Categoria: Geologia

  • Por que é tão difícil prever um grande terremoto como o que atingiu a Turquia?

    Milhões de tremores, de diferentes intensidades, ocorrem todos os anos, mas não notamos todos eles

    6.fev.2023 às 19hs

    BBC NEWS MUNDO

    Todo ano são registrados oficialmente mais de 200 mil terremotos em nosso planeta, apesar de, na verdade, milhões deles ocorrerem nesse mesmo período.

    Muitos passam ao largo dos registros oficiais porque são demasiadamente leves para que possamos senti-los ou porque acontecem em zonas remotas que não são monitoradas pelas autoridades.

    Outros, como o de magnitude 7,8 que atingiu e deixou vítimas na Turquia e na Síria nesta segunda-feira (6), deixam milhares de mortos e um rastro de destruição.

    Pessoas próximas a prédios que desabaram na cidade de Kahramanmaras, na Turquia
    Pessoas próximas a prédios que desabaram na cidade de Kahramanmaras, na Turquia – Agência Ihlas News via Reuters

    Construir casas e edifícios à prova de terremotos é, evidentemente, a melhor estratégia para evitar tanto perdas humanas quanto materiais. Mas seria possível retirar moradores com antecedência de áreas que serão afetadas —como acontece durante a passagem de um furacão, por exemplo? A resposta é não. Isso porque é impossível prever quando um terremoto vai acontecer —salvo por alguns minutos.

    LEI FÍSICA

    A razão é que a maioria dos terremotos ocorre pela liberação repentina de uma grande tensão na crosta terrestre. Essa tensão vai se acumulando gradualmente devido aos movimentos das placas tectônicas, normalmente ao longo de uma falha geológica, explica o site da British Geological Survey.

    Por isso, é impossível prever quando os terremotos vão ocorrer, “basicamente pela forma como essa energia é liberada”, afirmou à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Richard Luckett, sismólogo da instituição. “Sabemos que a tensão está sendo acumulada nas grandes falhas e sabemos onde elas estão, mas não temos como saber quando essa energia será liberada”, diz.

    Luckett recorre ao exemplo que usa para explicar o fenômeno às crianças. “Se você puser um tijolo sobre uma lixa e lentamente retirá-la com algo, o tijolo vai se mover. Você pode repetir esse experimento dez vezes: embora aplique todas as vezes a mesma força, verá que o tijolo vai se movimentar repentinamente depois de diferentes intervalos de tempo”, diz ele. “Em termos físicos, é completamente imprevisível.”

    Saber se uma placa tectônica onde um país está acumula pressão “não ajuda a prever sismos, pois não sabemos quando essa energia será liberada”, diz. O que especialistas podem indicar é onde há a chance de ocorrer um terremoto de grande intensidade, “já que eles têm relação com o tamanho da falha”.

    Menina é resgatada de escombros de prédio destruído na cidade de Jandaris, em área controlada por rebeldes sírios Rami al Sayed/AFPMAIS

    Mesmo assim, isso não contribui para prever qual será a intensidade de um terremoto, já que a pressão pode ser liberada em uma série de pequenos tremores ou em um grande e único abalo.

    No caso do evento que causou danos na Turquia e na Síria foram dois fortes tremores seguidos.

    SINAIS?

    Mas há outros sinais a que devemos ficar atentos? Talvez uma mudança no clima ou o comportamento dos animais podem nos ajudar a prever um terremoto? Acredita-se que os animais possam sentir as primeiras ondas geradas pelo terremoto —e que nós não percebemos.

    “Os terremotos não têm nada a ver com o estado do tempo e certamente não há uma ligação com as mudanças climáticas”, esclarece o especialista. “São sistemas completamente diferentes”, acrescenta.

    Mas, segundo ele, o caso dos animais é interessante. Há uma série de estudos sobre como alguns bichos exibem um comportamento distinto ante a iminência de um terremoto.

    Diz-se, por exemplo, que os cachorros latem mais ou que os animais de forma geral fazem mais barulho.

