Categoria: Questão Ambiental

  • Chuvas e secas em São Paulo estão mais intensas com aquecimento, mostram dados. (avaliação)

    Análise da Folha indica mudança no clima paulistano, que esquentou quase 3ºC desde 1960.

    SÃO PAULO

    O clima em São Paulo sofreu profundas mudanças nos últimos 60 anos: chuvas intensas estão mais comuns, mas longos períodos secos também aparecem mais, e a temperatura está quase 3ºC mais alta hoje (dependendo da forma de medição).

    Os dados, coletados pela Folha no Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), e pesquisadores indicam que a cidade enfrentará cada vez mais desafios na saúde pública, com mais mortes relacionadas a doenças cardíacas, por exemplo, que são mais comuns nas ondas de calor. E sofrerá cada vez mais problemas de infraestrutura, com mais alagamentos em alguns períodos e falta d’água em outros.

    A chuva é um dos grandes exemplos da mudança no clima em São Paulo no período. Até 1980, a cidade havia enfrentado apenas um evento com mais de 100 mm em um dia. Na década de 2010, foram seis.

    Patamar próximo a esse foi o que a capital paulista enfrentou no começo de fevereiro, quando os 114 mm foram suficientes para alagar trechos das marginais, ilhar moradores e suspender aulas e o serviço público.

    Por outro lado, os períodos sem chuva estão cada vez maiores. A década de 1960 começou com período de até 15 dias sem precipitação em alguns anos. Nesta década mais recente, já se chegou a 51 dias secos, em 2012.

    Após sequência de estiagens, a cidade sofreu com a crise hídrica de 2014, quando reservatórios chegaram a operar com 10% da capacidade, levando a racionamentos.

    Os dados do Inmet, que vão de 1961 a 2019 e são coletadas na zona norte, mostram também mudança no padrão de temperatura.

    Há diferentes formas de se avaliar essa variação. Considerando a diferença ano a ano, o acumulado desses 58 anos aponta para uma temperatura média 2ºC superior agora em relação ao período inicial (subindo da casa dos 20ºC para 22ºC).

    Se analisada a variação das temperaturas mínimas, o aquecimento é ainda maior (quase 3ºC a mais, saindo da casa dos 8ºC para 11ºC).

    Visto de outra forma, as temperaturas mínimas da década de 2010 estão 2,3ºC maiores do que de 1960, considerando as medianas (medida que identifica qual a temperatura é a que divide em dois o grupo analisado).

    Como as mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas têm sido constantes ao longo das décadas, climatologistas dizem que a situação atual deverá ser o novo padrão da cidade para os próximos anos. E as projeções apontam para presença ainda maior de eventos extremos nas próximas décadas.

    “A situação exige melhoria significativa em ações para redução de desastres na região metropolitana”, escreveram o climatologista José Marengo e outros pesquisadores brasileiros em trabalho acadêmico publicado na revista da Academia de Ciências de Nova York, no começo deste ano.

    A pesquisa enfocou o padrão de chuvas na região —a reportagem se inspirou nessa metodologia para a análise, acrescentando dados mais recentes.

    Os cientistas destacam que as mudanças podem estar relacionadas à variação natural do clima, mas também podem ser fruto do aquecimento global e da urbanização da região.

    “O aumento das temperaturas é um processo natural, que pode ser acelerado pela ação humana, com urbanização, queima de combustível fóssil e desmatamento”, disse à reportagem o cientista Marengo, do Cemaden (centro nacional de monitoramento de desastres naturais). “O que não foi estabelecido é saber qual porcentagem é natural e qual é humana.”

    Mesmo que a causa das mudanças no clima da cidade ainda não esteja totalmente definida, já há pesquisas sobre o impacto na saúde da população decorrente das temperaturas mais altas e pelo novo padrão de chuvas.

    A população idosa parece ser mais sensível ao aumento do calor. Uma das razões é que o corpo nessa idade tem mais dificuldade para se adaptar à mudança de temperatura. E também tarda mais para perceber o aumento do calor, demorando também para se hidratar.

