Categoria: Ásia

  • Cercado, Japão se afasta do pacifismo e acelera uso de armas ofensivas. (atividade)

    Cercado, Japão se afasta do pacifismo e acelera uso de armas ofensivas. (atividade)

    País descarta sistema de defesa antimíssil e admite empregar força vetada pela Constituição

     

    Igor Gielow
    SÃO PAULO

    Alarmado com a ascensão da China, uma Coreia do Norte imprevisível e a pouca confiança que Donald Trump inspira, o Japão deu mais um passo para retomar sua capacidade militar ofensiva.

    Na sexta (26), o Conselho Nacional de Segurança do país enterrou os planos para instalar em dois pontos de sua maior ilha, Honshu, o sistema antimísseis americano Aegis Ashore.

    A decisão decorre de revisão de custos e das queixas de moradores de cidades próximas, tornadas alvos óbvios, mas tem uma implicação estratégica maior.

    Carro de combate Tipo 16 atira durante exercício das Forças de Autodefesa do Japão em Gotemba, em maio
    Carro de combate Tipo 16 atira em exercício das Forças de Autodefesa em Gotemba, em maio – Charly Triballeau – 23.mai.2020/Pool via Reuters

    O primeiro-ministro Shinzo Abe afirmou que, como opção, o Japão estuda se armar com mísseis capazes de atacar bases de países inimigos antes que elas lancem seus foguetes.

    Assim, na prática Abe está dando uma interpretação criativa sobre o artigo 9 da Constituição japonesa, que proíbe o país de possuir armas ofensivas.

    A Carta é um legado da derrota do império na Segunda Guerra Mundial em 1945, tendo sido imposta pelos vencedores, os Estados Unidos.

    Ao longo da Guerra Fria, com a necessidade de conter a União Soviética no Pacífico, os japoneses foram se rearmando com apoio americano, apesar das limitações.

    “Desde então, a estratégia dos EUA é a de evitar a ascensão de poderes regionais. Um Japão capaz poderia minar a estrutura de alianças americana”, diz Phillip Orchard.

    Só que a última década, afirma esse analista da consultoria americana Geopolitical Futures, viu a discussão ser retomada com a ascensão da China e sua maior assertividade.

    Pequim tem investido em força naval e militarizou o mar do Sul da China, rota marítima vital e que os EUA querem livre, com bases.

    Já a ditadura de Kim Jong-un testa, periodicamente, mísseis com alcance de sobra para levar uma bomba nuclear ao Japão.

    Por fim, há rivalidades históricas diversas na região. Tóquio ainda não resolveu o status das ilhas Kurilas, disputadas com Moscou, e a relação com a Coreia do Sul é sempre tensa, por evocar a brutal ocupação japonesa de 1910 a 1945.

    O veto a possuir bombardeiros estratégicos, mísseis de longo alcance ou porta-aviões de ataque também marcou a psique nacional do pós-guerra.

    De um lado, o pacifismo floresceu fortemente na política, decorrente do trauma do conflito que viu as duas únicas bombas atômicas usadas em guerra explodirem no Japão.

    Por outro, organizações nacionalistas, a maioria de extrema direita, ganharam força.

    Abe é membro da maior delas, a Nippon Kaigi (conferência do Japão), e visitou várias vezes o polêmico santuário Yasukuni.

    Caças F-15 japoneses (centro) voam com dois bombardeiros B-1B (acima) e dois caças F-35 americanos sobre a região de Kyushu, Japão
    Caças F-15 japoneses (centro) voam com dois bombardeiros B-1B (acima) e dois caças F-35 americanos sobre a região de Kyushu, no Japão – Ministério da Defesa do Japão – 31.ago.2017/Reuters

    O templo xintoísta em Tóquio homenageia 2,5 milhões de japoneses mortos em combate, inclusive mais de mil criminosos de guerra condenados.

    O premiê, que passou pelo cargo de 2006 a 2007 e voltou ao poder em 2012, é a figura dominante da política japonesa.

    Ainda assim, sua defesa do rearmamento ofensivo do país é duramente combatida na Dieta (o Parlamento local), e não deverá ser diferente agora.

    O governo tenta se equilibrar entre as demandas. Apesar do militarismo de Abe e da necessidade de manter o arquipélago com acesso a rotas marítimas de suprimentos, no ano passado o Japão se recusou a participar de patrulhas com os americanos no estreito de Hormuz.

    Os EUA queriam ajuda do aliado para pressionar o Irã, com quem quase foram à guerra no começo deste ano, e garantir o fluxo de petroleiros pela região.

    O motivo: o artigo 9 veta qualquer projeção de poder fora de águas territoriais.

    Shinzo Abe e Donald Trump durante encontro bilateral na reunião do G7 em Biarritz (França), em 2019
    Shinzo Abe e Donald Trump durante encontro bilateral na reunião do G7 em Biarritz (França), em 2019 – Carlos Barria – 25.ago.2019/Reuters

    Ainda assim, a Marinha japonesa participa de exercícios com americanos e australianos com frequência, e sua Guarda Costeira tem operado no mar do Sul da China.

