É o escoamento de água eu ocorre nas encostas, quando o solo se torna saturado. Essa pode ser uma tradução para o termo inglês runoff. Ele ocorre quando a capacidade de infiltração da superfície do solo é excedida e não consegue mais absorver água. As pequenas depressões do solo vão ficando cheias de água, que começa a escoar pela superfície.
Logo no início do processo, há uma tendência de a água se escoar de forma mais ou menos irregular, pela superfície do terreno. Mas à medida que a chuva continua, o escoamento tende a ser mais bem distribuído, e nesse caso denomina-se de escoamento em lençol. Se a chuva continuar caindo, o escoamento pode começar a se canalizar em sulcos, formando as ravinas. Essas formas erosivas podem se alargar, ao longo do tempo, e dar origem a voçorocas.
voçoroca – internet
Nesse caso, quando o escoamento de água aprofunda essas formas erosivas, pode até alcançar o lençol freático, acontecendo, dessa forma, um escoamento de águas, mais frequente, dentro das voçorocas. Resumindo, o escoamento superficial é de importância capital, para se compreender os erosivos nas encostas.
Fonte: Novo dicionário geológico-geomorfológico – Antonio Teixeira Guerra, Antonio José Teixeira Guerra. Rio de Janeiro – Bertrand Brasil, 1997.
Podemos compreender o desenvolvimento desigual e combinado como uma lei cuja preocupação central é explicar a formação obrigatória, no âmbito do sistema capitalista e sob a égide do Imperialismo, de áreas periféricas e atrasadas em contraponto a áreas desenvolvidas, Mas, a partir dos esforços intelectuais de alguns geógrafos, é empreendida uma tentativa teórico-metodológica de captar a espacialidade do desenvolvimento desigual, ou seja, fazer uma leitura geográfica do Desenvolvimento Desigual e Combinado (THEIS; BUTSKE, 2009).
Podemos afirmar que a leitura que a ciência geográfica realiza, a partir da teoria do Desenvolvimento Geográfico desigual e combinado, é a interpretação espacial das diferenças econômicas do capitalismo nas mais diferentes escalas.
O que autores como Neil Smith e David Harvey propõem é que não basta compreender historicamente as diferenças econômicas e sociais do mundo: há por detrás deste abismo entre desenvolvimento e subdesenvolvimento uma razão geográfica, isto é, é necessário para a reprodução do sistema capitalista que existam diferenças econômicas, políticas e sociais expressas no território, isto é, que sempre existam áreas menos desenvolvidas em detrimento de outras mais avançadas. Enfim, o que seria dos países centrais se não existissem países periféricos? O desenvolvimento desigual é a expressão geográfica das contradições do capital (SMITH, 1988, p. 217).
Assim, o desenvolvimento geográfico desigual e combinado é uma necessidade para o capital. E necessário que existam campo e cidade para que os setores da economia se mostrem produtivos — o campo produz a matéria-prima, enquanto a cidade a transforma em mercadorias e depois as comercializa.
E necessário que em qualquer cidade haja centro para que exista periferia, pois existem especializações comuns destas áreas, com seus diferentes produtos e serviços, e os trabalhadores das periferias funcionam como exército industrial de reserva, por exemplo, porque, de acordo com as necessidades do centro, podem ou não estar empregados.
E, fundamentalmente, é uma exigência do capitalismo, em âmbito mundial, que existam países centrais e países periféricos. O conjunto formado pelos países centrais exerce a liderança política, o domínio econômico e espraia a sua cultura dominante.
E os países periféricos se adaptam às necessidades dos países centrais: fornecem matérias-primas, que vão desde o abastecimento de alimentos até os combustíveis fósseis; oferecem a segurança de um extenso mercado consumidor, que vai seletivamente sendo apropriado; lutam para que tenham em seus territórios filiais de grandes fábricas instaladas, quando estas, na verdade, encontrarão mão de obra abundante e taxas de impostos reduzidos…”
Fundamentos Geográficos do Turismo. v3/Gilmar Mascaranhas, Daniella Pereira de Souza Silva, Luiz Guilherme de Souza Xavier – RJ: CECIERJ.
