Categoria: Brasil

  • Ameaçadas de extinção, 4.000 araucárias estão sendo derrubadas por obra no PR

    Ameaçadas de extinção, 4.000 araucárias estão sendo derrubadas por obra no PR

    Implantação de torres de energia vai desmatar área equivalente a 220 campos de futebol; empresa possui licença para derrubada

    Katna Baran

    CURITIBA

    Uma área equivalente a mais de 220 campos de futebol de vegetação nativa, incluindo 4.000 araucárias, árvore símbolo do Paraná e ameaçada de extinção, está sendo derrubada para a passagem de novas torres de transmissão de energia elétrica pelo estado.

    O projeto prevê 1.000 km de linhas cortando 24 municípios e ainda passa pela Escarpa Devoniana, formação protegida do território paranaense.

    A obra, em fase inicial, é conduzida pela Engie, multinacional francesa que venceu o leilão de 2017 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para reforçar o sistema energético do país. Segundo a empresa, o projeto, intitulado Gralha Azul (ave símbolo do Paraná e uma das espécies dispersoras do pinhão), vai movimentar R$ 2 bilhões e gerar 4.000 empregos diretos.

    Porém entidades de proteção ambiental apontam supostas irregularidades nas licenças.

    Ameaçadas de extinção, 4.000 araucárias estão sendo derrubadas por obra no PR

    Em maio, quando as imagens foram gravadas por Schepiura, as araucárias estavam carregadas de pinhões; a espécie, símbolo do Paraná, é ameaçada de extinção Leandro Schepiura/Reprodução/Leandro Schepiura/Reprodução

    Há cerca de um mês, o Ibama chegou a suspender a derrubada das árvores depois que o Ministério Público do Paraná pediu esclarecimentos ao órgão, mas o projeto já foi retomado.

    A denúncia aos promotores foi feita pelo Observatório Justiça e Conservação (OJC), que aponta falta de transparência no processo de concessão e incoerências nos levantamentos apresentados pela Engie, descobertos numa análise feita pela Universidade Federal do Paraná.

    Para os especialistas, os pedidos da empresa junto aos órgãos responsáveis pelas autorizações, principalmente o IAT (Instituto Água e Terra), não levam em consideração vários impactos.

    “Nunca vi um trabalho tão fraco tecnicamente em dez anos de experiência. Foi para ‘cumprir tabela’, subestimando todas as especificidades da região”, resumiu Eduardo Vedor, doutor em geografia e um dos especialistas que assinam o estudo.

    A Engie nega as acusações e destaca que tem todas as licenças para continuar trabalhando. A previsão inicial é de que o projeto seja finalizado em cerca de um ano.

    Um dos principais questionamentos dos ambientalistas é sobre o traçado das linhas. O levantamento aponta que a empresa evitou passar por terrenos privados, o que demandaria indenização aos proprietários.

    O projeto atinge a área em que o engenheiro florestal Leandro Schepiura pratica o reflorestamento, em Campo Largo, região metropolitana de Curitiba. Em maio, ele gravou em vídeo sua indignação pela derrubada de araucárias centenárias, todas carregadas de pinhões.

    “Luto para reflorestar o planeta, para dar exemplo de que é possível transformar nossa comida, e ver a derrubada de uma espécie altamente ameaçada é impactante, dá o sentido contrário, de que o que resta é continuar depredando e derrubando tudo”, disse.

    No Paraná, resta menos de 0,8% de área contígua e bem conservada de araucárias, associadas ao bioma mata atlântica. A área ocupada pela espécie cobria originalmente 200 mil km². O estado abriga o Parque Nacional dos Campos Gerais, maior floresta de araucárias protegida no mundo.

    Outra área impactada é a do turismo. O estudo da UFPR aponta que o cenário paisagístico da região pode ficar comprometido.

    A obra acabou com os sonhos do contador Ronaldo Montalto, que queria construir um refúgio para montanhistas como ele. Há três anos, ele comprou um terreno de 14 hectares —que já tinha uma torre instalada— no “pé” da Escarpa Devoniana, também em Campo Largo, mas logo depois surgiu o novo projeto.

    “É triste ver um projeto como esse numa região ímpar, com nascente de rio e remanescente de araucárias, onde já há uma linha de transmissão. Será que é realmente necessário mais uma?”, lamentou.

