Categoria: Questão Ambiental

  • ACORDO DE PARIS É SINAL DOS TEMPOS

    ACORDO DE PARIS É SINAL DOS TEMPOS

    EM13CHS305     Analisar e discutir o papel e as competências legais dos organismos nacionais e internacionais de regulação, controle e fiscalização ambiental e dos acordos internacionais para a promoção e a garantia de práticas ambientais sustentáveis.

    Se todas as políticas nacionais forem cumpridas, aquecimento pode ser freado

    15.dez.2020 às 17h33

    Assinado há 5 anos na Conferência do Clima, o Acordo de Paris é um fator decisivo para que o aquecimento global seja freado nas próximas décadas. Na prática, ele obriga os países signatários a seguirem metas de redução de emissões. Mas o que deve ser feito na próxima década precisa ser definido de forma voluntária, dentro de cada uma das nações. Não há exigência externa nenhuma sobre os planos internos que cada país escolheu seguir.

    À época da assinatura, o então secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, classificou o acordo de histórico. Já na semana passada, diante dos poucos avanços, o atual secretário, António Guterres, pressionou os países a decretarem estado de emergência climática.

    No Brasil, as metas viraram obrigatórias porque foram aprovadas pelo Congresso Nacional em setembro de 2016. Até 2025, o país deve reduzir em 37% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com os valores de 2005. A segunda parte da exigência diz que a redução, em relação ao mesmo patamar de 2005, precisa ser de 43% em 2030.

    O texto legal também indica caminhos para que os objetivos climáticos sejam atingidos. Por exemplo, aumento do uso de biocombustíveis, desmatamento ilegal zero, restauração e reflorestamento de 12 milhões de hectares, participação de 45% de energias renováveis na matriz energética, aumento da participação de fonte eólica, solar e biomassa, alcance de 10% de eficiência energética e fortalecimento da agricultura de baixa emissão. Todas essas políticas públicas precisam atingir os objetivos traçados até 2030.

    Depois de o Acordo de Paris ter sido construído na gestão da presidente Dilma Rousseff e ratificado durante o governo de Michel Temer, o atual governo do presidente Jair Bolsonaro seguiu uma linha diferente. Antes de tomar posse, ainda na fase de transição, Bolsonaro ameaçou sair do Acordo. Não o fez. Nos EUA, o presidente Donald Trump retirou o país do protocolo, mas o democrata Joe Biden, que assume a Casa Branca em janeiro, anunciou que voltará ao Acordo de Paris.

    Com o governo federal brasileiro pouco interessado na questão climática, especialistas apontam que, mesmo assim, existem avanços sendo feitos em setores privados da economia. Com pressão do comércio internacional e dos consumidores, a preocupação com o meio ambiente tem sido fundamental no mundo dos negócios.

    De acordo com o CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), no fundo, a redução das emissões de gases de efeito estufa é também um bom negócio. A implementação do Acordo de Paris, pelas contas do conselho empresarial, pode desbloquear ao menos US$ 13,5 trilhões em investimentos nos próximos 15 anos. Apenas as soluções do projeto Low Carbon Technologies Partnership Initiative podem gerar de 25 milhões a 45 milhões de empregos por ano, respondendo por 65% das reduções de emissões necessárias em todo o mundo, segundo os estudos do setor empresarial.

    Independentemente do governo, o mundo do agronegócio vem desenvolvendo técnicas para produzir com baixa emissão de carbono, por meio de estratégias que envolvem a integração de floresta, lavoura e pecuária. O potencial dessa proposta em reduzir emissões é gigantesco dizem os pesquisadores. Outro segmento importante, onde o Brasil tem uma posição até confortável em termos internacionais, é o energético. A realidade imposta pelas mudanças climáticas aponta que gerar energia a partir do sol e do vento, em detrimento do uso de combustíveis fósseis, será crucial.

