Categoria: Brasil

  • COVID ROUBA DOIS ANOS DA EXPECTATIVA DE VIDA DOS BRASILEIROS

    COVID ROUBA DOIS ANOS DA EXPECTATIVA DE VIDA DOS BRASILEIROS

    Mortalidade associada à doença diminui esperança de vida de 77 para 75 anos; Rio e Porto Alegre registraram mais mortes que nascimentos em 2020

    3abr2021_18h44

    A pandemia de Covid-19 roubou, sozinha, quase dois anos da esperança de vida no Brasil. O índice crescia sem parar desde 1945 – em média, a expectativa de vida aumentava cinco meses a cada ano. Era um sinal da melhoria nas condições básicas de vida, que aumentavam a longevidade da população. Mas esse quadro se reverteu em 2020, ano em que 195 mil brasileiros morreram por Covid-19. A estimativa era de que o índice chegasse a 77 anos em 2020, mas, por causa da Covid-19, ficou em 75 anos. Em algumas unidades da federação o retrocesso foi ainda maior: Distrito Federal, Amazonas, Amapá, Roraima e Espírito Santo tiveram redução de mais de três anos na esperança de vida ao nascer. 

    Esses resultados constam de estudo publicado em pré-print por pesquisadores de Harvard, Princeton, Universidade do Sul da Califórnia e Universidade Federal de Minas Gerais. O trabalho mediu o impacto direto das mortes por Covid-19 na demografia brasileira. E a conclusão é clara: a mortalidade pela doença no país tem sido “catastrófica”. “Nossa estimativa ainda foi extremamente conservadora”, explica a demógrafa Marcia Castro, chefe do departamento de Saúde Global e População da Universidade de Harvard e líder do estudo. “O nosso cálculo para este estudo considerou apenas os óbitos por Covid-19, mas o excesso de mortalidade observado no Brasil é muito maior do que só os óbitos pela doença.” Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, o Brasil teve 275 mil mortes acima do esperado em 2020 – 80 mil a mais que os registros de morte por Covid-19. Esse excedente de mortes pode ser, em parte, atribuído ao colapso do sistema de saúde, consequência direta do descontrole da pandemia. 

    Ilustração de Carvall

    Castro e outros pesquisadores já iniciaram um novo estudo, agora para calcular o impacto do volume total de mortes na expectativa de vida. “Ainda não há dados para o mundo todo, mas certamente o Brasil vai estar entre os países com maior redução”, prevê Castro. O decréscimo que a Covid-19 causou na esperança de vida brasileira em 2020 foi 72% maior que o observado nos Estados Unidos, líder de mortes pela doença no planeta. E, a julgar pelo padrão de mortandade, o impacto em 2021 vai ser ainda maior. No Amazonas e em Rondônia, por exemplo, as mortes por Covid-19 nestes quatro primeiros meses do ano já superaram os registros de todo o ano passado. “É possível que a gente, pelo segundo ano seguido, observe impacto significativo na expectativa de vida”, diz Castro. 

    No Amazonas, atingido com voracidade pela pandemia que mergulhou o estado no caos e matou mais de 5 mil pessoas em 2020, a retração na esperança de vida foi ainda mais grave. A expectativa de vida, que deveria chegar a 73 anos em 2020, ficou em 69,5. A mortalidade da Covid-19 fez o estado perder, em apenas um ano, 60% do avanço na expectativa de vida conquistado nas últimas duas décadas. Além da redução desse índice, a Covid-19 também intensificou as desigualdades regionais no Brasil, refletindo o peso desproporcional da epidemia nos estados. Antes da pandemia, a diferença entre a maior e a menor expectativa de vida em nível estadual era de 8,54 anos. Depois da pandemia, a diferença aumentou para 9,15 anos. Na estimativa dos pesquisadores, Santa Catarina apresenta o maior índice (78 anos), e Roraima, o menor (69 anos). 

    A esperança de vida ao nascer é um indicador que reflete o potencial de sobrevivência da população, dadas as características demográficas. Serve para responder a uma pergunta hipotética: se uma pessoa que nasceu em um dado ano fosse submetida, ao longo da vida, às condições de mortalidade observadas naquele mesmo ano, por quanto tempo ela sobreviveria? Para calcular a esperança de vida, os pesquisadores coletam informações sobre a mortalidade do país em um ano específico – número de mortes, idade e sexo dos mortos. Depois, a curva de mortes é padronizada e os pesquisadores chegam a um número. Castro explica que isso não significa que todas as pessoas vão observar essas taxas na vida real. Ou seja, os nascidos em 2020 não vão necessariamente morrer aos 75 anos. Mas essa é a melhor maneira que os especialistas encontraram para acompanhar a evolução da mortalidade no mundo e comparar indicadores de saúde em vários locais diferentes. A expectativa de vida também tem aplicações práticas importantes: é um dos parâmetros usados para calcular o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

    “É óbvio que a queda da expectativa de vida ao nascer vai trazer o IDH para baixo”, diz Castro. Especialistas já alertaram que, com essa queda, o Brasil terá dificuldade para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela ONU. Na análise de Castro, essa será uma tendência global, mas o impacto a longo prazo depende das medidas implementadas para controlar a pandemia. Nesse ponto, a situação do Brasil é preocupante. “Não temos nem vacinação rápida nem medidas sustentáveis que diminuam a transmissão do vírus”, avalia Castro. “A expectativa é que esse quadro melhore em 2022, mas não dá para garantir que a esperança de vida e o IDH voltem rapidamente ao nível pré-pandemia.” 

    É normal que crises sanitárias e humanitárias reduzam os índices vitais. A pandemia de gripe espanhola, no início do século XX, reduziu a expectativa nos Estados Unidos entre 7 e 12 anos. Assim que essas crises são superadas, geralmente há um repique que logo corrige a esperança de vida perdida. Mas, no caso da Covid-19 no Brasil, os pesquisadores argumentam que a situação não vai se estabilizar rapidamente. Primeiro porque o país atualmente atravessa o pior momento da pandemia. Com o sistema de saúde em colapso, a atenção básica não é capaz de diagnosticar e tratar outras doenças – e essa paralisia cobra um preço. Os pesquisadores estimam que só a redução dos tratamentos de tuberculose e HIV pode aumentar a mortalidade pelos próximos cinco anos. Em 2020, 20% das crianças deixaram de se vacinar contra hepatite B, poliomielite e outras enfermidades. Além disso, relatos de sequelas deixadas pela Covid-19 nos pacientes que sobrevivem continuam crescendo. Isso inclui fadiga, complicações neurológicas, pulmonares e cardiovasculares que podem trazer complicações a longo prazo.

    A crise econômica, que eleva os níveis de pobreza e desigualdade, também pode afetar os indicadores de saúde no Brasil nos próximos anos. O fim do auxílio emergencial aumentou o número de pessoas abaixo da linha da pobreza. Atualmente, cerca de 27 milhões de brasileiros estão nessa situação – o que corresponde a 12,8% da população. Os pesquisadores lembram que a perda de renda pode reduzir o acesso aos serviços de saúde e aumentar os índices de mortalidade infantil. “O que vai acontecer no longo prazo depende de como o cenário da Covid-19 vai se desenrolar nos próximos meses. No ano passado, quando as mortes estavam em declínio, não fizemos nada para conter a segunda onda”, lembra Castro. “Se continuarmos sujeitos a isso, sem impedir a transmissão do vírus, podemos ter esses efeitos se arrastando por um período cada vez mais longo.” 

