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  • Matopiba: Nova fronteira agro do país lidera em desmate e expulsa moradores.

    Carlos Madeiro

    Colunista do UOL

    13/08/2022 04h00Atualizada em 13/08/2022 19h01

    Apontada como nova fronteira agrícola do país, a região do Matopiba —sigla que envolve o Cerrado dos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia— se tornou o principal motor do desmatamento do país nos últimos anos, devido à expansão do agronegócio. A disputa por terras tem ainda pressionado comunidades tradicionais, expulsando alguns povos da região.

    Com 73 milhões de hectares, o Matopiba responde por aproximadamente 10% da produção de grãos e fibras no país, com destaque para soja, milho e algodão. Em 2021, foi responsável por 23 de cada 100 km² desmatados no país —um recorde para a área.

    Transcerrado, rota de escoamento da produção do Matopiba

    Segundo o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), atualmente essa é a região que mais cresce, em área plantada, em todo o Brasil. A previsão do governo é que chegue a 8,9 milhões de hectares até o final de 2030. Essa expansão do agro está ocorrendo à custa de grande parte da vegetação nativa da região, levando a área a ser hoje o principal vetor de alta do desmatamento no país.

    Segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, do MapBiomas Brasil, quase um quarto (23,6%) do desmatamento no Brasil em 2021 ocorreu no Matopiba: 391 mil hectares desmatados. O número é 14% maior em relação a 2020. Ao analisar somente o Cerrado, vê-se que a área dos quatro estados representa 73% do desmatamento do bioma. “Nessa região, existe uma conversão de áreas para pecuária e agricultura que acontece muito mais rápido do que em outras regiões do país”, diz Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, citando uma predominância da soja na lavoura.

    Segundo ele, 5,1 milhões de hectares já estão mapeados com pontos de desmatamento no Matopiba. Nem 10% do território tem áreas de conservação ou preservação. “Lá não tem muitas unidades de conservação, é muito carente”, diz.

    Cerrado tem sido a área mais desmatada do país nos últimos dois anos Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Histórico e avanço.

    A região do Matopiba começou a ser explorada pelo agronegócio na década de 1980. Mas foi a partir de 2005 que grandes fazendas de monocultura investiram na região. Segundo Juarez Mota, professor da UFMA (Universidade Federal do Maranhão), o Matopiba tem sofrido um “impacto severo” do agronegócio.

    “A gente se volta muito à Amazônia e esquece que temos outros biomas tão importantes, como o Cerrado”, diz. Ele critica a posição antagônica dos EUA e da Europa sobre o desmatamento nacional. “Eles falam tanto da proteção da Amazônia, mas são os maiores desmatadores por meio de fundo de investimento, principalmente dentro desse eixo”, afirma.

    Ele diz que fundos de investimentos internacionais estão comprando fazendas e colocando ações na Bolsa para investir na área. “A questão ambiental tem sofrido com a forma bastante agressiva do agronegócio. E a supressão da vegetação nativa, segundo estudos, tem relação com o clima e a realização de eventos extremos.

    Antes eles eram raros, e agora estão se tornando cada vez mais normais”, afirma. Um exemplo disso foram as chuvas na Bahia entre o final de 2021 e o início deste ano, consideradas as mais intensas na região sul e sudeste do estado.

    “Quando se faz a supressão da vegetação, o equilíbrio hidrológico é muito afetado. O solo e as águas são muito impactados, e as consequências estão aí, com as tragédias das chuvas.

    ” Vista aérea do município de Balsas, no Maranhão Imagem:

    Povos relatam drama.

    A coluna conversou com líderes nas áreas que têm sofrido pressão e perda de territórios. Muitos, porém, não quiseram expor seus nomes, com medo de represálias. Segundo Renato Krahô, líder do povo Krahô-akaywrá no Tocantins, como a sua comunidade não vive em uma terra demarcada, o povo que vive na aldeia Takaywrá sofre com o avanço do agronegócio. “Isso afeta a nossa vida social e ambiental. Somos coagidos, ameaçados”, relata.

    O problema chamou a atenção ao ser um dos julgados, em julho, no Tribunal Permanente dos Povos, que analisou casos do Cerrado brasileiro. Ao todo, foram 15 julgados (veja aqui quais). Eles lutam pela demarcação de seu território e, assim como os Krahô Kanela vivem em 7.000 hectares, disputando uma outra parte que ainda permanece em posse dos fazendeiros. Renato diz que o modo de vida no local depende da água, seja para tirar o sustento, navegar ou para consumo humano e animal.

