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  • China e Índia se acusam de violar cessar-fogo em fronteira no Himalaia

    China e Índia se acusam de violar cessar-fogo em fronteira no Himalaia

    Incidente na noite de segunda tem versões conflitantes e mostra tensão entre os países

    8.set.2020 às 16h22

    Igor Gielow

    SÃO PAULO

    A China e Índia se acusaram mutuamente de violar um cessar-fogo válido desde 1996 na fronteira disputada entre os dois países na região de Ladakh, no Himalaia.

    O controle da região já foi alvo de uma guerra, vencida pelos chineses, em 1962, e de uma série de escaramuças desde então. As últimas mortes por armas de fogo ocorreram em 1975.

    Em junho deste ano, a situação voltou a escalar, com um grave confronto no qual morreram 20 soldados indianos e um número incerto de chineses. Só que eles se mataram com paus e pedras, respeitando tecnicamente o cessar-fogo que proíbe tiros a 2 km de cada lado da Linha de Controle, a fronteira presumida.

    “Foi uma violação militar muito séria”, afirmou em comunicado na manhã desta terça (8) Zhang Shuili, porta-voz do Comando do Teatro Ocidental das Forças Armadas chinesas.

    Segundo seu relato, tropas indianas atiraram ao cruzar a fronteira na região do lago Pangong na noite de segunda-feira. Ele afirmou que os militares chineses foram “forçados a uma resposta de emergência para estabilizar a situação”, sem detalhar.

    “A ação do lado indiano violou seriamente o acordo bilateral e escalou a tensão na região”, disse Zhang.

    Após passar a manhã em silêncio, o Ministério da Defesa indiano divulgou sua versão dos fatos, acusando a China de abrir fogo sobre posições que haviam sido ocupadas pelas forças de Nova Déli no fim de semana retrasado, de seu lado da fronteira.

    As tropas chinesas deram, segundo o comunicado, tiros para o ar para tentar intimidar os rivais com “manobras agressivas”.

    Após semanas de estabilidade, a situação começou a piorar na área disputada há duas semanas. Ambos os lados apontaram violações potenciais do adversário, mas uma conversa direta entre os ministros da Defesa na sexta passada (4) em Moscou parecia ter controlado a crise.

    O incidente da segunda mostra a fragilidade da situação. Ambos os países, desde junho, têm aumentado a presença militar na área e feito exercícios de combate. Nenhum deles, os mais populosos do mundo e com armas nucleares, tem contudo interesse numa guerra.

    Politicamente, contudo, ambos têm de mostrar forca para seu público interno, e as rusgas dos últimos meses demonstram que isso pode ter um preço em termos de escalada militar.

    A região toda, formada por passos de montanha com mais de 4.000 metros de altura e picos de quase 8.000 metros, é de difícil acesso e ainda mais complexo espaço para manobras militares. Helicópteros e aviões operam com dificuldade.

    Os indianos têm uma preocupação adicional, que é o fato de que a China é a principal parceira militar de seu rival existencial na região, o Paquistão. Tudo o que não precisam é de duas fronteiras instáveis, embora a relação com Islamabad esteja relativamente em ordem.

    Já os chineses olham para a Índia como mais uma peça também na disputa geoestratégica com os Estados Unidos, a Guerra Fria 2.0 de Donald Trump, que abarca quase todos os itens possíveis de disputa comercial e política.

    Para sinalizar apoio aos indianos, os americanos enviaram há duas semanas bombardeiros furtivos ao radar B-2 para sua base ao sul do subcontinente, no oceano Índico.

    Nova Déli, apesar de manter uma importante relação militar com Moscou, com quem faz exercícios navais no Índico esta semana, tem se aproximado bastante de Washington. Índia e China fazem parte do bloco Brics, com Rússia, Brasil e África do Sul.