    As pesquisas mostram que aumento da temperatura está relacionado a mais casos de mortes decorrentes de doenças cardiovasculares e respiratórias.

    Em pesquisa feita no IAG-USP (instituto de ciências atmosféricas), o meteorologista Rafael Batista avaliou o impacto de altas temperaturas nos óbitos de idosos.

    O trabalho verificou que houve mais mortes do que o esperado em fevereiro de 2014 na região metropolitana de São Paulo, quando ocorreu forte onda de calor (26 dias consecutivos com máximas acima dos 30ºC).

    Outro impacto do aumento do calor é a elevação do consumo de água, aponta o professor da Faculdade de Saúde Pública da USP Leandro Giatti.

    E a situação pode se agravar porque o novo padrão de chuvas, com pancadas cada vez mais fortes, alternadas com períodos secos mais longos, não é o ideal para se acumular águas nos reservatórios.

    Nas chuvas intensas, a água passa muito rapidamente pelo solo, não sendo absorvida para os aquíferos, além de levar sujeira e sedimentos para os reservatórios.

    O aumento das chuvas intensas, e consequentes alagamentos, pode contribuir ainda para aumento de doenças como leptospirose e dengue ou diarreia, especialmente em crianças. Essa relação foi apontada em pesquisas de Juliana Duarte, da Faculdade de Saúde Pública da USP.

    Ela verificou que houve aumento de internações devido a essas doenças nos períodos mais chuvosos em Rio Branco (AC), entre os anos de 2008 e 2013.

    Todos esses problemas devem se intensificar, de acordo com os cientistas.

    A pesquisa do meteorologista Rafael Batista, do IAG-USP, estimou como deverá ser a temperatura na região metropolitana até 2099, considerando a evolução nas últimas décadas.

    Segundo esse cálculo, o número de dias de risco por altas temperaturas (médias acima de 25ºC) passará a ocupar 40% do ano, dentro das próximas seis décadas; hoje, são apenas 8% do ano.

    “O inverno pode passar a ficar parecido com o que conhecemos do verão”, disse o climatologista Fábio Gonçalves, do IAG (instituto de ciências atmosféricas), da USP. A unidade também faz monitoramento do clima, a partir de ponto na zona sul na cidade, e possui observações semelhantes ao verificado pela Folha.

     

    GOVERNOS AINDA TROPEÇAM PARA FREAR PROBLEMA

    As temperaturas mais altas e a frequência maior de eventos extremos ganham contornos mais graves quando se pensa que a cidade não para —nem em população (cresceu uma média de 100,8 mil habitantes por ano na última década) nem em mancha urbana (que hoje ocupa 878,6 km², o equivalente a 57% do território da cidade).

    A Prefeitura de São Paulo lista intervenções como a construção de piscinões, a melhoria da drenagem e a implantação de parques como respostas. Por outro lado, reportagem da Folha no começo do mês mostrou que a cidade tem ao menos 17 grandes obras de drenagem atrasadas.

    A cidade instituiu em 2009, na gestão Gilberto Kassab, sua Política Municipal de Mudança do Clima, que estabelece ações para mitigar os efeitos das mudanças ambientais.

    São Paulo também tem como meta reduzir em 45% as emissões de gás carbônico nos próximos dez anos em relação ao nível de 2010, e promete neutralizar as emissões de gases que provocam efeito estufa até 2050.

    “Os preâmbulos de todos os planos diretores, desde o Plano Urbanístico Básico, de 1968, até o Plano Diretor Estratégico de 2014, têm capítulos dedicados a chuvas, ao meio ambiente”, diz o professor Valter Caldana, da Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, que afirma que o respeito a variáveis ambientais é um dos fundamentos da boa arquitetura, mesmo antes de se falar em mudanças climáticas.

    “Mas nós adotamos um modelo de desenvolvimento urbano no século 20 que passou por cima dos elementos naturais da nossa topografia, geomorfologia e hidrografia”, diz ele, ao citar o encanamento e enterramento indiscriminado de rios e córregos e a impermeabilização de áreas verdes da cidade.

