Categoria: EUA

  • Biden aceita acordo de armas nucleares com a Rússia, mas sinaliza pressão

    Biden aceita acordo de armas nucleares com a Rússia, mas sinaliza pressão

    22.jan.2021 às 9h00

    Igor Gielow SÃO PAULO


    Pressionado por desafios que vão do coronavírus à Guerra Fria 2.0 com a China, Joe Biden optou por uma solução convencional para ganhar sua primeira manchete de política internacional como presidente dos EUA. Na noite de quinta (21), o novo presidente americano anunciou que quer estender por cinco anos o acordo Novo Start, o último instrumento de controle de armas nucleares em vigência no mundo.​

    Bombardeiro estratégico russo Tu-160 pousa na base de Engels, no sul da Rússia – AFP – 20.nov.20

    Ao mesmo tempo, para não parecer que cedeu ao desejo do Kremlin de Vladimir Putin, investigações serão feitas pelo governo americano sobre três temas sensíveis, passíveis da formulação de novas sanções comerciais contra os russos. Entre eles estão o envenenamento e agora prisão do líder opositor russo Alexei Navalni, o recente ataque de hackers a diversos sistemas governamentais americanos e uma acusação mais antiga, a de que a Rússia pagou mercenários afegãos para atacar alvos dos EUA no país asiático. A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que tais medidas visam coibir as “atitudes imprudentes e adversativas” da Rússia, enquanto a extensão do Novo Start seria “uma âncora de estabilidade” na relação entre os países. Nesta sexta, a Rússia disse que a proposta nuclear era bem-vinda, mas não comentou o restante do pacote.

    Anteriormente, o caso Navalni foi classificado como assunto judicial interno russo, e as outras duas acusações, negadas. O jogo de Biden, que recebera sinais de impaciência por parte da Rússia, é claro. A lista de lavanderia de problemas mundiais e domésticos em sua mesa, deixada pela gestão tormentosa de Donald Trump, é muito grande. Aceitar os termos russos no Novo Start é uma forma de ganhar tempo e ainda aparecer bem na foto, dado que é a sobrevivência da raça humana que se encontra em jogo quando se discute o arsenal das duas potência nucleares.

    Ao mesmo tempo que assopra, morde em questões que na prática tendem a não dar em nada, mas mantém uma pressão retórica contra Moscou e lembra Putin que o tempo de leniência de Trump acabou.

    O Novo Start (sigla inglesa para Tratado de Redução de Armas Estratégicas, enquanto o “novo” diz respeito a versões anteriores dele) foi assinado em 2010 e iria expirar no dia 5 de fevereiro.

    Por mais de dois anos, negociadores de Trump tentaram mudar seu conteúdo. Primeiro, insistiram que a China fosse incluída, algo negado por Pequim e Moscou. Depois, numa reviravolta, deixaram isso de lado e exigiram que mais armas fossem incluídas numa moratória nuclear.

    Tudo isso garantiria, para Washington, apenas um adiamento de um ano. Putin disse não, e Biden agora aceita suas condições integralmente, temperando o fato com palavras duras e ameaças legais para não parecer derrotado.

    Seja como for, do ponto de vista da paz mundial, é uma boa notícia. O Novo Start é o único tratado em vigor para tentar coibir a corrida armamentista entre russos e americanos.

    Ele prevê um limite de 1.550 ogivas nucleares operacionais e de 800 meios de lançamento (silos e lançadores de mísseis terrestres, submarinos e bombardeiros, 700 deles de prontidão). Também estabelece monitoramento por satélite e 18 inspeções mútuas anuais.

    Especialistas argumentam que é pouco, dada a evolução das armas. Mas é ao menos algo, argumentam negociadores do campo.

    Trump optou pelo confronto nesse setor, levando ao que Putin chama de perigoso aumento de risco de uma guerra nuclear acidental. O americano deixou dois outros tratados que visavam evitar o embate, um sobre mísseis de alcance intermediário na Europa e outro sobre voos de reconhecimento militar mútuos.