    Questão

    1. O que seria a Guerra Fria 2.0?

    2. O que são os BRICS e por que o Brasil pode ser um protagonista na diminuição da tensão entre a China e a Índia?

    3. Explique a tensão entre a Índia e o Paquistão.

    Prof. Luciano Mannarino

  • China rejeita Guerra Fria 2.0 e diz que está pronta para negociar com os EUA

    China rejeita Guerra Fria 2.0 e diz que está pronta para negociar com os EUA

    Chanceler chinês afirma que país asiático não é ‘antiga União Soviética’

    7.ago.2020 à 0h32

    SÃO PAULO

    Em longa entrevista à agência de notícias Xinhua na quarta-feira (5), o ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi, rejeitou a ideia de uma Guerra Fria 2.0 com os EUA.

    “A China de hoje não é a antiga União Soviética e não tem intenção de se tornar outros EUA”, disse ele.

    Wang Yi, ministro de Relações Exteriores da China, durante entrevista à agência Xinhua, em Pequim
    Wang Yi, ministro de Relações Exteriores da China, durante entrevista à agência Xinhua, em Pequim – Zhai Jianlan – 5.ago.20/Xinhua

    A entrevista ao veículo chinês ocorre em um momento de tensão nas relações entre os dois países.

    Nos últimos meses, Washington subiu o tom em relação ao país oriental, culpando-o pela pandemia do novo coronavírus, criticando a repressão de Pequim aos protestos em Hong Kong e ameaçando impor restrições a companhias chinesas de tecnologia que operam no país.

    Segundo Wang, há políticos americanos que são tendenciosos e hostis em relação à China e estão usando seu poder para obstruir as relações entre os dois países.

    Na entrevista, o tom do chanceler foi o de estabelecer pontes, e ele se colocou à disposição para encontros com os EUA “em qualquer nível, sobre qualquer assunto”, para tentar evitar mais conflitos entre as duas principais economias do mundo.

    “Se a cooperação entre a China e os EUA fosse injusta e não recíproca, como poderia ter continuado por várias décadas? Como os laços entre a China e os EUA teriam percorrido esse longo caminho?”, questionou Wang.

    Descrevendo a conduta de Washington em relação ao país como impulsiva, o chanceler instou os EUA a “estabelecerem um diálogo de igual para igual”.

    “Nós exortamos os Estados Unidos a parar de agir com arrogância e preconceito”, disse.

    Uma das críticas de Wang foi à decisão do presidente americano, Donald Trump, de retirar o país da OMS (Organização Mundial da Saúde) durante a pandemia do coronavírus. “O governo atual deixou mais tratados internacionais do que qualquer um antes dele.”

    “O verdadeiro desafio para a ordem internacional é o fato de que os EUA, o país mais forte do mundo, colocam seus próprios interesses acima de todo o resto”, disse.

    Trump anunciou o rompimento com o órgão de saúde em maio. Os EUA são os maiores doadores da OMS —em 2019, o país desembolsou US$ 400 milhões (R$ 2,06 bilhões), equivalentes a cerca de 15% do orçamento da organização sediada em Genebra.

    À época, o americano disse que os pagamentos seriam direcionados a outras entidades de saúde pública.

    No capítulo mais recente da crise diplomática entre as duas potências, Pequim ordenou o fechamento do consulado americano em Chengdu, no sudoeste do país.

    Foi o cumprimento de uma promessa de retaliação anunciada assim que Washington mandou fechar o consulado chinês em Houston, no estado do Texas.

    “Todas as desculpas para o fechamento apresentadas pelos EUA não passam de invenções para difamar a China, e nenhuma delas é apoiada por qualquer evidência ou resiste a escrutínio”, disse Wang.

    “A China não tem intenção de lutar uma ‘guerra diplomática’ contra os Estados Unidos”, acrescentou.

    Washington tem acusado Pequim de ser responsável pela disseminação do novo coronavírus —o vírus foi detectado pela primeira vez na cidade de Wuhan. Também têm usado o cerco da China a Hong Kong para criticar o país asiático no campo dos direitos humanos.

    No mês passado, a Casa Branca determinou o encerramento da política de tratamento econômico especial dado à ex-colônia britânica em resposta à imposição chinesa de uma lei de segurança nacional que erodiu grande parte das liberdades do território semiautônomo.

