distorção na cadeia produtiva, que paralisou produções da Ford Motor e General Motors

    11.fev.2021 às 15h13

    REUTERS

    Um grupo de empresas de chips dos EUA enviou nesta quinta-feira (11) uma carta ao presidente Joe Biden pedindo “financiamento substancial para incentivos à fabricação de semicondutores” como parte de seus planos de recuperação econômica e infraestrutura.

    Os presidentes-executivos das principais empresas americanas, entre elas Intel, Qualcomm, Micron Technology e Advanced Micro Devices, assinaram a carta.

    Isso ocorre no momento em que uma escassez global de chips paralisou as linhas de fábrica da Ford Motor e General Motors, com executivos das montadoras prevendo perda de bilhões de lucros. O estoque apertado de chips tornou ainda mais difícil para os consumidores comprar consoles de jogos populares, como o Xbox, da Microsoft, e o Playstation, da Sony.

    Linha de produção da montadora de caminhões Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, grande São Paulo – Bruno Santos – 18.mai.2020/Folhapress

    Os chips que faltam são fabricados principalmente em países como Taiwan e Coreia do Sul, que passaram a dominar o setor. A carta, enviada pela Semiconductor Industry Association, dizia que a participação dos Estados Unidos na fabricação de semicondutores caiu de 37% em 1990 para 12% hoje.

    “Isso ocorre principalmente porque os governos de nossos concorrentes globais oferecem incentivos e subsídios significativos para atrair novas instalações de fabricação de semicondutores, enquanto os Estados Unidos não”, disse o grupo.

    O Congresso autorizou no ano passado subsídios para fabricação de chips e pesquisa de semicondutores, mas os parlamentares ainda precisam decidir quanto financiamento fornecer. O grupo de chips dos EUA instou Biden a fornecer esse financiamento na forma de doações ou créditos fiscais.

    “Trabalhando com o Congresso, sua administração agora tem uma oportunidade histórica de financiar essas iniciativas para torná-las realidade”, escreveu o grupo. “Acreditamos que uma ação ousada é necessária para enfrentar os desafios que enfrentamos. Os custos da inação são altos.

    https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/02/industria-de-chips-dos-eua-pede-que-administracao-biden-financie-fabricas.shtml

    INDÚSTRIA E SEUS FATORES LOCACIONAIS (vídeo e atividades)