Questões
1. Segundo a teoria, qual seria o papel dos seguintes países na lógica do sistema capitalista?
EUA
Angola
2. O “desigual e combinado” se reproduz em várias escalas e dimensões. Exemplifique usando a espacialidade do território brasileiro.
3. “O desenvolvimento desigual é a expressão geográfica das contradições do capital”. É possível romper essas contradições? Aponte caminhos.
4. O poder econômico precisa do domínio cultural para se impor? Justifique.
O conceito de “rugosidade” em geografia, apresentado por Milton Santos, oferece uma perspectiva intrigante sobre como o espaço se transforma e, ao mesmo tempo, conserva traços de diferentes épocas. Rugosidades são aqueles elementos do espaço geográfico que permanecem como heranças do passado, sejam eles construções, ruas antigas ou estruturas industriais obsoletas. Elas resistem à passagem do tempo devido a fatores técnicos, como a dificuldade de remoção, e geográficos, como sua localização estratégica.
Séculos “materializados” na paisagem!
Essa inércia espacial que as rugosidades impõem revela um espaço geográfico que é, na verdade, uma colcha de retalhos de tempos e histórias, onde o antigo e o novo se entrelaçam e coexistem. Santos nos convida a enxergar o espaço não apenas como algo físico, mas como uma narrativa viva, onde a permanência e a transformação andam de mãos dadas, evidenciando a riqueza e a complexidade da paisagem em constante mutação.
Questões.
Aqui estão algumas questões para aprofundar a compreensão sobre o conceito de rugosidade no espaço geográfico:
Como o conceito de rugosidade pode ser aplicado para entender a transformação de paisagens urbanas ao longo do tempo?
Analise exemplos de como elementos arcaicos coexistem com a modernidade em uma cidade.
De que forma as rugosidades influenciam o desenvolvimento socioeconômico e cultural de uma região?
Considere como esses elementos do passado podem impactar o presente e o futuro de uma comunidade.
Quais são os fatores técnicos e geográficos que contribuem para a permanência das rugosidades na paisagem?
Explore como a localização estratégica e a complexidade técnica de remoção afetam a permanência desses elementos.
Como o conceito de “espaço geográfico como uma acumulação desigual de tempos” desafia a ideia de progresso linear?
Discuta como a coexistência do antigo e do novo pode revelar uma narrativa mais complexa do desenvolvimento humano.
De que maneira as rugosidades podem contribuir para a identidade e memória coletiva de um lugar?
Avalie como elementos arcaicos na paisagem ajudam a construir uma sensação de continuidade e pertencimento para os habitantes.
Como a presença de rugosidades no espaço geográfico pode influenciar a experiência turística de uma região?
Considere como o encontro com elementos históricos pode enriquecer a percepção dos visitantes sobre um lugar.
Quais são os desafios e oportunidades de integrar rugosidades em projetos de planejamento urbano e desenvolvimento sustentável?
Discuta como é possível preservar essas heranças enquanto se atende às demandas da modernidade.
Como o conceito de rugosidade pode ser aplicado para entender as dinâmicas de poder e controle sobre o espaço geográfico?
Analise como a manutenção ou remoção de certas rugosidades pode refletir interesses políticos e econômicos.
De que forma a análise das rugosidades pode contribuir para uma compreensão mais profunda das desigualdades espaciais?
Explore como a permanência de certos elementos arcaicos pode revelar disparidades no acesso a recursos e oportunidades.
Como as rugosidades se relacionam com o conceito de patrimônio cultural e sua preservação em áreas urbanas e rurais?
Avalie como a valorização desses elementos pode contribuir para a manutenção da história e cultura de uma região.
Como o vídeo e o GIF (abaixo) sobre o Largo da Carioca ilustram a transformação do espaço natural em espaço geográfico ao longo dos séculos?