    Pela primeira vez na história, o Brasil pode registrar mais óbitos que nascimentos. Em abril deste ano, até o dia 13, a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen) registrou 61.540 óbitos no país e 63.760 nascimentos – um saldo positivo de apenas 2.220 vidas. Os dados para esse período ainda não estão consolidados, mas indicam uma tendência perigosa. “Demograficamente, isso não é normal para o Brasil e está diretamente ligado ao excesso de mortalidade que estamos tendo por causa da pandemia”, explica Castro. A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) era que esse cenário só aconteceria em 2047, com a progressiva mudança na pirâmide etária brasileira. O choque demográfico causado pela Covid-19 pode antecipar esse processo de maneira brusca. “Não era para isso acontecer agora”, conclui Castro.

    Em algumas cidades, o saldo negativo de vidas já é uma realidade. No ano passado, Rio de Janeiro e Porto Alegre registraram mais mortes que nascimentos, um cenário inédito nos registros da Arpen – o que os especialistas chamam de crescimento vegetativo negativo. A capital carioca, já com dados consolidados, fechou 2020 com saldo negativo de 4,6 mil habitantes e bateu recorde de mortes registradas no portal da Arpen – consequência direta da pandemia de Covid-19. O Rio de Janeiro chegou a ser a capital com a maior taxa de mortes pela doença a cada 100 mil habitantes no Brasil. Atualmente, todas as regiões da cidade estão sob risco muito alto de infecção e a tendência é que o morticínio prossiga em 2021. No mês de abril, até o dia 13, 19,4 mil óbitos foram registrados no município – e apenas 17,5 mil nascimentos. 

    “O caso do Rio de Janeiro levanta a questão do que vai acontecer com a estrutura da população depois da pandemia”, explica Castro. Essas mudanças podem trazer consequências econômicas. As projeções populacionais são publicadas todo ano pelo IBGE porque determinam o tamanho da verba destinada às cidades por meio de rubricas como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A base dessas projeções atualmente ainda é o Censo de 2010, com estimativas atualizadas ano a ano. “Existem técnicas demográficas que corrigem esses dados. Mas agora, mais do que nunca, precisamos do Censo atualizado para saber o que está acontecendo com a população”, argumenta Castro. 

    As análises demográficas têm três pilares: nascimentos, óbitos e migração. O terceiro componente só pode ser medido pelo Censo. Sem os dados de migração não é possível saber se nessas cidades chegaram mais pessoas do que saíram – e se a população de cada município está, de fato, diminuindo.

    Em 2019, o IBGE pediu 3,4 bilhões de reais para realizar o Censo de 2020. Após pressão do governo federal, o órgão enxugou os gastos e estimou um custo de 2 bilhões. A pesquisa foi adiada por causa da pandemia de Covid-19. O Orçamento editado pelo governo neste ano prevê a liberação de apenas 71,7 milhões de reais para o Censo – menos de 4% do valor necessário. A verba inviabiliza o pagamento dos 204 mil recenseadores e supervisores, espalhados pelo Brasil, e dos demais custos da pesquisa. Procurado, o IBGE informou que aguarda uma definição do orçamento da União para se manifestar sobre o tema. “Só o Censo pode mostrar como está a população depois de um ano de pandemia”, explica Castro. Sem os dados, o país fica no escuro.

    A demógrafa Marcia Castro acredita que o crescimento vegetativo negativo será revertido. “Esse nível de mortalidade não é sustentável a longo prazo”, explica. “Nem consigo imaginar um cenário desses.” A questão, para ela, é saber quando isso vai acontecer. O efeito de uma pandemia, além de ser medido pelo número de mortes, também pode ser medido pelo número de nascimentos. Em uma pesquisa anterior, Castro estudou a epidemia do vírus da zika e verificou que, na época, o número de nascimentos diminuiu. 

    “Não é incomum que a fecundidade caia em momentos de crise”, explica. “Pode haver uma retração dos nascimentos porque a situação é tão grave que as pessoas adiam a gravidez.” Nesse cenário, uma volta à normalidade pré-pandemia seria ainda mais lenta. Uma outra possibilidade é um baby boom, explosão no número de novos nascimentos assim que a pandemia acabar, como observado em períodos pós-guerra. “Tudo isso vai ter que ser estudado a longo prazo”, diz. Mais urgente é controlar a pandemia e reduzir danos. Até a última segunda-feira (12), o país registrou 355 mil óbitos por Covid-19 – quase metade deles nos quatro primeiros meses de 2021. “Abril já é um mês perdido. Agora a gente precisa tomar as medidas para salvar os próximos meses. É uma situação desumana”, conclui Castro. 

    Questões

    Nas análises demográficas são fundamentais três grandes indicativos. Taxa de Natalidade, Taxa Mortalidade e Saldo das migrações. Explique por que o terceiro componente só pode ser medido através do Censo?

    O que é um “baby boom” é por que ele é observado em períodos pós guerra?

    O aumento da esperança de vida num país é motivo de júbilo e de preocupação. Explique essa contradição.

    De que forma a COVID pode afetar o IDH brasileiro?

    Explique a diferença na esperança de vida entre os estados de Santa Catarina e Roraima.

    Professor Luciano Mannarino

  • As Serras do Litoral se movem

    As Serras do Litoral se movem

    Carlos Fioravanti

    Edição 300 – fev/2021

    Publicado on-line em 5 jan 2021 – Atualizado em 15 mar 2021

    Sujeitas a um desgaste incessante, lentamente elas avançam para o interior do continente e, em milhões de anos, podem formar uma vasta planície litorânea

    O pico Dedo de Deus, ao centro, na serra do Mar, que já esteve unida à serra da Mantiqueira, formando uma cordilheira única – Carlos Perez Couto/WikiMedia Commons

    A identificação das taxas de desgaste das rochas nos últimos 100 mil anos esclareceu um pouco mais do passado e do que poderá ocorrer no futuro da paisagem das serras do Mar e da Mantiqueira, nas regiões do Sudeste e Sul.

    Depois de examinar a movimentação do relevo por meio da abundância de elementos químicos em minerais coletados em 24 pontos da região, o geógrafo Daniel Souza, do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP), concluiu que as rochas dos morros do município de Ubatuba, no litoral norte paulista, apresentam a maior taxa de erosão na região.

    Isso significa que perderam até 100 metros (m) de altura por milhão de anos, o equivalente a 1 centímetro a cada 100 anos – o desgaste da cordilheira dos Andes é dez vezes maior. Como o efeito é cumulativo, a praia tende a se ampliar lentamente em direção ao interior. Em milhões de anos, a planície costeira poderá ser tão larga quanto a do município de Santos, também no litoral paulista.