    Segundo Luckett, “quando um forte terremoto acontece, provoca ondas distintas que viajam através da terra. As primeiras são pequenas, não causam dano, e muitas vezes nem sequer percebemos”, explica. “Mas os animais, sim.” Ainda assim, eles não ajudam a prever um terremoto. “Os animais sentem essas vibrações, mas isso ocorre uma vez que o terremoto já aconteceu”, assegura o especialista.

    “Eles nos avisam do perigo um pouco antes [o tempo depende do intervalo entre as ondas pequenas e as grandes], assim como os alarmes. Neste sentido, os dispositivos são mais sensíveis que os animais.”

    Luckett diz não acreditar que será possível prever terremotos. “O que poderemos fazer é aprimorar nossas formas de detectá-los.”

    OUTRAS TÉCNICAS ANALISADAS

    Especialistas em geofísica têm se concentrado, entre outras áreas, nos chamados “terremotos lentos”.

    São “deslizamentos que ocorrem em uma falha geológica, em geral, e em particular nas zonas de subducção entre duas placas que estão em contato”, explica Víctor Cruz-Atienza, pesquisador do Instituto de Geofísica da Universidade Nacional Autônoma do México.

    Ele e seus colegas publicaram em 2021 um estudo sobre esse tipo de terremoto que ocorre em certas regiões sísmicas, como a do sudeste mexicano, onde duas placas interagem.

    Diferentemente dos tremores que sacodem a superfície, os terremotos lentos liberam energia pouco a pouco durante semanas ou meses, o que os torna imperceptíveis e nada destrutivos.

    Mas especialistas afirmam que estudá-los é muito importante para entender como os terremotos são gerados. Embora um tremor lento nem sempre antecipe um “normal”, é um fator a ser levado em conta.

    Em 2018, outros pesquisadores usaram com sucesso na Islândia um cabo de comunicações de fibra ótica para avaliar a atividade sísmica. O método testado pela equipe liderada por Philippe Jousset, do Centro Alemão de Pesquisas em Geociências (GFZ), com sede em Potsdam, usou 15 km de cabo de fibra ótica originalmente instalado em 1994 entre duas usinas de energia geotérmica na Islândia.

    Um pulso de laser enviado por uma única fibra do cabo foi suficiente para determinar se havia alguma interferência. Quando o solo e, consequentemente, o cabo se esticou ou se comprimiu, os pesquisadores conseguiram gravá-lo. Eles detectaram o tráfego local, a atividade sísmica e até mesmo os pedestres que passavam. Também captaram o sinal de um forte terremoto na Indonésia.

    O instrumento que deve ser anexado a cada cabo para tornar o monitoramento possível ainda é caro, mas os pesquisadores trabalhavam em alternativas acessíveis.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2023/02/por-que-e-tao-dificil-prever-um-grande-terremoto-como-o-que-atingiu-a-turquia.shtml

    Questões


    Com certeza! Aqui estão cinco questões sobre terremotos na Turquia:

    1. Por que a Turquia é propensa a terremotos e como sua localização geográfica influencia a atividade sísmica na região?
    2. Quais são os principais terremotos históricos que ocorreram na Turquia e quais foram suas consequências significativas?
    3. Quais são as principais falhas geológicas responsáveis pela atividade sísmica na Turquia e como elas contribuem para a ocorrência de terremotos?
    4. Quais são as medidas de mitigação de terremotos adotadas na Turquia para reduzir os riscos e impactos dos tremores de terra?
    5. Existe alguma disparidade na distribuição de recursos e assistência governamental durante os esforços de resposta a terremotos, afetando diferentemente as comunidades étnicas minoritárias?

    Prof Luciano Mannarino

    Geologia/Geomorfologia

    VÍDEO – TEORIA DA DERIVA CONTINENTAL

  • Intemperismo, Erosão, Transporte e Sedimentação.

    Intemperismo, Erosão, Transporte e Sedimentação.