    “Hoje somos privados de navegar por causa das barragens que estão sendo construídas para uso particular das fazendas”, afirma. Outro ponto citado é a poluição das águas. “Os peixes estão contaminados, além de muitas espécies já estarem em extinção, devido ao uso excessivo de agrotóxicos. Nem a água que a gente bebeu por séculos é mais confiável”, reclama.

    Matopiba tem sua área dividida assim:

    Tocantins – 37,95%

    Maranhão – 32,77%

    Bahia – 18,06%

    Piauí – 11,21%

    Ao todo, são 337 municípios e 73,1 milhões de hectares (51% da área dos quatro estados)

    Até 2021 existiam na área:

    324 mil estabelecimentos agrícolas

    46 unidades de conservação 35 terras indígenas

    36 quilombolas

    1.053 assentamentos de reforma agrária

    Fonte: Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)

    Para Martin Mayr, coordenador da ONG Agência 10envolvimento e diácono da Diocese de Barreiras, o que as comunidades defendem é a regularização fundiária, por meio de processos como reconhecimento de territórios de indígenas e quilombolas.

    “Estamos falando de áreas que pertencem ao Estado, mas que foram griladas. São as comunidades tradicionais que arcaram com o ônus disso porque eles tinham a sua posse lá antes da chegada desses negócios.”

    Martin Mayr, coordenador de ONG

    O conflito de propriedade e posse tem ido parar muitas vezes na Justiça. Para ele, o Judiciário tem “costume de privilegiar os grileiros”. “Temos muitas vezes casos em que esses povos perderam suas terras: 50%, 60%, 70% de seus territórios. Alguns perderam tudo no oeste baiano. Isso não ocorria antes. Até os anos 1970, havia terra para todos”, lamenta.

    Para Amanda Silva, assessora da Agência 10envolvimento e integrante do Cáritas Regional Nordeste 3, com o avanço do agronegócio e o poder de seu dinheiro, as comunidades tradicionais —como indígenas, ribeirinhas e quilombolas— acabaram se envolvendo em conflitos por terra e por água.

    “Essas comunidades habitam esse Cerrado há muitas gerações, mas a expansão dessa agricultura de larga escala —que necessita de grandes áreas desmatadas— foi usurpando seus territórios e pressionando-as a utilizarem apenas os vales”, diz.

    Ela cita que ainda existe o uso da violência para expulsar moradores. “Em qualquer imagem de satélite, você perceberá que os chapadões, que eram áreas de solta para o gado, hoje praticamente estão ocupados pelo agro”, afirma.

    “As comunidades têm tentado resistir, mas existe um grande custo. Percebe-se um índice considerável de pessoas deprimidas, o êxodo de jovens das comunidades, a presença de agrotóxicos e a inviabilização de seus modos de vida tradicionais.”

    Amanda Silva, assessora.

    https://notícias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2022/08/13/avanco-agro-no-matopiba-expulsa-povos-e-responde-por-23-do-desmate-no-pais.htm

    Prof Luciano Mannarino

    Domínio do Cerrado

  • Plano Diretor e o bem-estar da população

    Plano Diretor e o bem-estar da população

    A conquista do bem-estar da população deve constar no planejamento das cidades

    9.jul.2022 às 4h00

    Bem-estar e qualidade de vida são questões críticas para o funcionamento das cidades e, consequentemente, aspectos importantíssimos a serem considerados nos planos diretores estratégicos de cada município. Entretanto, as formas de associação do plano de desenvolvimento urbano com o bem-estar da população e sua relação com o ambiente construído nem sempre estão claras para os planejadores.

    Nesse sentido, pode ser bastante útil a compreensão do modelo conceitual proposto pelo professor Kostas Mouratidis, do departamento de planejamento urbano da Norwegian Univeristy of Life Sciences, na Noruega.

    O modelo considera para a caracterização do ambiente construído, no âmbito desse estudo, quatro componentes principais: uso do solo, sistema de transporte, desenho urbano e habitação.

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    Vila Guilhermina, zona leste de São Paulo – Eduardo Anizelli/Folhapres

    A definição de bem-estar da população, considerado um conceito subjetivo, compreenderia três aspectos: satisfação com a vida, bem-estar emocional e a eudaimonia (doutrina que prega a felicidade como finalidade da vida humana).

    Assim, estabelecidos o ambiente construído e o objetivo a ser alcançado (bem-estar da população), o autor indica os aspectos que devem ser considerados no planejamento das cidades para proporcionar essa conexão de forma eficiente: mobilidade, lazer, trabalho, relações sociais, bem-estar residencial, respostas emocionais e saúde.