     

    Os três países e a Índia formam uma aliança informal chamada Quad, que envolve estrategicamente as saídas chinesas para o mar — e o comércio mundial é 90% marítimo.

    No fim de semana, japoneses fizeram manobras com os indianos no Oceano Índico, outra sinalização aos chineses: Pequim e Nova Déli se envolveram em uma escaramuça fronteiriça com mortos há duas semanas.

    A questão econômica pesou no caso do sistema antimísseis. O Aegis Ashore custaria US$ 4,1 bilhões (R$ 22 bilhões no câmbio desta segunda, 29) ao Japão, dos quais US$ 1,6 bilhão (R$ 8,6 bilhões) já foram pagos, e o país está em recessão devido à pandemia do novo coronavírus.

    Isso não obrigou, contudo, a revisão de outros projetos do plano quinquenal de defesa do Japão, lançado em 2019.

    Nele, o país pretende gastar US$ 244 bilhões (R$ 1,3 trilhão). Em 2019, o Japão teve o oitavo maior orçamento militar do mundo, US$ 48,6 bilhões (R$ 262 bilhões).

    EUA lideram com US$ 684,6 bilhões (R$ 3,7 trilhões), deixando a China em segundo com US$ 181,1 bilhões (R$ 978 bilhões), segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.

    Um dos itens mais vistosos do pacote é a dupla de navios da classe Izumo, que estão sendo adaptados para receber a versão de decolagem vertical dos avançados caças americanos F-35. O Japão encomendou 45 desses aviões, capazes de lançar mísseis de longa distância.

    O programa, claro, é alvo de críticas da oposição, mas aos poucos vai tomando forma. Na semana passada foram iniciados os testes do oitavo destróier equipado com a versão naval do sistema antimíssil Aegis.

    Ele só não é visto como uma opção viável para o modelo terrestre porque seriam necessários ao menos três navios em ação 24 horas por dia.

    Fica bem mais barato comprar mísseis de cruzeiro de longo alcance, algo que começou a ser discretamente feito em 2017. Ou investir em mísseis balísticos, como Abe sugere.

    A negociação do americano com Kim, ora congelada, gerou sinais de alerta tanto em Tóquio quanto em Seul — que temem um desengajamento das obrigações americanas de defender os colegas.

    Até a eventual aquisição de armas nucleares, um tabu natural no Japão, foi discutida como meio de reforço de defesas.

    O país concentra o maior contingente americano no exterior, 55,6 mil soldados em 23 de bases.

    Trump já retirou forças da África, do Oriente Médio e, agora, da Europa.

    Se parece improvável que os EUA deixem os japoneses à mercê do colosso chinês, até pela Guerra Fria 2.0 entre Washington e Pequim, Tóquio não deve pagar para ver.

    “O país tem pouca alternativa senão assumir maior responsabilidade por seus interesses de longo prazo”, diz Orchard.

     

    Questões
    1. O texto especula que o Primeiro-ministro Shinzo Abe estaria fazendo uma interpretação criativa do Artigo 9 da Constituição japonesa.
    Por quê?
    2. Retirar tropas do Japão  é, sob o ponto de vista financeiro, duplamente rentável para os americanos.
    Por quê?
    3. Explique a forte presença americana no arquipélago japonês logo após a fim da 2 Grande Guerra.
    4. Explique o título da reportagem.
  • A Geografia do Oriente Médio (vídeo e atividades)

    A Geografia do Oriente Médio (vídeo e atividades)

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    1. O petróleo como fonte de riqueza e conflito
    O Oriente Médio possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo.
    Explique por que essa riqueza em petróleo, que poderia trazer prosperidade, também é uma das causas da instabilidade na região.
    um exemplo real conflito que envolveu a disputa por petróleo.

    2. Conflitos religiosos entre sunitas e xiitas
    Sunitas e xiitas são dois grandes grupos do islamismo e possuem diferenças religiosas e políticas.
    Explique como essa divisão contribui para conflitos dentro e entre países do Oriente Médio.
    um exemplo de país onde essa rivalidade causa instabilidade.

    3. Escassez de água e disputas entre países
    A água é um recurso escasso no Oriente Médio, e seu acesso é essencial para a vida e a agricultura.
    Explique como a falta de água pode provocar conflitos entre os países da região.
    Cite um exemplo de bacia hidrográfica ou rio disputado e comente os impactos disso para a população.

    4. O Oriente Médio em rotas comerciais estratégicas
    O Oriente Médio está localizado entre três continentes e possui rotas comerciais muito importantes, como o Canal de Suez e o Estreito de Ormuz.
    Explique por que o controle dessas rotas comerciais torna a região estratégica e desejada por várias potências.
    um exemplo de crise ou tensão internacional relacionada a essas rotas.

