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  • Rússia, China e Índia lideram projeção geopolítica com a vacina (atividade)

    Rússia, China e Índia lideram projeção geopolítica com a vacina (atividade)


    Países mais ricos, por sua vez, buscam imunizar suas populações para reativar economia

    3.fev.2021 às 23h15

    Igor Gielow

    SÃO PAULO

    Enquanto EUA e Europa tentam imunizar suas populações mais rapidamente do que cresce a taxa de mutações do novo coronavírus, Rússia, China e Índia apostam na projeção geopolítica da vacina.

    As três potências, que integram o moribundo grupo Brics com Brasil e África do Sul, têm feito movimentos de expansão de sua influência a partir da oferta de imunizantes, em especial a países em desenvolvimento.

    Enfermeira boliviana recebe dose da Sputnik V russa em hospital de La Paz
    Enfermeira boliviana recebe dose da Sputnik V russa em hospital de La Paz – Jorge Bernal/AFP

    Os russos tiveram uma semana de boas notícias, com sua contestada Sputnik V sendo chancelada pela comunidade científica a partir da publicação de seus dados preliminares de fase 3 na prestigiosa revista britânica The Lancet.

    Isso abriu as portas para a chanceler alemã, Angela Merkel, dizer que se o imunizante for aprovado para uso na Europa, ela ajudaria Vladimir Putin a fazê-lo na Alemanha —resolvendo um dos gargalos da Sputnik V.

    Além disso, a aprovação para uso emergencial e fabricação no Brasil avançaram consideravelmente. Nesta quarta (3), México e Nicarágua elevaram para 18 os países que já deram aval para a vacina, 6 deles na América Latina.

    Para Putin, o prestígio é peça central, ainda mais no momento em que a pressão ocidental acerca da prisão do opositor Alexei Navalni cresce exponencialmente.

    De quebra, alguns negócios típicos dos russos podem avançar ao mesmo tempo.

    Na Argentina, que vacinou 0,88% de sua população desde a virada do ano com a Sputnik V, o embaixador da Rússia ofertou, segundo relatos, a venda de caças Su-30 ou MiG-29 para a Força Aérea local, que voa em estado miserável.

    Na mão inversa, compradores recente de caças russos como Egito e Argélia usaram os canais azeitados para receber o fármaco de Moscou.

    FRANÇA - Enfermeira injeta uma dose da vacina Pfizer-BioNTech Covid-19 em um membro da equipe médica de Hospital na cidade de Lyon
    FRANÇA – Enfermeira injeta uma dose da vacina Pfizer-BioNTech Covid-19 em um membro da equipe médica de Hospital na cidade de Lyon Jeff Pachoud/AFP

    Na quarta, desembarcaram na África do Sul 1 milhão de doses da vacina indiana Covishield, a versão sob licença do fármaco da AstraZeneca/Universidade de Oxford.

    Embora ela seja entregue pelo consórcio da Organização Mundial da Saúde Covax, que ajuda países mais pobres, é uma bandeira fincada pelo maior produtor de vacinas do mundo no continente mais desprezado pelos fabricantes.

    Com isso, Nova Déli entra na disputa com o maior ator externo na África, Pequim.

    O presidente Xi Jinping já prometeu ajudar 38 países com dificuldades na pandemia, com foco no continente, para o qual destinou US$ 2 bilhões para imunizantes.

    A África do Sul, onde uma nova variante mais transmissível do Sars-CoV-2 assusta cientistas, encomendou 12 milhões de doses ao consórcio.

    Vai precisar de mais: isso supre menos de 10% de sua população, lembrando sempre que são vacinas que necessitam de duas inoculações.

    Segundo a União Africana, os países da região já reservaram 400 milhões de doses na Índia, ante 270 milhões de farmacêuticas ocidentais. O Covax deverá entregar 700 milhões, de diversos produtores.​

    Também nesta quarta a China aplicou um golpe contra os indianos, rivais econômicos com quem quase foram às vias de fato em uma escaramuça fronteiriça em 2020.

    Pequim anunciou a entrega de lotes doados de vacinas chinesas para o Paquistão, seu aliado e maior inimigo da Índia, que já era cliente da estatal Sinopharm.

    As atitudes desses colegas de Brics contrastam com a estratégia de países ricos, de assegurar para si o maior número de doses possível.

    Há lógica geopolítica também: eles precisam conter a pandemia para reativar fluxos econômicos e manter estabilidade social, tão importantes quanto influência externa.