    É preciso mudar o modo como se produzem cidades, diz o urbanista. E cita coisas práticas: cuidar do mobiliário urbano, aumentar a capacidade de drenagem, acabar com a exigência de recuos de edifícios (o que faz com que se desperdice espaços), fazer com que empresas abram espaços verdes para uso público.

    “Antigamente São Paulo tinha bolsões de calor. Hoje a cidade inteira virou um bolsão de calor. Tem que parar de agir só na emergência e agir cotidianamente”, diz.

    Galeria

    Favelas da Linha e do Nove sofrem com enchente em SPFavelas da Linha e do Nove sofrem com enchente em SP. Idosa recém-operada precisou ser resgatada de casa inundada; há 46 anos, moradores vivem sucessão de tragédias

     

    Secretário de Infraestrutura e Obras da cidade, o engenheiro Vitor Aly afirma que a atual administração tem olhado os problemas derivados das mudanças climáticas de forma propositiva, e não mais reativa como no passado, quando, segundo ele, apenas atacavam os efeitos das enchentes.

    “Os alagamentos acontecem no mundo todo agora. Veja Austrália, Inglaterra, Japão. É um problema da sociedade moderna. Fomos ocupando o território e agora precisamos nos ocupar do problema”, diz Aly.

    Ele lista soluções estruturais que têm sido elaboradas pela prefeitura: a construção de piscinões (já foram entregues oito e planejam mais cinco para 2020); um estudo para alteamento de pontes e pontilhões, que funcionam como represas quando enchem os rios; um mapeamento das 104 bacias hidrográficas e das manchas de inundação da cidade, com o propósito de alertar moradores e construtoras com precisão dos riscos de cada região.

    Um dos compromissos previstos no plano de metas da atual gestão é o de reduzir em 12,6% (2,77 km²) as áreas inundáveis da cidade.

    Nas ações de manutenção, o secretário de Subprefeituras, Alexandre Modonezi, diz que a drenagem tem funcionado bem diante desse desafio pluvial que se avoluma.

    Ele avalia que a limpeza de ramais e de bocas de lobo e a retirada de resíduos de córregos fizeram com que a água da chuva tivesse fluidez no último episódio de chuvas, por exemplo. Segundo ele, a drenagem da cidade levou toda a água para os rios Pinheiros e Tietê —”foram essas artérias que não suportaram todo o volume”, afirma Modonezi. A manutenção dos dois rios é incumbência do governo do estado.

    “Nas outras regiões da cidade tivemos alagamentos pontuais, pequenos, lâminas de água que acabaram sendo drenadas depois de passada a chuva”, completa.

    O plano de metas dedica diversas rubricas à problemática: recuperar 240 mil metros lineares de guias e sarjetas; limpar 2,8 milhões de metros quadrados de margens de córregos; retirar 176.406 toneladas de detritos de piscinões, entre outros.

    Em 2019, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou compromisso de elaborar um plano de ação climática para zerar a emissão de gases que provocam efeito estufa nos próximos 30 anos. A proposta do tucano está alinhada às metas do Acordo de Paris, repetidamente atacado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nos últimos anos.

    Ricardo Viegas, secretário adjunto de Verde e Meio Ambiente, diz que o plano será apresentado em junho, mas diversas ações para controle do aumento de temperatura e do efeito estufa já têm sido feitas.
    Ele diz que um grande esforço tem sido feito em relação ao transporte na cidade.

    A chamada “lei do clima”, sancionada pelo então prefeito João Doria (PSDB) em 2018, estabeleceu que as emissões de dióxido de carbono e de material particulado terão que ser zeradas até 2038 pela frota de ônibus municipal, por exemplo.

    A resposta às ilhas de calor e ao aumento de temperatura vem por meio da ampliação das áreas verdes. Nesse sentido, Viegas afirma que a prefeitura implantará dez parques até o final do ano e revitalizará outros 58. A cidade hoje conta com 107 parques.