    Os EUA também têm apoiado os manifestantes anti-Pequim —Hong Kong vive uma onda de protestos desde junho de 2019.

    Protestos em Hong Kong após aprovação de nova lei de segurança nacional

    Polícia detém manifestante com base na nova lei de segurança nacional em Hong Kong
    Polícia detém manifestante com base na nova lei de segurança nacional em Hong Kong Dale de la Rey – 1º.jul.20/AFP

    No início da entrevista à Xinhua, o chanceler relembrou a visita histórica de Richard Nixon à China em 1972, que marcou a retomada de relações diplomáticas entre os dois países, e disse que as diferenças sociais entre as potências não afetaram a coexistência pacífica no passado e não deveriam afetar relações no futuro.

    “Não é necessário nem possível que um país mude o outro. Deveríamos, em vez disso, respeitar a escolha feita de forma independente pelos povos de cada lado”, afirmou Wang. “O socialismo com características chinesas serve a China e tem o firme apoio da população.”

    O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, já afirmou que o Partido Comunista Chinês é uma “ameaça para a humanidade” e pediu que o povo chinês “mudasse o partido”, aumentando especulações de que uma estratégia de mudança de regime poderia ser aplicada ao país oriental.

    “A China continuará a promover o desenvolvimento e o progresso para atender as expectativas de seu povo e fazer novas e maiores contribuições à humanidade”, disse o chanceler.

    “Qualquer pessoa que tentar atrapalhar esse processo encontrará o fracasso.”

    Questões

    1 Explique o significado do título da notícia.

    2. Analise o contexto geopolítico da visita histórica de Richard Nixon à China em 1972.

    3. Por que Hong Kong vive um ambiente de protestos contra o governo Chinês desde junho de 2019?

    4. O que seria o “socialismo com características chinesas”? Exemplifique.

    Prof. Luciano Mannarino.

  • Com ventos de 240 km/h, furacão Laura é um dos maiores a atingir os EUA

    Com ventos de 240 km/h, furacão Laura é um dos maiores a atingir os EUA

    Embora com menos força, fenômeno avança pelo país; primeira morte confirmada é de menina de 14 anos

    Lucas Alonso

    BAURU (SP)

    O furacão Laura atingiu a costa da Louisiana, nos Estados Unidos, na madrugada desta quinta-feira (27), com ventos de até 240 km/h. Houve ao menos uma morte, além de inundações e cortes no abastecimento de energia de milhares de moradores.

    Uma menina de 14 anos morreu quando uma árvore caiu sobre sua casa, em Leesville, de acordo com uma porta-voz do governador da Louisiana. O estado trabalha com a possibilidade de haver mais fatalidades.

    De acordo com meteorologistas, Laura é um dos fenômenos climáticos mais poderosos que já atingiram o país e, nos próximos dias, pode causar ainda mais danos.

    “Extremamente perigoso, o furacão de categoria 4 Laura tocou o solo perto de Cameron, na Louisiana”, afirmou o Centro Nacional de Furacões (NHC) em um boletim publicado nesta quinta-feira.

    Os registros do NHC indicam que Laura atingiu o continente por volta de 1h (3h, no horário de Brasília) causando “tempestade catastrófica, ventos extremos e inundações repentinas” em várias regiões do estado.[ x ]

    Na quarta-feira (26), o Serviço Meteorológico Nacional previu que o furacão poderia formar uma enorme parede de água com cerca de 65 km de extensão e altura equivalente a um prédio de dois andares. As ondas decorrentes do fenômeno avançariam até 50 km continente adentro e o nível das águas poderia subir entre 4,5 e 6 metros acima do normal.

    Embora as piores projeções não tenham se materializado, o NHC e autoridades locais mantiveram os alertas de perigo e reforçaram os pedidos de evacuação.

    Região alagada em decorrência do furacão Laura em Vermilion, na Louisiana – Kathleen Flynn – 26.ago.20/Reuters

    Três horas depois de atingir o continente, o furacão foi rebaixado para a categoria 3, com seu núcleo a cerca de 50 km ao norte-noroeste de Lake Charles, na Louisiana.