    Isso significa dizer que, embora existam inúmeras questões importantes a serem consideradas no planejamento de uma cidade, esses são aspectos essenciais quando se pretende estruturar mecanismos que permitam alcançar o bem-estar da população.

    A mobilidade é um dos aspectos mais relevantes e abrangentes. Permite que as pessoas acessem lugares, instalações e serviços e, assim, participem de atividades e atendam às suas necessidades diárias. Gera também respostas emocionais – por exemplo, deslocamentos longos e estressantes ou agradáveis– e, portanto, influencia o bem-estar emocional.

    As viagens urbanas permitem que as pessoas conheçam outras pessoas, dirijam-se até seus locais de trabalho, visitem lojas e acessem instalações e serviços de saúde, educacionais, espaços recreativos, esportivos e culturais. Essas opções de acesso contribuem para a satisfação de necessidades e permitem que as pessoas alcancem a eudaimonia.

    O trabalho é um dos domínios mais importantes da vida, e a satisfação no trabalho contribui substancialmente para o bem-estar. O nível de diversidade e acessibilidade, a oportunidade de trabalho e educação são extremamente importantes nesse processo.

    Nesse contexto, estudos mostram que cidades mais densas e vibrantes aumentam o acesso a bens e serviços, facilitam a interação diária, atraem talentos, facilitam o empreendedorismo e possibilitam a mobilidade social e econômica.

    A satisfação com a moradia expressa o nível de contentamento com a habitação em que se vive, e fornece indicações sobre a influência das características da habitação no bem-estar social. Além, obviamente, da satisfação com a habitação em si – aspectos relacionados com a vizinhança são importantes. Assim, é desejável que problemas urbanos comuns (ruídos, desigualdades, criminalidade, falta de espaços verdes) sejam relativamente limitados, e características essenciais (densidade, uso do solo equilibrado, transporte público eficiente, caminhabilidade), e um ambiente construído compacto sejam foco do planejamento.

    Vista aérea do edifício Figueira Altos do Tatuapé, de 170 metros
    Vista aérea do edifício Figueira Altos do Tatuapé, de 170 metros Eduardo Knapp/FolhapressMAIS 

    O estudo do professor Mouratidis conclui que as estratégias potenciais para melhorar o bem-estar social por meio do planejamento urbano podem incluir aspectos, como melhorar as condições para viagens ativas e transporte público e restringir as viagens de automóveis quando possível; fornecer acesso fácil e equitativo a instalações e serviços; desenvolver ou orientar a tecnologia e novas opções de mobilidade para melhorar a inclusão e a qualidade de vida de diferentes grupos; integrar ao máximo as várias formas de natureza urbana; fornecer espaços públicos acessíveis e inclusivos; manter a manutenção e a ordem no espaço urbano, vegetação e sistemas de transporte.

    Além disso, aponta que outras questões importantes como implementar estratégias de redução de ruído; propor modelos para o desenvolvimento de edifícios e espaços públicos esteticamente agradáveis com base nas necessidades e preferências dos moradores; reduzir as desigualdades socioespaciais ao mesmo tempo em que dá apoio à moradia e ao transporte para grupos vulneráveis; assegurar que políticas, planos, leis e regulamentos urbanos considerem o conhecimento baseado em evidências; melhorar a transferência de conhecimento e interação entre planejadores e coordenadores de saúde pública; aplicar a medição e benchmarking dos resultados do planejamento urbano; e empregar estratégias de empoderamento e incentivar a participação pública e a inclusão de grupos vulneráveis no processo de planejamento.

    Essas estratégias podem e devem ser orientações importantes para planejadores municipais que estejam elaborando ou revisando seus planos diretores, para que possam, dessa forma, incorporar definitivamente ao planejamento a conquista do bem-estar da população.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudiobernardes/2022/07/plano-diretor-e-o-bem-estar-da-populacao.shtml

    Questões (consulta)

    1 O que são “desigualdades socioespaciais”? Por que elas ocorrem?

    2 A participação pública na elaboração de um Plano Diretor aumenta a eudaimonia? Justifique.

  • Com mais de 8 mil torres eólicas, NE sofre com danos ambientais silenciosos.

    Com mais de 8 mil torres eólicas, NE sofre com danos ambientais silenciosos.

    Carlos Madeiro

    Colunista do UOL

    03/07/2022 04h00

    A instalação em grande escala de parques eólicos na região Nordeste se tornou motivo de preocupação para pesquisadores do tema, que dizem que o avanço do setor ao longo das últimas duas décadas ocorreu sem minimizar corretamente os danos ambientais. A coluna conversou com pesquisadores e leu estudos mais recentes, que revelam impactos como desmatamento e redução na movimentação de dunas e da recarga de lençóis freáticos (água subterrânea, essencial especialmente no semiárido).

