Porém, os papeis de “dona de casa”, “responsável pela criação dos filhos”, etc, só se transformaram em atividades e funções, inerente ao sexo feminino, a partir de um histórico processo sócio cultural.
Sim, a mulher do “lar” só ganha sentido dentro de uma sociedade patriarcal e machista tão bem exposta pelo nosso Neandertal presidente no seu trágico discurso em homengem ao dia internacional da mulher, nesse 08/03/2017.
A mulher que assume a totalidade dessas funções e busca desenvolver suas potencialidades no mercado de trabalho encontrará, em algum momento, dificuldades para dar conta de todos os desafios.
Na maioria dos casos em que ela obteve sucesso como mãe e como uma competente profissional foi devido ao uso de babás, diaristas, mães e sogras, isto é, outras mulheres!!!
Antes que eu seja massacrado por reflexões de uma mãe e suas responsabilidades existenciais para com o seu filho, gostaria que refletissem sobre o uso político, social e econômico, dessa belíssima natureza, como forma de manutenção das diferenças entre os sexos.
Como nos lembra Simone de Beauvoir. “Não se nasce mulher, torna-se mulher”.
Foi emblemático o destaque que a ex apresentadora teve quando desfilou num carro alegórico diante das câmeras dos antigos patrões.
A antiga e poderosa “rainha dos baixinhos” teve o reconhecimento que é dado a um anônimo qualquer: Quase nenhum!
Uma pergunta que se impõe.
E quantas “Xuxas” estão sendo lançadas ao limbo da programação da Vênus Platinada porque não mais atendem seus interesses políticos, econômicos, culturais, etc?
As reivindicações dos funcionários públicos do Estado do Rio de Janeiro é uma “Xuxa”.
” …O meu lugar, tem seus mitos e seres de luz, é bem perto de Oswaldo Cruz, Cascadura, Vaz Lobo, Irajá. O meu lugar, é sorriso é paz e prazer, o seu nome é doce dizer, Madureira, lá, laiá. Madureira, lá, laiá. O meu lugar, é caminho de Ogum e Iansã, lá tem samba até de manhã, uma ginga em cada andar…“
No contexto da Geografia Cultural, o conceito de lugar deveria ser uma expressão da nossa interação com a paisagem, um espaço de experiências e memórias. No entanto, essa relação está cada vez mais fragilizada pela violência urbana, que afasta as pessoas do seu entorno imediato. A música de Arlindo Cruz e Mauro Diniz oferece um retrato idealizado de Madureira, contrastando com a realidade de decadência do bairro.
Esse contraste denuncia não apenas a perda do espaço como local de afeto, mas também um sintoma da desintegração social e do abandono urbano que muitas comunidades enfrentam. A fantasia da música revela um desejo por um lugar que parece cada vez mais inalcançável.
Questões
Como a violência urbana influencia a relação das pessoas com o lugar onde vivem, especialmente no que diz respeito à criação de memórias afetivas?
Analise como a insegurança pode mudar a percepção e interação com o ambiente.
De que maneira a representação idealizada de um bairro em músicas, como a de Arlindo Cruz e Mauro Diniz, pode impactar a forma como percebemos a realidade desse espaço?
Explore como a arte pode criar uma imagem que diverge da realidade.
O que a degradação e a decadência de bairros como Madureira indicam sobre a dinâmica social e econômica das cidades?
Avalie como esses processos refletem questões mais amplas de desigualdade e abandono urbano.
Como a perda de interação com o espaço imediato, como ruas e bairros, afeta a construção da identidade coletiva de uma comunidade?
Discuta as consequências dessa desconexão para o sentimento de pertencimento.
De que forma a música pode atuar como uma ferramenta de resistência ou de denúncia em relação às transformações negativas no espaço urbano?
Considere como a arte pode dar voz às realidades das comunidades.
Em que medida a idealização de lugares como Madureira pode influenciar a percepção pública e as políticas urbanas?
Analise o impacto dessa visão idealizada na abordagem do poder público em relação aos problemas urbanos.
Quais estratégias poderiam ser adotadas para resgatar a interação com o lugar e fortalecer os laços afetivos nas comunidades afetadas pela violência urbana?
Proponha medidas que visem a revitalização dos espaços urbanos.
Como a noção de lugar no contexto da Geografia Cultural pode ajudar a entender os desafios enfrentados por bairros em situação de vulnerabilidade?
Explore a importância de considerar as relações humanas com o espaço na análise desses problemas.
Como a memória afetiva e o imaginário coletivo sobre um lugar, como retratado na música, podem coexistir com a realidade de violência e abandono?
Discuta a dualidade entre a fantasia e a realidade no contexto urbano.
De que maneira a degradação do espaço urbano pode ser vista como um reflexo de problemas sociais mais amplos?
Analise como a condição de um bairro pode indicar questões sistêmicas, como desigualdade e falta de políticas públicas eficazes.
Universidade Estácio de Sá administrava uma rádio em meados dos anos de 1980. É bem verdade que a rádio teve uma vida curta, mas para mim foi determinante. Era uma programação “alternativa” em relação ao mainstream da época. Foi lá que eu escutei os primeiros acordes de “Bring on The Dancing Horses” do Echo and The Bunnymen.
O que era aquilo que eu ouvia?
Uma sonoridade totalmente diferente uma mistura de melancolia, depressão, juventude, desespero, esperança, dor, romantismo. Era tudo aquilo que eu queria ouvir. A banda, com sua estética e postura, me capturou e se tornou a trilha sonora de minhas inquietações. Sim, me tornei um “Dark”.
O problema é que para ouvir minha música predileta eu dependia de várias circunstâncias: De um rádio, de uma programação, de uma tomada elétrica e de muita sorte…
Era um sofrimento ouvir minhas músicas favoritas e essa dificuldade aprofundava minha melancolia. Eram tempos pré-históricos aqueles. Hoje tudo isso ficou acessível. Podemos escutar qualquer música a hora que quisermos.
Eu no fundo gostaria que essas músicas não fossem tão acessíveis assim. Quero minha melancolia de volta.
O México foi a nação que mais perdeu territórios no processo de “construção” dos EUA. Existe até um estado americano, na fronteira com o México, chamado de Novo México. Irônico. Não?
A riqueza dos EUA não se explica por mérito próprio. Para que os EUA se tornassem uma potência industrial foi necessário a existência de países como o México, Brasil, etc.
Sugiro visitar o conceito de DIT.
Obs. Antes que os incautos comecem a arvorar que Trump vai construir um muro na fronteira entre os EUA e o México, vai uma informação:
O muro já existe. Na realidade ele encontra-se fragmentado ao longo de 30% das fronteiras de vários estados americanos com o México.
O que Trump promete é algo próximo a 100% das fronteiras até o final do seu governo.
Isso num momento em que o mundo precisa de pontes e não de muros.