    A velocidade dos ventos caiu para 195 km/h, mas eles ainda foram fortes o suficiente para estourar as janelas dos 22 andares do Capital One Tower, o segundo maior edifício da cidade.

    Os efeitos do furacão também foram responsáveis pela queda de dezenas de árvores por toda a cidade. Os ventos também derrubaram placas de ruas e danificaram casas e prédios. Nas redes sociais, moradores registraram destroços das construções e carros abandonados nas ruas inundadas.

    Mais tarde, Laura continuou enfraquecendo e chegou à categoria 2, com ventos estimados em até 168 km/h, mas ainda oferece riscos graves, segundo os meteorologistas.

    Cerca de 650 mil residências e empresas na Louisiana e no Texas. Concessionárias locais alertaram que o número de interrupções aumentaria conforme o avanço do furação para o interior.

    Em entrevista à Fox News, Pete Gaynor, administrador da Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema) disse que o órgão está avaliando os prejuízos causados pelo furacão, mas que considera os danos menores do que as expectativas.

    No final da manhã, o fenômeno caiu mais um nível e chegou à categoria 1 —a mais branda, porém ainda perigosa— com ventos de até 120 km/h.

    De acordo com o físico Evandro Moimaz Anselmo, doutor em meteorologia pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, os furacões tendem a perder força quando chegam ao continente porque a sua principal fonte de energia é o vapor da água dos oceanos.

    Em terra firme —mais fria e seca—, eles perdem essa fonte e se dissipam gradualmente.

    “Durante este processo de dissipação do Laura no continente, as chuvas intensas deverão causar danos, principalmente nos próximos três dias, e ao longo da sua trajetória sobre os estados de Louisiana e Arkansas.”

    As condições atmosféricas da região Sul dos EUA indicam, segundo explicação de Anselmo à Folha, “desintensificação progressiva de furação para tempestade tropical e depressão tropical nos próximo cinco dias”.

    Segundo previsão do NHC, “o centro do Laura vai continuar a se mover para o interior cruzando o sudoeste da Louisiana”. Em um alerta divulgado na manhã desta quinta, o órgão pediu que os moradores da região que ainda não tinham sido evacuados buscassem proteção imediata.

    Apesar do risco iminente, muitas pessoas escolheram ficar em casa, contrariando as ordens de evacuação obrigatória na Louisiana e no Texas que abrangem cerca de 620 mil moradores dos dois estados.

    Autoridades locais reforçaram as recomendações dizendo que levaria horas até que pudessem sair para iniciar as missões de busca e resgate. O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu aos moradores das áreas afetadas que seguissem as orientações.

    “Laura é um furacão muito perigoso e está se intensificando rapidamente”, disse o republicano em uma publicação no Twitter. “Meu governo continua colaborando totalmente com os gestores de emergência estaduais e locais”.

    Durante a manhã desta quinta, Trump aprovou a declaração de emergência para o estado do Arkansas, e deu a autoridades federais o poder de coordenar a assistência às vítimas e a liberação de recursos.

    À tarde, o presidente era esperado na sede da Fema para se atualizar sobre o furacão.

    Moradias temporárias foram organizadas às pressas fora da zona de emergência para os residentes evacuados, e equipes de emergência estavam estrategicamente posicionadas, de acordo com agências estaduais e federais.

    Em Vermilion, ao leste da primeira cidade atingido pelo Laura, o gabinete do xerife publicou um aviso severo em uma rede social.

    “Se você decidir ficar em casa e não conseguirmos chegar até você, anote seu nome, endereço, número do seguro social e contatos de parentes próximos e coloque em um saco plástico vedado em seu bolso”, diz a publicação.

    Em Lake Charles, Jimmy Ray, um morador ouvido pela agência de notícias AFP, disse que sua família tentaria, a princípio, “aguentar dentro de casa”, mas viu “que o furacão ia ser muito forte”.

    Outra moradora, Patricia Como, contou que seus irmãos, primos e outros membros da família decidiram ficar, mas ela não queria correr o risco. “Não vou brincar com Deus”, disse.