    Outros caminhos positivos a favor da redução das emissões são fruto de uma simbiose entre o setor sucroalcooleiro e a indústria automobilística, afirma Pedro Cortes, professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP. “Esses segmentos estão trabalhando em conjunto, por exemplo, para incentivar a produção de carros híbridos, que sejam elétricos mas também movidos a etanol.” Na prática, o carro movido a etanol, por causa do ciclo de produção do combustível, acaba sendo menos poluente do que o próprio carro elétrico. “Se o elétrico estiver associado a uma energia produzida por uma termoelétrica, o ciclo de produção tende a ser mais poluente”, afirma.

    Tanto especialistas da academia como membros do terceiro setor concordam que o Brasil tem totais condições de cumprir suas metas do Acordo de Paris, principalmente se o desmatamento da Amazônia, que bateu recordes em 2018 e 2019, voltar a ser contido. Sem isso, a tarefa será árdua. “O problema maior, tanto na questão ambiental quanto na retomada econômica, que envolve inclusive os setores do agronegócio e o industrial, é que o país não tem um plano”, diz Cortes.

    O MAPA DO CAMINHO

    Ainda que todos os países que assinaram o Acordo de Paris no âmbito da ONU sigam à risca seus planos nacionais, o problema do aquecimento global não estará totalmente resolvido, longe disso, mas pode ser atenuado em níveis mais aceitáveis, indica um estudo publicado no início do mês pela ONG internacional CAT (Climate Action Tracker).

    A recente onda de emissões líquidas zero anunciadas por vários países pode colocar a meta de 1,5°C [média de aumento da temperatura até 2100] do Acordo de Paris mais próxima de ser alcançada, indica o estudo.

    Em 2015, a previsão era que o mundo deveria sofrer a elevação da temperatura média de 3,6°C. Nas projeções atuais da CAT, está em 2,9°C. E novos cálculos apontam que, se todas as promessas pós-acordo forem cumpridas, o aquecimento global em 2100 pode ser da ordem de 2,1°C.

    Essas novas estimativas englobam, por exemplo, o anúncio do governo chinês de que o gigante asiático será neutro em carbono até 2060 e os planos já anunciados de Joe Biden para os Estados Unidos.

    Segundo o próximo presidente americano, o país vai zerar suas emissões até 2050.

    “A implementação de novas políticas públicas, o aumento do uso de energia renovável, a redução no uso do carvão e as premissas de menor crescimento econômico (tanto antes quanto por causa da pandemia) são responsáveis pela maior parte da queda registrada nos últimos anos, segundo os técnicos do grupo europeu. Em termos gerais, o Acordo de Paris, afirmam os cientistas, é a grande força motriz desse processo. Mas sempre existe o risco de as promessas feitas para as próximas décadas por parte dos governos nacionais não serem totalmente efetivadas.

  • NO AGRONEGÓCIO, PRESERVAÇÃO E PRODUÇÃO DEVEM ANDAR JUNTAS

    NO AGRONEGÓCIO, PRESERVAÇÃO E PRODUÇÃO DEVEM ANDAR JUNTAS

    Também no setor energético cresce a percepção de que sustentabilidade é um bom negócio

    15.dez.2020 às 18h0

    No Brasil, independentemente de políticas governamentais, vários setores da economia privada estão buscando suas próprias soluções para descarbonizar a economia. No agronegócio, o principal motor da economia brasileira e que depende muito da exportação, o caminho de práticas ambientalmente mais comprometidas, onde o fim do desmatamento e o aumento da eficiência produtiva andam juntos, é algo consolidado.

    Muitos produtores perceberam que mercados se fecham quando não há comprovação de que estão sendo respeitadas regras de proteção do meio ambiente.

    Muito da pecuária extensiva, por exemplo, tem sido trocada pela intensiva, com gado semiconfinado. Facilita o controle de alimentação, de questões de saúde animal e da qualidade da carne. Além disso, o abate ocorre em menos tempo, e tudo contribui para a criação de mais animais em menor espaço.

    Muitas fazendas também estão integrando lavoura, pecuária e floresta, em que a produção não exige desmatamento.

