Termo usado indistintamente para designar as formas de relevo litorâneo abruptas ou escarpadas ou, ainda, desnivelamento de igual aspecto no interior do continente. Deve-se, no entanto, reservá-lo, exclusivamente, para definir tipo de costa no qual o relevo aparece com fortes abruptos, como na Bretanha (França), no cabo Manuel, em Dacar, no cabo Branco, na Paraíba etc.
O trabalho do mar nas falésias se faz pelo solapamento da base. De modo geral, no estudo de uma falésia não se pode esquecer o trabalho dos agentes exodinâmicos sobre o relevo da topografia costeira.
A falésia representa o resultado do trabalho do mar como, também, dos outros tipos de erosão na topografia costeira. No sudoeste da Groenlândia tem-se a falésia de Ovifak, cuja altura chega a 700 metros. No litoral brasileiro do Espírito Santo, para o norte, temos, por vezes, bons exemplos de falésias talhadas em terrenos da série das Barreiras.
Fonte Novo dicionário geológico-geomorfológico/Antonio Teixeira Guerra, Antonio José Teixeira Guerra-Bertrand Brasil
Boca de descarga de um rio. Este desaguamento pode ser feito no mar, num lago, numa lagoa, ou mesmo num outro rio. A forma da foz pode ser classificada em dois tipos:
1 — estuário
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2 — delta.
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A do primeiro tipo é constituída por um longo canal de forma afunilada; e a do segundo, quando se verifica o aparecimento da construção de uma série de ilhas, braços e canais formando intrincada rede potâmica, ex.: o delta do Nilo, Mississippi, Parnaíba etc. O aparecimento do delta só se torna possível quando se verifica a existência de uma série de condições como: grande quantidade de material só- lido em suspensão, pouca profundidade na foz, ausência de fortes correntes marinhas etc.
Algumas vezes não há concordância de altitude, estando a foz do rio a vários metros acima do rio principal; neste caso, tem-se o que se denomina, em geomorfologia, rio de foz suspensa. Tal fenômeno é produzido por um afundamento mais rápido do rio principal. Alguns movimentos de costa também podem fazer variar o nível de base, e consequentemente dão aparecimento a um rio de foz suspensa. No caso de rios que percorrem regiões calcárias e que, ao chegarem ao litoral, têm a foz suspensa, dá-se o nome de valleuse a este tipo de costa.
Os degraus que aparecem na foz de um rio podem ser devidos à erosão mais forte no rio principal, ou, ainda, a uma falha. Quando o degrau não está em função da erosão diferencial ou de falhas, pode ser uma prova de erosão cíclica.
O tipo de desaguadouro de um rio, isto é, sua foz ou boca, está em função da topografia costeira, da natureza das rochas, da cobertura vegetal ou, melhor, do sistema morfoclimático reinante na bacia de drenagem e, também, da dinâmica marinha.
A acumulação maior ou menor de sedimentos na foz vai depender do volume trazido pelo rio como, também, das correntes costeira.
Uma bacia de drenagem existente numa área equatorial, ou tropical úmida, terá uma carga aluvial predominantemente argilosa e o depósito na foz do rio dará origem a praias de lama. Como exemplo, pode-se citar o delta interno do Amazonas, na região do furo de Breves.
O delta do Amazonas apresenta um caso complexo, uma vez que o aluvionamento é interno; na parte externa não há praticamente aluvionamento. A observação das cartas geográficas revela que os deltas dos rios como o Mississippi e o Nilo se projetam na direção do golfo do México ou do mar Mediterrâneo, dando uma forma convexa ao litoral, enquanto o do Amazonas é reentrante.
Fonte Novo dicionário geológico-geomorfológico/Antonio Teixeira Guerra, Antonio José Teixeira Guerra-Bertrand Brasil
Sinuosidades descritas pelos rios, for mando, por vezes, amplos semicírculos, em zona de terrenos planos, sendo, então, chamados de meandros divagantes. O termo genérico para designar estas voltas coleantes dos cursos d’água veio do rio Meandro, hoje Menderes, na Anatólia (Ásia Menor). Neste tipo, como o seu nome indica, o leito do rio muda com facilidade de lugar, em função da erosão.
Outro tipo de sinuosidade descrita pelos cursos d’água são os meandros encaixados, nos quais as margens são altas e o vale se acha profundamente escavado. Nestes meandros é frequente o recortamento (sacado), fazendo uma passagem retilínea entre as duas extremidades do arco de círculo, dando aparecimento a um lago em forma de crescente, com uma ínsua, cujo destino a colmatagem e consequente desaparecimento.
Camada superficial de terra arável possuidora de vida microbiana. Algumas vezes o solo é espesso, outras vezes pode ser reduzido a uma delgada película ou mesmo deixar de existir. As rochas que afloram na superfície do globo estão submetidas a ações modificadoras dos diversos agentes exodinâmicos. Um dos processos mais importantes na formação dos solos é a alteração do material inicial, ficando no próprio local sem ter sido transportado. Isto tanto pode ser solo como pode ser rocha decomposta.
A diferença primordial entre um e outro é que, mesmo no estado mais avançado da decomposição, a rocha não possui vida microbiana. Os solos possuem vida. Esta nasce geralmente com a alteração das rochas, desenvolvendo-se com elas as associações vegetais. Com a desagregação mecânica das rochas, temos o começo das formações móveis sedimentares.