    Intemperismo

    Intemperismo é o processo de transformação ou desgaste das rochas através de processos físicos, químicos ou biológicos. Dependendo do tipo de processo e de produto envolvido, o intemperismo pode ser classificado em três tipos principais:

    • Intemperismo físico »
    • Intemperismo químico »
    • Intemperismo biológico »

    Intemperismo físico

    Também chamado de mecânico, acontece quando há desagregação mecânica das rochas em partículas menores, sem alteração química dos minerais. Este processo aumenta a área superficial da rocha deixando-a mais suscetível à ação de outros tipos de intemperismo.

    Fragmentação de um bloco de rocha pelo intemperismo físico aumentando sua área superficial.
    Efeito dos processos de congelamento e derretimento da água no alargamento de fraturas preexistentes. 

    Intemperismo químico

    Ocorre pela alteração química dos minerais que compõem a rocha, que faz com que ela se torne mais friável, mais frágil e mais porosa. Os principais processos químicos que ocorrem nesse tipo de intemperismo são a hidrólise, a hidratação, a oxidação, a redução, a carbonatação e a dissolução.

    Intemperismo biológico

    Também chamado de intemperismo químico-biológico ou físico-biológico, ocorre quando os seres vivos intervêm no processo de transformação das rochas. Podem ocorrer pela ação de bactérias, de resíduos orgânicos de animais e de raízes de plantas, resultando na alteração química e física das rochas, como o índice de acidez e a coesão dos agrupamentos minerais, entre outros fenômenos.

    ______________

    Os processos intempéricos são os grandes responsáveis pelo enfraquecimento das rochas, facilitando a erosão, o transporte dos sedimentos resultantes e sua posterior sedimentação em locais distantes.

    Erosão, transporte e sedimentação

    Ao observarmos uma paisagem nem sempre paramos para pensar em como ela foi formada. No entanto, a formação do relevo deve-se a vários processos, sendo a erosão, o transporte e a sedimentação alguns dos mais importantes. Quando combinados, estes processos criam fenômenos que modelam a superfície terrestre, gerando vales, solos, rochas sedimentares e até mesmo a areia da praia.

    Erosão – “retira o material”

    Após intemperizados, os minerais presentes nas rochas ficam mais frágeis e quebradiços, propensos a serem removidos por agentes externos, tais como água, vento, geleiras e até mesmo a gravidade. Veja alguns exemplos:

    Transporte – “movimenta o material”

    Além de causar erosão, estes agentes também realizam o transporte do material removido para longe da área fonte. Alguns agentes transportam os sedimentos a longas distâncias, como os rios e o vento. Outros depositam-nos próximos da área fonte. A distância percorrida pelos sedimentos desde a área fonte até o local final vai depender de vários fatores, como energia do agente, declividade do terreno, etc.

    Sedimentação – “deposita o material”

    Os sedimentos transportados pelos diversos agentes são depositados em locais mais baixos, denominados bacias sedimentares. É nestes locais que o material depositado se acumula, em camadas que podem atingir até vários quilômetros de espessura.

    Home

    Avaliação

    1 Descreva as principais diferenças entre intemperismo físico, químico e biológico. Forneça exemplos para cada tipo. (2 pontos)

    2 Explique os processos de Erosão, Transporte e Sedimentação. (2 pontos)

    3 Analise como a presença de vegetação pode influenciar o processo de intemperismo em uma região. Considere tanto os aspectos de intemperismo biológico quanto os efeitos indiretos da vegetação. (2 pontos)

    4 Considere uma região com um clima árido e outra com um clima tropical úmido. Compare e contraste os tipos e intensidades de intemperismo que predominam em cada uma dessas regiões. (2 pontos)

    5 Analise como o intemperismo pode influenciar a estabilidade de encostas e a ocorrência de deslizamentos de terra. Discuta medidas que podem ser tomadas para prevenir ou mitigar esses desastres naturais. (2 pontos)

    Questões desafiadoras.

    1 Como a interação entre intemperismo químico e físico pode influenciar a formação de paisagens únicas? Escolha uma região específica e analise como esses processos moldaram a geografia local.

    2 Discuta como o intemperismo pode ser um indicador de mudanças climáticas passadas. Quais evidências geológicas podem ser usadas para inferir as condições climáticas de eras anteriores?

    3 Explique como a atividade humana pode acelerar os processos de intemperismo. Analise os impactos de práticas agrícolas, mineração e urbanização sobre o intemperismo químico e físico.

    4 Investigue a relação entre intemperismo e a formação de cavernas em regiões calcárias. Como os processos químicos específicos contribuem para a criação dessas estruturas subterrâneas?

    5 Analise como o intemperismo contribui para a formação de solos férteis em regiões vulcânicas. Quais são os processos envolvidos e como eles beneficiam a agricultura local?

    6 Discuta a importância do intemperismo na ciclagem de carbono. Como os processos de intemperismo químico podem influenciar os níveis de dióxido de carbono na atmosfera?

    7 Explique como o intemperismo pode afetar a durabilidade de monumentos históricos feitos de pedra. Quais são os principais desafios na preservação desses monumentos e como eles podem ser mitigados?

    8 Analise a influência do intemperismo na formação de depósitos de bauxita. Quais são os processos químicos envolvidos e como eles contribuem para a concentração de alumínio nesses depósitos?

    Prof Luciano Mannarino

    O que estuda a Geomorfologia?

    Apresentação do Professor de Geologia…

  • A superfície da Terra está subindo embaixo dos nossos pés

    Camada de gelo mostra sinais de derretimento a oeste do Alasca, em imagem feita em 4 de fevereiro de 2014 por satélites da Nasa. O estreito de Bering, coberto com gelo, se situa entre Alasca e Rússia Imagem: MODIS/Aqua/NASA Brian K. Sullivan 27/03/2015 18h07

    Brian K. Sullivan

    27/03/2015 18h07

    Nos EUA, nos últimos doze meses, houve alertas mais do que suficientes de como o clima pode afetar nossas vidas. A Califórnia está entrando no quarto ano de seca porque não teve neve suficiente. Boston está começando a emergir de uma quantidade recorde de neve. Quase todos os dias, voos são cancelados, crianças perdem aulas e pais enviam cheques às seguradoras para para se protegerem de inundações, furacões e tornados.

    No entanto, também existem impactos de longo prazo que a maioria das pessoas talvez não perceba. Por exemplo, se você mora no Canadá, no norte dos EUA ou em determinadas partes da Europa, o solo sob seus pés está subindo. E o motivo, de certo modo, é o clima.

    Mas não o clima no sentido da chuva de ontem ou do vento da semana passada. O fenômeno foi causado pelas neves que se acumularam e criaram enormes mantos de gelo que cobriram a terra na última Era do Gelo. OK, foi muita neve, por um longo período de tempo, mas a questão tem mais a ver com o clima do que simplesmente com as condições meteorológicas

    Independentemente da causa, a mudança é perceptível. “Podemos monitorá-la em tempo real”, disse Theresa Damiani, pesquisadora de geologia da Investigação Geodésica Nacional (NGS), da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), em Camp Springs, Maryland.

    Compensação da Terra.

    O peso dos mantos de gelo, que tinham diversos quilômetros de espessura em alguns lugares, empurrou a superfície da Terra para baixo. Quando o gelo derreteu e recuou, o solo começou a subir novamente. A NOAA descreve o fenômeno como o que acontece quando um colchão velho volta ao formato original depois que uma pessoa se levanta de manhã. Quando os mantos de gelo começaram a recuar, ocorreu uma recuperação rápida em muitas regiões, que desacelerou ao longo dos séculos, disse Damiani.

    “O solo vem se recuperando e continua nisso”, disse Damiani. “Leva um período muito longo”.

    A superfície da Terra sobe cerca de 1 milímetro por mês no Canadá e aproximadamente a mesma quantidade ao longo de um ano nos EUA, disse ela. Para um lugar como a Baía de Hudson, no Canadá, as mudanças seriam visíveis ao longo da vida de uma pessoa, disse ela.

    “Se você construiu um atracadouro, parece que o oceano está baixando”, disse Damiani.

    Não é que o nível do oceano esteja caindo? É que a terra está voltando a subir.