    Angela Jouett, que lidera a operação de evacuação na cidade, informou que novos protocolos foram implementados devido à pandemia do coronavírus. Segundo ela, as pessoas que entram nos centros de evacuação usam desinfetante nas mãos, passam por controles de temperatura e mantêm distanciamento físico.

    Em Westlake, cerca de 6 km a oeste de Lake Charles, o furacão pode ter sido a causa de um grande incêndio em uma fábrica de produtos químicos, que liberou uma espessa fumaça negra.

    O governador da Louisiana, John Bel Edwards, alertou os moradores da área para não saírem de duas casas, fecharem portas e janelas, e desligarem aparelhos de ar-condicionado, sob risco de intoxicação.

    Furacão Laura se aproxima da costa dos Estados Unidos

    Homem coloca tapumes em loja de conveniência na cidade de Galveston, no Texas, antes da chegada do furacão Laura
    Homem coloca tapumes em loja de conveniência na cidade de Galveston, no Texas, antes da chegada do furacão Laura ADREES LATIF/Adrees Latif – 26.ago.2020/Reuters

    No Texas, o governador Greg Abbott também pediu aos residentes que evacuem suas casas. “Eles têm apenas mais algumas horas para escapar dos danos”, disse a uma emissora local.

    “Esta é uma tempestade muito perigosa, mais forte do que a maioria que já cruzou” as costas do estado, acrescentou, insistindo para que a população faça “tudo que for possível para sair do caminho” do Laura.

    Abbott também sugeriu que quem tiver condições financeiras deve procurar refúgio em hotéis, para diminuir o risco de contaminação pelo coronavírus. O Texas é um dos estados americanos mais atingidos pela pandemia.

    A cidade texana de Port Arthur, com população estimada em 54 mil habitantes, estava praticamente abandonada na noite de quarta-feira. Apenas alguns postos de gasolina e uma loja de bebidas mantiveram as portas abertas.

    “As pessoas precisam de vodca”, disse Janaka Balasooriya, um funcionário. Ouvido pela Reuters, ele disse morar a alguns quarteirões de distância da loja e que enfrentaria o Laura em casa.

    Na Ilha de Galveston, cidade que sofreu com o furacão mais letal da história dos EUA em 1900, com milhares de mortos, o prefeito Craig Brown disse que as autoridades estão monitorando de perto a situação.

    “Tivemos uma boa cooperação de nossos residentes na evacuação”, disse ele. “Se eles quiserem ficar, nós permitiremos”, mas “se eles ficarem, é possível que não tenham nenhum serviço de emergência disponível”, esclareceu.

    Em Nova Orleans, devastada pelo furacão Katrina, de categoria 5, há 15 anos, o histórico Bairro Francês ficou sem turistas, e sacos de areia foram empilhados diante de portas e janelas. Os edifícios de arquitetura colonial foram protegidos com chapas de madeira.

    “Não estou preocupado com a água que entra com a tempestade, mas sim com a chuva e as bombas sem funcionar. É isso que vai causar as enchentes”, disse à AFP Robert Dunalp, empresário que não se esquece do furacão que deixou 1.000 mortos.

    Antes de chegar aos EUA, Laura passou como tempestade tropical por Cuba, onde provocou fortes chuvas e alguns danos. No fim de semana, a tempestade provocou 25 mortes no Haiti e na República Dominicana.

    De acordo com o NHC, a temporada de tempestades no Atlântico, que vai até novembro, deve ser uma das mais severas. Os meteorologistas preevem até 25 fenômenos, dos quais o furacão Laura é o 12º até o momento.

    Com AFP e Reuters

    Questão.

    1. Estabeleça diferenças entre Tornados e Furações?
    2. Por que os Furações ocorrem no final do Verão e começo do Outono no Atlântico?
    3. Por que os Furações perdem intensidade quanto avançam sobre o interior dos EUA?
    4. Por que observamos um número expressivo de vitimas fatais quando esses eventos atravessam as ilhas do caribe?

    Professor Luciano Mannarino.

  • Era pós-petróleo redesenha o Oriente Médio

    Era pós-petróleo redesenha o Oriente Médio

    Países árabes buscam modernizar economia e veem um parceiro em Israel

    Prêmio Nobel da Paz em 1994, o líder israelense Shimon Peres (1923-2016) celebrizou a expressão “um novo Oriente Médio” ao apontar a cooperação econômica como fator a transformar inimigos em parceiros numa das regiões mais turbulentas do cenário global. A previsão finalmente ganha contornos nítidos, com o recente anúncio do acordo entre Israel e Emirados Árabes Unidos.

    O histórico tratado, ainda a ser assinado, apresenta como motor fundamental a chamada era pós-petróleo. Países árabes, em particular alguns situados no golfo Pérsico, passaram a enxergar Israel com outros olhos diante da necessidade de ingressar numa fase marcada pelo declínio da economia petrolífera.

    Bandeiras de Israel e dos Emirados Árabes Unidos em estrada em Netanya
    Bandeiras de Israel e dos Emirados Árabes Unidos em estrada em Netanya – Nir Eliar – 17.ago.20/Reuters

    Fatores geopolíticos, sem dúvida, compõem também a equação. Na disputa por zonas de influência no Oriente Médio, ambições expansionistas do Irã contribuem decisivamente para a aproximação de seus arqui-inimigos regionais, Israel e monarquias do golfo Pérsico lideradas pela Arábia Saudita.

    No entanto, o fator primordial a transformar antigos adversários em novos aliados chama-se era pós-petróleo. Dirigentes de países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos passaram a ver um potencial parceiro em Israel quando constataram o esgotamento da sua fórmula de governar no século 20.

    No passado recente, lideranças árabes governavam apoiados no tripé petróleo-ditadura-narrativa anti-Israel. Na economia, bastava confiar na bonança petrolífera, sem diversificar ou modernizar a atividade produtiva.

    No segundo fator do tripé, ditaduras congelavam dinâmicas política e social. Com a riqueza do petróleo e o autoritarismo, regimes árabes recorriam à narrativa anti-Israel como válvula de escape para obter mobilizações populares

    Plano de Netanyahu pode aumentar tensões entre Israel e Palestina

    Primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, em encontro semanal do gabinete de governo, em Jerusalem, em 28 de junho.
    Primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, em encontro semanal do gabinete de governo, em Jerusalem, em 28 de junho. Ronen Zvulun/AFP
    Tzvi Succot, 29, de uma família ultra-ortodoxa, caminha com a filha no assentamento de Yitzhar, ao sul da cidade palestina de Nablus, na Cisjordânia.

    Discursos oficiais descreviam a criação de Israel como “principal catástrofe do mundo árabe” e posicionavam as reivindicações palestinas no epicentro das estratégias emanadas do Cairo ou de Riad.

    A chegada do século 21, no entanto, corroeu o tripé, a começar pelo petróleo. A perda de relevância se evidencia com quedas vertiginosas em sua cotação e com a busca por fontes alternativas de energia.

    A partir de 2010, a Primavera Árabe, com manifestações de rua, derrubada de ditadores e guerras civis, demonstrou, a dirigentes no Oriente Médio, a necessidade de dinamizar o modelo econômico, gerar empregos e aplacar a crescente insatisfação popular.

    Ou seja, canalizar a revolta e a frustração para a narrativa anti-Israel deixou de ser suficiente. Evidenciou-se o esgotamento do tripé petróleo-ditadura-narrativa anti-Israel.

    Na nova equação, a opção por regimes autoritários se mantém. Prioriza-se agora a mudança do modelo econômico, com ênfase na diversificação das atividades e diminuição da dependência da indústria petrolífera. É a transição à era pós-petróleo.

    Arábia Saudita e as monarquias do golfo Pérsico embarcaram em planos para modernizar suas economias. Emirados Árabes Unidos, por exemplo, buscam se tornar polo de inovação e até lançaram uma sonda a Marte, iniciativa inaudita no Oriente Médio.