    Segundo o monitor de contratos para entrega de vacinas da agência Bloomberg, que conta 110 acordos oficiais, nada menos do que 40% dos 8,57 bilhões de doses negociadas estão nas mãos de EUA, União Europeia, Reino Unido, Japão e Canadá, que somam 13% da população mundial.

    Os canadenses reservaram uma cobertura vacinal três vezes maior do que a necessária.

    Os dados são só referências. Há vacinas com problemas crescentes de aceitação, inclusive a campeã de contratos (3 bilhões de doses), a da AstraZeneca/Universidade de Oxford.

    Índia começa a vacinação contra a Covid-19

    Indiana tem seu dedo marcado para registrar que já foi vacinada contra a Covid em hospital de Hyderabad
    Indiana tem seu dedo marcado para registrar que já foi vacinada contra a Covid em hospital de Hyderabad Noah Seelam/AFP

    Além isso, não há informações confiáveis acerca de quantas vacinas estarão disponíveis para China e Índia, os dois países mais populosos do mundo, com 1,44 bilhão e 1,38 bilhão, respectivamente.

    A Índia quer vacinar 300 milhões até agosto. Até aqui, só inoculou 0,29% da população.

    Mas o país, que produz 60% das vacinas do mundo, será uma grande fábrica de imunizantes ocidentais vendidos para terceiros, também.

    Já a China, que usa três de suas vacinas no programa emergencial desde julho passado, também está empenhada em parcerias externas.

    Um dos casos mais conhecidos é o da Coronavac, feita em parceria com o Butantan e cuja disponibilidade forçou o até então negacionista Jair Bolsonaro a adotá-la.

    Esses são efeitos secundários dessa disputa geopolítica: sob risco de ficar sem insumos chineses, Bolsonaro mudou sua postura crítica à ditadura chinesa e até deve aceitar a presença da Huawei como fornecedora de redes 5G.

    Mas tanto no caso chinês como no indiano, há considerações de política interna a fazer, como o episódio em que Nova Déli segurou uma carga de 2 milhões de doses para o Brasil da vacina de Oxford no começo de sua campanha.

    Outro ponto é de imagem: a China controlou a pandemia de forma eficaz, antes da vacina, enquanto os EUA caíram no caos e lideram o ranking da tragédia.

    Mas os americanos estão vacinando em alta velocidade relativa: 10% dos moradores já receberam ao menos uma dose, e 2%, duas. A China, até por ser quatro vezes mais populosa, só vacinou 1,7%.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/02/russia-china-e-india-lideram-projecao-geopolitica-com-a-vacina.shtml

    Questões

    Por que o segundo parágrafo menciona a expressão moribundo quando se refere ao BRICS?

    Qual o litígio de fronteira foi motivo do aumento da tensão entre chineses e indianos em 2020?

    A dependência de insumos chineses para produção de vacinas no Brasil tornou nossa política externa mais pragmática.? Justifique.

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    Prof Luciano Mannarino

  • Glorificação do trabalho na China combina ambições pessoais e endosso do Estado

    Glorificação do trabalho na China combina ambições pessoais e endosso do Estado

    Cultura inclui elementos do confucionismo, resistência a adversidades e sacrifício pessoal

    8.out.2020 às 23h15

    Você está ocupado? Ni mang ma? Esse era o tema do capítulo 2 do meu primeiro livro de mandarim. Fiquei me perguntando o porquê de aprender isso antes de saber dizer bom dia, boa noite, meu nome é fulano, sou de tal país.

    Mas não, de acordo com o manual, antes convinha perguntar se a outra pessoa estava muito ocupada. Do capítulo 1, tinha aprendido basicamente a dizer olá, nihao. Imediatamente depois: “Você está muito ocupado?”.

    Pois aquilo tinha razão de ser, revelava um traço cultural importante que aos poucos fui percebendo. A valorização do trabalho duro na China e a glorificação de longas jornadas são muito enraizadas no país.

    Funcionários trabalham em linha de montagem de baterias de lítio na cidade de Yichang, na província de Hubei, na China
    Funcionários trabalham em linha de montagem de baterias de lítio na cidade de Yichang, na província de Hubei, na China – 28.mai.19/Reuters

    A cultura do trabalho aqui combina elementos do confucionismo, como dedicação, capacidade de resistir às adversidades e sacrifício pessoal. Segundo um ditado antigo, os céus recompensam os diligentes.

    Essa lógica encontra terreno fértil na dita era da ambição que vive a China, na qual há um mundo de oportunidades, mas a corrida pelo dinheiro encontra competição extremamente acirrada.