    Apesar de avanços, os números do sistema SEEG –Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, uma iniciativa da ONG Observatório do Clima–, mostram que as maiores fontes de emissão de gases de efeito estufa no Brasil ainda são o desmatamento (45% em 2019) e a agropecuária (28%). Por isso, a mitigação nesses dois casos é mais urgente.

    “No primeiro caso, precisamos empreender esforços de fiscalização para impedir desmatamentos ilegais e pagar pela manutenção da floresta em pé em áreas onde a derrubada de árvores seria ainda permitida, remunerando o agricultor pelo valor que ele obteria com o desmatamento legal”, afirma Carolina Dubeux, pesquisadora da COPPE.

    Segundo ela, o Brasil ainda tem condições de aumentar as áreas de conservação florestal e terras indígenas, de reflorestar o que for possível (há 100 milhões de hectares de pastos degradados) e fomentar a bioeconomia como forma de prover renda alternativa à população.

    “No caso da agropecuária, é urgente ampliar a produtividade do rebanho nacional, aumentando a taxa de lotação do gado (cabeça/hectare) e reduzindo a idade de abate. As medidas previstas no Plano ABC (política pública federal que visa estimular o uso de práticas de produção sustentáveis no campo) precisam se tornar a norma e não uma opção”, diz.

    ENERGIA

    Outro setor que avança é o de geração de energia renovável, como a eólica e a solar. Com o barateamento dos equipamentos, têm surgido vários parques de geração pelo país.

    No caso da energia solar, contam a favor do Brasil a extensão territorial e a posição no globo, que garante a incidência de raios solares o ano todo.

    Com relação à energia eólica, especialistas afirmam que a qualidade dos ventos (velocidade e constância), principalmente no Nordeste, fazem do Brasil uma espécie de Arábia Saudita desse tipo de energia.

    https://estudio.folha.uol.com.br/hora-de-esfriar-o-planeta/2020/12/no-agronegocio-preservacao-e-producao-devem-andar-juntas.shtml

    Prof Luciano Mannarino

  • Clima urbano merece atenção redobrada

    Clima urbano merece atenção redobrada

    Novo padrão vai mudar a vida nas cidades, que precisam se adaptar

    Ressaca intensa na Ponta da Praia, em Santos (SP) Guilherme Dionizio/Folhapress

    15.dez.2020 às 18h0

    Março de 2019. Na grande São Paulo, principalmente entre a zona sul da capital e a região dos municípios de São Bernardo, Diadema e São Caetano, ao menos 12 pessoas perderam a vida por causa de um forte temporal. No bairro do Jabaquara choveu exatos 109,5 mm. O que significa dizer que a chuva encheria quase 11 centímetros da altura de um cubo de 1 metro quadrado em menos de uma hora.

    A equação é simples: os grandes temporais vão ser cada vez mais frequentes neste século por causa do aquecimento global; mas, como isso parece ser obra divina para os governantes, as cidades, caso não se prepararem adequadamente, vão acumular tragédias.

    Termômetro de rua mostra o calor na cidade de São Paulo no primeiro dia de outubro de 2020 – Roberto Casimiro /Fotoarena/Folhapress

    A ciência mostra que as tempestades com mais de 100 mm em poucas horas estão aumentando em São Paulo. A memória de quem vive na Grande São Paulo há mais de 50 anos indica que antes as chuvas torrenciais não eram tão comuns assim. E ela está correta. Não se trata de nostalgia dos tempos da infância ou adolescência. Números analisados pelo IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP (Universidade de São Paulo) reforçam a percepção dos moradores de meia idade e dos idosos.

    Para os cientistas, chuvas superiores a 40 mm já são fortes o suficiente para causar algum tipo de transtorno para a cidade, como alagamentos. Entre 1970 e 1979, mostram os dados, São Paulo teve o registro de 50 eventos com essas características.