    Além disso, revisou a postura nuclear americana para permitir o uso de armas atômicas ditas táticas, contra alvos militares pontuais, e colocou um desses modelos de bombas em operação no ano passado em seus submarinos.

    Tudo isso fez o Kremlin reagir e dizer que estava pronto para retaliar com toda a força de seu arsenal se um mísero míssil tático, armado com ogiva nuclear ou não, fosse lançado contra si ou aliados —um problema, dado que no papel o Irã, alvo presumido de ataques do gênero, é próximo de Moscou.

    Para críticos, a extensão é mera forma de Putin ganhar mais tempo enquanto enfrenta seus problemas internos e externos —só em 2020, teve de intervir em três crises nas suas periferias (Belarus, Armênia e Quirguistão) e viu o surgimento de uma quarta em potencial (Moldova).

    De fato, o russo testa novos modelos de mísseis de menor alcance, mas os EUA fazem o mesmo desde que deixaram o tratado de instalação na Europa.

    É incerto também quando e se as novas tecnologias de entrega de ogivas nucleares a seus alvos, como os mísseis hipersônicos tão propalados por Putin, entrarão em algum momento num tratado.

    Herança da Guerra Fria, o arsenal nuclear mundial está concentrado nas mãos dos antigos adversários. Cerca de 92% das 13.400 armas atômicas do mundo são americanas ou russas, segundo a Federação dos Cientistas Americanos.

    O maior inventário é de Moscou: 6.370 ogivas, 2.060 das quais desativadas e 4.310 em estoque. Sob os limites do Novo Start, 1.572 estão operacionais em mísseis de solo, de submarinos ou em aviões.

    Homem empurra bicicleta observando os escombros da cidade de Hiroshima em 1946 The National Archives/Reuters

    Já Washington conta 5.800 armas, 2.000 delas aposentadas, 3.800 em estoque e 1.750 ativas —150 delas não cobertas pelo Novo Start por serem de uso tático, e não estratégico, aquelas usadas para ganhar guerras.

    Moscou também tem um número incerto dessas armas, é claro, e a falta de transparência no geral preocupa especialistas. A China, terceira maior potência nuclear, tem 320 ogivas estocadas, o suficiente para lhe garantir um poder de dissuasão.

    Sob uma ótica pessimista, os limites do Novo Start não impedem que o mundo seja obliterado muitas vezes no caso de uma guerra. Mas são limites, e servem para manter as cabeças frias.

    Ironicamente, entrou em vigor nesta sexta um tratado utópico das Nações Unidas, que visa a proibição completa das armas nucleares no mundo, com a assinatura de 86 países, incluindo o Brasil, e a ratificação de 51 nações. Naturalmente, nenhuma das nove potências atômicas o subscreveu.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/01/biden-aceita-acordo-de-armas-nucleares-com-a-russia-mas-sinaliza-pressao.shtml

    Questões

    1. Qual a importância da assinatura do “Novo Start”?
    2. O último parágrafo da reportagem assinala uma grande hipocrisia existente na “geopolítica das armas atômicas”. Justifique.
    3. O que seria a Guerra Fria 2.0?

    Prof Luciano Mannarino

  • A Europa entre ser jogador ou gramado na disputa dos grandes

    Autonomia da UE significa margem de manobra para o resto do mundo na rivalidade China-EUA

    22.out.2020 às 23h15

    A União Europeia (UE) tem uma opção a fazer. Ou será um jogador ou será o gramado em que outros jogarão. Foi esta a mensagem do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, em dezembro de 2019, quando falava do renascimento da competição estratégica no cenário internacional. Mencionou a China, mas não apenas ela.

    O ano de 2019 marcou mudança de tom da UE em relação a Pequim. Pela primeira vez, a Comissão Europeia passou a tratar a China também como um rival sistêmico. O rótulo impressiona, mas não resolve.

    É difícil para a UE definir o que quer da China em função de diferentes tensões —e todas elas se tornaram mais agudas com a pandemia.

    Até 24,7 milhões de trabalhadores podem perder o emprego em todo o mundo por causa da pandemia de coronavírus, afirmou a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
    Até 24,7 milhões de trabalhadores podem perder o emprego em todo o mundo por causa da pandemia de coronavírus, afirmou a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Rivaldo Gomes/Folhapress

    1) Há uma tensão entre valores e interesses na maneira como a UE vê a China.

    Ao mesmo tempo, são vultosos os interesses europeus na China, que avança rumo ao topo do podium da economia mundial. O comércio bilateral supera US$ 1 bilhão por dia. Uma pesquisa da Câmara de Comércio da UE na China em fevereiro deste ano revelou que 89% das empresas europeias não estão considerando reorientar investimentos da China para outros mercados.

    Muitas empresas vieram em função dos trabalhadores —mas ficaram por causa dos consumidores. Se a mão de obra barata era o incentivo inicial, hoje o mercado chinês, e sua classe média crescente, fazem a diferença. Na China desde 1978, a Volkswagen vende mais carros aqui do que em toda Europa ocidental.

    Além disso, a UE precisa do engajamento chinês em outros temas que lhe são caros, como mudança climática e multilateralismo comercial. Rifar os chineses não ajuda a avançar essas agendas —ao contrário.

    Lado a lado as bandeiras da China e da União Europeia
    Lado a lado as bandeiras da China e da União Europeia – Jason Lee-25.jun.2018/Reuters

    2) Há tensão entre as necessidades de países membros e a visão de Bruxelas.

    Pressionados pela crise, governos nacionais buscam investimentos para promover recuperação econômica e modernização de infraestrutura.

    Enquanto isso, a Comissão preocupa-se com a influência da China sobre economias da região. Atua para reforçar o controle sobre investimentos estrangeiros com base no argumento de segurança nacional.

    No ano passado, quando a Itália se juntou à Nova Rota da Seda, Bruxelas torceu o nariz.

    3) Há obviamente a tensão gerada pelos interesses americanos, que nem sempre coincidem os europeus a respeito da China. 

    A Europa sabe que agenda anti-China dos EUA, aliados históricos, não é exatamente o caminho que deve seguir.

    Propriedade intelectual: esse capítulo do documento trata basicamente de questões relativas a fórmulas, processos e padrões que são utilizados por negócios para obter vantagem sobre a concorrência e que podem ser considerados confidenciais. Também engloba propriedade intelectual relacionada a produtos farmacêuticos, indicação geográfica de um bem ou serviço, marcas registradas e coação contra produtos pirateados e falsificados

    Propriedade intelectual: esse capítulo do documento trata basicamente de questões relativas a fórmulas, processos e padrões que são utilizados por negócios para obter vantagem sobre a concorrência e que podem ser considerados confidenciais. Também engloba propriedade intelectual relacionada a produtos farmacêuticos, indicação geográfica de um bem ou serviço, marcas registradas e coação contra produtos pirateados e falsificados.

    Na esteira da pandemia, a percepção sobre a China em vários países europeus despencou, segundo o Pew Research Center. 71% do alemães e 70% do franceses teriam hoje visão desfavorável da China.

    À medida que a Europa mergulha numa segunda onda de casos de Covid-19 e que a China exibe autoconfiança e recuperação econômica, o ressentimento pode crescer. O contraste de uma Europa que desce e uma China que sobe exacerba tensões.

    Se, como diz Borrell, a UE tem escolhas a fazer, a China também as tem. Suas habilidades político-diplomáticas serão postas à prova. Os chineses podem ter moderado o tom, mas é cedo para dizer que acertaram a mão. A tentação do discurso triunfalista está sempre à espreita.

    Os europeus, por sua vez, precisam assegurar sua autonomia estratégica e fazer bom uso dela. A postura da UE diante da China e das tensões entre Pequim e Washington importa não apenas para o bloco, mas para todo o mundo.