    Ao calcular o aumento dos oceanos devido ao atual derretimento das geleiras e dos mantos de gelo, os pesquisadores precisam levar em consideração essas taxas de recuperação, de acordo com um relatório da NOAA publicado em dezembro de 2012. Área coberta É claro que a terra só está subindo nas áreas cobertas pelo manto de gelo. No hemisfério ocidental, essa região abrange quase todo o Canadá até a Nova Inglaterra, passando pelos Grandes Lagos e chegando à Região Centro-Oeste, às Grandes Planícies do norte e ao Noroeste do Pacífico.

    Além do limite dos lugares em que o gelo empurrou o solo para baixo, existem áreas onde a superfície está, na verdade, assentando-se mais abaixo. O que aconteceu aí é que o terreno na beira dos mantos de gelo se comportou como a geleia que se esparrama para fora de um sanduíche esmagado.

    As mudanças podem provocar pequenos terremotos, embora eles sejam muito fracos e passem despercebidos para a maioria das pessoas.

    O movimento é acompanhado por meio de satélites de posicionamento global e é utilizado para assegurar que os mapas continuem sendo exatos, disse Damiani. “A tarefa da minha agência, a NGS, é a de monitorar o formato do planeta”, disse Damiani. Os países escandinavos também monitoram a lenta taxa de recuperação da superfície ao longo dos últimos 14.000 anos, um ou dois séculos a mais ou a menos, desde que os mantos de gelo atingiram o auge na última Era do Gelo.

    A paciência é, sem dúvida, um dos requisitos para esse trabalho.

    https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2015/03/27/a-superficie-da-terra-esta-subindo-sob-seus-pes.htm

    Prof Luciano Mannarino

    Atividade em sala (pesquisar)

    Qual a relação entre a reportagem e os estudos de Isostasia Geológica?

    O que é Glacioisostasia?

    Relacione movimento eustático e epirogênese.

    Geologia/Geomorfologia

    Conceitos de Epirogênese e de Orogênese.

    Apresentação do Professor de Geologia…

  • O difícil caminho para o nosso Everest amazônico (EM13CHS306/302 – EFGE05)

    EM13CHS302
       Analisar e avaliar criticamente os impactos econômicos e socioambientais de cadeias produtivas ligadas à exploração de recursos naturais e às atividades agropecuárias em diferentes ambientes e escalas de análise, considerando o modo de vida das populações locais – entre elas as indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais -, suas práticas agroextrativistas e o compromisso com a sustentabilidade.
    EM13CHS306
    Contextualizar, comparar e avaliar os impactos de diferentes modelos socioeconômicos no uso dos recursos naturais e na promoção da sustentabilidade econômica e socioambiental do planeta (como a adoção dos sistemas da agrobiodiversidade e agroflorestal por diferentes comunidades, entre outros).

    EF06G05
    Relacionar padrões climáticos, tipos de solo, relevo e formações vegetais

    Volta das excursões ao ponto mais alto do país pede preparo físico e psicológico

    8.abr.2022 à 0h05

    Ainda nos bancos escolares aprendemos que o Brasil não tem montanhas altas por tratar-se de território mais antigo cujos maiores picos sofreram mais milhões de anos de erosão que os de outras freguesias, lembram? Há até hoje intensa discussão entre acadêmicos que questionam se podemos ou não chamar de montanhas o que, na verdade, seriam apenas montes, morros, qualquer coisa longe da imponência de cordilheiras como a dos Andes ou a do reverenciado Himalaia, essas, sim, incontestavelmente dignas de serem chamadas de montanhas.

    Mas enquanto especialistas não resolvem se temos ou não montanhas para chamar de nossas, um grupo de montanhistas conta ansioso os dias para seguir até o cume mais alto do Brasil —o pico da Neblina, a exatos 2.993,78 metros de altitude segundo medição mais recente confirmada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) com a ajuda de satélite. Ou Yaripo, ” montanha do vento”, como o chamam reverentemente os índios da etnia yanomami, moradores e donos do pedaço cobiçado por garimpeiros.