    Torres na proximidade da comunidade de Xavier, em Camocim (CE)

    Tida como uma das energias produzidas mais limpas, a produção eólica, que utiliza o vento, vem ganhando força no país. Segundo a Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), são 805 parques, 708 deles no Nordeste. Ao todo são 8.211 torres instaladas somente na região. A energia eólica foi defendida por Jair Bolsonaro, em recentes discursos. Ele disse que anunciará, em breve, um projeto de energia eólica no Nordeste que equivalerá à geração de “50 Itaipus”. Recentemente, a coluna mostrou os danos sociais que a instalação de parques estava causando no interior do Nordeste, com casas e cisternas rachadas e estradas com acesso deteriorado.

    Danos cumulativos

    A coordenadora do Labocart (Laboratório de Geoprocessamento e Cartografia Social) da UFC (Universidade Federal do Ceará) —que reúne pesquisadores sobre a energia eólica em todo o país—, Adryane Gorayeb, alerta que, com a instalação dessas milhares de torres, é preciso trabalhar agora com o conceito de impactos cumulativos

    “Hoje se estuda de forma isolada. É como se só aquele empreendimento fosse causar dano, mas não estamos falando de um empreendimento, mas de vários construídos em épocas e distâncias diferentes”, afirma. Em 2019, alguns desses estudos foram publicados no livro “Impactos socioambientais da implantação dos parques de energia eólica no Brasil”, que apontou para muitos problemas. Segundo Gorayeb, os estudos deixaram claro os impactos, que começam antes da obra, quando há desmatamento, em muitos casos, para construção de estradas para que caminhões pesados passem.

    “Muitas vezes eram ambientes fechados, que não tinha nenhum acesso”, explica. Se a construção de estrada vier por calçamento ou asfalto, o impacto afeta o ecossistema. “Raios solares sobre o asfalto acumulam muito mais calor maior que um solo exposto com argila e areia”, diz. Outro fator já clarificado pelas pesquisas é que essas obras causaram impermeabilização do solo, que prejudica o reabastecimento dos aquíferos. Especialmente em áreas secas, esses lençóis freáticos são fundamentais para garantir água à população..

    “Nesse processo a água vai sendo rebaixada, ficando cada vez mais no fundo. Na prática, as pessoas que vivem ao redor precisam cavar com poços mais profundos. Nordeste hoje responde por mais 80% da produção de energia eólica do Brasil Imagem: Marilia Barros.

    Problemas em dunas e água de Camocim

    A pesquisadora Raquel Morais, da UFC, fez uma análise sobre a qualidade das águas subterrâneas em Camocim, no extremo oeste do litoral cearense. No local, o parque eólico ocupou uma área de 1.040 hectares (o equivalente a 10,4 km²), e que 5% desse terreno foi impermeabilizado.

    No estudo ela perfurou 15 poços, que depois foram fechados e expostos a mudanças de solo similares às causadas pelos empreendimentos. O resultado obtido foi que os poços estavam com menos pressão e vazão de água. “As interferências são muito relevantes e influenciaram também a recarga das lagoas entre as dunas, muitas delas que eram permanentes antes da instalação do parque”, diz. Ela cita que, após a implementação do empreendimento, esses volumes hídricos secaram, comprometendo a pesca.

    Torres na proximidade da comunidade de Xavier, em Camocim (CE).

    Um outro estudo na mesma área feito pela geógrafa Gloria Duran, especialista em sensoriamento remoto (ciência que estuda imagens captadas à distância). Ela usou imagens antigas e recentes de satélite para comparar os impactos das dunas de Camocim. “Existiam deslocamentos de até 100 metros a cada dois anos dessas dunas, e depois que foi construído houve uma redução e não supera 60 metros em alguns locais.

    A construção dos parques se transformou numa espécie de barreira sobre o campo de dunas”, explica. Ela cita que, à época, o impacto conseguiu ser medido antes porque os parques de Aracati e Camocim foram as primeiras construções na região. “Foi feito de forma muito rápida”, completa.

    O professor e pesquisador da UERN (Universidade do Estado do Rio Grande do Norte), Rodrigo Guimarães, também estuda o tema há anos e reforça que a instalação das fundações muda a dinâmica natural das dunas por conta dos aterros e estruturas de suporte às torres. “Além disso, a utilização de água subterrânea em grande quantidade diminuindo o aporte [de água] de ecossistemas, como lagoas costeiras e manguezais”, diz. Sobre o movimento das dunas, Guimarães explica que boa parte delas migram naturalmente e voltam para o mar através dos estuários [área alagada de encontro com o mar] de rios. “Com as obras, as dunas são escavadas. Eles injetam muito concreto na base para instalar as torres, e as dunas vão sendo fixadas”. completa.