    Outras propostas da gestão Covas que apontam para o longo prazo são a proibição do fornecimento de utensílios plásticos por estabelecimentos comerciais, a implantação de reuso de água em 100% dos novos equipamentos entregues e ampliação do atendimento da coleta seletiva para todos os endereços da capital.

     

    Fábio Takahashi, Guilherme Garcia, Guilherme Seto, Thiago Amâncio e Diana Yukari

     

     

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    Prof. Luciano Mannarino

  • Cidades precisam mudar estratégia para lidar com águas

    Médias históricas de precipitação já não servem para planejar drenagem; impermeabilização, canalização de rios e piscinões fazem parte do problema, não da solução

    SÃO PAULO

    São Paulo, depois de Belo Horizonte e uma centena de municípios mineiros, fluminenses e capixabas, além do Reino Unido e boa parte da Europa Ocidental, estão debaixo d’água.

    A península antártica, onde fica a base brasileira, registrou 18,3ºC positivos, recorde de temperatura. Suas geleiras continentais escorrem para o mar em velocidade nunca vista, como na Groenlândia.

    A Austrália está em chamas. O desmatamento da floresta amazônica dobrou em janeiro, um mês em que as derrubadas são raras porque chove demais. O presidente Jair Bolsonaro e seus amigos ruralistas dizem que querem desenvolver a Amazônia e integrar os índios, mas colaboram para aniquilá-los.

    Já se torna ocioso repetir que os desastres se encaixam à perfeição nas predições dos climatologistas quanto a eventos extremos decorrentes do aquecimento global turbinado pelo homem.

    Entretanto, os refratários ao óbvio e os já convencidos sofrem todos as mesmas consequências. Não faltam razões para que se unam em cobrar do poder público ações mais consequentes de adaptação.

    Na cidade de São Paulo, por exemplo, há 17 grandes intervenções em andamento, mas 14 delas estão atrasadas. O prefeito Bruno Covas (PSDB), cuja administração está no poder há três anos (foi vice de João Doria, atual governador tucano), culpa a gestão de Fernando Haddad (PT).

    Acusa os petistas de iniciar obras sem projeto executivo. O PT diz que é mentira. Enquanto eles se entregam à discussão pueril, paulistanos se afundam em águas fétidas, carros boiam como joguetes, milhões de horas de trabalho se perdem em congestionamentos cinematográficos.

    Covas, Doria e Haddad vão também culpar São Pedro? Resmungarão que choveu demais, como nunca antes, à moda do prefeito de BH e do governador de Minas?

    Chuva causa alagamento na região da Ponte da Casa Verde em São Paulo (SP), nesta manhã de segunda-feira (10)
    Chuva causa alagamento na região da Ponte da Casa Verde em São Paulo (SP), nesta manhã de segunda-feira (10) – Romerito Pontes/Futura Press/Folhapress

    Pois os dois problemas são precisamente esses dois: cairão chuvas cada vez mais intensas, como avisam há décadas pesquisadores do clima, e governantes continuarão tentando tirar o corpo fora e insistirão em obras erradas em sua concepção.

    Predominam dois tipos básico de intervenção: canalizar córregos e rios e construir piscinões. Fundamentam-se, ambos, na pretensão equivocada de domar as águas, confinando-as em fortalezas de concreto até que sejam despejadas no canal principal de escoamento, rios como o Tietê e o Pinheiros paulistanos.

    Ambos se inundaram nesta segunda-feira (10). Quando isso acontece, inverte-se o fluxo das águas retidas em tubulações, que saem pelos pontos de captação nos bueiros e bocas de lobo. Focos de alagamento se multiplicam às centenas, destruindo patrimônio dos moradores e comerciantes mais pobres.

    Em outras palavras, médias históricas não servem mais para planejar a rede de drenagem. Não faz sentido continuar insistindo em represar águas, pois os engenheiros não têm chance de vencer essa luta com a mudança do clima.

    Está na hora de rever os pressupostos e chamar urbanistas, climatologistas e ambientalistas para a mesa de discussão. Em lugar de construir mais pistas nas avenidas marginais, aumentando a impermeabilização do solo, que tal devolver as áreas de várzea para os rios e parar de aprisioná-los com cimento?