    O andamento da obra também preocupa o ator Luis Melo. Curitibano, ele escolheu a paisagem da Escarpa Devoniana para montar em São Luiz do Purunã um espaço de educação ambiental e um complexo cultural para artistas. “Essa paisagem é uma identidade paranaense de extrema beleza e nossas florestas já estão acabando.”

    Os ambientalistas afirmam que, pela extensão de vegetação a ser derrubada, o Ibama deveria ser consultado, o que não teria ocorrido.

    Também dizem acreditar que entidades foram negligentes na análise de impactos em outras esferas, como a do patrimônio arqueológico e das comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, do local.

    Em nota, o IAT afirmou que, como a obra não ultrapassa os limites do Paraná, o licenciamento ambiental compete ao órgão. Destacou ainda que todos os estudos necessários foram apresentados pela empresa e receberam a anuência do instituto.

    “O empreendimento é essencialmente de utilidade pública e o traçado escolhido foi aprovado por apresentar o menor impacto aos meios físicos, biótico e socioeconômico”, completou.

    O Ibama não respondeu aos contatos da Folha até a conclusão desta reportagem.

    O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) apontou que os sítios arqueológicos sob impacto direto estão sendo resgatados e os atingidos indiretamente estão sendo cadastrados, sinalizados e protegidos, seguindo as normas técnicas. A entidade não deu mais detalhes sobre o plano de proteção.

    A Fundação Palmares informou que o processo de licenciamento das torres seguiu todos os trâmites legais e atendeu aos critérios do órgão. Segundo a fundação, os planos de mitigação apresentados pela empresa foram “colaborativamente elaborados pelas comunidades” quilombolas de “maneira claramente participativa com os comunitários”.

    Para o diretor-executivo do OJC, Giem Guimarães, falta ainda maior debate do projeto com a sociedade.

    “Batizar esse projeto de Gralha Azul é uma afronta ao povo do Paraná. Esse obscurantismo dos governos é o verdadeiro ‘passando a boiada’”, disse, citando a frase do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

    O MP afirmou que ainda está tentando esclarecer os pontos questionados junto à empresa, mas não exclui a hipótese de uma ação. “Temos que ter medidas compensatórias proporcionais, senão a sociedade vai ficar apenas com o ônus da obra”, justificou o promotor Alexandre Gaio.

    Gaio disse ainda que o próprio edital da Aneel não atentou para as particularidades da área atingida. “Parece que prevaleceu uma agenda econômica.” Procurada pela Folha, a agência informou que respondeu aos questionamentos do MP, mas não disponibilizou o conteúdo da informação.

    A Engie afirmou que o corte de árvores foi autorizado pelo órgão competente, mas não confirmou o número de espécies que serão derrubadas. A empresa comunicou apenas que 7% da área atingida é composta por araucárias, o que equivale a cerca de 15 campos de futebol.

    A multinacional disse ter se empenhado para reduzir o impacto ambiental por meio de técnicas de engenharia e afirmou ter buscado desviar áreas de preservação no traçado das torres. Também afirmou que todas as licenças foram obtidas de acordo com as leis.

    Além da derrubada de árvores, disse a Engie, todos os impactos previstos pelo projeto são alvos de compensações ambientais. A empresa afirmou ter apresentado ao IAT propostas para cada área e disse que aguarda manifestação para que elas sejam validadas.

    Há, segundo a Engie, 17 programas socioambientais acompanhando a implantação do projeto, com monitoramento de flora e fauna, resgate arqueológico, recuperação de áreas degradadas, educação ambiental e comunicação permanente e transparente com a sociedade.

    Marcio Neves, diretor de implantação do projeto Gralha Azul, destacou à Folha o valor investido na obra —em parte financiada pelo BNDES— e os empregos gerados, além do reforço na energia da região, que vai favorecer indústrias e o agronegócio na área.

    “Detratores de projetos ou antagonistas de qualquer tipo utilizam como primeira alegação a falta de transparência, o que de certa forma é uma acusação muito vazia. Não conheço processo tão democrático, transparente e até exigente como o processo de licenciamento de infraestrutura no Brasil”, finalizou Gil Maranhão, diretor do grupo Engie.