    Vista de drone do Pico da Neblina com grupo-piloto no cume – Marcos Amend -6.jun.17/Folhapress

    E é para o Pico da Neblina, ou Yaripo, que acaba de ser reaberta a possibilidade de acesso a turistas muito especiais: aqueles que têm condicionamentos físico e psicológico suficientes para encarar não apenas os perrengues habituais de uma subida, mas a jornada até sua base pelas trilhas barrentas da floresta amazônica em um Toyota velho, mais sete horas de “voadeira”, a canoa com motor de popa tradicional na região, até o coração do Parque Nacional do Pico da Neblina, dentro da Terra Indígena Yanomami. De lá, depois da bênção dos yanomamis, começa a subida. Ao todo, são de sete a dez dias de jornada, dependendo do fôlego dos participantes e das condições meteorológicas..

    Magno Souza, da Roraima Adventures, no centro, com os yanomamis que abençoam a expedição ao Pico da Neblina (Yaripo).

    A aventura não é mesmo para qualquer par de pernas e uma mochila cheia de boa vontade. O empresário Magno Souza, dono da Roraima Adventures, de Boa Vista (RR), especialista em experiências amazônicas como a subida ao monte Roraima, conta que começou a articular a operação do acesso ao pico da Neblina em 2007. Só em 2009 conseguiu subir pela primeira vez, depois de muita conversa com os yanomami, a Funai e o Ibama.

    “Só que, de repente, já em 2010, aquilo tinha virado a casa da mãe Joana, muita gente começou a querer explorar o acesso sem experiência e sem respeitar a cultura e os costumes dos yanomamis, e o Ministério Público proibiu de vez o acesso”, conta ele. O isolamento iria até 2015, quando a Funai publicou instrução normativa regulamentando o turismo em áreas indígenas. Retomadas as conversas, acabaram sendo autorizadas três operadoras que se responsabilizariam pela organização da jornada, indicadas pelo pioneiro Souza. “Não queríamos monopólio, mas precisávamos de gente que conhecesse o meio, as dificuldades específicas da região”, explica ele. Além da Roraima Adventures, estão credenciadas como operadoras a Amazon Emotions e a Ambiental Turismo.

    De conversa em conversa, a primeira expedição-piloto, realizada em parceria da Roraima Adventures e da Amazon Emotions, levou dez visitantes-cobaias para o topo, em 2017, incluindo um repórter da Folha. Estava tudo preparado para dar início aos pacotes em março de 2020 —mas aí veio a pandemia e, com ela, a suspensão de toda a programação.

    Expedição ao Pico da Neblina (Yaripo).  Magno Souza, fundador da Roraima Adventures COM  índios yanomami
( Foto: Divulgação ) *** FOTOS NO MAXIMO 4 COLUNAS ***
    Expedição ao Pico da Neblina (Yaripo). Magno Souza, fundador da Roraima Adventures COM índios yanomami ( Foto: Divulgação )

    Só há poucos dias, mais exatamente em 17 de março passado, a primeira turma de dez turistas saiu de São Gabriel da Cachoeira (AM) em direção ao Parque Nacional. Desses, dois ficaram pelo caminho.

    NA FLORESTA, O MAIS PREVISÍVEL É O IMPREVISTO

    “O impacto da floresta, da alimentação e da cultura tão diferente dos yanomamis, que acompanham os grupos em todo o percurso, forçaram dois dos membros do grupo a desistir já no segundo dia da expedição”, relata Souza. “Eles reconheceram não terem condição psicológica para enfrentar uma trilha de tanta dificuldade, e saíram a tempo”, acrescenta.

    No site das operadoras e agências parceiras é alertado sem meias tintas que se trata de uma trilha de alta dificuldade. Pessoas que estejam com mais de 10 kg acima do chamado “peso ideal” devem passar por uma entrevista antes de fechar o pacote. E quem tem problemas de joelhos, coluna ou qualquer tipo de enfermidade crônica ou psicológica só deve se dirigir ao guichê da agência depois de consultar um médico. A coisa ali é séria.

    “Não é exagero, é cuidado e responsabilidade”, ressalta Souza, lembrando que se trata de uma jornada na qual, por mais que a equipe de apoio se esforce para cuidar de acampamento, alimentação, transporte, primeiros socorros e, até comunicação por satélite para emergências, “o mais previsível é sempre o imprevisto”. E o imprevisto, em um lugar tão distante de tudo, pode ser uma grande encrenca, quando não acabar em morte.

    Mas, então, por que alguém iria querer se meter em tamanho desafio? Bom, em primeiro lugar vem sempre a célebre resposta que o alpinista britânico George Mallory deu ao repórter do The New York Times que lhe perguntou, em 1924, por que queria tanto subir ao topo do Everest (jornada, por sinal, na qual morreria): “Porque está lá”. Pois nada como saber que algo “está lá”, desafiando nossas habilidades, para forçar o primeiro passo à frente.

    Só que tem mais que perrengues, segundo Souza, que acompanhou esse primeiro grupo da retomada: “Nada pode relatar a intensidade do que se sente ao chegar ao pico depois de tantas dificuldades, muita chuva, frio, calor, umidade, a floresta, o rio, tantas experiências diferentes seguidas sem trégua”, suspira esse mato-grossense de Campo Grande com o sorriso de quem, aos 60 anos recém-cumpridos, não vê a hora de voltar a subir.

    https://www1.folha.uol.com.br/blogs/e-logo-ali/2022/04/o-dificil-caminho-para-o-nosso-everest-amazonico.shtml

    Prof Luciano Mannarino

    Na Amazônia, 20% das bacias sofrem alto impacto de atividades humanas

    Formações Vegetais do Brasil

  • Terremoto atinge Peru e moradores do Acre e de Rondônia sentem tremor

    Terremoto atinge Peru e moradores do Acre e de Rondônia sentem tremor

    Vibração registrada foi de magnitude 5,7 e ocorreu próxima da superfície; apesar do susto, não há registros de acidentes

    Por iG Último Segundo

    Atualizada às 10/10/2021 08:08

    Terremoto atinge Peru e moradores de cidades brasileiras sentem tremor
    ReproduçãoTerremoto atinge Peru e moradores de cidades brasileiras sentem tremor

    O oeste do Peru foi atingido por um  terremoto de magnitude 5,7 durante a noite do último sábado (09). Registrado próximo da fronteira peruana com a brasileira e a boliviana, as oscilações terrestres foram sentidas em cidades do Acre e de Rondônia. Apesar do susto, não há registros de acidentes. As informações são do portal G1.

    Segundo serviço de monitoramento do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, em inglês) – portal que observa as atividades sísmicas pelo mundo -, o tremor teve seu epicentro em uma profundidade de 13,5 quilômetros. A distância é considerada muito pequena da superfície e o suficiente para causar grandes danos.

    No Acre, sete municípios sentiram os tremores de terra. Em Rio Branco, a Arena da Floresta – utilizada para a disputa da final do Campeonato Acreano entre Rio Branco e Humaitá – informaram que o abalo foi sentido pouco antes do fim da partida.

    Silas Nascimento, de 33 anos, motorista que mora na capital acreana, relata que sentiu algo diferente enquanto assistia televisão em sua casa. “Estávamos no sofá vendo TV e eu senti uma pequena tontura. Minha esposa falou que tinha sentido um balanço aí depois de alguns segundos nos demos conta do que aconteceu, que foi um tremor de terras. Fiquei preocupado, pois estou fazendo uma obra em casa e fiquei com medo de ter abalado a obra, mas foi um tremor bem fraco e não aconteceu nada”.

    https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2021-10-10/terremoto-peru-cidades-brasileiras-tremor.html

    Questões

    1 Explique os motivos para instabilidade tectônica no território peruano.

    2 Aponte fatores que contribuem para elevados número de vítimas e danos materiais causados por um terremoto.

    3 Como o Serviço Geológico dos Estados Unidos faz observações sobre abalos sísmicos ao longo da superfície terrestre do planeta?

    4 Por que o território brasileiro não é submetido a abalos sísmicos de grandes intensidades?

    5 Por que moradores do Acre e Rondônia sentiram pequenos tremores desse evento?

    NATURE: Sismômetros domésticos fornecem dados cruciais sobre o terremoto do Haiti

    Namazu e os terremotos. (Atividade)