    Rio Grande do Norte é o estado com mais parques no país.

    Pássaros também afetados

    A bióloga Paula Tavares, que é mestre em geografia pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), também pesquisou o impacto nos pássaros com as torres e cita que há danos encontrados. “Os principais são as colisões, os afugentamentos e o efeito de barreira”, diz. Ela defende que o licenciamento ambiental deve analisar o local, onde o parque vai ser erguido para saber o impacto. Quando já erguido, existem formas também de reduzir impactos, como a pá pintada de preto na turbina —que consegue reduzir em até 70% a morte acidental de pássaros. “Uma outra tecnologia muito interessante é a instalação de radares que detectam a aproximação de bandos de aves e com essa informação as máquinas podem ser paradas, evitando a colisão”, conta.

    Nordeste hoje responde por mais 80% da produção de energia eólica do Brasil..

    Entidade afirma que atua para evitar danos

    Segundo a Abeeólica, os parques construídos no Brasil respeitam as legislações ambientais e são erguidos sempre tentando reduzir os impactos ambientais para se “conviver de forma compatível com a preservação dos principais recursos ambientais do território”.

    Sobre a questão do desmatamento, a entidade diz que a instalação de parques resulta em “baixos índices de supressão vegetal para implantação do empreendimento, sem supressão de grandes poligonais e, portanto, com impactos reduzidos”.

    Complexo Eólico Ventos de São Clemente está nos municípios pernambucanos de Caetés, Capoeiras, Pedra e Venturosa Imagem: Divulgação

    Divulgação De acordo com a entidade, os empreendimentos são distribuídos “de forma a conviver com um entorno preservado quanto às características de infiltração de água, sendo exceções os casos de uso de pavimentação asfáltica nas estradas associadas”.

    Diz ainda que, sempre que possível, os projetos buscam utilizar estradas vicinais já existentes no território. “Esses acessos são revitalizados com sistemas de drenagem e contenção de sedimentos, bem como com recuperação e controle de erosões que ficam como um legado para o território”, afirma.

    Quando há necessidade de instalar novos acessos, assegura que as estradas são projetadas “sem o uso de pavimentação asfáltica e considerando as melhores práticas da engenharia”, com sistema de drenagem. Sobre os prejuízos as dunas, a Abeeolica explicou que, no início das atividades há mais de 15 anos, “alguns parques foram instalados em dunas, com as respectivas compensações ambientais”. “Hoje isso já é bastante incomum, visto que os parques tendem a se instalar em áreas fora do litoral”, diz.

    Sobre o impacto causado pelos aerogeradores a pássaros, a entidade assegura que, antes de um parque eólico ser construído, há uma uma série de etapas técnicas prévias para se adaptar e atender à legislação ambiental.

    “Uma destas etapas inclui, exatamente, estudo de rotas migratórias de aves. A licença apenas é concedida quando há comprovação de que os riscos para impacto de aves são baixos e que podem ser compensados por medidas mitigatórias definidas pelos órgãos ambientais”, afirma, citando que, quando o “impacto reduzido chega, há medidas mitigatórias”.

    Carlos Madeiro

    https://noticias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/

    Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas e com especialização em gestão de conteúdo em jornalismo pela Universidade Mackenzie, Carlos Madeiro atua há 20 anos e escreve para o UOL desde 2009, participando de grandes coberturas e fazendo reportagens e análises sobre o Nordeste e o Norte do Brasil.

    https://noticias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2022/07/03/com-mais-de-700-parques-eolicos-ne-sofre-com-danos-ambientais-silenciosos.htm

    Questões.

    1.Aponte os fatores naturais que determinam o grande potencial eólico da região nordeste.

    2. Quais são os pontos positivos ligados a produção de energia elétrica a partir da fonte eólica?

    3. Quais medidas podem reduzir a mortalidade de pássaros no uso desse tipo de fonte?

    4. Explique a importância da legislação ambiental no uso da fonte eólica.

    5. Como se produz energia eólica a partir do vento?

    Prof Luciano Mannarino

    #geoverdade

  • A superfície da Terra está subindo embaixo dos nossos pés

    Camada de gelo mostra sinais de derretimento a oeste do Alasca, em imagem feita em 4 de fevereiro de 2014 por satélites da Nasa. O estreito de Bering, coberto com gelo, se situa entre Alasca e Rússia Imagem: MODIS/Aqua/NASA Brian K. Sullivan 27/03/2015 18h07

    Brian K. Sullivan

    27/03/2015 18h07

    Nos EUA, nos últimos doze meses, houve alertas mais do que suficientes de como o clima pode afetar nossas vidas. A Califórnia está entrando no quarto ano de seca porque não teve neve suficiente. Boston está começando a emergir de uma quantidade recorde de neve. Quase todos os dias, voos são cancelados, crianças perdem aulas e pais enviam cheques às seguradoras para para se protegerem de inundações, furacões e tornados.