    5. O conflito entre judeus e palestinos
    Desde a criação do Estado de Israel, em 1948, judeus e palestinos vivem em conflito por território e reconhecimento político.
    Explique as principais causas desse conflito e por que ele ainda não foi resolvido.
    Comente os principais obstáculos para se chegar à paz entre israelenses e palestinos.

    Rio Jordão, Colinas de Golã, Israel e a Síria. (Atividade)

    Demanda por combustíveis fósseis mostra fragilidade das energias renováveis

    Era pós-petróleo redesenha o Oriente Médio

    Israel vai dobrar número de habitantes nas colinas de Golã, anuncia governo

    Israel concentra tropas na fronteira com Gaza em meio a foguetes do Hamas e conflitos internos

    Prof. Luciano Mannarino.

  • DESIGUALDADE GLOBAL (ÁSIA)

    Ásia tira milhões da miséria, mas fosso de renda se abre

    China usa mão pesada do Estado e financiamento público a empresas para criar empregos, mas crescem as dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo intervencionista.
    Fernando CanzianLalo de Almeida (fotos)
    CHINA

     

    Quando jovens nos anos 1980, os agricultores Li Hu Hu, 58, e Hao Sanhuan, 54, moradores de Hohhot, cidade no norte da China perto da fronteira com a Mongólia, foram obrigados pelos pais a se casarem antes de terem se conhecido.

    “Daquela época, não vale nem recordar. Era muito duro. Nossos pais tinham muitos filhos e não podiam cuidar de todos”, diz Hao ao lado do marido.

     

    Com roupas e mãos encardidas de terra, o casal mostra a pequena casa em reforma onde vive em meio a galinhas e carneiros.

    Ambos trabalham em uma fazenda de cogumelos e é com o dinheiro dessa atividade que reconstroem a casa e que pagaram os estudos dos filhos.  Aos 28 anos, o caçula formou-se em química aplicada, fez mestrado e agora trabalha em Pequim.

    Em um país com quase 1,4 bilhão de pessoas, Li e Hao fazem parte dos quase 800 milhões de chineses que deixaram para trás a pobreza extrema desde 1978.

    Hao Sanhuan e Li Hu Hu trabalham em plantação de cogumelos financiada pelo governo chinês em Hohhot, na China; o casal em sua casa, onde criam carneiros e galinhas no quintal

     

    Foi naquele ano dois após a morte de Mao Tse-tung (1893-1976), responsável por fazer da China um país comunista que o então secretário-geral do PCC (Partido Comunista Chinês), Deng Xiaoping (1904-1997), introduziu as reformas econômicas que levariam o país a crescer cerca de 10% ao ano por um longo período. Até se transformar na segunda maior economia do mundo, atrás só dos EUA.

    A rápida industrialização chinesa baseada na exportação, em baixos salários (cada vez mais raros) e na alta produtividade foi crucial para a transformação do país. Agora, a meta do atual dirigente com cargo vitalício, Xi Jinping, 66, é eliminar a miséria da China até 2020.

    Após Xi tomar posse em 2013, o governo contabilizou 89 milhões de pessoas consideradas pobres no país. Em seis anos, segundo dados oficiais, esse total já foi reduzido para 13,1 milhões. Concentradas sobretudo em áreas rurais, onde os rendimentos são um quarto do que é observado nas cidades, elas agora são o alvo prioritário de projetos que têm por trás a mão pesada do Estado chinês.

    Su Gouxia, do Gabinete de Combate à Pobreza, diz que a verba deste ano para a área equivale a 3,4% do orçamento público, ou 120 bilhões de yuans (R$ 67 bilhões, o dobro do Bolsa Família, que atende 13,7 milhões de famílias).

    Funcionário do governo chinês apresenta estatísticas sobre a redução da pobreza no país

    “Injetamos muito dinheiro também em transporte, educação e serviços médicos nas zonas rurais”, diz Gouxia.

     

    A fazenda de cogumelos onde Li e Hao trabalham em Hohhot faz parte desse gigantesco esforço de subsidiar negócios e empresas que contratem diretamente pessoas em situação miserável. Na plantação foram investidos 650 milhões de yuans (R$ 360 milhões) em dinheiro público para a produção anual de 5.000 toneladas de diferentes tipos de cogumelos.

    Não há lucro ainda, diz Wang Hailin, diretor do negócio que emprega cerca de 500 agricultores. Mas, em média, cada um deles ganha entre 3.000 e 4.000 yuans por mês (R$ 1.650 a R$ 2.200), dependendo da produtividade.  Essa é a mesma faixa de renda que o vendedor e criador de gado Liu Yongsheng, 43, obtém na feira de Cheng Feng, em Tongliao, mais ao leste do país e perto da fronteira com a Coreia do Norte.

    Com a ajuda de empréstimos do governo, foram os administradores da própria feira que repassaram um financiamento de 100 mil yuans (R$ 56 mil) a Liu para que ele pudesse começar a criar e a comercializar gado. Como Liu, outras 41 pessoas foram ajudadas desde 2016.