    Entre 2000 e 2009 foram 70 chuvas fortes anotadas pela estação meteorológica da USP, que fica perto do zoológico da cidade. Mesmo com o aumento da nota de corte, a tendência de eventos mais frequentes continua. No mesmo período, ocorreram cinco tempestades com mais de 80 mm nos anos 1970 contra nove chuvas tropicais no início do século.

    Temporal provoca alagamentos em Contagem (MG), no dia 5 de dezembro de 2020 – Willian Augusto/Futura Press/Folhapress

    O novo cenário urbano que surge, mesmo nas pequenas e médias cidades, ainda não vem sendo tratado como prioridade, apesar de alguns avanços terem também ocorrido, afirma Gabriela Di Giulio, pesquisadora da Escola de Saúde Pública da USP. “Mesmo com uma agenda adaptativa, entendendo a adaptação como processos de ajustamentos para antever impactos adversos das mudanças climáticas, os avanços no país têm sido lentos. Nossos estudos sobre adaptação nos municípios paulistas e em algumas capitais brasileiras, incluindo São Paulo, mostram que há importantes entraves que dificultam o processo de respostas adaptativas às alterações climáticas”, afirma a pesquisadora em saúde pública e meio ambiente da USP.

    Segundo Gabriela, o que mais chama a atenção, em nível local, é a dificuldade que as gestões públicas apresentam de atrelar políticas urbanas às estratégias adaptativas. “Essas dificuldades estão presentes tanto nos municípios de pequeno e médio porte como também nas grandes cidades, ainda que estas reúnam condições que poderiam, teoricamente, facilitar o avanço nas ações climáticas, como instituições de pesquisa que produzem conhecimento técnico-científico sobre as mudanças climáticas, os impactos e as possibilidades de respostas.

    VONTADE POLÍTICA

    No âmbito do Projeto CiAdapta, o grupo de pesquisa da USP em conjunto com outras instituições do país, investigou a realidade de seis grandes capitais: São Paulo, Natal, Porto Alegre, Vitória, Manaus e Curitiba. O diagnóstico é que a falta de vontade política ou comprometimento dos governantes com a adaptação das cidades a um novo cenário global não são os únicos problemas. “Práticas administrativas, descompasso entre a escala das questões urbanas e a extensão da autoridade do governo local, pressões do setor privado e fiscalização inadequada também são aspectos com os maiores níveis de impacto sobre a adaptação nas cidades brasileiras estudadas”, diz Gabriela.

    Segundo ela, embora estes gargalos encontrados pelos pesquisadores não sejam barreiras específicas das mudanças climáticas, quando combinados, eles produzem e pioram os entraves para o avanço da adaptação urbana em nível local. “Eles tendem a causar atrasos e dificultar a implementação de importantes ações atreladas às questões climáticas, como ampliação de infraestrutura verde, ponderação entre o adensamento necessário e a expansão urbana, mobilidade e questões de eficiência energética nos padrões construtivos”, afirma.

    A solução do problema, diz a cientista da USP, passa por enquadrar a mudança climática como um problema local, que afeta a todos, e também por compreender as cidades enquanto arenas estratégicas para ação. “É necessário ter a integração dos diferentes setores para lidar com a transversalidade das questões climáticas e, sobretudo, ter comprometimento político, inclusive, para lidar com as pressões exercidas por grupos que ainda resistem às ações públicas e coletivas em detrimento de seus interesses privados.”

    https://estudio.folha.uol.com.br/hora-de-esfriar-o-planeta/2020/12/clima-urbano-merece-atencao-redobrada.shtml

    Prof. Luciano Mannarino

  • Seca severa no Pantanal deve durar cinco anos, afirma secretário nacional de Defesa Civil

    Seca severa no Pantanal deve durar cinco anos, afirma secretário nacional de Defesa Civil

    Participando na mesma audiência no Senado, presidente do Ibama disse que órgão trabalha no limite

    30.set.2020 às 16h00Atualizado: 30.set.2020 às 19h07

    Renato Machado BRASÍLIA

    As condições de estiagem na região do Pantanal, um dos fatores para as queimadas que devastam o bioma, devem permanecer por mais cinco anos, estima a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

    A previsão foi passada pelo próprio secretário Alexandre Lucas Alves, durante audiência pública na Comissão do Senado que acompanha as queimadas e ações para combate aos incêndios no Pantanal, nesta quarta-feira (30).