    Para completar, a valorização do trabalho e a busca por melhores condições de vida têm as bênçãos do Partido Comunista. Enriquecer é glorioso, teria dito Deng Xiaoping.

    A relação dos indivíduos com a família e com a sociedade contribui para essa ética do trabalho. Os pais se sacrificam pela educação dos filhos e têm expectativas altas de que sejam bem-sucedidos.

    A sociedade espera que a geração seguinte tenha uma vida mais confortável que a anterior. Essa sequência de gerações materialmente melhores é algo constante na China dos últimos 40 anos —e aumenta a pressão para que os jovens trabalhem duro, o que, ademais, é motivo de orgulho para a família.

    No setor de tecnologia, por exemplo, é visto como normal o regime de trabalho 996 —das 9h da manhã às 9h da noite, 6 dias por semana. A piada com fundo de verdade é que a jornada, na verdade, é do tipo 007 —de zero hora de um dia até zero hora do seguinte, todos os dias.

    'Indústria Americana' (2019)
    ‘Indústria Americana’ (2019)

    De longe, pode-se ter a impressão de que a legislação trabalhista mais flexível ou a dificuldade de questionar condições de trabalho explique tudo.

    De perto, e mesmo assumindo o risco da generalização, é impossível desconsiderar a importância da ética do trabalho na China, ignorar como aspectos culturais e sociais moldam a maneira como os chineses veem o trabalho e a corrida pelo sucesso. Lembro o dia em que assinei meu contrato de trabalho em Pequim. Logo após os papéis, fui convidada a tomar chá com uma autoridade da universidade. Depois de amenidades, fui perguntada se eu teria algum problema em trabalhar aos finais de semana. Saí do chá pensativa, o contrato recém-assinado não tinha nada sobre aquilo. ​

    Mais de um ano depois, com um número razoável de domingos tomados por atividades acadêmicas, perguntei a um colega, afinal, por que sempre fazer esses seminários nos fins de semana.

    O sujeito se surpreendeu com a pergunta por ser óbvia a resposta: durante a semana nós trabalhamos, ora. Estamos muito ocupados. Hen mang! Só aí entendi uma das lições básicas do meu curso de chinês.

    Tatiana Prazeres – Senior fellow na Universidade de Negócios Internacionais e Economia, em Pequim, foi secretária de comércio exterior e conselheira sênior do diretor-geral da OMC.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tatiana-prazeres/2020/10/glorificacao-do-trabalho-na-china-combina-ambicoes-pessoais-e-endosso-do-estado.shtml

    Questões

    1. O texto revela um componente cultural na competitividade do trabalhador chinês? Justifique.

    2. É possível identificar, no texto, contradições no comunismo vivido na sociedade chinesa? Justifique.

    Prof. Luciano Mannarino

  • Barco afunda no Senegal, e 140 morrem no naufrágio de imigrantes mais letal do ano

    Barco afunda no Senegal, e 140 morrem no naufrágio de imigrantes mais letal do ano

    Embarcação com 200 pessoas que tentavam chegar às ilhas Canárias pegou fogo antes de submergir

    29.out.2020 às 16h32

    Ana Estela de Sousa Pinto

    BRUXELAS

    Ao menos 140 pessoas morreram afogadas no mais letal acidente com imigrantes deste ano, na costa do Senegal, segundo a OIM (agência da ONU para imigrações).

    O barco, com cerca de 200 pessoas a bordo, pegou fogo e virou perto de Saint-Louis, na costa noroeste do país africano. Os imigrantes tentavam chegar às ilhas Canárias, arquipélago espanhol que fica na altura do litoral marroquino.

    Segundo a OIM, pescadores e embarcações das marinhas senegalesa e espanhola resgataram 59 pessoas e recuperaram os restos mortais de outras 20.

    O acidente se segue a quatro outros naufrágios registrados no Mediterrâneo na semana passada e um no canal da Mancha, que matou um casal e dois de seus filhos, de 9 e 5 anos —um bebê ainda está desaparecido.

    Imigrantes resgatados de vários barcos nas ilhas Canárias, arquipélago espanhol que fica na costa africana – Desiree Martin – 25.out.2020/AFP

    “Apelamos à unidade entre governos, parceiros e a comunidade internacional para desmantelar as redes de tráfico e contrabando que tiram partido da juventude desesperada”, disse Bakary Doumbia, chefe da missão da OIM no Senegal.

    Há um mês, a Comissão Europeia (Poder Executivo do bloco) apresentou sua proposta de nova política de imigração para a UE, que tem como um dos pilares combater os coiotes que cobram pelo transporte ilegais de imigrantes.

    Migrantes aguardam em base naval em Trípoli (Líbia) após resgate da guarda costeira
    Migrantes aguardam em base naval em Trípoli (Líbia) após resgate da guarda costeira Ismail Zitouny /Reuters

    Segundo a agência da ONU, o número de embarcações de imigrantes que deixam o oeste da África Ocidental em direção às Ilhas Canárias aumentou muito neste ano. A estimativa é de 11 mil chegadas ao arquipélago espanhol neste ano, quatro vezes as 2.557 do mesmo período do ano passado.

    Somente em setembro, 14 barcos transportando 663 migrantes deixaram o Senegal para o arquipélago espanhol. A OIM diz que ao menos um quarto das viagens é interrompido por naufrágio ou algum outro incidente.

    Com esse caso recente, são ao menos 414 as pessoas que morreram ao longo dessa rota desde janeiro, de acordo com o Projeto de Migrantes Desaparecidos. No ano passado, foram 210 mortes.

    www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/10/ao-menos-140-morrem-no-mais-letal-naufragio-de-imigrantes-do-ano.shtml

    Questão

    1. Aponte um motivo para esse fluxo de imigrantes.

    2. O que são “coiotes”?

    3. Qual seria o principal destino dessa migração?

    Prof Luciano Mannarino

  • Seca severa no Pantanal deve durar cinco anos, afirma secretário nacional de Defesa Civil

    Seca severa no Pantanal deve durar cinco anos, afirma secretário nacional de Defesa Civil

    Participando na mesma audiência no Senado, presidente do Ibama disse que órgão trabalha no limite

    30.set.2020 às 16h00Atualizado: 30.set.2020 às 19h07

    Renato Machado BRASÍLIA

    As condições de estiagem na região do Pantanal, um dos fatores para as queimadas que devastam o bioma, devem permanecer por mais cinco anos, estima a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

    A previsão foi passada pelo próprio secretário Alexandre Lucas Alves, durante audiência pública na Comissão do Senado que acompanha as queimadas e ações para combate aos incêndios no Pantanal, nesta quarta-feira (30).

    Alves explicou que as queimadas neste ano na região do Pantanal se devem principalmente a uma “situação excepcional de estiagem”.

    “A situação excepcional de estiagem supera a capacidade de preparação dos pantaneiros e das instituições públicas que trabalham na prevenção dos incêndios locais. Eu imagino que a estiagem deste ano supere a capacidade de gestão do fogo, mesmo o permitido no caso daquelas pessoas que trabalham com o fogo, que usam o fogo como instrumento de produção”, afirmou.

    Voluntário combate incêndio e tenta proteger ponte de madeira da Transpantaneira, em Mato Grosso
    Voluntário combate incêndio e tenta proteger ponte de madeira da Transpantaneira, em Mato Grosso Mauro Pimentel/AFP

    “Entendemos também que a educação para o uso do fogo, como diz o professor Paulo, tem de ser implementada como forma de prevenção, levando em consideração a previsão dos institutos de meteorologia de mais cinco anos nessa situação. E aí eu quero desafiar a academia e todos os integrantes do sistema nacional de defesa civil para incêndios florestais a nos unirmos para estabelecer quais são as ações e quais são as metodologias e as tecnologias disponíveis para os próximos cinco anos”, afirmou.

    “A exceção dessa seca, e a situação para os próximos cinco anos, é um desafio, senador, sobre o qual nós temos que nos debruçar, não só após vencermos esse desafio agora desse incêndio, mas para os próximos que virão, dado que as mesmas condições, pelo que nos parece, serão colocadas”, completou.

    O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) vem defendendo o uso do “fogo frio”, técnica usada para retirar o oxigênio da vegetação e assim evitar a propagação de incêndios. Salles afirma que essa técnica não é adotada por questões de ideologia.

    Cinzas de uma arvore totalmente queimada marcam um pasto devastado pelo incêndio que atingiu a fazenda São Francisco, do pecuarista Pedro Oliveira Rodrigues, no município de Santo Antonio de Leverger.
    Cinzas de uma arvore totalmente queimada marcam um pasto devastado pelo incêndio que atingiu a fazenda São Francisco, do pecuarista Pedro Oliveira Rodrigues, no município de Santo Antonio de Leverger. Lalo de Almeida/Folhapress

    Também presente na audiência, o presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Eduardo Fortunato Bim, também apontou para a estiagem como o principal motivo para as queimadas. Bim também voltou a falar que seu órgão trabalha no limite orçamentário.

    “O Ibama trabalha no seu limite de capacidade orçamentária. A gente fez o remanejamento de servidores do Refogo para a região do Pantanal. Obviamente que, para mandar mais, a gente precisa de um suporte logístico local. A gente tem uma trava logística, não é só uma questão de números; eu não posso tirar brigadistas do País inteiro e mandar para o Pantanal”, disse.

    “Embora eu tenha mandado brigadistas do País inteiro para o Pantanal, eu não posso tirar todos, porque eu tenho as demandas locais também, há deficiências locais em outros lugares do País, em outros biomas também ameaçados.”

    Bim, no entanto, evitou fazer críticas por conta de recursos escassos para o seu órgão.

    “O orçamento é um ato conjunto do poder Executivo e do Poder Legislativo, então, é claro que, quando se diz que falta dinheiro, não falta dinheiro para as situações emergenciais que aparecem”, completou, ao responder um questionamento da senadora Simone Tebet (MDB-MS), sobre falta de recursos e sobre falta de transparência nas multas aplicadas para crimes ambientais.

    Bim apenas informou que as multas e autos de embargos são postados no site do órgão e disse que enviaria a relação para a parlamentar.

    O presidente do Ibama também culpou a pandemia pelas queimadas na região do Pantanal, argumentando que não houve tempo hábil para o treinamento de brigadistas.

    “A situação foi extremamente atípica. A gente trabalha de uma maneira preventiva, também dando treinamento para as brigadas, e esse treinamento é importante. Como eu disse, trabalhar com fogo, para apagar fogo, não é uma atividade trivial”, disse Eduardo Bim.

    “A gente teve um revés este ano, por causa da pandemia, atrasou um pouco [a contratação de brigadistas]. Tivemos um pouco de perda em relação ao treinamento preventivo, uma prática que a gente faz todo o ano. O PrevFogo [unidade do Ibama] não aparece só quando o fogo está pegando na vegetação. Ele faz um trabalho preventivo, educacional, o ano inteiro, justamente para poder evitar que incêndios criminosos aconteçam, incêndios acidentais aconteçam e, acontecendo esse tipo de incêndio, ou práticas culturais, você possa combater o fogo da melhor maneira possível”, completou.

    Bim afirma que foram contratados neste ano 1.485 brigadistas para atuar em todo o país.

    O presidente do Ibama também acrescentou que, apesar da grande destruição provocada pelas queimadas, o órgão aprendeu com a experiência para não deixar isso “nunca mais acontecer”.

    “Nesse cenário, vai ser criado um manual de aprendizado para isso nunca mais acontecer, para a gente trabalhar de uma maneira mais preventiva, de uma maneira mais pesadamente preventiva junto à sociedade local para isso”, completou.

    Pouco antes da audiência, em sessão deliberativa, a comissão aprovou convite para o ministro Ricardo Salles comparecer e explicar as ações de enfrentamento às queimadas no Pantanal.

    “Quero agradecer a aprovação dos meus requerimentos. Um deles foi o convite ao ministro Ricardo Salles, que acaba de ser aprovado, para que ele venha conversar conosco, venha dialogar. O ministro sempre foi muito aberto, uma pessoa muito fácil de lidar. Por isto fiz questão de que possamos ouvi-lo o quanto antes, justamente para dirimir essas dúvidas. Eu sei que ele virá com muita facilidade”, afirmou a autora do requerimento, senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), indicando que o ministro não deve encarar um ambiente muito hostil na audiência, caso compareça.

    Prof. Luciano Mannarino

  • A Europa entre ser jogador ou gramado na disputa dos grandes

    Autonomia da UE significa margem de manobra para o resto do mundo na rivalidade China-EUA

    22.out.2020 às 23h15

    A União Europeia (UE) tem uma opção a fazer. Ou será um jogador ou será o gramado em que outros jogarão. Foi esta a mensagem do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, em dezembro de 2019, quando falava do renascimento da competição estratégica no cenário internacional. Mencionou a China, mas não apenas ela.

    O ano de 2019 marcou mudança de tom da UE em relação a Pequim. Pela primeira vez, a Comissão Europeia passou a tratar a China também como um rival sistêmico. O rótulo impressiona, mas não resolve.

    É difícil para a UE definir o que quer da China em função de diferentes tensões —e todas elas se tornaram mais agudas com a pandemia.

    Até 24,7 milhões de trabalhadores podem perder o emprego em todo o mundo por causa da pandemia de coronavírus, afirmou a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
    Até 24,7 milhões de trabalhadores podem perder o emprego em todo o mundo por causa da pandemia de coronavírus, afirmou a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Rivaldo Gomes/Folhapress

    1) Há uma tensão entre valores e interesses na maneira como a UE vê a China.

    Ao mesmo tempo, são vultosos os interesses europeus na China, que avança rumo ao topo do podium da economia mundial. O comércio bilateral supera US$ 1 bilhão por dia. Uma pesquisa da Câmara de Comércio da UE na China em fevereiro deste ano revelou que 89% das empresas europeias não estão considerando reorientar investimentos da China para outros mercados.

    Muitas empresas vieram em função dos trabalhadores —mas ficaram por causa dos consumidores. Se a mão de obra barata era o incentivo inicial, hoje o mercado chinês, e sua classe média crescente, fazem a diferença. Na China desde 1978, a Volkswagen vende mais carros aqui do que em toda Europa ocidental.

    Além disso, a UE precisa do engajamento chinês em outros temas que lhe são caros, como mudança climática e multilateralismo comercial. Rifar os chineses não ajuda a avançar essas agendas —ao contrário.

    Lado a lado as bandeiras da China e da União Europeia
    Lado a lado as bandeiras da China e da União Europeia – Jason Lee-25.jun.2018/Reuters

    2) Há tensão entre as necessidades de países membros e a visão de Bruxelas.

    Pressionados pela crise, governos nacionais buscam investimentos para promover recuperação econômica e modernização de infraestrutura.

    Enquanto isso, a Comissão preocupa-se com a influência da China sobre economias da região. Atua para reforçar o controle sobre investimentos estrangeiros com base no argumento de segurança nacional.

    No ano passado, quando a Itália se juntou à Nova Rota da Seda, Bruxelas torceu o nariz.

    3) Há obviamente a tensão gerada pelos interesses americanos, que nem sempre coincidem os europeus a respeito da China. 

    A Europa sabe que agenda anti-China dos EUA, aliados históricos, não é exatamente o caminho que deve seguir.

    Propriedade intelectual: esse capítulo do documento trata basicamente de questões relativas a fórmulas, processos e padrões que são utilizados por negócios para obter vantagem sobre a concorrência e que podem ser considerados confidenciais. Também engloba propriedade intelectual relacionada a produtos farmacêuticos, indicação geográfica de um bem ou serviço, marcas registradas e coação contra produtos pirateados e falsificados

    Propriedade intelectual: esse capítulo do documento trata basicamente de questões relativas a fórmulas, processos e padrões que são utilizados por negócios para obter vantagem sobre a concorrência e que podem ser considerados confidenciais. Também engloba propriedade intelectual relacionada a produtos farmacêuticos, indicação geográfica de um bem ou serviço, marcas registradas e coação contra produtos pirateados e falsificados.

    Na esteira da pandemia, a percepção sobre a China em vários países europeus despencou, segundo o Pew Research Center. 71% do alemães e 70% do franceses teriam hoje visão desfavorável da China.

    À medida que a Europa mergulha numa segunda onda de casos de Covid-19 e que a China exibe autoconfiança e recuperação econômica, o ressentimento pode crescer. O contraste de uma Europa que desce e uma China que sobe exacerba tensões.

    Se, como diz Borrell, a UE tem escolhas a fazer, a China também as tem. Suas habilidades político-diplomáticas serão postas à prova. Os chineses podem ter moderado o tom, mas é cedo para dizer que acertaram a mão. A tentação do discurso triunfalista está sempre à espreita.

    Os europeus, por sua vez, precisam assegurar sua autonomia estratégica e fazer bom uso dela. A postura da UE diante da China e das tensões entre Pequim e Washington importa não apenas para o bloco, mas para todo o mundo.

    A atuação da UE ajudará a definir a margem de manobra os demais países terão para navegar a competição geopolítica entre as duas grandes potências.

    Tatiana Prazeres – Senior fellow na Universidade de Negócios Internacionais e Economia, em Pequim, foi secretária de comércio exterior e conselheira sênior do diretor-geral da OMC.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tatiana-prazeres/2020/10/a-europa-entre-ser-jogador-ou-gramado-na-disputa-dos-grandes.shtml

    Prof Luciano Mannarino