    Com as mudanças, sauditas e seus aliados reavaliaram a estratégia para o conflito israelo-palestino e a relação com Israel. Passaram a ver o ex-inimigo como parceiro, dono de soluções tecnológicas em defesa, segurança cibernética, agricultura no deserto, dessalinização de água, entre outras.

    Perspectivas de investimento e de comércio também fortalecem a aproximação, exemplificada pelo acordo entre Israel e Emirados Árabes Unidos. Ao que tudo indica, Shimon Peres tinha razão.Jaime Spitzcovsky

    Jornalista, foi correspondente da Folha em Moscou e Pequim.

    Prof. Luciano Mannarino

  • Mudanças precipitadas pela pandemia ameaçam futuro das megacidades

    Mudanças precipitadas pela pandemia ameaçam futuro das megacidades

    Na contramão do quanto mais gente melhor, crise pode valorizar cidades médias como próximas da escala humana

     

    SÃO PAULO

    Fuga temporária de grandes centros urbanos em busca de endereços rurais ou suburbanos, maiores e mais próximos da natureza. Disparada na venda de bicicletas em vários países do mundo. Fechamento de lojas e escritórios na esteira da imposição do teletrabalho e da digitalização do comércio.

    Essas e outras mudanças precipitadas pela pandemia colocaram em xeque o futuro das megacidades, cuja densidade populacional, antes motor de contextos vibrantes, diversos e criativos, virou fator de risco diante da fácil propagação do coronavírus.

    Cena registrada na Cidade do México, uma das 19 megalópoles registradas no projeto Hipercidades – Tuca Vieira/Folhapress

     

    Estranhamente silenciosas, sem trânsito e menos poluídas, boa parte das grandes cidades globais perdeu, desde o início da pandemia, o apelo das experiências sociais, econômicas e culturais atreladas a territórios adensados.

    “A pandemia interrompeu a rotina de bilhões de pessoas que residem em cidades e mudou tudo o que tomávamos como dado: trabalhar em um escritório, fazer compras numa loja, comer num restaurante. Impôs grandes desafios ao mesmo tempo em que apresenta oportunidades sem precedentes de uma virada que permita deixar de lado os erros que desgastaram as cidades”, avalia Janette Sadik-Khan, ex-secretária de Transportes de Nova York, na gestão de Michael Bloomberg.

    “Podemos restaurar nossas cidades para que sejam mais acessíveis, evitando a poluição e o desperdício”, diz a urbanista, que já participou do ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento, cuja edição deste ano tem como tema “Reinvenção do humano”.

    “O trânsito de São Paulo diminuiu 50% durante a pandemia no horário de pico das manhãs de terça-feira. E é possível enxergar, nessas faixas vazias, o projeto da cidade que se quer como resposta e recuperação da crise.”

    Para ela, essa cidade do futuro tem mais espaço para caminhadas, bicicletas e encontros, que podem se traduzir em novos negócios.

    Mais ciclovias e maiores áreas com restrição ao tráfego de veículos automotores não são propostas novas, mas sua implementação foi acelerada desde a pandemia em cidades como Milão, Berlim, Barcelona, Lisboa e Bogotá.

    Sadik-Khan ressalta que a alta do desemprego aliada à falta de acessibilidade por ineficiências dos sistemas de transporte, sejam ônibus, trens, bicicletas ou mesmo calçadões, compõem um cenário sombrio para a recuperação das cidades só passível de reversão por meio de investimentos.

    Até a eclosão da pandemia, as cidades abrigavam 55% da população do planeta e produziam mais de 80% do PIB global. Ao escancarar desigualdades, a Covid-19 jogou luz sobre a situação de centenas de milhões de trabalhadores urbanos.

    “O trabalhador médio das grandes cidades é aquele que, na pandemia, não pode transpor sua atividade para o teletrabalho. Além de ser mal pago, de ter de trabalhar muito duro e de não contar com o reconhecimento de boa parte da sociedade, ele sofre com condições de deslocamento da ordem de horas por dia”, destaca a socióloga holandesa Saskia Sassen, professora da Universidade Columbia.

    Para ela, a vida em megalópoles se tornou um fardo para a maior parte das pessoas, e abandoná-la já era uma tendência para uma pequena parcela de seus habitantes mesmo antes da pandemia.