    Empreiteiros e motoristas de carros ficarão descontentes com a mudança de mentalidade, porque terão menos oportunidades para ganhar dinheiro, com ou sem corrupção no primeiro caso, ou para escapar de transportes públicos, no segundo.

    A alternativa para eles –para todos nós– é seguir aprisionados dentro de carros, emitindo gases do efeito estufa pelo escapamento, praguejando contra o trânsito e os céus, torcendo para não ser arrastado na enxurrada.

     

    https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/02/cidades-precisam-mudar-estrategia-para-lidar-com-aguas.shtml

     

     

     

    Prof Luciano Mannarino.

     

     

  • Área queimada quase dobra no Brasil em 2019, e equivale a SP e RJ juntos. (avaliação)

     

    Queimadas atingiram a região do Pantanal durante o segundo semestre do ano passado - Divulgação/PrevFogo/MS

    O Brasil terminou o ano de 2019 com 318 mil km² de área florestal consumidas pelo fogo, segundo dados do Programa de Queimadas, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O número é quase o dobro do registrado no ano anterior: 86% maior do que o de 2018 (170 mil km²). O ano passado foi o primeiro em que o INPE verificou aumento de área queimada em todos os seis biomas medidos na comparação com o período anterior —os dados começaram a ser disponibilizados em 2002

    A área queimada em 2019 é equivalente a 44,5 milhões de campos de futebol, e é quase 10% maior que a soma dos territórios dos estados de Rio de Janeiro e São Paulo. O total atingido pelo fogo em 2019 é o terceiro maior da década, atrás apenas de 2012 (391 mil km²) e 2015 (354 mil km²).

    Área queimada por bioma em 2019:

    Pantanal – 20.835 km² (alta de 573% em comparação a 2018)

    Pampa – 1.398 km² (alta de 127% em comparação a 2018)

    Caatinga – 55.536 km² (alta de 118% em comparação a 2018)

    Cerrado – 148.648 km² (alta de 74% em comparação a 2018)

    Amazônia – 72.501 km² (alta de 68% em comparação a 2018)

    Mata Atlântica – 19.471 km² (alta de 46% em comparação a 2018) 1:11

    Pantanal tem pior cenário em 15 anos

    O maior aumento em área queimada dos biomas ocorreu no Pantanal, onde 20,8 mil km² foram atingidos pelo fogo, 573% a mais que em 2018. Ao todo, no ano passado, 13,9% do território do bioma foi atingido por incêndios, maior índice em 15 anos. Em setembro passado, os estados de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul decretaram emergência por conta da quantidade de focos.

    O aumento exponencial de área atingida por queimadas no Pantanal tem alguns fatores como motivadores, explica André Luiz Siqueira, diretor-presidente da ONG (Organização Não Governamental) Ecoa:

    “Temos de levar em conta que tivemos um ano muito seco por aqui, tanto que tivemos que um ano muito seco por aqui, tanto que tivemos queimadas antes do tempo e que foram até o início de dezembro –o que é atípico e dois meses a mais que a média.”

    “Outro fator é que o Pantanal está na fronteira com a Bolívia, que queimou muito em 2019.” No ano passado, a Bolívia registrou 44.271 focos de queimadas, o maior número desde 2010, conforme dados do Inpe. “Desde 2018, o Brasil perdeu a capacidade de negociação com a Bolívia, deixando de acordar intercâmbios e cooperações. Isso tudo foi fundamental”, explica.

    Segundo Siqueira, também houve uma falta de resposta dos órgãos públicos no combate ao fogo. “Por exemplo: o estado do Mato Grosso do Sul não tinha aparelhagem para combater o fogo. Inclusive precisou receber doações para as operações. A última grande queimada aqui ocorreu há 15 anos, e nós tivemos praticamente o mesmo percentual queimado daquele ano”, diz.