    “As mudanças aqui são muito grandes e estamos bem melhor do que quando éramos jovens”, diz Liu, cujo sonho é fazer do filho de 17 anos um universitário.

     

    A feira de Cheng Feng comercializa cerca de 8.000 cabeças por pregão e foi criada por um ex-militar do Exército chinês e membro do Partido Comunista Chinês.

     

    Depois de montar a operação, ele constituiu uma célula do partido dentro do negócio, em uma configuração cada vez mais comum na China e testemunhada pela Folha em várias empresas visitadas.

    Estima-se que atualmente mais de 70% das companhias privadas (inclusive estrangeiras) na China tenham células do partido em atividade, numa tendência que vem se acentuando desde a chegada de Xi Jinping ao poder. Esses núcleos políticos servem tanto para que as empresas acompanhem melhor as políticas do governo central quanto para que possam se livrar de burocracias locais e obter vantagens como empréstimos subsidiados.

    Em novembro de 2018, o jornal oficial Diário do Povo anunciou que Jack Ma, fundador do grupo Alibaba e uma das pessoas mais ricas do mundo, filiou-se ao partido, seguindo um caminho já trilhado por grandes empresários no país.

    Ao todo, o PCC tem quase 90 milhões de membros na China e oferece um aplicativo para celulares a fim de que seus filiados acompanhem online as orientações do partido e os discursos de Xi Jinping.  “No nosso caso, a célula do PCC atraiu a participação de comerciantes vizinhos para a feira”, diz Zhang Min, gerente de vendas da Cheng Feng e irmã do fundador.

    Segundo Yu Xiaohua, professor da Universidade de Renmin, em Pequim, outra tendência do setor privado tem sido a de ampliar investimentos no interior, empregando mais pessoas em zonas ainda muito pobres, para fugir de custos e salários em alta nas áreas ricas do leste chinês.

    Paralelamente, outra meta do governo para 2020 é elevar a 60% o total de chineses nas zonas urbanas. Para isso, cidades com população entre 3 milhões e 5 milhões foram franqueadas aos que possuem apenas registros rurais de residência o “hukou”, uma espécie de passaporte interno.

    Criador de gado chinês que obteve subsídio do Estado tenta laçar vaca no interior da China; abaixo, instalações “high tech” em uma das maiores fábricas de leite do mundo, na China

     

    Ações como essas e o formidável crescimento chinês nas últimas décadas levaram a China a protagonizar a maior história de sucesso da humanidade em termos de redução da pobreza.

    Segundo o Relatório da Desigualdade Global da Escola de Economia de Paris, na qual atua o economista Thomas Piketty, desde o início das reformas de Deng Xiaoping, em 1978, a renda média chinesa saltou 780% como comparação, a alta nos EUA foi de 63%, e na França, de 38%.

    Seguindo a tendência de quase todos os países do mundo, no entanto, isso veio acompanhado de um aprofundamento da desigualdade, deixando para trás uma época em que os 10% mais ricos na China e os 50% mais pobres ficavam com cerca de um quarto (27%) da renda cada.

    Hoje, os 10% mais ricos se apropriam de mais de 40% dos rendimentos e os 50% mais pobres, de menos de 15%.

     

    Assim como a China, muitos dos países que tiveram sucesso no combate à pobreza extrema ou crescimento acelerado registraram aumento na desigualdade, pois houve ganhos maiores nos setores que puxaram o desenvolvimento. Seus participantes se beneficiaram mais.

     

    Na China, o aumento da renda acumulado pelos 10% mais ricos desde 1980 foi de 1.230%; entre os 50% mais pobres, de 386%. No caso chinês, a concentração de renda coincidiu com a onda de privatizações entre 1998 e 2006.

    No período, a classe média (os 40% “do meio” entre os 10% mais ricos e os 50% mais pobres) teve um ganho de 730%, apenas um pouco abaixo da média geral. Aboa notícia no caso chinês é que a desigualdade, embora estacionada em patamar elevado, vem parando de aumentar há quase 15 anos.

    Por causa da China e também da maioria de seus vizinhos asiáticos, a Terra hoje pode ser considerada um “planeta classe média”.

    Nele, mais da metade da população (cerca de 3,8 bilhões de pessoas) vive com algo entre US$ 11 e US$ 110 ao dia (R$ 42 a R$ 416) e tem renda suficiente para comprar geladeiras ou motocicletas, segundo o Brookings Institution, de Washington. “Mesmo onde a desigualdade ainda aumenta, o crescimento em países como China, Índia, Vietnã, Filipinas ou Indonésia é muito forte, a ponto de compensar a alta da disparidade de renda e causar a expansão de suas classes médias”, diz Homi Kharas, do programa de Economia Global do Brookings Institution.

    Na China, tanto a renda média dos 50% dos adultos mais pobres (cerca de R$ 1.400 mensais) quanto a da classe média (R$ 5.100) já superou, ainda que por pequena margem, a brasileira segundo o critério PPC (Paridade do Poder de Compra), que relaciona poder aquisitivo ao custo de vida local.

    Mulheres com roupas típicas em frente à entrada da Cidade Proibida, no centro de Pequim; na capital chinesa é comum grupos se reunirem para dançar pela manhã ou no final do dia.

     

    Para Lucas Chancel, coordenador do relatório, China e demais asiáticos protagonizam “o lado feliz da globalização”, que proporcionou a melhora da renda nesses países altamente populosos e voltados à exportação.

    “O outro lado da globalização é que a renda cresce em ritmo muito baixo para as classes trabalhadoras na América do Norte e em determinados países europeus. Alguns políticos já perceberam isso, e estamos vendo os efeitos”, diz Chancel, em referência às ondas de populismo e protecionismo dos últimos anos.

    Apesar das críticas de muitos líderes do Ocidente ao modelo de “capitalismo de Estado” chinês, sobretudo de Donald Trump nos EUA, alguns especialistas em desigualdade concordam que, em termos de combate à pobreza, ele traz resultados sólidos.

    “Na China, as empresas privadas produzem cerca de 70% de todo o valor agregado e empregam quase 80% da força de trabalho, que é assalariada. Portanto, há pessoas legalmente livres trabalhando”, diz Branko Milanovic, autor de “Global Inequality” (Harvard University Press).  “Isso não significa que o Estado chinês não tenha um papel ativo. Mas ele não é muito diferente do que o Estado francês teve nos anos 1980.”

    Seguranças orientam o público na Cidade Proibida, em Pequim; na entrada do palácio, foto do líder Mao Tsé-Tung

    Ao longo das últimas décadas, o crescimento chinês foi baseado amplamente em investimentos em infraestrutura e empréstimos a empresas com recursos estatais para plataformas de exportação que usavam mão de obra em larga escala e barata.

    Isso fez com que a taxa de investimentos da China alcançasse quase a metade do PIB e seja hoje equivalente a mais que o dobro da média dos países ricos. Já o consumo das famílias representa um terço do PIB, metade da taxa nos países desenvolvidos.

    Com o aumento da renda média, a expectativa era de que os investimentos públicos pudessem refluir, que o Estado se desfizesse de boa parte de suas 150 mil estatais e que o consumo virasse o principal motor do crescimento.

    Embora as grandes cidades chinesas agora estejam repletas de shoppings quase sempre cheios, a chegada de Xi Jinping ao poder parece ampliar novamente a participação do Estado na economia.

    A partir de 2013, por exemplo, as estatais subiram de 35% para 80% sua participação em empréstimos bancários, segundo dados do economista Nicholas Lardy, do Peterson Institute for International Economics.

    Por trás do novo intervencionismo estaria a tentativa de acelerar outra vez o investimento no menor patamar em 20 anos e a economia.

    Com crescimento anualizado em torno de 10% até a crise global de 2008, o PIB perde força e neste ano deve ceder a 6% ou menos, dependendo do impacto da guerra comercial com os Estados Unidos.

    O risco dessa estratégia, segundo especialistas, seria o de anabolizar demais a economia com empréstimos estatais para promover negócios que não encontrarão demanda correspondente no futuro.

     

    http://temas.folha.uol.com.br/desigualdade-global/asia/asia-tira-milhoes-da-miseria-mas-fosso-de-renda-se-abre.shtml

    Questões

    1. O que seria o “Capitalismo de Estado”? Exemplifique.

    2. Qual foi importância do governo de  Deng Xiaoping no crescimento da China?

    3. Quais são os principais desafios que a China deverá enfrentar nas próximas décadas?

     

     

     

    Prof Luciano Mannarino

     

  • UM MUNDO DE MUROS (CISJORDÂNIA E ISRAEL)

    Barreira construída para trazer segurança aparta vidas e memórias

    Concreto que serpenteia por terras palestinas freou homens-bomba, mas afastou prospecto de paz

    DIOGO BERCITO E LALO DE ALMEIDA

    4.set.2017 – 02h00

    Umm Judah, 64, se esqueceu de muitas coisas. Entre elas, a palavra que moldou os anos mais recentes de sua vida: “muro”.

    Professora aposentada, a palestina vive nas cercanias de Belém diante de uma barreira de concreto de oito metros de altura.

    É esse o horizonte à sua porta, que a separa da terra que cultivou por décadas e das lembranças dos filhos iluminados pelos faróis e satisfeitos com os figos recém-colhidos.

    “É como uma venda”, diz à Folha. “Como se nos arrancassem os olhos.”

    Durante a entrevista, ela aponta a construção mais de uma vez por não se lembrar de como chamá-la, mesmo em seu árabe nativo.