    Estudo do Instituto Brookings apontou que as três grandes megalópoles dos EUA, Nova York, Los Angeles e Chicago, viram suas populações diminuírem nos últimos anos.

    Entre as prováveis causas, o alto valor dos aluguéis e o fato de os trabalhos de baixa qualificação, descontados os custos de vida, terem remuneração semelhante em outras localidades com mais qualidade de vida.

    “Nossas cidades são grandes demais, e já insistimos nelas demais. Quem paga o preço não são as elites, mas o grosso de trabalhadores que têm de madrugar para chegar ao trabalho e que são invisíveis ao planejamento urbano, porque quem pensa e escreve sobre cidades não vive as dificuldades dessa realidade”, critica Sassen, cujo livro mais recente, “Expulsões: Brutalidade e Complexidade na Economia Global” (Paz e Terra), classifica esses processos como mais radicais que o da mera exclusão.

    “Trata-se de uma injustiça desnecessária porque beneficia empresas de alto padrão cujos executivos podem viver onde quiserem, mas escolhem grandes cidades globais e sua preferência é dominante”, avalia.

    “Mas a pandemia acabou com a fantasia que as elites nos venderam de que a vida nas cidades é o que existe de melhor. É um completo nonsense dizer que precisamos viver em grandes cidades para fazermos parte da comunidade global. Essa fantasia acabou!”, decreta ela.

    “Cedo ou tarde, teremos de reconhecer que precisamos não de uma São Paulo ou de uma Nova York, mas de múltiplas cidades médias, onde grandes firmas terão de se instalar. Elas são o bom futuro da humanidade.”

    Para Sassen, o engajamento de novas gerações com a questão ambiental também deve favorecer a vida fora das megacidades —nome dado a aglomerações urbanas com mais de 10 milhões de habitantes. Elas foram exploradas pelo fotógrafo Tuca Vieira no projeto Hipercidades, em que viajou por 19 delas. Duas das imagens registradas por ele ilustram esta reportagem.

    “O que pude ver é que não se pode pensar essas cidades separadamente das desigualdades sociais e das mudanças climáticas”, avalia ele, que hoje faz doutorado na área.

    “Como hoje a maioria da população do mundo vive em cidades, e portanto consome a partir delas, as cidades se tornaram o maior motor de transformações do planeta.”

    O urbanista e economista colombiano Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá responsável por reformas inclusivas em transporte e equipamentos públicos, diz não acreditar em mudanças drásticas no destino das grandes cidades no futuro próximo, a não ser na percepção de dois fatores: a importância do contato com o verde e do acesso a tecnologias de comunicação.

    “Cidades são produtivas, e nunca ninguém conseguiu frear seu crescimento de maneira artificial”, diz ele, citando a experiência frustrada da China em conter a migração interna e o crescimento das cidades com passaportes internos.

    “Como cada vez mais as pessoas vivem sós, como na Escandinávia e nos bairros ricos de Bogotá, elas necessitam mais do que nunca do contato com mais pessoas que a experiência urbana proporciona.”

    Se a aglomeração parece arriscada no curto prazo por conta do novo vírus, a desaglomeração pode ser pior, mas para o meio ambiente, como aponta Philip Yang, fundador do Urbem (Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole).

    “Entre 2001 e 2030, teremos três vezes mais superfície urbana do que no ano 2000, o que cria uma fricção das cidades com zonas agrícolas e áreas de proteção florestal e de mananciais de produção de água”, explica ele, citando pesquisa da geógrafa Karen Seto, da Universidade Yale.

    Yang avalia que a pandemia escancarou as assimetrias sociais das cidades, evidenciando a geografia como maior fator de risco da Covid-19, e que grandes cidades do Brasil, como do mundo em desenvolvimento, têm como desafio zerar o déficit educacional e de saneamento básico.

    “Sem resolver um problema do século 19 fica difícil encarar os desafios do século 21.”

     

     

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/08/mudancas-precipitadas-pela-pandemia-ameacam-futuro-das-megacidades.shtml