    Outros biomas queimam

    Os outros cinco biomas medidos pelo INPE também tiveram alta em 2019. A maior área queimada em termos absolutos é o Cerrado, onde 148 mil km² foram atingidos pelo fogo.

    74% a mais que em 2018. Por conta de sua característica mais seca e de fogo com autopropulsão, o bioma é, historicamente, o que apresenta o maior número de focos e área queimada no país. Já na Amazônia, a alta foi de 68% em relação a 2018, com um total de 72,5 mil km² devastados pelo fogo. O percentual chama atenção porque é mais que o dobro da alta de focos de queimadas registrados em 2019, que foram apenas 30% maiores que em 2018. Isso mostra que os focos em 2019 foram maiores em área queimada.

    “Nova política ambiental”

    O UOL procurou especialistas, que apontaram fatores para o crescimento. Para o biólogo Rômulo Batista, da campanha de Amazônia do Greenpeace, a extensão da área queimada chama a atenção porque 2019 não foi um ano de fenômenos climáticos El Niño ou La Ninã.

    “Eles causam secas mais fortes no norte ou no sul do País. O que tivemos de novidade foi a nova política ambiental, ou, na verdade, a ausência de uma política ambiental desde que o governo assumiu, diz. Batista afirma ainda que o aumento em todos os biomas é fruto de uma “falta de política ambiental de combate às queimadas e ao desmatamento, além da redução do orçamento para o MMA [Ministério do Meio Ambiente] e o principais órgãos que coíbem o desmatamento e as queimadas”.

    Cássio Bernardino, analista de Conservação do WWF-Brasil, diz que a grande maioria das queimadas teve origem proposital do homem. “Esses incêndios têm origem especialmente antrópica ação do ser humano”. Mesmo nos biomas onde é natural a ocorrência de fogo, esses números não eram esperados. E as análises espaciais mostram o fogo predominantemente às margens de rodovias e próximo a centros urbanos, o que indica que elas são de origem humana, principalmente para ações desmatamento e reforma de pastagem”, explica.

    Ainda segundo Bernardino, todos os biomas tiveram área queimada acima das médias históricas, e a culpa disso estaria ligada ao discurso e à falta de ações do governo federal.

    “Houve uma retórica governamental, uma mensagem de que o meio ambiente é um recurso que pode ser explorado de qualquer forma, e que a proteção pode ser uma ameaça o desenvolvimento. De outro lado, tivemos menos ênfase nos mecanismos de sistema de comando o controle. Tivemos mesmo fiscalização e menos equipes em campo”, aponta.

    Procurado ontem para comentar o aumento de áreas queimadas  nos seis biomas em 2019,

    https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2020/01/14/queimada-cresce-brasil-2019.htm

     

    1. Caracterize cada um dos Biomas presentes no texto.

    2. O meio ambiente é um recurso que pode ser explorado de qualquer forma? Justifique

    3.  Qual o papel do INPE no combate da degradação ambiental no Brasil?

    4. Quais as principais causas do aumento das queimadas no Brasil?

    5. O texto  afirma que o Brasil “perdeu a capacidade de negociação com a Bolívia, deixando de acordar intercâmbios e cooperações” em relação a proteção ao meio ambiente nos últimos anos. A que se deve isso?

     

     

     

    Prof. Luciano Mannarino

  • Os cinco momentos do fórum de Davos 2020. (avaliação)

    Davos, Suíça, 24 Jan 2020 (AFP)

    Resultado de imagem para davos 2020

    Do duelo entre Donald Trump e Greta Thunberg aos acordos comerciais “express”, passando pela promessa de plantar bilhões de árvores para salvar o planeta, esses são os cinco momentos do fórum de Davos, que terminou nesta sexta-feira na Suíça.