    Alves explicou que as queimadas neste ano na região do Pantanal se devem principalmente a uma “situação excepcional de estiagem”.

    “A situação excepcional de estiagem supera a capacidade de preparação dos pantaneiros e das instituições públicas que trabalham na prevenção dos incêndios locais. Eu imagino que a estiagem deste ano supere a capacidade de gestão do fogo, mesmo o permitido no caso daquelas pessoas que trabalham com o fogo, que usam o fogo como instrumento de produção”, afirmou.

    Voluntário combate incêndio e tenta proteger ponte de madeira da Transpantaneira, em Mato Grosso
    Voluntário combate incêndio e tenta proteger ponte de madeira da Transpantaneira, em Mato Grosso Mauro Pimentel/AFP

    “Entendemos também que a educação para o uso do fogo, como diz o professor Paulo, tem de ser implementada como forma de prevenção, levando em consideração a previsão dos institutos de meteorologia de mais cinco anos nessa situação. E aí eu quero desafiar a academia e todos os integrantes do sistema nacional de defesa civil para incêndios florestais a nos unirmos para estabelecer quais são as ações e quais são as metodologias e as tecnologias disponíveis para os próximos cinco anos”, afirmou.

    “A exceção dessa seca, e a situação para os próximos cinco anos, é um desafio, senador, sobre o qual nós temos que nos debruçar, não só após vencermos esse desafio agora desse incêndio, mas para os próximos que virão, dado que as mesmas condições, pelo que nos parece, serão colocadas”, completou.

    O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) vem defendendo o uso do “fogo frio”, técnica usada para retirar o oxigênio da vegetação e assim evitar a propagação de incêndios. Salles afirma que essa técnica não é adotada por questões de ideologia.

    Cinzas de uma arvore totalmente queimada marcam um pasto devastado pelo incêndio que atingiu a fazenda São Francisco, do pecuarista Pedro Oliveira Rodrigues, no município de Santo Antonio de Leverger.
    Cinzas de uma arvore totalmente queimada marcam um pasto devastado pelo incêndio que atingiu a fazenda São Francisco, do pecuarista Pedro Oliveira Rodrigues, no município de Santo Antonio de Leverger. Lalo de Almeida/Folhapress

    Também presente na audiência, o presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Eduardo Fortunato Bim, também apontou para a estiagem como o principal motivo para as queimadas. Bim também voltou a falar que seu órgão trabalha no limite orçamentário.

    “O Ibama trabalha no seu limite de capacidade orçamentária. A gente fez o remanejamento de servidores do Refogo para a região do Pantanal. Obviamente que, para mandar mais, a gente precisa de um suporte logístico local. A gente tem uma trava logística, não é só uma questão de números; eu não posso tirar brigadistas do País inteiro e mandar para o Pantanal”, disse.

    “Embora eu tenha mandado brigadistas do País inteiro para o Pantanal, eu não posso tirar todos, porque eu tenho as demandas locais também, há deficiências locais em outros lugares do País, em outros biomas também ameaçados.”

    Bim, no entanto, evitou fazer críticas por conta de recursos escassos para o seu órgão.

    “O orçamento é um ato conjunto do poder Executivo e do Poder Legislativo, então, é claro que, quando se diz que falta dinheiro, não falta dinheiro para as situações emergenciais que aparecem”, completou, ao responder um questionamento da senadora Simone Tebet (MDB-MS), sobre falta de recursos e sobre falta de transparência nas multas aplicadas para crimes ambientais.

    Bim apenas informou que as multas e autos de embargos são postados no site do órgão e disse que enviaria a relação para a parlamentar.

    O presidente do Ibama também culpou a pandemia pelas queimadas na região do Pantanal, argumentando que não houve tempo hábil para o treinamento de brigadistas.