    A atuação da UE ajudará a definir a margem de manobra os demais países terão para navegar a competição geopolítica entre as duas grandes potências.

    Tatiana Prazeres – Senior fellow na Universidade de Negócios Internacionais e Economia, em Pequim, foi secretária de comércio exterior e conselheira sênior do diretor-geral da OMC.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tatiana-prazeres/2020/10/a-europa-entre-ser-jogador-ou-gramado-na-disputa-dos-grandes.shtml

    Prof Luciano Mannarino

  • EUA, Japão, Austrália e Índia desafiam China e prometem Indo-Pacífico livre e aberto

    Encontro de chanceleres do grupo Quad tem retórica agressiva puxada por Mike Pompeo

    Igor Gielow

    SÃO PAULO

    Estados Unidos, Japão, Austrália e Índia fizeram uma demonstração de força contra a China durante encontro de seus ministros de Relações Exteriores em Tóquio.

    Eles formam o chamado Quad, sigla inglesa pra Diálogo de Segurança Quadrilateral, grupo que foi ressuscitado em 2017 para buscar criar o que a China já chamou de “mini-Otan” no Pacífico, aludindo à aliança militar americana na Europa contra os soviéticos e, depois, os russos.

    Da esq. para a dir., os chanceleres Subrahmanyam Jaishankar (Índia), Marise Payne (Austrália), Pompeo (EUA) e Motegi (Japão), no encontro do Quad em Tóquio
    Da esq. para a dir., os chanceleres Subrahmanyam Jaishankar (Índia), Marise Payne (Austrália), Pompeo (EUA) e Motegi (Japão), no encontro do Quad em Tóquio – Kiyoshi Ota/AFP

    Os ministros prometeram tomar medidas concretas para manter a região do Indo-Pacífico “livre e aberta”, um recado direto às pretensões em curso de Pequim, de controlar 85% do mar do Sul da China, sua principal saída comercial com o mundo.

    Não houve, contudo, a temida provocação por parte do mais belicoso dos chanceleres, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, com uma inédita visita surpresa a Taiwan, que a China considera uma ilha rebelde.

    Pompeo foi quem tomou a frente em termos de retórica. “Como parceiros, é mais crítico agora do que nunca que nós colaboremos para proteger nossos povos da exploração, corrupção e coerção do Partido Comunista Chinês. Nós as vemos nos mares do Sul e do Leste da China, no Mekong, nos Himalaias, no estreito de Taiwan”, afirmou.

    O secretário buscou efeito midiático máximo no momento em que seu chefe está atrás nas pesquisas da corrida eleitoral, que acaba em 3 de novembro. O tema China sempre catalisou apoio para Donaldo Trump.

    Mas não é só isso. A fala seguiu o tom usual do secretário, visto como um dos principais “falcões” da Guerra Fria 2.0 proposta por Trump ao chegar ao poder em 2017.

    O próprio Quad, que agora terá reuniões anuais de seus ministros, é resultado dessa nova realidade. Ele existiu brevemente em 2007, mas acabou por falta de apetite dos membros em confrontar a China. Foi reanimado.

    China celebra 70 anos da Revolução Comunista

    O líder chinês Xi Jinping desfila em carro aberto
    O líder chinês Xi Jinping desfila em carro aberto Thomas Peter/Reuters

    Neste 2020, o cenário é particularmente mais complexo, ainda que o risco de guerra ampla seja considerado baixo. A Índia, que sempre viu o grupo como uma forma de pressionar a China em suas negociações comerciais, está efetivamente do lado dos EUA desde que houve os embates citados por Pompeo nos Himalaias.

    Nova Déli e Pequim disputam fronteira naquela região e montaram uma escalada militar, ora congelada com mediação de Moscou, depois que escaramuças deixaram dezenas de mortos em junho.

    Já a Austrália tomou a frente das críticas aos chineses pela condução inicial da pandemia do novo coronavírus, surgida em Wuhan. Hoje isso é uma pedra de toque da administração Trump, e mesmo nesta terça Pompeo voltou a falar no “vírus chinês”.