    – Apocalipse iminente – O confronto entre a ativista sueca Greta Thunberg e o presidente dos EUA, Donald Trump, marcou os quatro dias do Fórum Econômico Mundial (WEF), que reúne todos os anos a elite da política e das finanças na Suíça. “Temos que rejeitar os eternos catastrofistas e suas previsões de apocalipse”, afirmou Trump na terça-feira em um discurso, acusando aqueles que alertam sobre a seriedade da situação de serem “herdeiros das cartomantes tolas do passado”. Thunberg, de 17 anos, estava na sala e o ouviu impassível. A ativista repetiu que “nossa casa está queimando” e não se intimidou apesar da ofensiva americana, mesmo quando um conselheiro de Trump a aconselhou a “estudar antes de falar”. Nesta sexta-feira, no entanto, fez uma avaliação pessimista do fórum e disse que todas as suas alegações “foram totalmente ignoradas”.

    Um bilhão de árvores – O Fórum Econômico Mundial, às vezes acusado de hipocrisia climática pela chegada incansável de helicópteros e limusines, decidiu este ano mostrar seu lado mais verde. Além de proibir utensílios de uso único e oferecer alimentos com “proteínas alternativas” (ou seja, sem carne), o WEF lançou uma ambiciosa campanha para plantar ou salvar “um bilhão de árvores”, o que permitiria capturar CO2, mas que não tem nenhum efeito nas emissões. Uma iniciativa para unificar projetos similares em todo o planeta que teve inclusive a aprovação de Donald Trump.

    Acordos rápidos – Após a trégua comercial entre a China e os Estados Unidos, a febre para fechar pactos comerciais parecia dominar Davos. Trump disse que poderia fechar este ano um acordo comercial com a União Europeia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi ainda mais longe e falou de “algumas semanas”. Mas o prazo surpreendeu inclusive em Bruxelas, levando em conta a enorme complexidade desse tipo de negociação. “Honestamente, não entendo nada”, reconheceu o eurodeputado alemão Bernd Lange, presidente da comissão de Comércio Internacional da Eurocâmara.

    Fogo, eletricidade e inteligência artificial -O presidente da Alphabet (Google), Sundar Pichai, assegurou que a inteligência artificial será para a humanidade uma mudança “mais profunda que o fogo e a eletricidade”. Ren Zhengfei, fundador da Huawei, gigante chinesa da tecnologia, comparou-a às armas nucleares. “Nasci quando a bomba atômica explodiu no Japão. Quando eu tinha seis anos, era o que as pessoas mais temiam. Mas se olharmos para o passado veremos os grandes benefícios da energia atômica. E a inteligência artificial não causou tanto dano como a bomba atômica”.

    “Criminosos” do clima – Este ano, numerosas ONGs foram vistas novamente em Davos, apesar da contradição que às vezes envolve criticar as elites e participar de sua reunião anual por excelência. É o caso do anticapitalista Micah White, um dos promotores do movimento Occupy Wall Street, que admitiu que vir a Davos pode parecer contraditório, embora tenha prometido, é claro, evitar “champanhe e caviar”. Outros têm uma atitude muito mais ofensiva, como Jennifer Morgan, diretora executiva do Greenpeace. “Em todas as conversas que tenho aqui, tento escancarar a verdade [sobre o clima] diante dos poderosos… mas é estranho: é como uma zona de guerra ambiental ou uma cena de crime em que todos os criminosos estão à sua frente”, disse à AFP.

     https://economia.uol.com.br/noticias/afp/2020/01/24/os-cinco-momentos-do-forum-de-davos.htm?cmpid=copiaecola

  • Centrais Termonucleares (avaliação)

    Centrais Termonucleares (avaliação)

    (manual do mundo)

    1) Aponte diferenças entre uma usina hidrelétrica e uma usina atômica.

    2) Como se produz energia elétrica a partir da fissão nuclear?

    3) Por que foi escolhido o município de Angra dos Reis para instalação das Usinas Atômicas?

    4) O que é “lixo atômico“?

    5) Aponte diferenças entre Angra 1 e Angra 2.

    6) Qual o papel da água do mar nas usinas atômicas brasileiras?

    7) Quais são as vantagens e desvantagens na produção energia elétrica através dessa fonte?

    8) Em que contexto histórico foi concedido o projeto nuclear brasileiro?

    Luciano Mannarino.