    “A erosão das rochas das serras diminuiu, mas nas escarpas litorâneas nas bordas das serras continua tão intensa quanto há milhões de anos”, observou Souza. Escarpa é uma inclinação abrupta na borda de uma região plana, enquanto serra é uma estrutura que geralmente se assemelha a um prisma alongado. As análises do geógrafo indicaram que a erosão é mais intensa na serra do Mar, por causa das chuvas constantes, do que na Mantiqueira. “Os rios e as chuvas estão corroendo as bordas dos planaltos e ampliando as escarpas”, concluiu.

    Descrito em outubro de 2020 na Journal of South American Earth Sciences, o trabalho de Souza reforçou as evidências sobre o recuo das escarpas litorâneas em 10 quilômetros (km) a cada 10 milhões de anos e delineia o que pode acontecer daqui a milhões de anos: o avanço das escarpas para o interior e a ampliação das planícies costeiras, além da transformação de regiões serranas em vastos planaltos, a não ser que outros movimentos da superfície terrestre façam as serras empinarem novamente ou criem outras.

    Durante seu doutorado, realizado no Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) sob orientação do geólogo Peter Hackspacher, Souza aplicou duas técnicas para analisar os movimentos do relevo na região serrana.

    A primeira é a termocronologia, que registra a variação da temperatura das rochas no interior do planeta ao longo do tempo, de acordo com a taxa de decaimento (perda de massa) de seus elementos químicos – quanto menor a temperatura, mais próximo à superfície está a rocha.

    Por meio dessa metodologia ele examinou a proporção de urânio, tório, samário e hélio de seis amostras de granitos e gnaisses, às quais somou análises de 130 pontos da região feitas desde a década de 1990 por Hackspacher e outros pesquisadores do Brasil e do exterior.

    A outra técnica é a medição de isótopos do elemento químico berílio (10Be), formado pela interação de quartzo com raios cósmicos que chegam do espaço – quanto mais berílio 10, menor a erosão. Isótopos são variantes de um elemento químico que diferem na quantidade de nêutrons.

    Souza apresentou as análises de suas 18 amostras de sedimentos coletados em areia do fundo de rios em abril de 2019 na Geomorphology e as complementou com as 26 do geógrafo André Salgado, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), descritas em fevereiro de 2016 na revista Journal of South American Earth Sciences.

    Movimentos da crosta formaram, separaram e moldaram as serras do Mar e da Mantiqueira

    Juntos, esses trabalhos detalham a história das serras do Mar e da Mantiqueira, moldadas por incessantes movimentos da superfície e pela erosão causada por rios e pelo clima, principalmente a chuva.

    Um dos resultados da separação dos continentes, iniciada cerca de 130 milhões de anos atrás, as serras litorâneas do Sudeste e Sul constituíram inicialmente uma elevação única. Depois cresceram um pouco mais, atingindo 4 mil m de altitude, o dobro da Pedra da Mina, o ponto mais alto da região hoje, e se afastaram, formando o vale do Paraíba (ver infográfico).

    Hackspacher enumera três consequências dessa movimentação. A primeira é a formação das reservas de petróleo nas bacias sedimentares de Santos e de Campos, no litoral dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A segunda é o desvio de rios. “O soerguimento das serras bloqueou o curso do rio Paraíba, que se separou do Tietê e começou a correr para o mar”, exemplifica. A terceira é a separação de comunidades de animais e plantas, favorecendo a formação de novas espécies.

    “Estamos apenas confirmando e detalhando, com técnicas modernas, as conclusões de Fernando Almeida [1916-2013]”, reconhece Hackspacker. Engenheiro carioca que se voltou à geologia, Almeida começou na década de 1950 a examinar a região serrana do estado de São Paulo, propondo hipóteses para a sua formação, como a separação das serras.

    “Essa região é um exemplo fascinante de movimentação tectônica intraplaca, como ocorre em poucos lugares do mundo”, diz o geólogo Claudio Riccomini, do IEE-USP e do Instituto de Geociências da USP, que estuda a região desde os anos 1980.

    “Além do clima”, diz ele, “há uma forte influência dos movimentos tectônicos, mesmo nos últimos 20 mil anos, na modelagem e na erosão do relevo”. Um estudo de que ele participou, publicado em maio de 2018 na Journal of Seismology, registrou mais de 20 falhas geológicas potencialmente ativas na região.

    Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

    Questão

    1 Por que o trabalho erosivo é mais intenso na Serra do Mar em relação a Serra da Mantiqueira?

    2 No texto é possível perceber a diferença entre uma escarpa e uma serra? Justifique.

    3 Explique a formação do Oceano Atlântico.

    4 Explique a formação do Rio Paraíba do Sul.

    Prof Luciano Mannarino

    VÍDEO – TEORIA DA DERIVA CONTINENTAL

    Conceitos de Epirogênese e de Orogênese.

  • JURANDYR ROSS: OS TRÊS BRASIS

    JURANDYR ROSS: OS TRÊS BRASIS

    Geógrafo paulista propõe uma síntese das três realidades ambientais, sociais e econômicas do país. (foto – Léo Ramos Chaves)

    Jurandyr Ross

    Idade 73 anos
    Especialidade Geomorfologia
    Instituição Universidade de São Paulo (USP)
    Formação Graduação em Geografia (1972), mestrado (1982) e doutorado (1987) pela USP
    Produção 45 artigos e 8 livros

    Por Carlos Fioravanti

    No escritório de seu apartamento, entre paredes cobertas de mapas, o geógrafo Jurandyr Luciano Sanches Ross redescobriu o Brasil à medida que examinava dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com colegas de outros estados. O que emergiu foram na verdade três Brasis: o que denominaram o Brasil da natureza, com grandes áreas verdes; o do semiárido, no sertão nordestino; e o de maior atividade econômica, ligada principalmente à agropecuária. “Provavelmente esse é meu último grande trabalho”, diz ele, aos 73 anos.

    Especialista em geomorfologia, estudo das formas de relevo e suas origens, Ross lançou na década de 1980 um mapa do relevo brasileiro. Elaborado com base nas informações do Projeto RadamBrasil, que ele integrou, seu trabalho sucedeu as versões dos geógrafos Aroldo de Azevedo (1910-1974), de 1949, e Aziz Ab’Saber (1924-2012), da década de 1960.

    Nascido em Promissão, noroeste paulista, e crescido em Rolândia, no Paraná, mudou-se para São Paulo na década de 1960. Viúvo, duas filhas (uma engenheira eletrônica e outra dentista), três netos, ele concedeu a entrevista a seguir por videoconferência em fevereiro.

    Mapas resultantes do projeto de pesquisa sobre ordenamento territorial no Brasil coordenado por Ross

    Em que você está trabalhando?
    Coordeno um projeto de três anos para estudar o ordenamento territorial do Brasil, o modo pelo qual o território do país está organizado. Esse trabalho, com financiamento do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], envolve minha equipe do Laboratório de Geomorfologia da USP, colegas da Universidade Estadual de Londrina, das universidades federais da Paraíba e de Uberlândia e um sociólogo do Ministério da Economia. Já produzimos muitos dados e adquirimos uma noção mais clara de quem somos nós, sob a perspectiva de uso do território nacional.

    O Brasil tem plano de ordenamento territorial?
    Tivemos a partir de 1993, em consequência da Rio-92, que levou a uma política de Estado e à criação do Ministério do Meio Ambiente, de unidades de conservação, principalmente na Amazônia, dos zoneamentos ecológico-econômicos em alguns estados e regiões, dos planos de gestão de recursos hídricos e dos planos diretores municipais, até 2002. Então começou outra política territorial e o Ministério do Meio Ambiente se tornou periférico. O ordenamento deixou de ser algo importante.

    E por que é importante?
    Porque ajuda a não serem feitas coisas erradas no uso e ocupação das terras. A primeira tarefa de um plano de ordenamento territorial é entender as áreas mais ou menos favoráveis para agricultura ou pecuária e as que não devem ser mexidas ou convertidas em agricultura ou pecuária. Dizem que o Brasil não precisa desmatar, e não precisa mesmo, porque tem muita terra subaproveitada. Mas que terras são essas, onde estão, com que tipo de relevo e de solo? Tem de saber se é favorável a algum uso econômico ou não. A ocupação do território brasileiro é espontânea, feita por quem compra e incorpora as terras. Andei por Parauapebas, no leste do Pará. Só se vê pastagem e nada de árvore. Quase ninguém deixou os 50% da área com vegetação nativa e as matas ciliares, obrigatórias por lei; agora a reserva legal é 80% da área. Participei da finalização do plano de zoneamento ecológico de Rondônia, que terminou em 2000. Ficaram definidas em torno de 10 áreas para diferentes tipos de ocupação ou preservação, mas o plano se perdeu ou não foi aplicado adequadamente. Hoje resta muito pouco de floresta, só mesmo em unidade de conservação. A maior parte do estado foi ocupada com café, banana, cacau e principalmente pasto.

    O que estão vendo agora?
    Focamos no Brasil rural e examinamos a agricultura, silvicultura, pecuária e mineração. Pensamos em fazer um levantamento das condições atuais do uso e da ocupação da terra, com base nos dados estatísticos do IBGE na escala municipal e os mapas do MapaBiomas Brasil [organização não governamental que acompanha as mudanças da cobertura da vegetação nativa e do uso do solo no país] sobre desmatamento e outras questões ambientais. Os mapas representam os 5.570 municípios brasileiros. Por exemplo, conseguimos ver por onde a soja caminha, desde que começou a ser cultivada no Rio Grande do Sul e em São Paulo nas primeiras décadas do século XX. Agora já está no Maranhão e no Piauí, quase chegando ao mar. A cana-de-açúcar está em São Paulo, mas também no Triângulo Mineiro, em Goiás e no noroeste do Paraná.

    E no Nordeste?
    A cana não está mais tão forte em Pernambuco, mas em Alagoas. Os tabuleiros de Pernambuco não são planos e grandes como os de Alagoas. A mecanização do plantio e corte da cana precisa de relevo plano. O relevo é fundamental na agricultura tanto quanto o solo e o clima, por conta da mecanização. Em outro mapa, ao examinar o PIB dos municípios por atividade econômica predominante, vimos que na Amazônia e sobretudo no semiárido a principal renda é o dinheiro público enviado às prefeituras e a pessoas, por meio das aposentadorias, do Bolsa Família e de outros benefícios sociais. Há dois anos estive no sertão do Ceará e fiquei assustado. Porque os jovens em grande parte saíram e continuam saindo do campo, ficando na zona rural principalmente os mais velhos, que recebem aposentadoria rural ou Bolsa Família, cuidam dos animais e fazem pequenas roças de feijão, milho e mandioca. Já o PIB per capita é mais alto na região Sudeste, sem o norte de Minas, como resultado do agronegócio, da atividade industrial e dos serviços. Estou mostrando esses mapas, originais, para falar do que chamamos de três Brasis, ou unidades de ordenamento territorial, que nossas análises revelaram.

    Quais são os três Brasis que vocês propõem?
    Um é o da natureza, outro do semiárido e o terceiro, o economicamente produtivo. O primeiro tem extensa área de terras preservadas e grande biodiversidade, mas é permanentemente ameaçado por causa da expansão, principalmente da pecuária. A área cobre a Amazônia, o Pantanal, o rio Araguaia e a faixa costeira, com a serra do Mar. Em situação oposta está o semiárido. Não é o Nordeste todo, mas uma área de restrição climática muito forte. Enquanto a ocupação na Amazônia é de baixa densidade e receptora de migrantes, o semiárido é o resultado de 500 anos de ocupação com êxodo de população. Quando a cana ocupou o litoral, o semiárido foi tomado com a pecuária. Existe hoje lá um esvaziamento ou estagnação demográfica. O terceiro Brasil é essencialmente o da produção agropecuária e atividades industriais com destaque para agroindústrias e indústrias sucroenergéticas, concentrada no Centro-Oeste, oeste da Bahia, do Maranhão, do Piauí, do sul e leste da região Norte, toda a região Sudeste e Sul e a faixa costeira brasileira, desde o Nordeste oriental até o Rio Grande do Sul. É o Brasil que gera mais empregos e renda nos três segmentos da economia: indústria, agropecuária e serviços.

    O que chamamos de três Brasis são realidades muito diferentes, que exigem abordagens distintas

    O que você pensou vendo essas diferenças?
    São realidades completamente diferentes, em biodiversidade, geodiversidade, que revelam problemas estruturais e exigem abordagens distintas. No semiárido, uma área de esvaziamento ou estagnação demográfica, temos de questionar: “Vamos deixar todo mundo ir embora e pronto?”. O ideal é que se comece a gerar mais renda e emprego, com uma economia mais dinâmica.

    E a Amazônia?
    Em 2019, fui dar um curso em Parintins, a leste de Manaus. Depois saímos de barco. Em um dos pontos em que paramos vivia uma família com a casa no terraço do rio. Perguntei para o homem da casa, devia ter uns 60 anos, do que ele vivia. Ele respondeu: “Ainda tenho algumas vacas, que comem o capim da várzea. Tiro leite, faço queijo e vendo o bezerro”. Ele tinha reduzido o número de vacas porque estava dando mais atenção a uma roça de guaraná na floresta, em sistema agroflorestal. Ele vendia a R$ 15 o quilograma da semente de guaraná, um valor três vezes mais alto que o do quilograma do bezerro. “E eu trabalho muito menos que com as vacas”, ele falou. “Porque praticamente é só manter a área limpa e colher as sementes.” A floresta tem solução, que não pode ser derrubar árvore para plantar pasto.

    O que vocês pretendem fazer com esses mapas?
    Vamos terminar o relatório, que já está com 900 páginas de mapas e textos. Queremos discutir essas informações com colegas da universidade, com gente do governo, com políticos, com o máximo de pessoas, de qualquer área. Queremos que essas informações sejam úteis para o país.

    Mapas resultantes do projeto de pesquisa sobre ordenamento territorial no Brasil coordenado por Ross

    Esse é o grande trabalho da sua carreira?
    Provavelmente é o meu último grande trabalho. Os outros foram o mapa de relevo do Brasil, na década de 1980, o mapa geomorfológico do estado de São Paulo, no final dos anos 1990 [ver Pesquisa FAPESP n° 35], com financiamento da FAPESP, e o mapa geomorfológico da América do Sul, concluído em 2019 [ver Pesquisa FAPESP n° 246]. Fiz muitas orientações tecnocientíficas em projetos de zoneamento ecológico-econômico, que determinam as áreas a serem ocupadas com atividades econômicas e as que devem ser preservadas, no litoral do Paraná e nos estados do Paraná e de Mato Grosso, na bacia do Alto Paraguai e no Tocantins.

    Por que resolveu fazer o mapa de relevo do Brasil?
    Quando estava no curso de geografia, dei aula em escolas e ficava agoniado quando tinha de ensinar coisas ultrapassadas sobre o relevo brasileiro. Eu já conhecia uma parte do Brasil. Nas férias de janeiro, saía com algum amigo e viajávamos de carona em caminhão. Fomos até a Argentina, Uruguai, sul do Brasil, Goiás e Mato Grosso, para o Pantanal, depois para o Nordeste. Terminei a graduação e resolvi fazer mestrado em geomorfologia. Na metade do mestrado, surgiu a possibilidade de fazer geomorfologia para o RadamBrasil. Foi onde eu me firmei profissionalmente como geógrafo.

    O que era o projeto Radam?
    O Radam foi um grande levantamento dos recursos naturais, entre os quais o do relevo brasileiro, que começou em 1970. Fui trabalhar para o Ministério de Minas e Energia, que administrava o projeto através do DNPM [Departamento Nacional de Produção Mineral]. Enquanto o Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais] usava imagens de satélites, o Radam produzia os mapeamentos temáticos de geologia, geomorfologia, solos, vegetação e clima usando imagens de radar, mais fáceis de trabalhar porque as micro-ondas do radar atravessam as nuvens, que assim não atrapalham o levantamento. O trabalho começou pela Amazônia e por isso se chamava projeto Radam, de Radar da Amazônia, depois é que virou RadamBrasil. Nessa época o governo era muito cobrado porque não se conhecia direito o território e precisava mapear os recursos naturais. Eu morava com minha família em Goiânia e trabalhei no Radam de 1977 até 1983, na região centro-oeste e sul da Amazônia.

    Dei aula em escolas e ficava agoniado quando tinha de ensinar coisas ultrapassadas sobre o relevo

    Como era o trabalho de campo?
    Tínhamos as imagens de radar, com um pouco menos de 1 metro de comprimento, feitas por sobrevoos de avião, que mostravam basicamente as rugosidades do relevo. Íamos a campo para identificar as formas de relevo, a geologia, os tipos de solo e de vegetação. Viajávamos por terra, com uma Ford Willys, ou com avião bimotor em voo baixo, a 200 metros de altitude, fazendo ziguezague sobre a área objeto do mapeamento. As saídas eram longas, de 25 a 30 dias, tínhamos de dormir em rede, em barraca ou em hotelzinho de beira de estrada. Acampar ou amarrar a rede, era uma delícia, eu adorava. Fotografávamos tanto em terra como no ar, com helicóptero e avião, usávamos aqueles gravadores grandões, depois transcrevíamos e detalhávamos os mapas. Trabalhei em três grandes áreas em Goiás e no atual Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Triângulo Mineiro. Cada área era coberta com 16 folhas de imagens de radar. Cada folha, no corte internacional ao milionésimo, na escala de 1 para 1 milhão, tinha 16 mapas na escala 1 para 250 mil, portanto 48 mapas nessas três áreas, para cada tema de pesquisa.

    Por que você resolveu sair do Radam e entrar na USP?
    Meu orientador do mestrado e doutorado, Adilson Avansi de Abreu, me alertou para o fato de que o Radam acabaria um dia e que eu deveria terminar o mestrado e buscar outro trabalho. Segui o conselho dele e terminei. Depois ele me avisou de um concurso na USP, para preencher a vaga do Ab’Saber, que tinha se aposentado. Comecei na USP em janeiro de 1983 e aos poucos vi o que poderia fazer. Refiz meu projeto de doutorado para aproveitar o material do Radam e examinar uma província serrana interessante, próxima a Cuiabá. Ao mesmo tempo comecei a dar aulas para a graduação. Montei uma disciplina extracurricular para os alunos interessados em imagem de radar. O laboratório de geomorfologia do Departamento de Geografia da USP tinha o acervo completo das imagens do Radam, que o Ab’Saber havia pedido antes de se aposentar. Essas aulas viraram uma disciplina optativa e me estimularam a fazer duas coisas, que me tomaram os 10 anos seguintes. A primeira foi a síntese do relevo brasileiro e a segunda o mapa geomorfológico do estado de São Paulo, os dois com base em imagens de radar e nos relatórios do RadamBrasil. Ambos foram praticamente uma continuidade do que se fazia no Radam, agora no Laboratório de Geomorfologia do Departamento de Geografia da USP.

    Em seu mapa de relevo do Brasil, quais as inovações em relação ao que Aroldo de Azevedo e Ab’Saber tinham feito?
    Eram enfoques diferentes. Aroldo de Azevedo valorizou as diferenças de altitudes do relevo e fez um mapa apenas com planaltos e planícies, foi um desenho, uma figura de ilustração. Ab’Saber fez o mapa dos chamados domínios morfoclimáticos, unindo vegetação e relevo. Eu explorei as macroformas. Uma das inovações foi a incorporação das depressões, os corredores rebaixados entre os planaltos, já conhecidas desde a década de 1930, só não haviam sido ainda mapeadas. O RadamBrasil identificou as depressões, de Norte a Sul. Trabalhei nisso por três anos e o mapa saiu em 1989, publicado na Revista do Departamento de Geografia, aqui da USP, em 1990.

    Ross entre gêiseres nos Andes 2015 (Acervo pessoal)

    Quando o apresentou aos seus colegas?
    Um ano antes no simpósio de geografia física no Rio de Janeiro, em 1989. Estavam lá ex-colegas do Radam, que havia sido extinto quatro anos antes. Havia umas 300 pessoas assistindo, os congressos ainda eram pequenos e todos viam tudo. Depois da apresentação, meu ex-chefe perguntou: “Mas de onde você tirou esses conceitos de morfoestrutura e morfoescultura?”. Falei que vinha do meu aprendizado do doutorado, seguindo um conceito de alemães e russos que trabalham o relevo com duas perspectivas, a estrutural, que vem de dentro para fora, como os movimentos tectônicos, e a escultural, de fora para dentro, como o desgaste erosivo. E ele: “Legal, gostei”. O mapa chegou ao público não especializado por meio de reportagens nas revistas Nova Escola e Veja. Depois saiu no livro Geografia do Brasil (Edusp, 1996), que coordenei, e as editoras começaram a incorporá-lo em livros didáticos.

    Você também foi consultor para a construção de hidrelétricas nos rios Xingu, Madeira, Iguaçu e Uruguai. Como foi essa experiência?
    Foi no final da década de 1980, quando começou a aplicação dos EIA-Rimas [estudos e relatórios de impacto ambiental] e havia um plano nacional da Eletrobras para implantar hidrelétricas, até 2010, em todos os rios da Amazônia oriental, porque os do lado ocidental não têm caimento suficiente. O Projeto Radam já tinha indicado algumas possibilidades. Fui chamado para ensinar ex-alunos e estagiários que trabalhavam nas empresas contratadas a usar imagens de radar para fazer mapeamento e análise geomorfológica. Eu ajudava nos mapas e relatórios.

    As saídas do Radam eram longas, de 25 a 30 dias, tínhamos de dormir em rede. Uma delícia, eu adorava

    Se você pudesse entrar agora em um helicóptero e o piloto perguntasse “vamos para onde?”, que lugares escolheria para revisitar ou conhecer?
    Vou ser pragmático, estou precisando fazer um sobrevoo na Chapada Diamantina, na Bahia. Nunca estive lá e estou orientando um doutorado sobre essa região. É um lugar muito interessante porque entre os relevos montanhosos há superfícies baixas e planas, com um clima de transição do Cerrado para a Caatinga, solo fértil e uma intensa agricultura irrigada. Tenho muita curiosidade de conhecer esse lugar.

    Você conhece todos os estados brasileiros?
    Sim, embora não conheça todos inteiros. Já fui de Macapá até Oiapoque por estrada; de Boa Vista, Roraima, até Pacaraima, na divisa da Venezuela. Em maio de 2019 quase morri subindo a serra do Caparaó, na divisa de Minas Gerais com Espírito Santo. Durante a pandemia só tenho ido a uma casa que tenho em Boituva. Espero recomeçar a viajar assim que tiver tomado a vacina contra a Covid-19.

    https://revistapesquisa.fapesp.br/autor/fioravanti/

    Questões

    Aqui estão algumas questões bem elaboradas sobre o texto:

    Sobre a trajetória de Jurandyr Luciano Sanches Ross:

      Como a experiência de Ross no Projeto RadamBrasil influenciou sua carreira como geógrafo? Cite exemplos específicos de como esse projeto contribuiu para seu desenvolvimento profissional.

      Divisão do território brasileiro:

        O conceito dos “três Brasis” é central no trabalho de Ross. Explique como ele define essas três divisões e discuta a importância de cada uma para o entendimento do ordenamento territorial do Brasil.

        Planejamento territorial e sustentabilidade:

          Por que, segundo Ross, o planejamento territorial é importante para o Brasil? Quais são os principais desafios enfrentados na implementação de um ordenamento territorial adequado?

          Impactos da agricultura e pecuária no Brasil:

            Como a expansão da agricultura, particularmente a soja e a cana-de-açúcar, afeta diferentes regiões do Brasil, de acordo com o relato de Ross? Analise a importância do relevo na mecanização da agricultura.

            Mudanças sociais e econômicas no semiárido nordestino:

              O que Ross identificou como principais mudanças demográficas e econômicas no semiárido? Como essas transformações afetam a população e a estrutura econômica da região?

              Amazônia e sustentabilidade:

                Ross menciona uma experiência pessoal em Parintins, onde um agricultor passou a focar no cultivo de guaraná em vez da criação de gado. Como essa mudança reflete o potencial da Amazônia para uma economia sustentável? Quais são as principais lições que podem ser extraídas dessa história?

                Contribuições científicas de Ross:

                  Além do mapa de relevo do Brasil, Ross menciona outros projetos importantes que marcaram sua carreira. Escolha um desses projetos e explique sua relevância para o estudo da geomorfologia no Brasil.

                  Geografia física e relevância das macroformas:

                    Qual foi a principal inovação introduzida por Ross em seu mapa de relevo do Brasil em comparação aos trabalhos anteriores de Aroldo de Azevedo e Aziz Ab’Saber? Como a inclusão das depressões no mapa contribui para um melhor entendimento do relevo brasileiro?

                    Relação entre geografia e políticas públicas:

                      Como o trabalho de Ross pode influenciar políticas públicas no Brasil, especialmente em relação à ocupação do solo e à preservação ambiental? Dê exemplos de como mapas e zoneamentos ecológico-econômicos podem ser utilizados em decisões governamentais.

                      A importância dos dados do IBGE e MapaBiomas:

                      Ross utiliza dados do IBGE e do MapaBiomas em seu trabalho. Qual é a importância desses dados para a análise e compreensão do uso e ocupação do território brasileiro?

                        Essas questões abordam tanto os aspectos técnicos da carreira de Ross quanto as implicações de suas pesquisas no contexto social e ambiental do Brasil.

                        Prof Luciano Mannarino

                        A formação do Território Brasileiro (EM13CHS204)

                      1. Seca severa no Pantanal deve durar cinco anos, afirma secretário nacional de Defesa Civil

                        Seca severa no Pantanal deve durar cinco anos, afirma secretário nacional de Defesa Civil

                        Participando na mesma audiência no Senado, presidente do Ibama disse que órgão trabalha no limite

                        30.set.2020 às 16h00Atualizado: 30.set.2020 às 19h07

                        Renato Machado BRASÍLIA

                        As condições de estiagem na região do Pantanal, um dos fatores para as queimadas que devastam o bioma, devem permanecer por mais cinco anos, estima a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

                        A previsão foi passada pelo próprio secretário Alexandre Lucas Alves, durante audiência pública na Comissão do Senado que acompanha as queimadas e ações para combate aos incêndios no Pantanal, nesta quarta-feira (30).

                        Alves explicou que as queimadas neste ano na região do Pantanal se devem principalmente a uma “situação excepcional de estiagem”.

                        “A situação excepcional de estiagem supera a capacidade de preparação dos pantaneiros e das instituições públicas que trabalham na prevenção dos incêndios locais. Eu imagino que a estiagem deste ano supere a capacidade de gestão do fogo, mesmo o permitido no caso daquelas pessoas que trabalham com o fogo, que usam o fogo como instrumento de produção”, afirmou.

                        Voluntário combate incêndio e tenta proteger ponte de madeira da Transpantaneira, em Mato Grosso
                        Voluntário combate incêndio e tenta proteger ponte de madeira da Transpantaneira, em Mato Grosso Mauro Pimentel/AFP

                        “Entendemos também que a educação para o uso do fogo, como diz o professor Paulo, tem de ser implementada como forma de prevenção, levando em consideração a previsão dos institutos de meteorologia de mais cinco anos nessa situação. E aí eu quero desafiar a academia e todos os integrantes do sistema nacional de defesa civil para incêndios florestais a nos unirmos para estabelecer quais são as ações e quais são as metodologias e as tecnologias disponíveis para os próximos cinco anos”, afirmou.

                        “A exceção dessa seca, e a situação para os próximos cinco anos, é um desafio, senador, sobre o qual nós temos que nos debruçar, não só após vencermos esse desafio agora desse incêndio, mas para os próximos que virão, dado que as mesmas condições, pelo que nos parece, serão colocadas”, completou.

                        O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) vem defendendo o uso do “fogo frio”, técnica usada para retirar o oxigênio da vegetação e assim evitar a propagação de incêndios. Salles afirma que essa técnica não é adotada por questões de ideologia.

                        Cinzas de uma arvore totalmente queimada marcam um pasto devastado pelo incêndio que atingiu a fazenda São Francisco, do pecuarista Pedro Oliveira Rodrigues, no município de Santo Antonio de Leverger.
                        Cinzas de uma arvore totalmente queimada marcam um pasto devastado pelo incêndio que atingiu a fazenda São Francisco, do pecuarista Pedro Oliveira Rodrigues, no município de Santo Antonio de Leverger. Lalo de Almeida/Folhapress

                        Também presente na audiência, o presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Eduardo Fortunato Bim, também apontou para a estiagem como o principal motivo para as queimadas. Bim também voltou a falar que seu órgão trabalha no limite orçamentário.

                        “O Ibama trabalha no seu limite de capacidade orçamentária. A gente fez o remanejamento de servidores do Refogo para a região do Pantanal. Obviamente que, para mandar mais, a gente precisa de um suporte logístico local. A gente tem uma trava logística, não é só uma questão de números; eu não posso tirar brigadistas do País inteiro e mandar para o Pantanal”, disse.

                        “Embora eu tenha mandado brigadistas do País inteiro para o Pantanal, eu não posso tirar todos, porque eu tenho as demandas locais também, há deficiências locais em outros lugares do País, em outros biomas também ameaçados.”

                        Bim, no entanto, evitou fazer críticas por conta de recursos escassos para o seu órgão.

                        “O orçamento é um ato conjunto do poder Executivo e do Poder Legislativo, então, é claro que, quando se diz que falta dinheiro, não falta dinheiro para as situações emergenciais que aparecem”, completou, ao responder um questionamento da senadora Simone Tebet (MDB-MS), sobre falta de recursos e sobre falta de transparência nas multas aplicadas para crimes ambientais.

                        Bim apenas informou que as multas e autos de embargos são postados no site do órgão e disse que enviaria a relação para a parlamentar.

                        O presidente do Ibama também culpou a pandemia pelas queimadas na região do Pantanal, argumentando que não houve tempo hábil para o treinamento de brigadistas.

                        “A situação foi extremamente atípica. A gente trabalha de uma maneira preventiva, também dando treinamento para as brigadas, e esse treinamento é importante. Como eu disse, trabalhar com fogo, para apagar fogo, não é uma atividade trivial”, disse Eduardo Bim.

                        “A gente teve um revés este ano, por causa da pandemia, atrasou um pouco [a contratação de brigadistas]. Tivemos um pouco de perda em relação ao treinamento preventivo, uma prática que a gente faz todo o ano. O PrevFogo [unidade do Ibama] não aparece só quando o fogo está pegando na vegetação. Ele faz um trabalho preventivo, educacional, o ano inteiro, justamente para poder evitar que incêndios criminosos aconteçam, incêndios acidentais aconteçam e, acontecendo esse tipo de incêndio, ou práticas culturais, você possa combater o fogo da melhor maneira possível”, completou.

                        Bim afirma que foram contratados neste ano 1.485 brigadistas para atuar em todo o país.

                        O presidente do Ibama também acrescentou que, apesar da grande destruição provocada pelas queimadas, o órgão aprendeu com a experiência para não deixar isso “nunca mais acontecer”.

                        “Nesse cenário, vai ser criado um manual de aprendizado para isso nunca mais acontecer, para a gente trabalhar de uma maneira mais preventiva, de uma maneira mais pesadamente preventiva junto à sociedade local para isso”, completou.

                        Pouco antes da audiência, em sessão deliberativa, a comissão aprovou convite para o ministro Ricardo Salles comparecer e explicar as ações de enfrentamento às queimadas no Pantanal.

                        “Quero agradecer a aprovação dos meus requerimentos. Um deles foi o convite ao ministro Ricardo Salles, que acaba de ser aprovado, para que ele venha conversar conosco, venha dialogar. O ministro sempre foi muito aberto, uma pessoa muito fácil de lidar. Por isto fiz questão de que possamos ouvi-lo o quanto antes, justamente para dirimir essas dúvidas. Eu sei que ele virá com muita facilidade”, afirmou a autora do requerimento, senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), indicando que o ministro não deve encarar um ambiente muito hostil na audiência, caso compareça.

                        Prof. Luciano Mannarino

                      2. Brasil foca em soja e milho para exportação, e arroz e feijão perdem espaço…

                        Brasil foca em soja e milho para exportação, e arroz e feijão perdem espaço…

                        Bruno Cirillo

                        Colaboração para o UOL, em São Paulo

                        Atualizada em 27/09/2020 07h10

                        Nos últimos 20 anos, as culturas agrícolas voltadas para exportação, como soja e milho, cresceram exponencialmente, enquanto as plantações de itens da cesta básica, como arroz e feijão, tiveram expressivas reduções de área. Essa mudança no perfil da agricultura brasileira ajuda a explicar as recentes altas no preço dos alimentos, de acordo com especialistas.

                        Nos anos 2000, o arroz ocupava 3,2 milhões hectares de área plantada no Brasil; a estimativa para a safra atual é de 1,6 milhão de hectares, metade do que era plantado. Já a soja, que ocupava 13,9 milhões de hectares há duas décadas, atingiu 36,9 milhões de hectares neste ano, expansão de 165%. O mesmo acontece nas culturas do feijão (redução de 76,5%) e do milho (alta de 143%), segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

                        Expansão das exportações agrícolas

                        “A partir de 2000, as exportações de soja e milho começaram a deslanchar”, observa o pesquisador da Embrapa Elisio Contini.

                        Para o coordenador do índice de preços da FGV, André Braz, a atratividade do mercado externo provoca uma mudança no comportamento do produtor brasileiro, que acaba dando preferência às commodities.

                        O incentivo para produzir arroz e feijão não é grande. O espaço para exportação de milho e soja é maior, remunera mais e, com a desvalorização do real, acaba sendo ainda mais vantajoso. No momento em que outras culturas pagam menos, é natural que o uso da terra seja voltado às commodities.
                        André Braz, coordenador do índice de preços da FGV

                        O especialista não vê risco de desabastecimento, mas considera que a alta de preços de produtos da cesta básica é uma tendência que deve continuar. Isto somado à situação econômica do país é preocupante, segundo Braz.

                        O maior risco, numa recessão, é a falta de emprego. Ainda que o preço dos produtos suba, se você tem renda, consegue driblar o aumento. Se não tem renda, a qualquer nível de preço, o produto fica caro.
                        André Braz, coordenador do índice de preços da FGV

                        Produtor do RS trocou arroz por soja

                        Na região da Campanha Gaúcha, o produtor Paulo Lederes plantava 1.500 hectares de arroz há quinze anos. Quando iniciou a produção de soja, foi deixando paulatinamente a rizicultura. Em 2005, passou a produzir mais soja que arroz e, nesta safra, está plantando 900 hectares de soja e um décimo (150 hectares) do que plantava de arroz.

                        Em razão dos altos custos de produção, baixos preços das safras e problemas de crédito, migramos para a soja.
                        Paulo Lederes, produtor agrícola de São Gabriel (RS)

                        “A soja não tem volta, cada ano cresce de dez a quinze hectares na região”, diz o produtor de São Gabriel (RS).

                        O município está plantando 21 mil hectares de arroz (30% a menos do que no ano passado) e 140 mil hectares de soja neste ano, seguindo uma tendência que tem sido averiguada nos últimos anos, de crescimento de uma cultura sobre a outra.

                        Soja oferece vantagens financeiras ao produtor

                        Lederes lembra que, nos últimos anos, sete indústrias de soja chegaram à região, financiando a cultura.

                        A soja tem a venda garantida através de preços fixados no mercado futuro (Bolsa de Chicago), além da troca de parte da produção pelos insumos necessários ao plantio (sementes, fertilizantes e defensivos).

                        No caso do arroz, os produtores conseguem, no máximo, um empréstimo das indústrias, com preço negociado entre ambos, mas sem poder usufruir da garantia do preço futuro de uma Bolsa de commodities para a época da colheita.

                        O arroz não tem garantia de preço, vale bem menos a pena.
                        Paulo Lederes, produtor agrícola de São Gabriel (RS)

                        Mais de 60% da soja e 30% do milho produzidos no Brasil são exportados, principalmente para a China, puxando as vendas internacionais do agronegócio brasileiro. Desde janeiro do ano passado, 60 novos mercados foram abertos para os produtos agrícolas brasileiros.

                        “A rentabilidade da soja aumentou muito com as exportações para a China. As indústrias passaram a remunerar melhor o produtor”, comenta Lederes.

                        Menos feijão no Paraná

                        À frente da produção de sementes de feijão feita por vinte cooperados no Oeste do Paraná, o produtor Airton Cittolin, de Cascavel (PR), observa que os 28 municípios paranaenses devem produzir 30% a menos do grão nesta safra.

                        A produção vai diminuir porque o preço da soja e do milho subiu muito. O feijão é uma cultura que oscila muito de preço, então o pessoal opta pelas culturas mais seguras.
                        Airton Cittolin, produtor agrícola de Cascavel (PR)

                        Embora as sacas de feijão preto e carioca estejam valendo R$ 250 e R$ 280, enquanto a da soja seja vendida a R$ 120, a garantia de venda da soja ainda compensa mais o produtor do que o feijão.

                        A soja tem liquidez na hora, muitos lugares que recebem –é dólar na mão. Já o feijão tem pouco comprador, depende muito da qualidade e só paga em 30 dias.
                        Airton Cittolin, produtor agrícola de Cascavel (PR)

                        O economista Marcelo Garrido, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná, informa que, em dez anos, a área plantada de feijão encolheu 92% no Paraná. No mesmo período, a soja cresceu 3,9%, para 995 mil hectares: “Para o Paraná, é uma expansão considerável porque não temos terra nova para plantio — a área agrícola está esgotada”.

                        Garrido observa que o movimento se repete em boa parte do país. “Nos últimos anos, a soja tem ganhado muita área em cima das culturas menores, em função de preço e liquidez. A soja é a cultura com mais rentabilidade, não depende do mercado interno. O feijão depende do mercado interno e é muito sensível ao clima”, compara.

                        Área caiu, mas produtividade aumentou

                        “Existe, de fato, uma substituição de culturas no Brasil. O Rio Grande do Sul perdeu muita área de arroz e foi para a soja, entre outras culturas. No arroz, em específico, a área decresceu 41% em dez anos, mas a produtividade aumentou 38%, compensando a queda. O consumo de arroz caiu 6%, enquanto a produção cresceu 5% nos últimos cinco anos”, pondera o superintendente de gestão de oferta da Conab, Alan dos Santos.

                        O especialista observa um movimento parecido com o feijão, que teve queda de 27% na área plantada nos últimos dez anos, mas crescimento de 18% na produtividade —queda de 13% na produção. Em uma década, o consumo do grão caiu de 3,6 milhões para 3,2 milhões de toneladas no Brasil. “São produtos básicos da alimentação brasileira, complementares, e seguiram tendências parecidas”, observa Santos.

                        Falta política pública para segurança alimentar?

                        Os especialistas afirmam que não existe risco para a segurança alimentar —uma responsabilidade da Secretaria de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura (Mapa), que não se manifestou até a publicação da reportagem.

                        O maior desastre seria faltar produto. Mas isso, a meu ver, não vai acontecer.
                        Elisio Contini, pesquisador da Embrapa

                        Segundo ele, o governo trabalha com estoques estratégicos, taxas de importação menores, incentivos à produção e oferta de crédito para garantir o abastecimento interno.

                        A política agrícola estimula a oferta de bens básicos, como o arroz e feijão. Isso tem garantido a oferta nacional. Houve crises de preço em 2011 e 2018, e a política de preço mínimo garantiu a permanência de produtores na cultura –para evitar a substituição de culturas e dependência externa.
                        Alan dos Santos, superintendente de gestão de oferta da Conab

                        Há 30 anos no setor privado, o analista Carlos Cogo, que já trabalhou na Conab, discorda dos colegas do setor público.

                        O Brasil não tem política agrícola. O Brasil tem bombeiro que vai lá e apaga fogo quando tem um problema grave, como aconteceu agora no caso do arroz.
                        Carlos Cogo, ex-Conab e diretor da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

                        Ele lembra que o governo decidiu zerar as tarifas de importação do arroz quando os preços da saca já haviam batido R$ 40 nos supermercados.

                        Cogo lembra que há muito tempo a política de estoques públicos, empregada quando falta produto ou os preços estão muito baixos, vem sendo abandonada pelo governo. “A Conab não tem mais estoque público já faz um tempo, só tem estoque residual de milho. Não tem mais nada de trigo e arroz. Por isso não houve intervenção com leilões de estoques no caso do arroz”, observa.

                        O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc/Senar-SC), José Zeferino Pedrozo, lembra que, apesar da alta no preço do arroz neste ano, a cultura vem causando prejuízos há muitas safras para os produtores, agravados pela ausência de instrumentos de política agrícola.

                        É justo assinalar que os arrozeiros amargaram muitos anos de prejuízos e que os ganhos deste ano não repõem as perdas do passado.
                        Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina

                        “Aqui em Santa Catarina se fala em manter os dois mercados, nacional e internacional”, relativiza o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro-SC), Ivan Ramos, à frente de dez cooperativas e o frigorífico Aurora. “Houve uma diminuição na área plantada de arroz, nos últimos anos, em função de preço. O pessoal está migrando bastante para fruticultura”, comenta o representante.

                        https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/09/27/alimentos-commodities-seguranca-alimentar-brasil.htm

                        Questões

                        1. As culturas de exportações têm um papel fundamental em nossa balança comercial? Justifique.

                        2. Qual a importância da Embrapa na produção de alimentos no Brasil? (pesquisa)

                        3. De que forma é possível aumentar a produtividade sem avançar sobre novas áreas agrícolas?

                        4. O Brasil é um dos principais exportadores de alimentos do mundo, no entanto vem apresentando problemas de abastecimento interno. Explique essa contradição.

                        5. Aponte impactos ambientais ligados a produção agropecuária brasileira.

                        Professor Luciano Mannarino.