    “Seja em direitos humanos individuais, economias de mercado, combatendo desinformação ou construindo maior resiliência em nossas cadeias produtivas, nossos valores e interesses comuns significam que dividimos uma visão de um Indo-Pacífico livre, aberto e próspero”, escreveu no Facebook a chanceler australiana, Marise Payne, depois do encontro.

    A Índia foi menos assertiva em sua mensagem, mas o tom mais frio veio por parte dos anfitriões. O governo do premiê Yoshihide Suga acaba de assumir, e ele irá receber o chanceler chinês neste mês.

    Testando ainda o terreno, o chanceler japonês, Toshimitsu Motegi, não citou a China em sua fala inicial, ainda que relatos posteriores indiquem que a questão das ilhas que Pequim reivindica para si hoje sob controle de Tóquio foi discutida.

    Nos últimos anos, o antecessor de Suga, Shinzo Abe, promoveu uma ativa remilitarização do Japão, país de conturbado passado expansionista e forte tendência pacifista.

    Navios da Marinha japonesa, com o destróier Kurama à frente, durante parada ao sul de Tóquio
    Navios da Marinha japonesa, com o destróier Kurama à frente, durante parada ao sul de Tóquio – Toru Hanai – 18.out.2015/Reuters

    Pompeo foi embora do Japão, tendo encurtado o que seria uma visita à Mongólia e à Coreia do Sul, o que ensejava o temor de uma “esticadinha” em Taiwan entre os chineses. Ele retornou devido ao diagnóstico de Covid-19 de Trump.

    Desde agosto, duas autoridades americanas estiveram na ilha, o que implica um reconhecimento diplomático que não existe no papel —EUA e China têm relações desde 1979.

    A reação chinesa seria inevitável, na forma de alguma demonstração de poderio militar no estreito de Taiwan, o que sempre pode sair do controle.

    O encontro desta terça também abriu o caminho para que a Austrália faça parte dos exercícios militares navais anuais que unem Índia e EUA desde 1992 e, a partir de 2015, integraram também o Japão.

    Chamadas de Malabar, as manobras atuam em áreas de interesse estratégico da China. Observando um mapa, a posição dos membros do Quad explicita um cerco geopolítico que Pequim não tem como deixar de notar, apesar das declarações minimizando a eficácia do grupo por parte da chancelaria chinesa.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/10/eua-japao-australia-e-india-desafiam-china-e-prometem-indo-pacifico-livre-e-aberto.shtml

    Questões

    1. Por que o governo chinês chama o Quad de mini-OTAN?

    2. Explique a permanente tensão entre a China e a Ilha de Formosa.

    3. O seria a Guerra Fria 2.0?

    4. A remilitazação do Japão é apoiada pelos EUA? Justifique.

    Prof Luciano Mannarino

  • Em visita à Califórnia, Trump minimiza preocupações com mudanças climáticas

    Em visita à Califórnia, Trump minimiza preocupações com mudanças climáticas

    Presidente culpa gestão florestal dos estados democratas da Costa Oeste americana

    14.set.2020 às 18h34

    WILMINGTON e MCLELLAN PARK | REUTERS

    As queimadas que se espalham pela Costa Oeste dos Estados Unidos entraram de vez na pauta das eleições presidenciais do país, cuja votação está marcada para dia 3 de novembro.

    Em visita à Califórnia, o presidente e candidato à reeleição, Donald Trump, minimizou o papel das mudanças climáticas nos maiores incêndios já registrados na história do estado e afirmou que a culpa é da ineficiência da gestão florestal, em uma tentativa de responsabilizar os governo democratas da Califórnia, do Oregon e de Washington.

    “Quando as árvores caem, após um curto período de tempo elas ficam muito secas, como um fósforo”, disse Trump, nesta segunda-feira (14), ao desembarcar no estado. Para o republicano, no entanto, muitos outros países não enfrentam problemas como esse.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de reunião sobre as queimadas na Costa Oeste dos EUA, em McLellan Park, na Califórnia – Jonathan Ernst/Reuters

    Ele, que vinha sendo criticado por se calar sobre as queimadas, participou de uma entrevista coletiva ao lado do governador da Califórnia, Gavin Newson, na qual ouviu agradecimentos do democrata pela ajuda federal no combate ao fogo, ainda que tenha sido questionado sobre sua posição negacionista.

    “Nós viemos, humildemente, de uma perspectiva em que seguimos a ciência, e é evidente que a mudança climática é real e está exacerbando isto”, disse Newson em referência às queimadas na Costa Oeste.

    O governador afirmou que, de fato, o manejo florestal pode e deve ser melhorado, mas lembrou o presidente que 57% da área de floresta da Califórnia está sob controle do governo federal.

    Escorregador de playground ficou derretido após incêndios passarem por Fresno, na Califórnia
    Escorregador de playground ficou derretido após incêndios passarem por Fresno, na Califórnia Josh Edelson/AFP

    Durante sua gestão, Trump retirou os EUA do Acordo de Paris, a principal iniciativa global para frear as mudanças climáticas, enquanto seu adversário na corrida pela Casa Branca, Joe Biden, põe o assunto entre as maiores crises que o país enfrenta. Os incêndios, diz ele, ilustram sua posição.

    Nesta segunda, Biden —que tem sido atacado por republicanos por não ter visitado as áreas devastadas— chamou Trump de “incendiário climático” em um discurso em Delaware. “Se tivermos mais quatro anos do negacionismo climático de Trump, quantos subúrbios serão incendiados pelas queimadas?”, questionou.

    Os moradores dessas áreas têm sido explorados por Trump nas últimas semanas. Em oposição à proposta de habitação de Biden e às tensões causadas pelos protestos antirracismo, o presidente passou a dizer que fará de tudo para impedir a construção de moradias mais baratas próximas a subúrbios, regiões que concentram a classe média americana.

    O candidato democrata à Presidência dos EUA, Joe Biden, discursa em Delaware sobre as queimadas na Costa Oeste dos EUA – Drew Angerer/AFP

    Os incêndios florestais avançam sobre estados da Costa Oeste dos EUA em meio a uma intensa onda de calor. Focos de chamas na região são comuns nesta época do ano devido ao clima seco, mas o fogo registrado até agora parece não ter precedentes —e o pico da temporada de incêndios ainda não chegou.

    As queimadas mataram ao menos 24 pessoas, causaram a destruição de centenas de imóveis e forçaram centenas de milhares a deixarem suas casas. Uma seca crônica e ventos fortes alimentam o fogo que se espalha do estado de Washington, na fronteira com o Canadá, até a cidade californiana de San Diego, na divisa com o México. Ainda é impossível avaliar a verdadeira extensão da destruição.

    Cientistas acreditam que o aumento da intensidade dos incêndios está relacionado ao aquecimento global, que torna as temporadas de chuva e de seca mais extremas. No último final de semana, as temperaturas na parte oeste do vale de San Fernando, na Califórnia, chegaram a 49ºC.

    Na Califórnia, uma série de 37 incêndios tornou-se oficialmente a maior da história do estado ao destruir uma área de 190 mil hectares. Em Washington, o governador Jay Inslee, também do Partido Democrata, afirmou que as chamas consumiram 200 mil hectares.

    Caminhão de bombeiros queimado no Oregon, durante incêndios florestais na Costa Oeste dos EUA – Shannon Stapleton/Reuters

    Imagens de drones mostram centenas de casas reduzidas a cinzas em comunidades ao sul do Oregon. Em mais de 12 comunidades, equipes de busca e resgate vasculharam residências destruídas em busca de restos humanos.

    Após quatro dias de muito calor e ventania no estado, o fim de semana teve ventos mais leves e clima mais ameno, ajudando as equipes a avançar contra o fogo. Na sexta-feira (11), um homem foi preso acusado de iniciar as queimadas que destruíram cidades inteiras no Oregon.

    A polícia do estado também alerta a população contra posts em redes sociais com afirmações falsas, segundo as quais as queimadas foram iniciadas por antifascistas ou militantes de extrema direita.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/09/em-visita-a-california-trump-minimiza-preocupacoes-com-mudancas-climaticas.shtml

    Questões

    1. Há um componente político presente no combate aos incêndios na Califórnia? Justifique.

    2. Por que esses eventos sempre acontecem nessa época do ano (momento da reportagem)?

    3. O que é o “negacionismo climático” e de que forma ele se relaciona com a postura americana em relação ao Acordo de Paris.

    Professor Luciano Mannarino

  • Secretário de Saúde dos EUA chega a Taiwan em viagem condenada pela China. (atividade)

    Secretário de Saúde dos EUA chega a Taiwan em viagem condenada pela China. (atividade)

    É a mais importante delegação oficial americana a visitar a ilha desde 1979
    TAIPEI | AFP

    Uma autoridade americana chegou, neste domingo (9), a Taiwan, em visita que indignou Pequim e que representa a mais importante delegação oficial dos Estados Unidos na ilha chinesa desde 1979.

    O secretário de Saúde dos Estados Unidos, Alex Azar, deve se reunir nos próximos três dias com a presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, adversária das autoridades chinesas, que a acusam de buscar a independência da ilha de 23 milhões de habitantes.

    Azar representa o mais importante líder americano a visitar Taiwan em quatro décadas, quando Washington rompeu relações diplomáticas com Taipei (capital da ilha) para reconhecer a soberania das autoridades comunistas de Pequim.

    O secretário Alex Azar desembarca em Taiwan – Central News Agency – 9.ago.20/Pool via Reuters

    Os EUA continuaram, entretanto, a ser um importante aliado de Taiwan, bem como seu principal fornecedor de armas.

    Washington apresentou a viagem como uma oportunidade para parabenizar as autoridades taiwanesas pela boa gestão da pandemia de coronavírus, em um momento de fragilidade do presidente Donald Trump devido aos estragos produzidos pela doença em seu país, que causou mais de 160 mil mortes.

    Apesar de sua proximidade geográfica e laços comerciais com a China continental, onde o coronavírus surgiu, Taiwan registrou menos de 500 casos de coronavírus e apenas sete mortes.

    A China considera a ilha uma de suas províncias, apesar de ser governada por um regime rival que se refugiou no território depois que os comunistas tomaram o poder em Pequim, em 1949.

    Taiwan não é reconhecido como Estado independente pela ONU, e Pequim ameaça recorrer à força em caso de declaração de independência de Taipei ou intervenção estrangeira, especialmente por parte de Washington. O governo chinês considerou a visita de Azar uma ameaça à “paz e à estabilidade”. Países asiáticos são modelo no combate ao coronavírus

    O secretário de Saúde americano também se encontrará com seu homólogo taiwanês, Chen Shih-chung, e com o ministro das Relações Exteriores da ilha, Joseph Wu.

    De acordo com Douglas Paal, que chefiou o Instituto Americano de Taiwan durante a Presidência de George W. Bush, o governo Trump está ciente do perigo de acentuar as tensões com a China via Taiwan, uma linha vermelha para as autoridades chinesas.

    Por esse motivo, absteve-se de enviar líderes envolvidos em questões de segurança para a ilha.

    Autoridades americanas encarregadas do Comércio Exterior já haviam viajado para Taipei durante a década de 1990, mas, segundo Paal, a diferença na época era que as relações entre Pequim e Washington não eram tão tensas.

     

    Questões.

    1. Explique a criação de Taiwan.

    2. Caracterize um “Tigre Asiático”.

    2. Analise a complicada relação entre Taipei e Pequim.

     

     

    Prof. Luciano Mannarino