    Pesquisadores da Unicentro receberam uma autorização para cortar araucárias numa pesquisa em pequenas propriedades rurais
    No total, 48 araucárias foram cortadas, no período de um ano. A madeira foi vendida em leilões públicos, e a renda, revertida para o dono da área -no caso, a aposentada Iolinda Campestrini de Mattos, 71
    A licença para o corte e manejo das araucárias se fundamenta em trechos da lei da mata atlântica, que estabelece "o estímulo à pesquisa e à difusão de tecnologias de manejo sustentável".
    IRATI, PR, BRASIL, 15.12.16 13h Pesquisadores da Unicentro - Universidade do Centro do Paraná (em Irati) começaram a cortar árvores da espécie em pequenas propriedades rurais, com o objetivo de gerar renda aos agricultores. (Foto: Marcus Leoni / Folhapress, FOTO)
    Para os pesquisadores, que têm o apoio da Embrapa, o manejo "é a melhor forma de conservação da floresta" em pequenas propriedades.
    "A ilegalidade é evidente. Voltar ao normal cortando árvores em extinção certamente não é o caminho", diz o promotor Alexandre Gaio, que coordena o Centro de Apoio às Promotorias do Meio Ambiente no Paraná.
    Conservacionistas do Paraná se mobilizaram para parar a pesquisa com corte de araucárias. Para eles, as licenças concedidas ao projeto abrem uma pressão econômica sobre os poucos remanescentes da mata atlântica no país.
  • Tremor de 4.6 causa avarias e assusta moradores na Bahia

    Tremor de 4.6 causa avarias e assusta moradores na Bahia

    Terra tremeu em cidades do Recôncavo Baiano, Baixo-sul e em alguns bairros de Salvador

    João Pedro Pitombo

    30.ago.2020 às 12h47

    SALVADOR

    Tremores de terra causaram pequenas avarias em imóveis e assustaram moradores na manhã deste domingo (30) em cidades do Recôncavo Baiano, Baixo-sul do estado e até em alguns bairros de Salvador.

    O Laboratório de Sismologia da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) registrou um tremor de 4.6 graus na escala Richter na cidade de Mutuípe (169 km da capital).

    Já o Centro Sismológico da USP registrou tremores de 4.2 e 3.7 graus nas cidades de Amargosa e São Miguel das Matas, ambas no Recôncavo Baiano.

    “Foi um susto para todo mundo. Aqui na cidade, registramos três tremores em sequência”, afirma o prefeito de Amargosa, Júlio Pinheiro (PT), que diz que não houve registro de feridos, nem de danos físicos de maior proporção na cidade.

    https://player.mais.uol.com.br/?mediaId=16821622&onDemand=true

    A prefeitura recebeu relatos de imóveis que ficaram com rachaduras nas paredes. Equipes da Defesa Civil e da Guarda Municipal foram encaminhadas ao local das ocorrências para avaliar os estragos.

    https://s.dynad.net/stack/928W5r5IndTfocT3VdUV-AB8UVlc0JbnGWyFZsei5gU.html

    Também houve registro de rachaduras em casas na cidade de São Miguel das Matas, que fica próximo a Amargosa.

    O técnico agrícola Elizeu Ribeiro, 31, que mora em um sítio na zona rural da cidade, teve uma das paredes de sua casa danificada pelo tremores. Uma rachadura de mais de dois metros se abriu na parede do imóvel, que é antigo e foi construído com tijolos de adobe.

    “Eu estava dormindo ainda, quando ouvi um barulho parecendo uma trovoada e senti a terra tremendo. Não sabia se corria ou permanecia na cama. Mas não demorou 40 segundos e passou”, afirma. Ele conta que foram dois tremores na região, separados por um tempo de cerca de 15 minutos.

    Em Aratuípe, também no Recôncavo, o tremor derrubou parte de um muro que já estava em mau estado de conservação, em uma área em torno de uma torre de telefonia.

    Também houve relatos de pequenos tremores em pelo menos 13 bairros de Salvador, incluindo bairros centrais como Garcia, Lapinha, Barris e bairros mais ao norte da cidade como Cajazeiras e Pituaçu. De acordo com a Defesa Civil municipal, não há registro de feridos ou danos materiais.

    Professor da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), o geólogo Carlos Uchôa explica que, assim como outras regiões do Nordeste, o recôncavo baiano é uma área propensa a registrar pequenos tremores de terra.

    “É uma região que constantemente registra sismos de baixa magnitude. A maioria é imperceptível, mas alguns podem chegar ao ponto de assustar as pessoas, como aconteceu desta vez”, afirma o professor.

    Os terremotos acontecem porque a região possui falhas geológicas formadas há milhões de anos. O acúmulo de energia provoca o deslocamento de blocos rochosos, fazendo com que esta energia seja liberada em pequenos terremotos. