Tag: textos de jornal para geografia

  • NATURE – Controle do metano para desacelerar o aquecimento global

    NATURE – Controle do metano para desacelerar o aquecimento global

    As reduções de dióxido de carbono são fundamentais, mas o último relatório do IPCC destaca os benefícios de fazer cortes em outros gases de efeito estufa também.

    Hydraulic fracking pumps at sunset
    As operações de petróleo e gás – como o Campo de Petróleo de Inglewood, em Los Angeles, Califórnia – são uma fonte chave de metano. Crédito: Cidadãos do Planeta/Imagens de Educação/Universal Images Group/Getty

    Não há dúvida que é necessário eliminar combustíveis fósseis e parar a liberação de dióxido de carbono na atmosfera para evitar os efeitos dolorosos do aquecimento global. O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) não deixa dúvidas sobre isso. Mas o CO2  não é o único gás de efeito estufa. O painel climático também destaca o problema — e a oportunidade — representado pelo metano, que contribuiu com até 0,5 °C de aquecimento desde os tempos pré-industriais, perdendo apenas para o CO2.

    O metano é o principal componente do gás natural, cuja popularidade como fonte relativamente limpa de energia fóssil aumentou mais de 50% nas últimas duas décadas. Os combustíveis fósseis ajudaram a aumentar as concentrações atmosféricas de metano, que mais do que dobraram desde os tempos pré-industriais, de cerca de 700 partes por bilhão em volume para quase 1.900 p.p.b. em 2020.

    O metano é preocupante porque tem um impacto maior sobre o clima. O gás compõe uma pequena fração da nossa atmosfera — os níveis de CO2  são mais de 200 vezes maiores. O metano é cerca de 80 vezes mais poderoso que o CO2  na captura de calor na atmosfera terrestre. Ele também quebra muito mais rapidamente do que o CO2, com uma vida média de cerca de uma década, em comparação com séculos para CO2. Isso significa que a redução das emissões de metano poderia proporcionar um alívio a curto prazo, enquanto governos e empresas negociam a transição mais difícil dos combustíveis fósseis para a energia limpa.

    Relatório climático do IPCC: a Terra está mais quente do que está em 125.000 anos

    Em um esforço para reduzir as emissões de metano, os cientistas têm investigado duas questões ligadas. Primeiro, quais são as principais fontes de metano? Segundo, onde estão os piores infratores? A pecuária é a maior fonte, responsável por 31% do total global, segundo Ilissa Ocko, do Fundo de Defesa Ambiental (FED) sem fins lucrativos da cidade de Nova York e seus colegas. As operações de petróleo e gás ocupam o segundo lugar, com 26%. Outras fontes incluem aterros sanitários, minas de carvão, pastos de arroz e estações de tratamento de água.

    Reduzir o metano da pecuária representa um desafio particular. As pessoas poderiam comer menos carne, mas convencer as pessoas a mudar sua dieta raramente é simples. Além disso, o consumo de carne está aumentando em países de baixa e média renda — em linha com o aumento da renda. Deve ser mais fácil conter as emissões de outros setores. Em muitos casos, fazê-lo não custaria nada — e poderia até ser lucrativo.

    As emissões globais de metano podem ser reduzidas em 57% até 2030 usando tecnologias existentes, relatam Ocko e seus colegas. E quase um quarto do total global de metano poderia ser eliminado sem custo líquido. A indústria de petróleo e gás poderia fazer a maior diferença aqui, tendo tanto a infraestrutura quanto o incentivo para minimizar as perdas de metano: mais metano em seus oleodutos significa mais receita. Em outros setores, os operadores de aterros sanitários, minas de carvão e estações de tratamento de águas residuais poderiam capturar o gás e usá-lo para gerar eletricidade. E os produtores de arroz poderiam minimizar as emissões com melhores práticas de irrigação e manejo do solo. Se essas medidas forem implementadas em todo o mundo, os aumentos projetados do aquecimento global poderiam ser reduzidos em 0,25 °C até 2050 e 0,5 °C até 2100, segundo o estudo. Esses são números significativos considerando que o mundo já aqueceu 1,1 °C, e os líderes globais se comprometeram a limitar o total a 1,5-2 °C.

    As duras verdades das mudanças climáticas — pelos números

    O principal problema é identificar precisamente de onde vêm as emissões de metano. Há mais de uma década, pesquisadores monitoraram o metano a partir de pesquisas de aeronaves usando sensores infravermelhos que podem detectar gases na luz solar refletidos da Terra2. Hoje, os satélites fazem parte desse esforço de monitoramento. Pesquisas mostram que um número relativamente pequeno de “super-emissores” são responsáveis por uma parcela significativa das emissões de metano, particularmente na indústria de petróleo e gás.

    A capacidade de identificar grandes fontes de metano está pronta para avançar nos próximos dois anos. Em 2022, o FED lançará um satélite projetado para identificar emissões em grandes faixas de terra. A Carbon Mapper, uma parceria sem fins lucrativos que inclui o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e a empresa Planet, com sede em São Francisco, seguirá em 2023 com dois protótipos de satélites projetados para rastrear metano e CO2  na escala de instalações individuais.

    Em março, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e a Comissão Europeia lançaram o Observatório Internacional de Emissões de Metano para ajudar a coordenar esses esforços e ajudar os formuladores de políticas e empresas a agir. O observatório também terá acesso a estoques estimados de emissões de governos e indústrias. Cerca de 70 produtores de petróleo e gás, incluindo gigantes como Shell e BP, se comprometeram a estabelecer metas claras de redução de emissões e reportar emissões sob uma iniciativa liderada pela Climate & Clean Air Coalition, uma iniciativa internacional que envolve governos, organizações sem fins lucrativos, empresas e outros. Este trabalho também ajudará a informar novos compromissos de redução de metano que serão feitos na conferência climática da ONU em Glasgow, Reino Unido, em novembro.

    O mundo continuará aquecendo enquanto o CO2  estiver sendo bombeado para a atmosfera. Mas reduzir as emissões de metano e outros gases poderosos do efeito estufa pode reduzir a picada. É por isso que governos e empresas devem aproveitar a oportunidade, ganhando um pouco mais de tempo para a humanidade fazer o que precisa ser feito.

    Natureza 596, 461 (2021)

    https://doi.org/10.1038/d41586-021-02287-y

    (uso de tradutor)

    Questão

    1. Por que a redução da emissão de CO2 é fundamental para diminuir o efeito estufa?

    2. Estabeleça diferenças entre o metano e o CO2 no aquecimento global.

    3 Explique a relação entre a pecuária e o aumento da concentração de metano na atmosfera.

    4 O que é poluição atmosférica?

    Prof Luciano Mannarino

  • O discurso no tanque e o fim da URSS

    O discurso no tanque e o fim da URSS

    Há 30 anos, Boris Ieltsin resistiu a golpe contra perestroika e acelerou desintegração soviética

    6.ago.2021 às 23h15

    Temor e incerteza dominavam o auditório principal do Parlamento russo. Lá, instalou-se o epicentro da resistência ao golpe de Estado arquitetado para eliminar a perestroika e levar a URSS de volta à ortodoxia soviética. Depois de ouvir discursos em defesa das reformas, abandonei o prédio, em busca de mais notícias sobre aquele 19 de agosto de 1991, há exatos 30 anos.

    Na rua, diante da cena golpista clássica, avistei tanques de guerra. Fui, de imediato, surpreendido por uma multidão cruzando a porta do Parlamento, em marcha resoluta. Identifiquei na aglomeração, entre guarda-costas e apoiadores, o líder russo e ultrarreformista Boris Ieltsin.

    Segui a turba. Ieltsin subiu num blindado enviado pelos golpistas. O tanquista, atordoado, aceitou o aperto de mão do líder russo. A máquina de guerra virou palanque, e o timoneiro da resistência discursou: “A reação não passará!”.

    O então presidente da Rússia, Boris Ieltsin, participa de uma coletiva de imprensa em Bonn, na Alemanha
    O então presidente da Rússia, Boris Ieltsin, participa de uma coletiva de imprensa em Bonn, na Alemanha – Viktor Korotayev – 9.jun.98/Reuters

    Proféticas as palavras ielstinistas. Em apenas três dias, o golpe orquestrado por comunistas ortodoxos desmoronou, junto com o plano de afastar, do Kremlin, Mikhail Gorbatchov, pai da perestroika.

    Concebida para salvar a URSS da onda separatista a rasgar o império criado por Vladimir Lênin a partir de 1917, a intentona produziu o efeito contrário. Seu fracasso acelerou tendências nacionalistas e contribuiu de forma decisiva para a desintegração soviética.

    A imagem de Ieltsin sobre o tanque, numa ousadia a desnortear golpistas esperando a resignação de um homo sovieticus, galvanizou a resistência. Transformou-se em ícone do momento histórico e da irrefreável ascensão do ieltsinismo.

    Ieltsin governava a Rússia, a maior das 15 repúblicas (na prática, províncias) da URSS e rivalizava com o presidente Gorbatchov, a quem criticava pela lentidão das reformas. Ambicionava chegar ao Kremlin e desafiava o governo central, apoiando a drenagem de poder para autoridades regionais.

    A vitória em agosto de 1991 fez a balança política pender decisivamente para Ieltsin. Quatro meses depois, ao lado de mais dois líderes regionais, da Ucrânia e de Belarus, o mandachuva russo anunciou ignorar o poder central, ocupado por Gorbatchov, e proclamou o fim da URSS. O mapa-múndi passou a desenhar 15 países independentes onde antes havia um império vermelho.

    Exaltado no Ocidente pelo papel no descarte da Guerra Fria, Gorbatchov enfrentava no plano doméstico formidável processo de corrosão política. A perestroika havia trazido liberdades inéditas, mas também a maior crise econômica desde a Segunda Guerra Mundial.

    A Perestroika e Glasnost

    A Perestroika (do russo, 'reconstrução') foi, junto a Glasnost ('transparência'), a principal plataforma política de Mikhail Gorbatchov. As medidas visavam a democratização da União Soviética e a abertura para a economia de mercado
    A Perestroika (do russo, ‘reconstrução’) foi, junto a Glasnost (‘transparência’), a principal plataforma política de Mikhail Gorbatchov. As medidas visavam a democratização da União Soviética e a abertura para a economia de mercado A

    A falência do modelo soviético alimentou tendências separatistas pelo gigantesco país, a se estender da fronteira com a Polônia até os mares do Alasca. E culpava-se Gorbatchov pela debacle econômica.

    O patriarca das reformas navegava entre pressões dos separatistas e de um establishment conservador empenhado em manter o império intacto. Comunistas refratários às reformas viram na aventura golpista uma saída derradeira, mas erraram o cálculo ao ignorarem a capacidade de Ieltsin de mobilizar forças contra a conspiração de estilo brejnevista.

    Quando cheguei ao escritório, após testemunhar a cena histórica de Ieltsin sobre o tanque, liguei a TV. Peguei a leitura dos comunicados oficiais dos conspiradores e, em seguida, um programa monótono a mostrar uma “União Soviética feliz”.

    Os autores do complô achavam viver ainda nos anos 1960, quando um golpe conservador liderado por Leonid Brejnev derrubou Nikita Khruschov. Os tempos, no entanto, eram outros. E até mesmo a URSS deixou de existir.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jaimespitzcovsky/2021/08/o-discurso-no-tanque-e-o-fim-da-urss.shtml

    Questões

    1 O colapso da exURSS foi devido a uma conjunção de fatores? Justifique.

    2 Qual o papel de Gorbatchov no arrefecimento da “Guerra Fria”?

    3 O que pretendia Ieltsin no improvisado discurso do Tanque?

    4 Alguns estudiosos afirmam que a China realizou a Perestroika, mas ficou devendo a Glasnost. Você concorda? Justifique.

    Prof Luciano Mannarino

    Homenagem a roqueiro soviético e fala de Gorbatchov sobre Belarus remetem aos anos 1990

    Ucrânia pede ajuda à Otan contra a Rússia, que dá recado militar

    Biden aceita acordo de armas nucleares com a Rússia, mas sinaliza pressão

  • O aumento da migração extracontinental na América Latina

    O aumento da migração extracontinental na América Latina

    Não são poucos os que se instalam pelo esgotamento dos seus recursos ou como consequência de um processo de expulsão

    27.ago.2021 às 10h00

    Luisa Feline Freier

    A migração de pessoas de outros continentes –especialmente da África e da Ásia– mas também do Caribe é um fenômeno crescente na América Latina. E embora a maioria deles vá inicialmente para os Estados Unidos ou Canadá, não são poucos os que se instalam num país latino-americano, seja por opção, por necessidade devido ao esgotamento dos seus recursos, ou como consequência de um processo de expulsão.

    POR QUE E COMO CHEGAM OS MIGRANTES EXTRACONTINENTAIS À AMÉRICA LATINA?

    A migração extracontinental na América Latina é um fluxo misto, uma vez que migrantes com motivações diferentes convergem dentro do mesmo grupo. Em alguns casos, especialmente entre os migrantes subsaarianos e do Médio Oriente, as principais razões são a perseguição e a violência. Enquanto que aqueles que deixam os seus países por razões econômicas ou devido a catástrofes naturais vêm principalmente de países do Sul da Ásia e do Haiti. Mas existem outras razões para a migração extracontinental, tais como o reagrupamento familiar.

    A chegada à América Latina explica-se principalmente por fatores políticos, uma vez que, geograficamente, a Europa seria um destino mais próximo. Mas durante a primeira década do século 21, dois fenômenos notáveis ocorreram quase em paralelo: o aumento das restrições à entrada na Europa e a flexibilização dos requisitos de entrada na América Latina. Em particular, alguns países latino-americanos com governos de esquerda como a Argentina sob Néstor Kirchner (2003-2007), Equador sob Rafael Correa (2007-2017) e Brasil sob Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) relaxaram as suas políticas de migração, especialmente as políticas de vistos, e promoveram um discurso oficial centrado nos direitos humanos dos migrantes. Estas medidas de abertura, embora temporárias na maioria dos casos, revelaram-se atrativas para a população migrante extracontinental. Uma vez estabelecidos, os fluxos de pessoas de fora da região aumentaram de forma constante.

    As rotas de migração vão de sul à norte. Começam na América do Sul, onde migrantes extracontinentais entram através de países com requisitos de vistos menos exigentes, como o Equador ou o Brasil. Continuam para a América Central através da região de Darién, uma área florestal e de alto risco entre a Colômbia e o Panamá. Embora não existam estatísticas semelhantes às das mortes de migrantes no Mediterrâneo, estima-se que o Darién é uma das rotas migratórias mais perigosas do mundo, pois é uma selva espessa, com geografia hostil e a presença de grupos armados, o que também interrompe a rota da rodovia Pan-Americana. De acordo com a Unicef, o número de crianças que atravessam o Darién quintuplicou nos últimos cinco anos.

    Barraca com produtos da arte africana na feira do imigrante, ao lado da estação Santa Cruz da linha 5-lilás
    Barraca com produtos da arte africana na feira do imigrante, ao lado da estação Santa Cruz da linha 5-lilás li/Eduardo Anizelli/Folhapress

    Por fim, os migrantes fazem o seu percurso através da América Central e México para os Estados Unidos e Canadá. Esta longa e dispendiosa viagem é muitas vezes feita com a ajuda de contatos, sejam contrabandistas ou outros migrantes que conhecem a rota. É também comum alternar entre meios de transporte terrestres e aquáticos, tais como autocarros, carros particulares e barcos, ou viajar a pé. Toda a viagem pode demorar vários meses ou mesmo anos.

    QUE DESAFIOS ENFRENTAM OS MIGRANTES?

    Ao longo da viagem, os migrantes enfrentam uma série de desafios, tais como naufrágios, problemas de saúde causados pela exposição a condições meteorológicas extremas, e fraudes de contrabandistas durante o percurso. Além disso, a superlotação, a hostilidade das autoridades públicas e o colapso de alguns serviços nas zonas fronteiriças complicam ainda mais a situação dos migrantes.

    Como exemplo, entre fevereiro e março de 2021, centenas de migrantes africanos e haitianos que fugiam da crise sanitária e econômica no Brasil ficaram presos na Ponte de Integração na fronteira entre o Brasil e o Peru. Durante várias semanas, enfrentaram a fome, condições de higiene inadequadas, tratamento hostil por parte da polícia e a separação de algumas famílias.

    Entretanto, no final de Julho de 2021, mais de dez mil migrantes africanos, asiáticos e haitianos ficaram retidos na cidade de Necocli, no norte da Colômbia, à espera de transporte para o Panamá. Diante do colapso da cidade, sobrecarregada com alojamento, água e serviços de limpeza, o governo municipal declarou um estado de calamidade pública.

    A primeira barreira enfrentada pelos migrantes de fora do continente ao chegar aos países de trânsito ou de destino é frequentemente a regularização da sua estadia. O cruzamento irregular das fronteiras muitas vezes fecha as portas para uma posterior regularização. E quando decidem candidatar-se ao estatuto de refugiado, a taxa de respostas favoráveis aos seus pedidos é frequentemente baixa.

    Na Argentina, por exemplo, venezuelanos, senegaleses, cubanos, haitianos e dominicanos estão no topo da lista em termos do número de pedidos de refugiados. No entanto, entre 2016 e 2020, apenas 10 das 1.267 candidaturas de haitianos, 11 das 885 candidaturas de cubanos e nenhuma das 705 candidaturas de dominicanos foram aprovadas.

    As detenções e expulsões na América do Norte são a última grande preocupação dos migrantes em sua travessia. Camarões, a República Democrática do Congo e a Eritreia foram os três principais países africanos cujos nacionais foram detidos no México em 2018. E durante os últimos cinco anos, pessoas de mais de oitenta países africanos e asiáticos foram presas nos Estados Unidos depois de entrarem no país através do México.

    Além disso, as condições de vida nos centros de detenção do México são altamente questionáveis. As organizações de direitos humanos denunciaram a superlotação, os maus tratos e a falta de cuidados médicos. Um caso emblemático foi a morte do migrante haitiano Maxene Andre no Centro de Detenção de Migrantes Siglo 21; passaram-se dois anos desde então e o seu corpo ainda não foi entregue à sua família, nem as circunstâncias da sua morte foram totalmente esclarecidas.

    Ativistas da ONG SOS Mediterrâneo fazem protesto em Marselhas, na França
    Ativistas da ONG SOS Mediterrâneo fazem protesto em Marselhas, na França Clement Mahoudeau – 24.ago.2020/AFP

    Quando os migrantes chegam finalmente ao seu destino ou decidem instalar-se num país de trânsito, mesmo nos casos em que a regularização migratória é conquistada, enfrentam barreiras à sua inserção laboral e social. Muitos acabam em empregos informais e sazonais, tais como venda ambulante em tendas e praias na Argentina, ou com contratos temporários em fábricas no Brasil. Além disso, enfrentam dificuldades linguísticas no caso da população de língua não espanhola, e discriminação racial no caso da população afrodescendente.

    Em conclusão, é de salientar que este é um processo relativamente pouco estudado e de difícil mensuração, uma vez que representa frequentemente fluxos migratórios mistos e irregulares, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Neste contexto, sob a perspectiva das políticas públicas, é necessário compreender não só os desafios que os migrantes extracontinentais enfrentam nos seus processos de trânsito, mas também no interior dos países de acolhimento.

    Professora do Departamento Acadêmico de Ciências Sociais e Políticas da Universidad del Pacífico do Peru e pesquisadora da CIUP. Doutora em ciência política pela London School of Economics and Political Science, LSE (Inglaterra).Soledad Castillo Jara

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/latinoamerica21/2021/08/o-aumento-da-migracao-extracontinental-na-america-latina.shtml

    Prof Luciano Mannarino

  • Onde fica o Afeganistão e por que geograficamente ele é estratégico para as principais potências mundiais?

    Onde fica o Afeganistão e por que geograficamente ele é estratégico para as principais potências mundiais?

    País na Ásia Central e está no foco de China e Rússia, além de outros países vizinhos. Fronteiras foram definidas por influência britânica no século 19 durante ação para barrar avanço da Rússia czarista.

    Por Felipe Gutierrez e Fábio Manzano, G1

    18/08/2021 05h01  Atualizado há 21 horas


    O Afeganistão fica na Ásia Central, encravado em uma porção de terras montanhosas geograficamente estratégica e com potencial econômico que atrai vizinhos e potências com as quais nem mesmo tem fronteiras.

    No passado, a disputa entre países do Ocidente e a Rússia forjou o desenho do mapa afegão e também marcou a trajetória de guerras envolvendo o país. Agora, o futuro do Afeganistão mobiliza as atenções sobretudo da China, da Rússia e dos EUA, mas vizinhos menos influentes globalmente, como o Irã, a Índia e o Paquistão, também disputam a influência sobre o país e seu território.

    Abaixo, em cinco tópicos, entenda a localização do Afeganistão e quais os interesses das potências mundiais:

     — Foto: G1/Arte

    1 – Localização do país e origem

    O Afeganistão é um país montanhoso, sem acesso ao mar e com um território de 652 mil km², pouco maior que o estado de Minas Gerais. Historicamente, na Antiguidade, o território que hoje forma o país já foi ocupado por diferentes povos e impérios, como a Babilônia e o macedônio de Alexandre, o Grande.

    Na história mais recente, no século 19, o Império Britânico ocupou a região e foi responsável por levar ao trono o rei Shah Shujah (1838-1842). Depois de as tropas britânicas terem sido expulsas, retornaram entre 1878 e 1880, sendo que a independência da influência britânica só ocorreu definitivamente em 1919.

    “O Afeganistão nasceu como um Estado tampão para impedir o avanço da Rússia czarista no século 19, que estava se expandindo em direção ao sul do continente asiático. Os ingleses viram isso como uma ameaça e criaram o Reino do Afeganistão como um Estado”, diz o professor Samuel Feldberg, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP).

    2 – Independência, invasão soviética e atual interesse russo

    Atualmente, o Afeganistão faz fronteira com seis países, a metade deles aliados diretos da Rússia e ex-repúblicas soviéticas: Tajiquistão, Uzbequistão e Turcomenistão. A estabilidade dessa área, portanto, é do interesse russo.

    Desde a independência declarada, os arranjos de poder no Afeganistão sempre foram considerados instáveis. Por conta da proximidade com a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em diferentes momentos o país teve assistência militar e econômica do bloco, até que em 1979 foi invadido pelo exército soviético, em um período que já havia apoio dos Estados Unidos a grupos locais contrários aos russos. A presença soviética seguiu no país até um acordo de paz em 1988.

    Como lembra a colunista do G1 Sandra Cohen, “os EUA se envolveram no país há quatro décadas, durante a Guerra Fria, apoiando combatentes armados – os mujahedin – contra os soviéticos. O impacto do conflito desgastou a economia soviética até que o então presidente Mikhail Gorbachev anunciou a retirada total das tropas”.

    Apesar da derrota, os soviéticos continuaram a sustentar o governo afegão, liderado por Mohammad Najibullah, para conter o avanço dos rebeldes. Mas o império soviético desmoronou, a fonte secou e, em 1992, Najibullah foi destituído do poder.

    No cenário atual, a Rússia se interessa em fazer contraponto ao poder dos EUA em áreas que ela avaliar estar dentro de seu círculo de influência, sobretudo o sul da Ásia, Oriente Médio e Leste Europeu. Além disso, também tem interesse no fortalecimento do Talibã contra o Estado Islâmico (EI), já que o país sofre com terrorismo jihadista no Cáucaso. Por isso, manter o EI longe do norte do Afeganistão é importante para a Rússia.

    3 – China: interesse em minerais, contraponto aos EUA e aos jihadistas uigures

    Ainda na segunda-feira (16), a China afirmou que deseja manter “relações amistosas” com o grupo extremista Talibã, que tinha tomado o poder no Afeganistão apenas um dia antes.

    A China e o Afeganistão são países vizinhos e têm 76 quilômetros de fronteiras comum.

    Pequim incluiu, ainda em 2016, o Afeganistão em seu grande projeto de infraestrutura, as “Novas Rotas da Seda”. Mas, por falta de segurança, os investimentos chineses foram modestos no país: 4,4 milhões de dólares em 2020, segundo o ministério do Comércio.

    A China tem também interesse nos minérios do país, entre eles o cobre na região de Mes Aynak. Mas outro dos possíveis focos são as reservas de “terras raras”, que são insumos importantes nas cadeias de fabricação de produtos de altas tecnologias.

    Além do forte interesse econômico, a fronteira com o Afeganistão na província de Xinjiang é palco de atividades de grupos extremistas uigures. O receio é que jihadistas uigures presentes também no Afeganistão se fortaleçam na região, justamente porque a China vem sendo acusada de genocídio contra o povo uigur.

    E assim como a Rússia, a China também busca fazer oposição aos EUA e a retirada das tropas do Afeganistão é uma nova oportunidade para se contrapor à influência americana.

    4 – EUA: das ações contra os soviéticos à luta contra o terror

    Os EUA iniciaram sua relação com o Afeganistão há 40 anos, durante a Guerra Fria, com o apoio aos mujahedin, grupo de guerrilheiros que atuavam contra as investidas soviéticas no país. O cenário de conflito e os investimentos em armas e treinamento militar formaram um terreno fértil para a criação e ascensão do grupo extremista Talibã, que tomou o poder do país nos anos 1990.

    A interferência americana voltou a aumentar durante a chamada Guerra ao Terror, em resposta aos atentados do 11 de setembro, quando o governo talibã do Afeganistão se recusou a entregar o chefe da al-Qaeda, responsável pelos ataques, Osama Bin Laden.

    Duas décadas depois, com o retorno do grupo ao poder, os americanos temem que o país se torne um “santuário para grupos extremistas”, no entanto, outra grande preocupação é a perda de influência no território que poderá favorecer seus maiores adversários: China, Rússia e Irã.

    5 – Índia, Irã e Paquistão: o interesse de vizinhos

    Saída dos EUA do Afeganistão abre espaço para países ganharem poder no cenário geopolítico.

    Além das potências globais, vizinhos com forte expressão regional também buscam marcar posição na relação com o Afeganistão:

    • ÍNDIA: o país vê no Afeganistão um de seus principais aliados regionais, e sua localização – com uma longa fronteira com o Paquistão, com quem a Índia não tem boas relações – é vital para a segurança nacional.

    • IRÃ: Com laços estreitos com o grupo extremista, o governo iraniano foi acusado de fornecer apoio financeiro e militar ao Talibã. Além disso, especialistas alertam para a expansão da presença clandestina das Forças Quds – unidade especial da Guarda Revolucionária – no país para promover os interesses iranianos.

    “Cerca de 20% da população do país é xiita, e o principal país xiita da região, o Irã, “está preocupado com a possibilidade de associação, no Afeganistão, de grupos salafistas que atacam os xiitas”, explica Arlene Clemesha, professora de História Árabe da Universidade de São Paulo (USP).

    • PAQUISTÃO: Entre a Índia – com quem não tem boas relações – e o Afeganistão, o Paquistão vê no apoio afegão uma expansão de sua influência regional e apoio em conflitos. O país foi um dos únicos, ao lado da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, a reconhecer o Talibã quando assumiu o poder na década de 1990.

    Há uma identidade étnica de uma parte dos afegãos com o Paquistão. “A fronteira entre os dois é praticamente inexiste”, comenta Samuel Feldberg, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP). O Paquistão usa essa proximidade étnica nos conflitos que tem com a Índia, segundo o professor.

    Quando o Afeganistão foi invadido em 2001, muitos dos membros de grupos terroristas que estavam no país acabaram encontrando refúgio no Paquistão —o próprio Osama Bin Laden foi capturado em uma cidade próxima a Islamabad, no Paquistão.

    Há mais de dez etnias no país, que falam línguas diferentes e que têm uma organização parecida com a de tribos. “Como o Estado do Afeganistão atual nasceu de um projeto colonialista, as rivalidades internas foram exacerbadas. Os grupos étnicos do Afeganistão não consideram as fronteiras entre o país e os vizinhos legítimas”, diz a professora Clemesha.

    https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/08/18/onde-fica-o-afeganistao-e-por-que-geograficamente-ele-e-estrategico-para-as-principais-potencias-mundiais.ghtml

    Questões

    1 – A intervenção dos EUA no Afeganistão se deu em dois momentos. Caracterize-os.

    2 – Analise o atual interesse da Rússia na estabilidade política do Afeganistão.

    3 – O Reino do Afeganistão foi uma “criação” dos ingleses? Justifique.

    4. A aproximação da China com o Afeganistão guarda interesses geopolíticos e econômicos?Justifique.

    Prof Luciano Mannarino

  • Islândia pode ser um continente, não uma ilha: conheça a nova teoria geológica

    Islândia pode ser um continente, não uma ilha: conheça a nova teoria geológica

    Por João Lara Mesquita 

    4 de agosto de 2021

    Uma nova teoria geológica defende que a Islândia pode ser o último remanescente exposto de um continente que afundou no Oceano Atlântico Norte há cerca de 10 milhões de anos. Gillian Foulger, geofísica da Universidade de Durham, que criou juntamente com os seus colegas a teoria, disse que “há um continente oculto debaixo do mar”. Para estes cientistas, a Islândia pode ser apenas a ponta de um continente submerso.

    Ilustração da Islândia continente
    O continente da “Islândia” pode ter se estendido entre a Groenlândia e a Escandinávia. Ilustração https://www.sciencealert.com/.

    Islândia pode ser um continente, não uma ilha

    A comunidade acadêmica foi pega de surpresa. A nova teoria patrocinada pela Universidade de Durham é contrária a tudo que se sabia sobre a formação da Islândia e do Atlântico Norte.

    A imprensa mundial deu amplo destaque à tese revolucionária que, se provada, significa que o supercontinente, Pangeia, não foi totalmente dividido.

    Especialistas liderados pela Durham University acreditam que o continente oculto poderia cobrir cerca de 231.000 milhas quadradas da Groenlândia até a Europa. Quando áreas adjacentes a oeste da Grã-Bretanha são incluídas em uma ‘Grande Islândia’, no entanto, essa área pode se expandir para cerca de 386.000 milhas quadradas.

    O dailymail.com diz que ‘a teoria desafia ideias antigas tanto sobre a composição da crosta subjacente ao Atlântico Norte quanto sobre como as ilhas vulcânicas como a Islândia se formaram’.

    Pangeia para a comunidade acadêmica

    Os geólogos ensinam há muito tempo que a bacia do Oceano Atlântico Norte se formou quando Pangeia começou a se fragmentar há 200 milhões de anos. E que a Islândia se formou há cerca de 60 milhões de anos acima de uma pluma vulcânica perto do centro do oceano.

    Ilustração do super continente Pangéia
    Pangeia antes e depois de se fragmentar. Ilustração, estudopratico.com.br.

    Pangeia para Gillian Foulger

    Foulger e seus coautores sugerem uma teoria diferente: que os oceanos começaram a se formar aproximadamente ao sul e ao norte – mas não a oeste e leste – da Islândia quando Pangeia se separou.

    Em vez disso, escreveram os geólogos, as áreas a oeste e leste permaneceram conectadas ao que hoje são a Groenlândia e a Escandinávia.

    De acordo com a nova teoria, Pangeia não se dividiu de forma limpa e o continente perdido da Islândia permaneceu como uma faixa ininterrupta de terra seca de pelo menos 200 milhas (300 quilômetros) de largura que permaneceu acima das ondas até cerca de 10 milhões de anos atrás, disse Foulger.

    Eventualmente, as extremidades leste e oeste da Islândia também afundaram, e apenas a Islândia permaneceu, disse ela.

    A teoria explicaria por que as rochas da crosta terrestre sob a Islândia moderna têm cerca de 40 km de espessura em vez de cerca de 8 km de espessura, o que seria esperado se a Islândia tivesse se formado a partir de uma pluma vulcânica (conforme reza a tese tradicional), disseram os geólogos.

    “Quando consideramos a possibilidade de que essa crosta espessa seja continental, nossos dados de repente fizeram sentido”, disse Foulger em um comunicado.

    “Isso nos levou imediatamente a perceber que a região continental era muito maior do que a própria Islândia – há um continente escondido bem embaixo do mar.”

    A professora Foulger e seus colegas estão agora procurando colaborar com outros especialistas de todo o mundo para testar sua teoria, assim que o COVID-19 permitir.

    Fontes:

    https://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-9736939/Geology-Sunken-continent-Icelandia-stretch-231-000-square-miles-Greenland-Europe.html

    https://www.sciencealert.com/controversial-new-claim-suggests-iceland-is-the-tip-of-a-sunken-continent.

    Questões

    1) Que tipo de encontro de placa tectônica ser relaciona com a formação do território da Islândia? Justifique.

    2) Como se formou o Oceano Atlântico?

    3) Aponte evidências que justificam a Teoria da Deriva Continental.

    4) O texto jornalístico menciona eventos que aconteceram ao longo de quais Eras Geológicas? Justifique.

    O que é a Crosta Terrestre?

    Terremotos!

    VÍDEO – TEORIA DA DERIVA CONTINENTAL

    Prof Luciano Mannarino