Horizontes do solo
A pedogênese propriamente dita só começa com o aparecimento da vida microbiana. Os solos podem evoluir à maneira de um ser vivo, isto é, possuindo um “ciclo vital”. As associações vegetais que têm sua fonte de alimentação no manto superficial de terra arável estão em íntima interdependência com o meio ecológico.
O solo é o único ambiente onde se encontram reunidos, em associação íntima, os quatro elementos: domínio das rochas ou pedras da vida biosfera. É um complexo vivo elaborado na superfície de contato da crosta terrestre, com seus invólucros: atmosfera, hidrosfera e a formação de organismos vegetais e animais que lhes dão a matéria orgânica.
Questionário
Explique a principal diferença entre solo e rocha decomposta, de acordo com o texto.
Por que a presença de vida microbiana é considerada um marco no início da pedogênese?
O que o autor quer dizer ao afirmar que o solo “evolui à maneira de um ser vivo, possuindo um ‘ciclo vital’”? Como isso reflete a relação entre o solo e as associações vegetais?
Quais são os quatro elementos que, segundo o texto, estão reunidos de forma única no solo? Explique a importância da interação entre esses elementos.
Descreva o processo que leva à formação de solos a partir de rochas. Qual é o papel dos agentes exodinâmicos nesse processo?
Por que o solo é considerado um “complexo vivo”? Como essa característica o diferencia de outros componentes da crosta terrestre?
Explique a importância do manto superficial de terra arável para as associações vegetais e sua interdependência com o meio ecológico.
Qual é o papel da desagregação mecânica das rochas na formação dos solos? Como esse processo contribui para o início das formações móveis sedimentares?
A alteração do material inicial pode resultar tanto em solo quanto em rocha decomposta. Quais são os fatores que determinam essa diferenciação?
O que significa o termo “pedogênese” e quais são os fatores fundamentais para o início desse processo de formação do solo?
Prof. Luciano Mannarino
Fonte Novo dicionário geológico-geomorfológico/Antonio Teixeira Guerra, Antonio José Teixeira Guerra-Bertrand Brasil
Destruição das saliências ou reentrâncias do relevo, tendendo a um nivelamento ou colmatagem, no caso de litorais, enseadas, baías de depressões. A uma fase de erosão (gliptogênese) corresponde, de modo simultâneo, uma fase de sedimentação (litogênese).
Considerando o problema da erosão, em face da topografia do globo terrestre podemos concretizar nosso pensamento, falando da existência de duas morfologias superpostas. No primeiro caso, morfologia infra-estrutural do conjunto do relevo, resumindo os traços essenciais num mapa, de escala grande. No segundo, o caos que raramente as cartas topográficas representam seriam as formas menores devido à erosão acelerada.
Alguns autores são muito restritos no conceito de erosão, considerando-a apenas como o trabalho mecânico de destruição — exercido pelas águas correntes, carregadas de sedimentos. Em nada, porém, se justifica o fato de não se considerar como erosão a decomposição química feita pelas águas correntes, uma vez que se considere no sentido amplo a destruição das formas salientes.
Pode-se distinguir vários tipos de erosão:
a) erosão acelerada;
b) erosão elementar;
c) erosão eólica;
d) erosão fluvial;
e) erosão glaciária;
f) erosão marinha;
g) erosão pluvial.
O termo erosão implica, para o geólogo e para o geógrafo, a realização de um conjunto de ações que modelam uma paisagem. O pedólogo e o agrônomo, porém, consideram-na apenas do ponto de vista da destruição dos solos.
Do ponto de vista geomorfológico, analisando-se o trabalho da destruição do relevo feito pelas águas cor rentes e pelos outros agentes erosivos, chegou-se à conclusão de que há uma diminuição de 1/10 de milímetro da altitude do relevo durante cada ano. Para que houvesse um arrasamento completo de todo o relevo das terras emersas, seria necessário cerca de 7.000.000 de anos. No entanto, esse fato não poderá acontecer em virtude do rejuvenescimento de certas áreas da superfície terrestre, produzido pela orogênese e pelo vulcanismo.
Fonte: Novo Dicionário Geológico-Geomorfológico – Antônio Teixeira Guerra/Antônio José Teixeira Guerra
Questões
Como a erosão contribui para a formação e transformação contínua das paisagens terrestres?
De que maneira a erosão acelerada pode ser influenciada por atividades humanas e quais são suas consequências ambientais?
Qual é a importância de considerar tanto os aspectos mecânicos quanto químicos da erosão na análise geomorfológica?
Como diferentes tipos de erosão (eólica, fluvial, glaciária) interagem com os ecossistemas e afetam a biodiversidade local?
Por que o entendimento da erosão é crucial para a gestão sustentável dos solos e dos recursos hídricos?
Como o conhecimento sobre a erosão pode auxiliar na prevenção e mitigação de desastres naturais, como deslizamentos e enchentes?
De que forma a erosão pode revelar informações sobre a história geológica e climática de uma região?
Quais são os desafios de equilibrar a ação da erosão natural com a necessidade de preservação do solo em áreas agrícolas e urbanas?
Como as mudanças climáticas podem influenciar os padrões de erosão no futuro?
Em que medida a ação humana pode contribuir para o “rejuvenescimento” das paisagens, contrariando os efeitos naturais da erosão?