    No entanto, também existem impactos de longo prazo que a maioria das pessoas talvez não perceba. Por exemplo, se você mora no Canadá, no norte dos EUA ou em determinadas partes da Europa, o solo sob seus pés está subindo. E o motivo, de certo modo, é o clima.

    Mas não o clima no sentido da chuva de ontem ou do vento da semana passada. O fenômeno foi causado pelas neves que se acumularam e criaram enormes mantos de gelo que cobriram a terra na última Era do Gelo. OK, foi muita neve, por um longo período de tempo, mas a questão tem mais a ver com o clima do que simplesmente com as condições meteorológicas

    Independentemente da causa, a mudança é perceptível. “Podemos monitorá-la em tempo real”, disse Theresa Damiani, pesquisadora de geologia da Investigação Geodésica Nacional (NGS), da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), em Camp Springs, Maryland.

    Compensação da Terra.

    O peso dos mantos de gelo, que tinham diversos quilômetros de espessura em alguns lugares, empurrou a superfície da Terra para baixo. Quando o gelo derreteu e recuou, o solo começou a subir novamente. A NOAA descreve o fenômeno como o que acontece quando um colchão velho volta ao formato original depois que uma pessoa se levanta de manhã. Quando os mantos de gelo começaram a recuar, ocorreu uma recuperação rápida em muitas regiões, que desacelerou ao longo dos séculos, disse Damiani.

    “O solo vem se recuperando e continua nisso”, disse Damiani. “Leva um período muito longo”.

    A superfície da Terra sobe cerca de 1 milímetro por mês no Canadá e aproximadamente a mesma quantidade ao longo de um ano nos EUA, disse ela. Para um lugar como a Baía de Hudson, no Canadá, as mudanças seriam visíveis ao longo da vida de uma pessoa, disse ela.

    “Se você construiu um atracadouro, parece que o oceano está baixando”, disse Damiani.

    Não é que o nível do oceano esteja caindo? É que a terra está voltando a subir.

    Ao calcular o aumento dos oceanos devido ao atual derretimento das geleiras e dos mantos de gelo, os pesquisadores precisam levar em consideração essas taxas de recuperação, de acordo com um relatório da NOAA publicado em dezembro de 2012. Área coberta É claro que a terra só está subindo nas áreas cobertas pelo manto de gelo. No hemisfério ocidental, essa região abrange quase todo o Canadá até a Nova Inglaterra, passando pelos Grandes Lagos e chegando à Região Centro-Oeste, às Grandes Planícies do norte e ao Noroeste do Pacífico.

    Além do limite dos lugares em que o gelo empurrou o solo para baixo, existem áreas onde a superfície está, na verdade, assentando-se mais abaixo. O que aconteceu aí é que o terreno na beira dos mantos de gelo se comportou como a geleia que se esparrama para fora de um sanduíche esmagado.

    As mudanças podem provocar pequenos terremotos, embora eles sejam muito fracos e passem despercebidos para a maioria das pessoas.

    O movimento é acompanhado por meio de satélites de posicionamento global e é utilizado para assegurar que os mapas continuem sendo exatos, disse Damiani. “A tarefa da minha agência, a NGS, é a de monitorar o formato do planeta”, disse Damiani. Os países escandinavos também monitoram a lenta taxa de recuperação da superfície ao longo dos últimos 14.000 anos, um ou dois séculos a mais ou a menos, desde que os mantos de gelo atingiram o auge na última Era do Gelo.

    A paciência é, sem dúvida, um dos requisitos para esse trabalho.

    https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2015/03/27/a-superficie-da-terra-esta-subindo-sob-seus-pes.htm

    Prof Luciano Mannarino

    Atividade em sala (pesquisar)

    Qual a relação entre a reportagem e os estudos de Isostasia Geológica?

    O que é Glacioisostasia?

    Relacione movimento eustático e epirogênese.

    Geologia/Geomorfologia

    Conceitos de Epirogênese e de Orogênese.