    “A situação foi extremamente atípica. A gente trabalha de uma maneira preventiva, também dando treinamento para as brigadas, e esse treinamento é importante. Como eu disse, trabalhar com fogo, para apagar fogo, não é uma atividade trivial”, disse Eduardo Bim.

    “A gente teve um revés este ano, por causa da pandemia, atrasou um pouco [a contratação de brigadistas]. Tivemos um pouco de perda em relação ao treinamento preventivo, uma prática que a gente faz todo o ano. O PrevFogo [unidade do Ibama] não aparece só quando o fogo está pegando na vegetação. Ele faz um trabalho preventivo, educacional, o ano inteiro, justamente para poder evitar que incêndios criminosos aconteçam, incêndios acidentais aconteçam e, acontecendo esse tipo de incêndio, ou práticas culturais, você possa combater o fogo da melhor maneira possível”, completou.

    Bim afirma que foram contratados neste ano 1.485 brigadistas para atuar em todo o país.

    O presidente do Ibama também acrescentou que, apesar da grande destruição provocada pelas queimadas, o órgão aprendeu com a experiência para não deixar isso “nunca mais acontecer”.

    “Nesse cenário, vai ser criado um manual de aprendizado para isso nunca mais acontecer, para a gente trabalhar de uma maneira mais preventiva, de uma maneira mais pesadamente preventiva junto à sociedade local para isso”, completou.

    Pouco antes da audiência, em sessão deliberativa, a comissão aprovou convite para o ministro Ricardo Salles comparecer e explicar as ações de enfrentamento às queimadas no Pantanal.

    “Quero agradecer a aprovação dos meus requerimentos. Um deles foi o convite ao ministro Ricardo Salles, que acaba de ser aprovado, para que ele venha conversar conosco, venha dialogar. O ministro sempre foi muito aberto, uma pessoa muito fácil de lidar. Por isto fiz questão de que possamos ouvi-lo o quanto antes, justamente para dirimir essas dúvidas. Eu sei que ele virá com muita facilidade”, afirmou a autora do requerimento, senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), indicando que o ministro não deve encarar um ambiente muito hostil na audiência, caso compareça.

    Prof. Luciano Mannarino

  • Em visita à Califórnia, Trump minimiza preocupações com mudanças climáticas

    Em visita à Califórnia, Trump minimiza preocupações com mudanças climáticas

    Presidente culpa gestão florestal dos estados democratas da Costa Oeste americana

    14.set.2020 às 18h34

    WILMINGTON e MCLELLAN PARK | REUTERS

    As queimadas que se espalham pela Costa Oeste dos Estados Unidos entraram de vez na pauta das eleições presidenciais do país, cuja votação está marcada para dia 3 de novembro.

    Em visita à Califórnia, o presidente e candidato à reeleição, Donald Trump, minimizou o papel das mudanças climáticas nos maiores incêndios já registrados na história do estado e afirmou que a culpa é da ineficiência da gestão florestal, em uma tentativa de responsabilizar os governo democratas da Califórnia, do Oregon e de Washington.

    “Quando as árvores caem, após um curto período de tempo elas ficam muito secas, como um fósforo”, disse Trump, nesta segunda-feira (14), ao desembarcar no estado. Para o republicano, no entanto, muitos outros países não enfrentam problemas como esse.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de reunião sobre as queimadas na Costa Oeste dos EUA, em McLellan Park, na Califórnia – Jonathan Ernst/Reuters

    Ele, que vinha sendo criticado por se calar sobre as queimadas, participou de uma entrevista coletiva ao lado do governador da Califórnia, Gavin Newson, na qual ouviu agradecimentos do democrata pela ajuda federal no combate ao fogo, ainda que tenha sido questionado sobre sua posição negacionista.

    “Nós viemos, humildemente, de uma perspectiva em que seguimos a ciência, e é evidente que a mudança climática é real e está exacerbando isto”, disse Newson em referência às queimadas na Costa Oeste.

