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  • EUA, Japão, Austrália e Índia desafiam China e prometem Indo-Pacífico livre e aberto

    Encontro de chanceleres do grupo Quad tem retórica agressiva puxada por Mike Pompeo

    Igor Gielow

    SÃO PAULO

    Estados Unidos, Japão, Austrália e Índia fizeram uma demonstração de força contra a China durante encontro de seus ministros de Relações Exteriores em Tóquio.

    Eles formam o chamado Quad, sigla inglesa pra Diálogo de Segurança Quadrilateral, grupo que foi ressuscitado em 2017 para buscar criar o que a China já chamou de “mini-Otan” no Pacífico, aludindo à aliança militar americana na Europa contra os soviéticos e, depois, os russos.

    Da esq. para a dir., os chanceleres Subrahmanyam Jaishankar (Índia), Marise Payne (Austrália), Pompeo (EUA) e Motegi (Japão), no encontro do Quad em Tóquio
    Da esq. para a dir., os chanceleres Subrahmanyam Jaishankar (Índia), Marise Payne (Austrália), Pompeo (EUA) e Motegi (Japão), no encontro do Quad em Tóquio – Kiyoshi Ota/AFP

    Os ministros prometeram tomar medidas concretas para manter a região do Indo-Pacífico “livre e aberta”, um recado direto às pretensões em curso de Pequim, de controlar 85% do mar do Sul da China, sua principal saída comercial com o mundo.

    Não houve, contudo, a temida provocação por parte do mais belicoso dos chanceleres, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, com uma inédita visita surpresa a Taiwan, que a China considera uma ilha rebelde.

    Pompeo foi quem tomou a frente em termos de retórica. “Como parceiros, é mais crítico agora do que nunca que nós colaboremos para proteger nossos povos da exploração, corrupção e coerção do Partido Comunista Chinês. Nós as vemos nos mares do Sul e do Leste da China, no Mekong, nos Himalaias, no estreito de Taiwan”, afirmou.

    O secretário buscou efeito midiático máximo no momento em que seu chefe está atrás nas pesquisas da corrida eleitoral, que acaba em 3 de novembro. O tema China sempre catalisou apoio para Donaldo Trump.

    Mas não é só isso. A fala seguiu o tom usual do secretário, visto como um dos principais “falcões” da Guerra Fria 2.0 proposta por Trump ao chegar ao poder em 2017.

    O próprio Quad, que agora terá reuniões anuais de seus ministros, é resultado dessa nova realidade. Ele existiu brevemente em 2007, mas acabou por falta de apetite dos membros em confrontar a China. Foi reanimado.

    China celebra 70 anos da Revolução Comunista

    O líder chinês Xi Jinping desfila em carro aberto
    O líder chinês Xi Jinping desfila em carro aberto Thomas Peter/Reuters

    Neste 2020, o cenário é particularmente mais complexo, ainda que o risco de guerra ampla seja considerado baixo. A Índia, que sempre viu o grupo como uma forma de pressionar a China em suas negociações comerciais, está efetivamente do lado dos EUA desde que houve os embates citados por Pompeo nos Himalaias.

    Nova Déli e Pequim disputam fronteira naquela região e montaram uma escalada militar, ora congelada com mediação de Moscou, depois que escaramuças deixaram dezenas de mortos em junho.

    Já a Austrália tomou a frente das críticas aos chineses pela condução inicial da pandemia do novo coronavírus, surgida em Wuhan. Hoje isso é uma pedra de toque da administração Trump, e mesmo nesta terça Pompeo voltou a falar no “vírus chinês”.

    “Seja em direitos humanos individuais, economias de mercado, combatendo desinformação ou construindo maior resiliência em nossas cadeias produtivas, nossos valores e interesses comuns significam que dividimos uma visão de um Indo-Pacífico livre, aberto e próspero”, escreveu no Facebook a chanceler australiana, Marise Payne, depois do encontro.

    A Índia foi menos assertiva em sua mensagem, mas o tom mais frio veio por parte dos anfitriões. O governo do premiê Yoshihide Suga acaba de assumir, e ele irá receber o chanceler chinês neste mês.

    Testando ainda o terreno, o chanceler japonês, Toshimitsu Motegi, não citou a China em sua fala inicial, ainda que relatos posteriores indiquem que a questão das ilhas que Pequim reivindica para si hoje sob controle de Tóquio foi discutida.

    Nos últimos anos, o antecessor de Suga, Shinzo Abe, promoveu uma ativa remilitarização do Japão, país de conturbado passado expansionista e forte tendência pacifista.

    Navios da Marinha japonesa, com o destróier Kurama à frente, durante parada ao sul de Tóquio
    Navios da Marinha japonesa, com o destróier Kurama à frente, durante parada ao sul de Tóquio – Toru Hanai – 18.out.2015/Reuters

    Pompeo foi embora do Japão, tendo encurtado o que seria uma visita à Mongólia e à Coreia do Sul, o que ensejava o temor de uma “esticadinha” em Taiwan entre os chineses. Ele retornou devido ao diagnóstico de Covid-19 de Trump.

    Desde agosto, duas autoridades americanas estiveram na ilha, o que implica um reconhecimento diplomático que não existe no papel —EUA e China têm relações desde 1979.

    A reação chinesa seria inevitável, na forma de alguma demonstração de poderio militar no estreito de Taiwan, o que sempre pode sair do controle.

    O encontro desta terça também abriu o caminho para que a Austrália faça parte dos exercícios militares navais anuais que unem Índia e EUA desde 1992 e, a partir de 2015, integraram também o Japão.

    Chamadas de Malabar, as manobras atuam em áreas de interesse estratégico da China. Observando um mapa, a posição dos membros do Quad explicita um cerco geopolítico que Pequim não tem como deixar de notar, apesar das declarações minimizando a eficácia do grupo por parte da chancelaria chinesa.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/10/eua-japao-australia-e-india-desafiam-china-e-prometem-indo-pacifico-livre-e-aberto.shtml

    Questões

    1. Por que o governo chinês chama o Quad de mini-OTAN?

    2. Explique a permanente tensão entre a China e a Ilha de Formosa.

    3. O seria a Guerra Fria 2.0?

    4. A remilitazação do Japão é apoiada pelos EUA? Justifique.

    Prof Luciano Mannarino

  • Armênia rejeita mediação de Putin, e conflito piora com Azerbaijão

    Armênia rejeita mediação de Putin, e conflito piora com Azerbaijão

    Russo atua com contenção e evita apoio ao aliado igual ao dado pela Turquia a Baku

    30.set.2020 às 9h32

    SÃO PAULO

    Igor Gielow

    A Armênia descartou uma mediação russa no conflito com o Azerbaijão, que entrou no quarto dia com alguns dos combates mais duros entre os dois países nesta crise.

    “Não é muito apropriado falar de uma reunião entre Armênia, Azerbaijão e Rússia enquanto há hostilidades intensas”, disse nesta quarta (30) a jornalistas russos o premiê Nikol Pashinyan.

    Azeri chora sobre caixão de soldado que teria sido morto em combate com armênios, no distrito de Beylagan
    Azeri chora sobre caixão de soldado que teria sido morto em combate, no distrito de Beylagan – Tofik Babaiev/AFP

    A frase veio um dia depois de ele conversar ao telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, pela segunda vez desde domingo, quando os ataques começaram na disputada região de Nagorno-Karabakh.

    Ela explicita o incômodo com a posição de cautela do Kremlin em relação a seus aliados armênios, que contrasta com os tambores de guerras tocados na Turquia de Recep Tayyip Erdogan para estimular seus protegidos azeris.

    “Estamos juntos com o Azerbaijão na mesa de negociação e no campo de batalha. Essas não são palavras vazias”, disse também nesta quarta à agência turca Andalu o chanceler do país, Mevlut Cavusoglu.

    Os motivos de Putin são claros. Primeiro, ele não quer antagonizar-se explicitamente com Erdogan, com quem divide parcerias e rivalidades, para não abrir uma frente de turbulência em sua fronteira sul ao mesmo tempo em que lida com a crise no flanco oeste, na sua turbulenta aliada Belarus.

    Segundo, Putin não gosta de Pashinyan, que chegou ao poder em 2018 após a queda de um amigo pessoal e aliado, Serzh Sargsyan. Moscou, diferentemente do que ocorreu por exemplo na Ucrânia em 2014, manteve boas relações com a Armênia, mas há desconfiança mútua.

    Tensão entre Armênia e Azerbaijão escala com novos conflitos

    Imagem mostra suposta destruição de tanques de guerra do Azerbaijão por forças Armênias
    Imagem mostra suposta destruição de tanques de guerra do Azerbaijão por forças Armênias HANDOUT/Ministério de Defesa da Armênia – 27.set.2020/AFP

    No fim da tarde, em Moscou, o Ministério das Relações Exteriores reafirmou que quer sediar conversas entre os chanceleres armênio e azeri sobre a crise.

    Analistas russos veem o movimento de Putin como uma forma de aumentar a dependência dos armênios caso a crise escale ainda mais.

    Afinal de contas, Moscou tem uma base militar grande, equipada com tanques, baterias antiaéreas e 18 caças MiG-29 em Gyumri, leste armênio. Herança dos tempos em que toda a região fazia parte da União Soviética, o local abriga 3.000 soldados.

    Moscou e Ierevan têm um pacto militar segundo o qual os russos se comprometem a proteger os armênios de agressões externas, mas Pashinyan afirmou que não lançará mão disso agora.

    Além disso, o armênio ligou nesta manhã para o presidente do Irã, Hassan Rouhani, para falar sobre a crise e o papel da Turquia.

    Teerã apoia tacitamente Ierevan, por sua rivalidade com os turcos e por temer separatismo de sua grande minoria azeri, cerca de 25% da população. Mas mantém laços com o Azerbaijão, país também de maioria muçulmana xiita.

    Enquanto isso, o conflito aumentou em intensidade nessa quarta. Em Nagorno-Karabakh, os armênios étnicos que governam o encrave em território azeri lançaram uma contra-ofensiva para buscar recuperar áreas perdidas desde o domingo.

    Segundo os ministérios da Defesa de ambos os países, os engajamentos ocorreram ao longo de toda a Linha de Contato, a fronteira do cessar-fogo de 1994 que suspendeu precariamente dois anos de guerra entre Armênia e Azerbaijão sobre o controle da região.

    Destroços do que seria um jato Su-25 derrubado na terça-feira na Armênia
    Destroços do que seria um jato Su-25 derrubado na terça-feira na Armênia – Armenian Unified Infocenter/via Reuters

    Como é a praxe desde o começo do conflito, as informações são contraditórias e alimentadas por relatos esparsos de redes sociais —mais eficazes e loquazes na Armênia, enquanto os azeris seguem a cartilha autocrática de seu líder, Ilham Aliyev.

    Baku afirmou ter destruído uma bateria antiaérea S-300, de fabricação russa, do Exército da Armênia que teria sido colocada em Martuni, em Nagorno-Karabakh.

    Já Ierevan divulgou fotos do que considera prova da interferência turca no conflito, os destroços de um jato Su-25 que foi abatido na terça segundo os armênios pelo disparo de um F-16 de Ancara em espaço aéreo azeri. A Turquia nega.

    Os relatos de F-16 turcos na região seguiram nesta quarta. Segundo o Ministério da Defesa em Baku, os ataques armênios foram neutralizados, e o número de tanques destruídos somou 130 desde domingo.

    O governo de Aliyev também disse que mais sete civis azeris foram feridos por bombardeios de artilharia armênia fora de Nagorno-Karabakh, o que Ierevan nega.

    Com tudo isso, o número de vítimas do conflito segue nebuloso, na casa de cem mortos e centenas de feridos. Imagens divulgadas na mídia estatal azeri mostravam soldados em caixões, mas não há um número oficial de baixas.

    Baku disse ter “neutralizado” 2.300 soldados separatistas em Karabakh, enquanto o governo local falava em 84 mortes até a terça.

    A região, chamada de República de Astrakh por Ierevan, era uma área autônoma do Azerbaijão soviético, de maioria armênia. Nos anos 20, antes de virar ditador da União Soviética, o georgiano Josef Stálin cuidou da divisão territorial do Cáucaso sob domínio comunista.

    Num paralelo com o cuidado de Putin agora, Stálin manteve Kharabak nominalmente dentro da área comandada por Baku para aplacar os turcos, que formavam então sua república das cinzas do Império Otomano derrotado na Primeira Guerra Mundial.

    Como o presidente russo, o futuro ditador queria estabilizar uma das mais importantes regiões da nascente União Soviética, historicamente suscetível a invasões.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/09/armenia-rejeita-mediacao-de-putin-e-conflito-piora-com-azerbaijao.shtml

    Questões

    1. A tensão guarda relação com a dissolução da antiga Ex URSS? Justifique.

    2. Qual a importância que a região tem para o setor energético?

    3. A Armênia e o Azerbaijão são considerados países “transcontinentais”. O que isso significa?

    Prof. Luciano Mannarino

  • Brasil foca em soja e milho para exportação, e arroz e feijão perdem espaço…

    Brasil foca em soja e milho para exportação, e arroz e feijão perdem espaço…

    Bruno Cirillo

    Colaboração para o UOL, em São Paulo

    Atualizada em 27/09/2020 07h10

    Nos últimos 20 anos, as culturas agrícolas voltadas para exportação, como soja e milho, cresceram exponencialmente, enquanto as plantações de itens da cesta básica, como arroz e feijão, tiveram expressivas reduções de área. Essa mudança no perfil da agricultura brasileira ajuda a explicar as recentes altas no preço dos alimentos, de acordo com especialistas.

    Nos anos 2000, o arroz ocupava 3,2 milhões hectares de área plantada no Brasil; a estimativa para a safra atual é de 1,6 milhão de hectares, metade do que era plantado. Já a soja, que ocupava 13,9 milhões de hectares há duas décadas, atingiu 36,9 milhões de hectares neste ano, expansão de 165%. O mesmo acontece nas culturas do feijão (redução de 76,5%) e do milho (alta de 143%), segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    Expansão das exportações agrícolas

    “A partir de 2000, as exportações de soja e milho começaram a deslanchar”, observa o pesquisador da Embrapa Elisio Contini.

    Para o coordenador do índice de preços da FGV, André Braz, a atratividade do mercado externo provoca uma mudança no comportamento do produtor brasileiro, que acaba dando preferência às commodities.

    O incentivo para produzir arroz e feijão não é grande. O espaço para exportação de milho e soja é maior, remunera mais e, com a desvalorização do real, acaba sendo ainda mais vantajoso. No momento em que outras culturas pagam menos, é natural que o uso da terra seja voltado às commodities.
    André Braz, coordenador do índice de preços da FGV

    O especialista não vê risco de desabastecimento, mas considera que a alta de preços de produtos da cesta básica é uma tendência que deve continuar. Isto somado à situação econômica do país é preocupante, segundo Braz.

    O maior risco, numa recessão, é a falta de emprego. Ainda que o preço dos produtos suba, se você tem renda, consegue driblar o aumento. Se não tem renda, a qualquer nível de preço, o produto fica caro.
    André Braz, coordenador do índice de preços da FGV

    Produtor do RS trocou arroz por soja

    Na região da Campanha Gaúcha, o produtor Paulo Lederes plantava 1.500 hectares de arroz há quinze anos. Quando iniciou a produção de soja, foi deixando paulatinamente a rizicultura. Em 2005, passou a produzir mais soja que arroz e, nesta safra, está plantando 900 hectares de soja e um décimo (150 hectares) do que plantava de arroz.

    Em razão dos altos custos de produção, baixos preços das safras e problemas de crédito, migramos para a soja.
    Paulo Lederes, produtor agrícola de São Gabriel (RS)

    “A soja não tem volta, cada ano cresce de dez a quinze hectares na região”, diz o produtor de São Gabriel (RS).

    O município está plantando 21 mil hectares de arroz (30% a menos do que no ano passado) e 140 mil hectares de soja neste ano, seguindo uma tendência que tem sido averiguada nos últimos anos, de crescimento de uma cultura sobre a outra.

    Soja oferece vantagens financeiras ao produtor

    Lederes lembra que, nos últimos anos, sete indústrias de soja chegaram à região, financiando a cultura.

    A soja tem a venda garantida através de preços fixados no mercado futuro (Bolsa de Chicago), além da troca de parte da produção pelos insumos necessários ao plantio (sementes, fertilizantes e defensivos).

    No caso do arroz, os produtores conseguem, no máximo, um empréstimo das indústrias, com preço negociado entre ambos, mas sem poder usufruir da garantia do preço futuro de uma Bolsa de commodities para a época da colheita.

    O arroz não tem garantia de preço, vale bem menos a pena.
    Paulo Lederes, produtor agrícola de São Gabriel (RS)

    Mais de 60% da soja e 30% do milho produzidos no Brasil são exportados, principalmente para a China, puxando as vendas internacionais do agronegócio brasileiro. Desde janeiro do ano passado, 60 novos mercados foram abertos para os produtos agrícolas brasileiros.

    “A rentabilidade da soja aumentou muito com as exportações para a China. As indústrias passaram a remunerar melhor o produtor”, comenta Lederes.

    Menos feijão no Paraná

    À frente da produção de sementes de feijão feita por vinte cooperados no Oeste do Paraná, o produtor Airton Cittolin, de Cascavel (PR), observa que os 28 municípios paranaenses devem produzir 30% a menos do grão nesta safra.

    A produção vai diminuir porque o preço da soja e do milho subiu muito. O feijão é uma cultura que oscila muito de preço, então o pessoal opta pelas culturas mais seguras.
    Airton Cittolin, produtor agrícola de Cascavel (PR)

    Embora as sacas de feijão preto e carioca estejam valendo R$ 250 e R$ 280, enquanto a da soja seja vendida a R$ 120, a garantia de venda da soja ainda compensa mais o produtor do que o feijão.

    A soja tem liquidez na hora, muitos lugares que recebem –é dólar na mão. Já o feijão tem pouco comprador, depende muito da qualidade e só paga em 30 dias.
    Airton Cittolin, produtor agrícola de Cascavel (PR)

    O economista Marcelo Garrido, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná, informa que, em dez anos, a área plantada de feijão encolheu 92% no Paraná. No mesmo período, a soja cresceu 3,9%, para 995 mil hectares: “Para o Paraná, é uma expansão considerável porque não temos terra nova para plantio — a área agrícola está esgotada”.

    Garrido observa que o movimento se repete em boa parte do país. “Nos últimos anos, a soja tem ganhado muita área em cima das culturas menores, em função de preço e liquidez. A soja é a cultura com mais rentabilidade, não depende do mercado interno. O feijão depende do mercado interno e é muito sensível ao clima”, compara.

    Área caiu, mas produtividade aumentou

    “Existe, de fato, uma substituição de culturas no Brasil. O Rio Grande do Sul perdeu muita área de arroz e foi para a soja, entre outras culturas. No arroz, em específico, a área decresceu 41% em dez anos, mas a produtividade aumentou 38%, compensando a queda. O consumo de arroz caiu 6%, enquanto a produção cresceu 5% nos últimos cinco anos”, pondera o superintendente de gestão de oferta da Conab, Alan dos Santos.

    O especialista observa um movimento parecido com o feijão, que teve queda de 27% na área plantada nos últimos dez anos, mas crescimento de 18% na produtividade —queda de 13% na produção. Em uma década, o consumo do grão caiu de 3,6 milhões para 3,2 milhões de toneladas no Brasil. “São produtos básicos da alimentação brasileira, complementares, e seguiram tendências parecidas”, observa Santos.

    Falta política pública para segurança alimentar?

    Os especialistas afirmam que não existe risco para a segurança alimentar —uma responsabilidade da Secretaria de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura (Mapa), que não se manifestou até a publicação da reportagem.

    O maior desastre seria faltar produto. Mas isso, a meu ver, não vai acontecer.
    Elisio Contini, pesquisador da Embrapa

    Segundo ele, o governo trabalha com estoques estratégicos, taxas de importação menores, incentivos à produção e oferta de crédito para garantir o abastecimento interno.

    A política agrícola estimula a oferta de bens básicos, como o arroz e feijão. Isso tem garantido a oferta nacional. Houve crises de preço em 2011 e 2018, e a política de preço mínimo garantiu a permanência de produtores na cultura –para evitar a substituição de culturas e dependência externa.
    Alan dos Santos, superintendente de gestão de oferta da Conab

    Há 30 anos no setor privado, o analista Carlos Cogo, que já trabalhou na Conab, discorda dos colegas do setor público.

    O Brasil não tem política agrícola. O Brasil tem bombeiro que vai lá e apaga fogo quando tem um problema grave, como aconteceu agora no caso do arroz.
    Carlos Cogo, ex-Conab e diretor da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

    Ele lembra que o governo decidiu zerar as tarifas de importação do arroz quando os preços da saca já haviam batido R$ 40 nos supermercados.

    Cogo lembra que há muito tempo a política de estoques públicos, empregada quando falta produto ou os preços estão muito baixos, vem sendo abandonada pelo governo. “A Conab não tem mais estoque público já faz um tempo, só tem estoque residual de milho. Não tem mais nada de trigo e arroz. Por isso não houve intervenção com leilões de estoques no caso do arroz”, observa.

    O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc/Senar-SC), José Zeferino Pedrozo, lembra que, apesar da alta no preço do arroz neste ano, a cultura vem causando prejuízos há muitas safras para os produtores, agravados pela ausência de instrumentos de política agrícola.

    É justo assinalar que os arrozeiros amargaram muitos anos de prejuízos e que os ganhos deste ano não repõem as perdas do passado.
    Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina

    “Aqui em Santa Catarina se fala em manter os dois mercados, nacional e internacional”, relativiza o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro-SC), Ivan Ramos, à frente de dez cooperativas e o frigorífico Aurora. “Houve uma diminuição na área plantada de arroz, nos últimos anos, em função de preço. O pessoal está migrando bastante para fruticultura”, comenta o representante.

    https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/09/27/alimentos-commodities-seguranca-alimentar-brasil.htm

    Questões

    1. As culturas de exportações têm um papel fundamental em nossa balança comercial? Justifique.

    2. Qual a importância da Embrapa na produção de alimentos no Brasil? (pesquisa)

    3. De que forma é possível aumentar a produtividade sem avançar sobre novas áreas agrícolas?

    4. O Brasil é um dos principais exportadores de alimentos do mundo, no entanto vem apresentando problemas de abastecimento interno. Explique essa contradição.

    5. Aponte impactos ambientais ligados a produção agropecuária brasileira.

    Professor Luciano Mannarino.

  • A organização indispensável

    A organização indispensável

    Sem meios financeiros próprios, sem poder e armas, a ONU será o que os países membros querem que ela seja

    Rubens Ricupero

    Se não existisse, a ONU teria de ser inventada. Ela garantiu ao mundo 75 anos sem nova guerra mundial, sem que a bomba atômica voltasse a ser utilizada contra a população civil como em Hiroshima. Teve flexibilidade para acomodar a ascensão meteórica da China, inclusive seu ingresso como membro permanente do Conselho de Segurança.

    Sem a ONU, é difícil imaginar que a dissolução da União Soviética ou o fim do apartheid na África do Sul teriam ocorrido sem um banho de sangue, embora outras razões tivessem concorrido para isso.

    Fundada por 51 membros originais, ela tem hoje 193 integrantes. É a primeira vez na história da humanidade que uma organização internacional atinge a universalidade. Boa parte dos membros adicionais eram colônias, cujo processo de independência na Ásia, África, Oriente Médio e Caribe constituiu uma das maiores realizações da ONU.

    Bandeiras hasteadas em frente à sede da ONU, em Nova York
    Bandeiras hasteadas em frente à sede da ONU, em Nova York – Wang Ying – 15.set.20/Xinhua

    Deve-se em boa parte ao esforço de liderança da ONU os avanços nos quatro principais vetores da evolução da consciência moral da humanidade: os direitos humanos, o meio ambiente, a igualdade entre mulheres e homens e a promoção do desenvolvimento para “todos os homens e o homem como um todo”.

    São centenas as convenções negociadas no contexto da ONU para garantir direitos, minorias, proteger crianças, migrantes, pessoas com deficiência, proibir guerras, agressões, tortura, discriminação social, lutar contra o aquecimento global. Graças à ONU dispomos das Metas de Desenvolvimento Sustentável que definem com datas e cifras as principais aspirações humanas.

    Quantos milhões de pessoas teriam perecido sem o trabalho da ONU para refugiados, o fornecimento de alimentos em zonas de fome, a assistência às crianças feita pela Unicef, a reconstrução após desastres naturais, após o genocídio do Camboja, as operações de paz após as guerras civis no Congo, Sudão, Haiti, na Palestina?

    Como se poderia combater pandemias sem a Organização Mundial da Saúde? Assegurar direitos a trabalhadores e sindicatos sem a Organização Internacional do Trabalho? Evitar a proliferação de armas nucleares sem a Agência Internacional de Energia Atômica? Ou o combate a drogas e crime organizado sem a organização da ONU em Viena?

    O mais próximo a que chegamos de um parlamento mundial é o fornecido pela ONU e suas agências especializadas. É nele que desafios e ameaças globais são enfrentados pelo processo democrático de tomada de decisão e adoção de normas. Isso é o que chamamos de um sistema baseado em regras, isto é, regido pelo direito, não pela força.

    Sem meios financeiros próprios, sem poder e armas, a ONU será o que os países membros querem que ela seja. Quando as grandes potências tentam usar a ONU como instrumento de seus interesses, ela acaba paralisada como no terrível genocídio de Ruanda.

    A ONU pode e deve ser aperfeiçoada no sentido de mais democracia, igualdade e independência em relação à rivalidade dos grandes. Só assim atingiremos em 2045 um século de paz garantida pela Carta das Nações Unidas.

    José Sarney, primeiro civil a presidir o país após a ditadura militar, discursa na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 1988
    José Sarney, primeiro civil a presidir o país após a ditadura militar, discursa na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 1988 Marc Cardwell/AFP

    Rubens Ricupero foi secretário-geral da UNCTAD em Genebra e subsecretário-geral da ONU de 1995 a 2004

    Questões

    1. Avaliando nossa atual realidade, você concorda com o título do texto? Justifique.

    2. Por que o número de países integrantes aumentou muito após a Segunda Guerra Mundial?

    3. O autor enfatiza no segundo parágrafo o papel da ONU em dois grandes fatos históricos. Faça um breve comentário sobre cada um deles.

    4. Tanto o logo da ONU como o local onde se encontra o prédio da Assembleia Geral é motivo te intensos debates. Por quê?

    5. Fale sobre o papel do Brasil na MINUSTAH. (pesquisa)

    6. “Sem meios financeiros próprios, sem poder e armas, a ONU será o que os países membros querem que ela seja” Analise a afirmativa do autor.

    Professor Luciano Mannarino

  • Ameaçadas de extinção, 4.000 araucárias estão sendo derrubadas por obra no PR

    Ameaçadas de extinção, 4.000 araucárias estão sendo derrubadas por obra no PR

    Implantação de torres de energia vai desmatar área equivalente a 220 campos de futebol; empresa possui licença para derrubada

    Katna Baran

    CURITIBA

    Uma área equivalente a mais de 220 campos de futebol de vegetação nativa, incluindo 4.000 araucárias, árvore símbolo do Paraná e ameaçada de extinção, está sendo derrubada para a passagem de novas torres de transmissão de energia elétrica pelo estado.

    O projeto prevê 1.000 km de linhas cortando 24 municípios e ainda passa pela Escarpa Devoniana, formação protegida do território paranaense.

    A obra, em fase inicial, é conduzida pela Engie, multinacional francesa que venceu o leilão de 2017 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para reforçar o sistema energético do país. Segundo a empresa, o projeto, intitulado Gralha Azul (ave símbolo do Paraná e uma das espécies dispersoras do pinhão), vai movimentar R$ 2 bilhões e gerar 4.000 empregos diretos.

    Porém entidades de proteção ambiental apontam supostas irregularidades nas licenças.

    Ameaçadas de extinção, 4.000 araucárias estão sendo derrubadas por obra no PR

    Em maio, quando as imagens foram gravadas por Schepiura, as araucárias estavam carregadas de pinhões; a espécie, símbolo do Paraná, é ameaçada de extinção Leandro Schepiura/Reprodução/Leandro Schepiura/Reprodução

    Há cerca de um mês, o Ibama chegou a suspender a derrubada das árvores depois que o Ministério Público do Paraná pediu esclarecimentos ao órgão, mas o projeto já foi retomado.

    A denúncia aos promotores foi feita pelo Observatório Justiça e Conservação (OJC), que aponta falta de transparência no processo de concessão e incoerências nos levantamentos apresentados pela Engie, descobertos numa análise feita pela Universidade Federal do Paraná.

    Para os especialistas, os pedidos da empresa junto aos órgãos responsáveis pelas autorizações, principalmente o IAT (Instituto Água e Terra), não levam em consideração vários impactos.

    “Nunca vi um trabalho tão fraco tecnicamente em dez anos de experiência. Foi para ‘cumprir tabela’, subestimando todas as especificidades da região”, resumiu Eduardo Vedor, doutor em geografia e um dos especialistas que assinam o estudo.

    A Engie nega as acusações e destaca que tem todas as licenças para continuar trabalhando. A previsão inicial é de que o projeto seja finalizado em cerca de um ano.

    Um dos principais questionamentos dos ambientalistas é sobre o traçado das linhas. O levantamento aponta que a empresa evitou passar por terrenos privados, o que demandaria indenização aos proprietários.

    O projeto atinge a área em que o engenheiro florestal Leandro Schepiura pratica o reflorestamento, em Campo Largo, região metropolitana de Curitiba. Em maio, ele gravou em vídeo sua indignação pela derrubada de araucárias centenárias, todas carregadas de pinhões.

    “Luto para reflorestar o planeta, para dar exemplo de que é possível transformar nossa comida, e ver a derrubada de uma espécie altamente ameaçada é impactante, dá o sentido contrário, de que o que resta é continuar depredando e derrubando tudo”, disse.

    No Paraná, resta menos de 0,8% de área contígua e bem conservada de araucárias, associadas ao bioma mata atlântica. A área ocupada pela espécie cobria originalmente 200 mil km². O estado abriga o Parque Nacional dos Campos Gerais, maior floresta de araucárias protegida no mundo.

    Outra área impactada é a do turismo. O estudo da UFPR aponta que o cenário paisagístico da região pode ficar comprometido.

    A obra acabou com os sonhos do contador Ronaldo Montalto, que queria construir um refúgio para montanhistas como ele. Há três anos, ele comprou um terreno de 14 hectares —que já tinha uma torre instalada— no “pé” da Escarpa Devoniana, também em Campo Largo, mas logo depois surgiu o novo projeto.

    “É triste ver um projeto como esse numa região ímpar, com nascente de rio e remanescente de araucárias, onde já há uma linha de transmissão. Será que é realmente necessário mais uma?”, lamentou.

    O andamento da obra também preocupa o ator Luis Melo. Curitibano, ele escolheu a paisagem da Escarpa Devoniana para montar em São Luiz do Purunã um espaço de educação ambiental e um complexo cultural para artistas. “Essa paisagem é uma identidade paranaense de extrema beleza e nossas florestas já estão acabando.”

    Os ambientalistas afirmam que, pela extensão de vegetação a ser derrubada, o Ibama deveria ser consultado, o que não teria ocorrido.

    Também dizem acreditar que entidades foram negligentes na análise de impactos em outras esferas, como a do patrimônio arqueológico e das comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, do local.

    Em nota, o IAT afirmou que, como a obra não ultrapassa os limites do Paraná, o licenciamento ambiental compete ao órgão. Destacou ainda que todos os estudos necessários foram apresentados pela empresa e receberam a anuência do instituto.

    “O empreendimento é essencialmente de utilidade pública e o traçado escolhido foi aprovado por apresentar o menor impacto aos meios físicos, biótico e socioeconômico”, completou.

    O Ibama não respondeu aos contatos da Folha até a conclusão desta reportagem.

    O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) apontou que os sítios arqueológicos sob impacto direto estão sendo resgatados e os atingidos indiretamente estão sendo cadastrados, sinalizados e protegidos, seguindo as normas técnicas. A entidade não deu mais detalhes sobre o plano de proteção.

    A Fundação Palmares informou que o processo de licenciamento das torres seguiu todos os trâmites legais e atendeu aos critérios do órgão. Segundo a fundação, os planos de mitigação apresentados pela empresa foram “colaborativamente elaborados pelas comunidades” quilombolas de “maneira claramente participativa com os comunitários”.

    Para o diretor-executivo do OJC, Giem Guimarães, falta ainda maior debate do projeto com a sociedade.

    “Batizar esse projeto de Gralha Azul é uma afronta ao povo do Paraná. Esse obscurantismo dos governos é o verdadeiro ‘passando a boiada’”, disse, citando a frase do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

    O MP afirmou que ainda está tentando esclarecer os pontos questionados junto à empresa, mas não exclui a hipótese de uma ação. “Temos que ter medidas compensatórias proporcionais, senão a sociedade vai ficar apenas com o ônus da obra”, justificou o promotor Alexandre Gaio.

    Gaio disse ainda que o próprio edital da Aneel não atentou para as particularidades da área atingida. “Parece que prevaleceu uma agenda econômica.” Procurada pela Folha, a agência informou que respondeu aos questionamentos do MP, mas não disponibilizou o conteúdo da informação.

    A Engie afirmou que o corte de árvores foi autorizado pelo órgão competente, mas não confirmou o número de espécies que serão derrubadas. A empresa comunicou apenas que 7% da área atingida é composta por araucárias, o que equivale a cerca de 15 campos de futebol.

    A multinacional disse ter se empenhado para reduzir o impacto ambiental por meio de técnicas de engenharia e afirmou ter buscado desviar áreas de preservação no traçado das torres. Também afirmou que todas as licenças foram obtidas de acordo com as leis.

    Além da derrubada de árvores, disse a Engie, todos os impactos previstos pelo projeto são alvos de compensações ambientais. A empresa afirmou ter apresentado ao IAT propostas para cada área e disse que aguarda manifestação para que elas sejam validadas.

    Há, segundo a Engie, 17 programas socioambientais acompanhando a implantação do projeto, com monitoramento de flora e fauna, resgate arqueológico, recuperação de áreas degradadas, educação ambiental e comunicação permanente e transparente com a sociedade.

    Marcio Neves, diretor de implantação do projeto Gralha Azul, destacou à Folha o valor investido na obra —em parte financiada pelo BNDES— e os empregos gerados, além do reforço na energia da região, que vai favorecer indústrias e o agronegócio na área.

    “Detratores de projetos ou antagonistas de qualquer tipo utilizam como primeira alegação a falta de transparência, o que de certa forma é uma acusação muito vazia. Não conheço processo tão democrático, transparente e até exigente como o processo de licenciamento de infraestrutura no Brasil”, finalizou Gil Maranhão, diretor do grupo Engie.

    Pesquisadores da Unicentro receberam uma autorização para cortar araucárias numa pesquisa em pequenas propriedades rurais
    No total, 48 araucárias foram cortadas, no período de um ano. A madeira foi vendida em leilões públicos, e a renda, revertida para o dono da área -no caso, a aposentada Iolinda Campestrini de Mattos, 71
    A licença para o corte e manejo das araucárias se fundamenta em trechos da lei da mata atlântica, que estabelece "o estímulo à pesquisa e à difusão de tecnologias de manejo sustentável".
    IRATI, PR, BRASIL, 15.12.16 13h Pesquisadores da Unicentro - Universidade do Centro do Paraná (em Irati) começaram a cortar árvores da espécie em pequenas propriedades rurais, com o objetivo de gerar renda aos agricultores. (Foto: Marcus Leoni / Folhapress, FOTO)
    Para os pesquisadores, que têm o apoio da Embrapa, o manejo "é a melhor forma de conservação da floresta" em pequenas propriedades.
    "A ilegalidade é evidente. Voltar ao normal cortando árvores em extinção certamente não é o caminho", diz o promotor Alexandre Gaio, que coordena o Centro de Apoio às Promotorias do Meio Ambiente no Paraná.
    Conservacionistas do Paraná se mobilizaram para parar a pesquisa com corte de araucárias. Para eles, as licenças concedidas ao projeto abrem uma pressão econômica sobre os poucos remanescentes da mata atlântica no país.