    Apresentação do Professor de Geologia…

  • Na Amazônia, 20% das bacias sofrem alto impacto de atividades humanas

    Na Amazônia, 20% das bacias sofrem alto impacto de atividades humanas

    EM13CHS304

    Analisar os impactos socioambientais decorrentes de práticas de instituições governamentais, de empresas e de indivíduos, discutindo as origens dessas práticas, selecionando, incorporando e promovendo aquelas que favoreçam a consciência e a ética socioambiental e o consumo responsável.

    EM13CHS306

    Contextualizar, comparar e avaliar os impactos de diferentes modelos socioeconômicos no uso dos recursos naturais e na promoção da sustentabilidade econômica e socioambiental do planeta (como a adoção dos sistemas da agrobiodiversidade e agroflorestal por diferentes comunidades, entre outros).

    Projeto usou dados de estudos relacionados a hidrelétricas, rodovias, agropecuária e garimpo

    Phillippe Watanabe

    SÃO PAULO

    Pelo menos 20% das microbacias da Amazônia sofrem alto impacto de atividades ou infraestruturas que ocorrem ao seu redor, como hidrelétricas —principal agente de pressão—, mineração e garimpo ilegal, estradas e agropecuária.

    Essa é a conclusão de um novo índice, o IIAA (Índice de Impacto nas Águas da Amazônia), criado pela Ambiental Media, com apoio do Instituto Serrapilheira e participação de pesquisadores.

    O índice faz parte do projeto Aquazônia, lançado nesta quinta-feira (5).

    O IIAA vai de 0, que significa impacto muito baixo, até mais de 5, para classificação de impacto extremo.

    Águas amazônicas divididas por pedras, formando o que parecem ser pequenos rios
    Pedrais na região da Volta Grande do rio Xingu, área de influência da hidrelétrica de Belo Monte – 29.ago.2018 – Lalo de Almeida/Folhapress

    Foram analisados dados de hidroeletricidade, exploração mineral, hidrovias, agropecuária, degradação florestal, cruzamentos de rios com estradas, área urbana e mudanças climáticas em 11.216 microbacias da Amazônia Legal.

    Dessas, 2.299 apresentam um impacto tido como alto pelo IIAA.

    O top cinco de áreas mais impactadas —e, dessa forma, com números mais altos no índice— tem presença de bacias com hidrelétricas. São elas: a do Madeira, que tem a hidrelétrica Canaã, em Rondônia; a do Tapajós, com a hidrelétrica Braço Norte, em Mato Grosso; a do Xingu, região da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará; a do Tapajós, com a hidrelétrica Paranorte, em Mato Grosso; e a do Madeira, novamente, com a hidrelétrica Jamari, em Rondônia, mais uma vez.

    Filtrando pelas microbacias com impactos alto, muito alto ou extremo, cerca de 50% —o que representa 1.146— estão em áreas de afetação de hidrelétricas. Curiosamente, 478 (21%) dessas microbacias com elevados graus de impactos sofrem, ao mesmo tempo, com a presença de mineração (ou garimpo ilegal).

    Segundo o levantamento, a bacia do rio Putumayo-Içá é o corpo d’água tributário do rio Amazonas que mais sofre com mineração, com impacto em 63% do percurso.

    O índice também aponta a situação em unidades de conservação e em terras indígenas. Nas primeiras, cerca de 23% (ou 77) possuem índice de impacto alto —dez estão em Rondônia. No caso da áreas indígenas protegidas, 14% (53) têm índices de impacto altos, muito altos ou extremos.

    Na Amazônia, um bioma em que a agropecuária é conhecida como vetor de desmatamento e queimadas, logicamente a atividade também teria impactos considerável em algumas regiões.

    Segundo os dados do projeto, as bacias (todas tributárias do rio Amazonas) Curuá-una, Guamá e Pacajá estão em áreas totalmente impactadas pelo agronegócio.

    As bacias dos rios Tocantins e Xingu não estão muito atrás: 98% da área de ambas sofre impacto dessa atividade econômica.

    Vale destacar que, apesar de contar com a participação de pesquisadores, o índice não tem a intenção de ser científico. Thiago Medaglia, fundador da Ambiental Media e coordenador do projeto, afirma que se trata de uma iniciativa baseada em ciência, mas ainda assim um trabalho de cunho jornalístico.

    Medaglia diz que a ideia do projeto surgiu ao se dar conta de que, ao falar de Amazônia, o foco é quase sempre e exclusivamente a floresta.

    “Quando a gente fala em desmatamento temos cenas chocantes da floresta sendo desmatada ou conseguimos mensurar via satélite”, afirma o idealizador do Aquazônia. “Mas quando falamos de água é mais difícil que isso seja, de alguma forma, medido e percebido.”

    Daí surgiu a ideia de um índice que pudesse passar uma percepção do que está acontecendo com as águas amazônicas.

    Olhar para as águas desse bioma e de outros é algo relevante, especialmente em um contexto de mudanças climáticas. Dados do MapBiomas Água, apontam um país que seca. O Brasil perdeu, de 1991 até 2020, cerca de 15,7% da superfície de água que possuía, o equivalente a 3,1 milhões de hectares. O Pantanal teve redução de 74% da superfície de água, e a Amazônia, de cerca de 13%.

    Mas, voltando ao IIAA, para se fazer um índice, são imputados determinados pesos para diferentes elementos que o compõem. As hidrelétricas tiveram o maior peso, explicando, assim, o motivo de áreas mais impactadas serem, em geral, próximas a essas estruturas.

    Segundo Cecília Gontijo Leal, consultora científica do Aquazônia e pesquisadora da USP, isso não é à toa. “Uma hidrelétrica é uma alteração completamente drástica em um curso d’agua”, afirma. “Não tínhamos dúvida. O consenso é que hidrelétricas e barramentos são o que pode acontecer de mais drástico em um rio.”

    Apesar de o impacto dessa forma de geração de energia não ser algo necessariamente surpreendente, algumas surpresas surgiram. Gontijo Leal aponta que, pelo índice, é possível ver que, quando há hidrelétricas, outros fatores de impacto se somam, aumentando o peso dessa estrutura na equação.

    “Um impacto pode potencializar os efeitos de outro e, nos sistemas biológicos, está tudo muito interligado”, afirma a pesquisadora.

    Gontijo Leal e Medaglia questionam os licenciamentos individualizados das hidrelétricas, sem uma avaliação integrada com outras dessas estruturas e considerando efeitos cumulativos. “Licenciar uma por uma é muito fácil”, diz a cientista.

    Segundo o coordenador do Aquazônia, é preciso tomar cuidado com a máxima de que hidrelétricas são sempre soluções positivas. “Não é que não pode construir usina, mas é construir com estratégia, o que precisa englobar não só a produção de energia, como também serviços ecossistêmicos e os processos naturais dos rios. Tem vários estudos que demonstram que os estudos de impacto deveriam ser melhores e podem ser melhores. Existem métricas para isso.”

    Apesar de o mapa aquático dos impactos na Amazônia já estar bem colorido, os dados do projeto ainda não estão completos. Mas isso por falta de informações confiáveis e de qualidade para pontos como pesca e contaminação por agrotóxicos.

    Um dos objetivos da iniciativa, inclusive, é ajudar a trazer ao debate público a necessidade de mais dados sobre a saúde dos rios da Amazônia e as lacunas científicas e legislativas relacionadas ao assunto, diz Medaglia.

    “São dados importantes que precisaríamos incluir, mas eles não existem. O índice deve estar subestimando o que acontece”, diz Gontijo Leal.

    A pesquisadora da USP faz ainda outra ressalva. O IIAA aponta somente a distribuição das ameaças. Ou seja, não foi feita uma análise qualitativa das águas das bacias da Amazônia ou os possíveis impactos sobre a biodiversidade local, por exemplo.

    Folha enviou questionamentos para os ministérios do Meio Ambiente, de Minas e Energia, de Infraestrutura, para a Ana (Agência Nacional de Águas) e para a ANM (Agência Nacional de Mineração).

    Somente a Ana respondeu até a publicação desta reportagem. A agência afirma que ainda não tomou conhecimento do índice e que, no “processo de emissão da outorgas de direito de uso de recursos hídricos para águas da União (interestaduais e transfronteiriças), a Ana considera condicionantes ambientais do Ibama ou do respectivo órgão ambiental competente”.

    https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2022/05/na-amazonia-20-das-bacias-sofrem-alto-impacto-de-atividades-humanas.shtml

    Questões

    1. Explique o contexto político e econômico da criação da ANA (Agencia Nacional de Águas).

    2. Aponte impactos ambientais ligados as seguintes atividades na Amazônia:

    • Construção de rodovias
    • Construção de Hidrelétricas
    • Garimpo
    • Mineração
    • Agropecuária

    3. O que são microbacias hidrográficas?

    4. Como se formam os “rios voadores”? E qual o seu papel nos climas do Sudeste e Centro Oeste do Brasil?

    ‘Rio voador’, o fenômeno que ajuda a explicar as tempestades de verão no Brasil

    Domínio Amazônico

    Amazônia: soberania e direito amazônico

    Prof Luciano Mannarino