    O governador afirmou que, de fato, o manejo florestal pode e deve ser melhorado, mas lembrou o presidente que 57% da área de floresta da Califórnia está sob controle do governo federal.

    Escorregador de playground ficou derretido após incêndios passarem por Fresno, na Califórnia
    Escorregador de playground ficou derretido após incêndios passarem por Fresno, na Califórnia Josh Edelson/AFP

    Durante sua gestão, Trump retirou os EUA do Acordo de Paris, a principal iniciativa global para frear as mudanças climáticas, enquanto seu adversário na corrida pela Casa Branca, Joe Biden, põe o assunto entre as maiores crises que o país enfrenta. Os incêndios, diz ele, ilustram sua posição.

    Nesta segunda, Biden —que tem sido atacado por republicanos por não ter visitado as áreas devastadas— chamou Trump de “incendiário climático” em um discurso em Delaware. “Se tivermos mais quatro anos do negacionismo climático de Trump, quantos subúrbios serão incendiados pelas queimadas?”, questionou.

    Os moradores dessas áreas têm sido explorados por Trump nas últimas semanas. Em oposição à proposta de habitação de Biden e às tensões causadas pelos protestos antirracismo, o presidente passou a dizer que fará de tudo para impedir a construção de moradias mais baratas próximas a subúrbios, regiões que concentram a classe média americana.

    O candidato democrata à Presidência dos EUA, Joe Biden, discursa em Delaware sobre as queimadas na Costa Oeste dos EUA – Drew Angerer/AFP

    Os incêndios florestais avançam sobre estados da Costa Oeste dos EUA em meio a uma intensa onda de calor. Focos de chamas na região são comuns nesta época do ano devido ao clima seco, mas o fogo registrado até agora parece não ter precedentes —e o pico da temporada de incêndios ainda não chegou.

    As queimadas mataram ao menos 24 pessoas, causaram a destruição de centenas de imóveis e forçaram centenas de milhares a deixarem suas casas. Uma seca crônica e ventos fortes alimentam o fogo que se espalha do estado de Washington, na fronteira com o Canadá, até a cidade californiana de San Diego, na divisa com o México. Ainda é impossível avaliar a verdadeira extensão da destruição.

    Cientistas acreditam que o aumento da intensidade dos incêndios está relacionado ao aquecimento global, que torna as temporadas de chuva e de seca mais extremas. No último final de semana, as temperaturas na parte oeste do vale de San Fernando, na Califórnia, chegaram a 49ºC.

    Na Califórnia, uma série de 37 incêndios tornou-se oficialmente a maior da história do estado ao destruir uma área de 190 mil hectares. Em Washington, o governador Jay Inslee, também do Partido Democrata, afirmou que as chamas consumiram 200 mil hectares.

    Caminhão de bombeiros queimado no Oregon, durante incêndios florestais na Costa Oeste dos EUA – Shannon Stapleton/Reuters

    Imagens de drones mostram centenas de casas reduzidas a cinzas em comunidades ao sul do Oregon. Em mais de 12 comunidades, equipes de busca e resgate vasculharam residências destruídas em busca de restos humanos.

    Após quatro dias de muito calor e ventania no estado, o fim de semana teve ventos mais leves e clima mais ameno, ajudando as equipes a avançar contra o fogo. Na sexta-feira (11), um homem foi preso acusado de iniciar as queimadas que destruíram cidades inteiras no Oregon.

    A polícia do estado também alerta a população contra posts em redes sociais com afirmações falsas, segundo as quais as queimadas foram iniciadas por antifascistas ou militantes de extrema direita.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/09/em-visita-a-california-trump-minimiza-preocupacoes-com-mudancas-climaticas.shtml

    Questões

    1. Há um componente político presente no combate aos incêndios na Califórnia? Justifique.

    2. Por que esses eventos sempre acontecem nessa época do ano (momento da reportagem)?

    3. O que é o “negacionismo climático” e de que forma ele se relaciona com a postura americana em relação ao Acordo de Paris.

    Professor Luciano Mannarino