    A professora aposentada palestina Umm Judah, 64, que vive diante de um muro de oito metros de altura; barreira a separa da terra que cultivou por décadas

    A professora aposentada palestina Umm Judah, 64, que vive diante de um muro de oito metros de altura; barreira a separa da terra que cultivou por décadas (Lalo de Almeida/Folhapress)

     

     

    O muro diante de sua casa é um trecho da barreira de 764 quilômetros que Israel ergue desde 2002 para se separar dos territórios palestinos da Cisjordânia, onde estão cidades como Belém e Ramallah. A maior parte é cerca, e o concreto é usado nas áreas urbanas. Faltam os últimos 194 quilômetros da construção.

    A barreira tem impacto brutal nas vidas de pessoas como Umm Judah. Mas israelenses de diferentes orientações políticas concordam, por outro lado, que existia a necessidade urgente de erguê-la.

    As memórias da Segunda Intifada ainda estão frescas. Cerca de 3.000 palestinos e 1.000 israelenses morreram entre 2000 e 2005 durante o levante palestino contra a ocupação israelense. Os palestinos enviavam homens-bomba; os israelenses revidavam com tanques.

    Muro erguido por Israel desde 2002 para se separar dos territórios palestinos da Cisjordânia; dos 764 quilômetros planejados para a barreira, 570 estão prontos (Lalo de Almeida/Folhapress) 

    O israelense Ury Vainsecher, 71, se recorda bem. Ele já vivia em Kfar Saba, cidade a um quilômetro do muro, no caminho para a palestina Qalqilya.

    “Quando meus filhos eram menores, eu os levava a todos os lugares de carro. Tinha medo de que tomassem o ônibus”, diz. “Entre eu ser vítima de uma explosão e uma palestina viver rodeada por muro, prefiro vê-la cercada.”

    Vainsecher perdeu um amigo em um atentado. O filho de um vizinho morreu em outro ataque, e um conhecido que estava em uma pizzaria de Jerusalém alvo dos terroristas, também.

    O trecho da barreira diante da casa de Umm Judah é um dos mais recentes.

    Um ano atrás, a palestina caminhava dois ou três minutos até seu pomar para passar o dia sob as oliveiras enrolando folhas de uva. Hoje ela precisa dirigir por 40 minutos para alcançar o outro lado.

    “Mas o muro ajudou os israelenses. Estão relaxados.”

    Judeus diante de muro próximos ao Túmulo de Raquel em Belém, na Cisjordânia, local considerado sagrado pela religião judaica (Lalo de Almeida/Folhapress) 

    A fricção causada pela barreira na vida de palestinos como Umm Judah envenena a possibilidade de haver paz entre os dois povos em breve.

    O projeto foi questionado desde a concepção por figuras como Yossi Beilin, arquiteto dos Acordos de Oslo (as negociações de 1993 que levaram à divisão da Cisjordânia em diferentes áreas de controle).

    Se não tivessem sido interrompidos pelo assassinato do premiê israelense Yitzhak Rabin por um ultranacionalista em 1995, tais acordos poderiam ter encerrado o conflito.

    “Era claro que os palestinos seriam humilhados pela construção do muro”, diz Beilin, em Tel Aviv.

    “Mas não foi feito por malícia, e houve esforços para que eles não sofressem, ainda que esses esforços não tenham sido suficientes”, afirma, citando uma série de apelos às cortes israelenses –seis deles com sucesso– para mudar a rota da barreira.

    Muros, diz Beilin, “não são fotogênicos”.

    Grafites e pichações no muro da Cisjordânia; entre as figuras retratadas há o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e forças policiais

    Grafites e pichações no muro da Cisjordânia; entre as figuras retratadas há o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e forças policiais (Lalo de Almeida/Folhapress)

     

    “São muito difíceis de explicar. A barreira virou um símbolo de como colocamos os palestinos em uma prisão. É a vida deles, e eles se perguntam por que têm que pagar esse preço.” Não apenas por terem sido separados da terra que cultivavam, mas também porque a sua liberdade de ir e vir foi drasticamente reduzida.

    Folha acompanhou a passagem de trabalhadores palestinos rumo a Israel em dois postos de controle militar, em Belém e em Ramallah.

    Às 5h, a fila já transbordava dos corredores metálicos que lembram um curral, os ratos passando pelo chão imundo. Ansiosos, alguns trabalhadores escalavam as grades e formavam uma fila paralela no alto, como equilibristas distópicos.

    O ritual é cotidiano para milhares. “Tornamos a vida de muitos palestinos terrível”, afirma Beilin. “Mas reduzimos o número de mortes, e é difícil dizer que isso tenha sido errado.”

    Trabalhadores palestinos em fila para atravessar posto de controle israelense em Belém, na Cisjordânia; alguns escalam as grades, formando uma fila paralela no ar (Lalo de Almeida/Folhapress)

    Não é errado, do ponto de vista legal, que um país construa muros em seus limites.

    Mas a divisão entre Israel e os territórios palestinos não é uma fronteira convencional porque, afinal, não existe um Estado palestino. A divisa costuma ser a chamada Linha Verde, que marca as fronteiras anteriores a 1967, ano da Guerra dos Seis Dias, quando Israel tomou a Cisjordânia.

    Vem daí mais uma complicação desta história, vivida diariamente por Umm Judah: de cada 6,5 quilômetros da barreira, 5,5 foram construídos dentro da Cisjordânia e, portanto, fora da fronteira. Em alguns trechos, o muro está 18 quilômetros distante de onde teoricamente deveria serpentear.

    A explicação de um tenente-coronel do Exército israelense que não pôde se identificar é a de que o trajeto foi adaptado às necessidades de segurança. Em algumas ocasiões o muro precisava passar em cima de uma colina, e não embaixo, por exemplo.

     

    “Nossa experiência nos tribunais é sempre a mesma”, afirma a advogada palestina Dalia Qumsiyeh, que representa Umm Judah.

    “O governo israelense usa a palavra mágica, ‘segurança’, e aprova assim os seus planos”, diz. “Mas, antes de falar em segurança, pensem na senhora que não consegue entrar em sua terra.”

    Ou no palestino Hani Amer, 60, que vive na região noroeste da Cisjordânia, sobre a linha em que o governo israelense queria ter construído o muro.

    Ele se recusou a deixar sua casa, a barreira a contornou, e ele foi cercado em seu terreno de 1.000 m² pelo concreto, o arame farpado e pelas cercas de segurança.

    O palestino Hani Amer, 60, abre portão para entrar em sua propriedade no povoado de Masha, na Cisjordânia; ele se recusou a deixar sua casa e a barreira a contornou (Lalo de Almeida/Folhapress)

     

     

    A poucos passos dali, está o assentamento israelense de Elkana, razão para as preocupações.

    “Disseram que ou eu saía daqui ou ficaria isolado. Quis ficar, a despeito de todas as dificuldades, porque é a minha casa”, diz, sentado em um balanço no jardim. À sua frente, está o muro.

    Por algum tempo, Amer precisou pedir que os soldados israelenses abrissem o portão da sua propriedade toda vez que queria sair.

    “Receber visitas era um inferno. Uma punição coletiva.” Com a pressão de organizações humanitárias, o agricultor teve uma pequena vitória: recebeu a chave para uma portinhola no muro, pela qual hoje passa.

    Ao receber a Folha em sua casa, Amer se agacha atrás de um carro, para que a polícia israelense não o veja –ele teme ser punido por receber a imprensa e falar de sua vida. Poderiam, por exemplo, lhe tirar a chave da portinhola.

     

    “Tive tantos problemas que já nem consigo me lembrar de todos”, diz, antes de relatar alguns.

    Quando seu filho de três anos engatinhou por baixo da cerca, por exemplo, a mãe não teve permissão para cruzar a barreira e buscá-lo. A criança foi encontrada do outro lado e trazida de volta.

    “Eu fui até os soldados e lhes disse: Vocês não são humanos. Vocês viram meu filho e não fizeram nada.”

    Ao ser lembrado que Israel ergueu o muro para garantir a segurança do país, Amer diz que “o que garante a segurança é a justiça”. “Quando você distingue entre dois irmãos, não tem segurança. Imagine entre dois povos.”

    A barreira rompeu em diversas regiões do país o contato, ainda que limitado, que havia entre palestinos e israelenses.

    Barricadas em um rua compartilhada por árabes e judeus em Hebron, na Cisjordânia; abaixo e à esquerda, abrigo anti-terrorismo no povoado israelense de Tzur Yigal, em Israel

    Barricadas em um rua compartilhada por árabes e judeus em Hebron, na Cisjordânia; abaixo e à esquerda, abrigo anti-terrorismo no povoado israelense de Tzur Yigal, em Israel (Lalo de Almeida/Folhapress)

     

    Amer vive próximo de Qalqilya, onde israelenses costumavam fazer compras antes da Segunda Intifada.

    O local é próximo também de Tzur Yigal, onde vive o israelense-uruguaio Eran Landau, 64. “Minha casa foi erguida por uma família palestina”, diz. “Tenho amigos do outro lado, apesar de ter lutado contra eles”, afirma.

    “O muro nos inquieta, mas ou você cuida da sua família, ou não. Quero viver bem, e quero que minha filha viva bem. Se ela puder ir para a discoteca sem riscos, não me importo com o que dizem.”

    Landau é membro de uma força-tarefa voluntária para a segurança de Tzur Yigal, e guarda armas, um capacete e uma máscara de gás dentro de uma sala à prova de explosões. “Tenho um fuzil M16 para viajar. Poderiam me atacar a qualquer momento com um coquetel molotov.”

    Policiais israelenses patrulham bairro árabe na Cidade Antiga de Jerusalem, em Jerusalém Oriental (Lalo de Almeida/Folhapress)
     

    O recém-eleito prefeito de Belém, Anton Salman, discorda da avaliação. “Não acho que seja questão de segurança. É confisco de terra”, diz diante do muro que divide sua cidade. Ele perdeu parte de suas propriedades, isoladas do outro lado da barreira.

    Os desvios em relação à Linha Verde engoliram 9,4% da Cisjordânia, um processo monitorado pelo israelense Dror Etkes, diretor da ONG Kerem Navot. “Fiscalizamos como Israel toma terras na Cisjordânia para dar aos colonos israelenses”, diz –os colonos são os israelenses que vivem dentro da Cisjordânia.

    “A barreira foi construída para permitir que os assentamentos crescessem. Há uma correlação entre a presença de colonos e da barreira.”

    Para o ex-soldado israelense Avner Gvaryahu, 32, é preciso entender a barreira como parte de um sistema mais amplo, que envolve o projeto dos assentamentos. “O governo quer minimizar o número de palestinos aqui.”

    Crianças palestinas jogam pedra e insultam soldados israelenses que estão do outro lado de muro em Ramallah, na Cisjordânia (Lalo de Almeida/Folhapress)
     

    Gvaryahu é o líder da organização Breaking the Silence, que compila testemunhos de soldados israelenses sobre a violência da ocupação da Cisjordânia. Ele foi paraquedista, período durante o qual recebia ordens diretas de colonos.

    “O objetivo do sistema é proteger os israelenses, mas ninguém protege os palestinos”, diz Gvaryahu. “Nunca haverá uma sensação real de segurança até que os palestinos tenham respeito e dignidade.”

    Ao redor dos muros e cercas, há zonas-tampão às quais o acesso de palestinos é restrito por razões de segurança.

    “Em algumas áreas entre barreiras é possível ver como surgiu uma nova vida selvagem”, diz Etkes, e aponta para um grupo de veados, que cruzam diante do carro da reportagem e se esgueiram por debaixo do arame farpado rumo à terra de que agora são na prática os donos.

    Palestina acompanhada da filha pede esmola na fila de posto de controle em Qalandia, na Cisjordânia (Lalo de Almeida/Folhapress)
     

    Umm Judah teme que esse seja o futuro de seu pomar, do outro lado do muro, caso o governo israelense decida que ela já não pode mais cruzar o controle militar. “Sinto como se tivesse perdido alguém da minha família. Roubaram a minha felicidade”, ela afirma, e chora.

    Depois, sobe em uma rua do vilarejo, alta o suficiente para enxergar por cima do muro. Vê seu pomar inacessível –damascos, pêssegos, peras, alecrim– e lamenta: “Vou morrer aqui”.

     

    http://arte.folha.uol.com.br/mundo/2017/um-mundo-de-muros/israel/conflito-ancestral/

     

    Prof Luciano Mannarino

     

  • Rio Jordão, Colinas de Golã, Israel e a Síria. (Atividade)

    Rio Jordão, Colinas de Golã, Israel e a Síria. (Atividade)

    A Bacia Hidrográfica do Rio Jordão.

    Uma bacia hidrográfica, como a do Rio Jordão, pode ser motivo de tensão devido à disputa pelo acesso e controle de seus recursos hídricos, especialmente em regiões áridas como o Oriente Médio. No caso do Jordão, suas nascentes nas Colinas de Golã, uma área antes pertencente à Síria e agora sob controle israelense, são um exemplo de como o controle da água pode se tornar um ponto central em conflitos territoriais e políticos.

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    As Colinas de Golã abrigam as nascentes do Rio Jordão. 

    O acesso a fontes de água potável é vital para a agricultura, abastecimento urbano e estabilidade econômica, tornando-se uma questão estratégica e, muitas vezes, fonte de disputa entre países e comunidades

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    Mar da Galiléia

    Questões

    Como a ocupação das nascentes do Rio Jordão nas Colinas de Golã pela Síria e depois por Israel influenciou as tensões geopolíticas na região?

    Avalie o papel estratégico dessas nascentes no controle dos recursos hídricos.

    Por que uma bacia hidrográfica, como a do Rio Jordão, pode ser motivo de tensão entre diferentes países e comunidades?

    Considere os aspectos de escassez de água e a necessidade de compartilhamento de recursos.

    De que forma o significado religioso e histórico do Rio Jordão acrescenta camadas de complexidade aos conflitos em torno de seu controle?

    Explore como as crenças religiosas e a história impactam as reivindicações territoriais.

    Como o controle dos recursos hídricos pode ser utilizado como ferramenta de poder nas disputas entre países no Oriente Médio?

    Analise como a água é uma fonte de influência e pressão política na região.

    Quais são os principais desafios que a bacia hidrográfica do Rio Jordão enfrenta em termos de sustentabilidade e gestão compartilhada?

    Discuta as implicações de gestão transfronteiriça de um recurso natural tão vital.

    Prof . Luciano Mannarino.

    UM MUNDO DE MUROS (CISJORDÂNIA E ISRAEL)

    ONU pede que Israel mude plano ‘ilegal e perigoso’ de anexar terras da Cisjordânia (atividade)

    @geoverdade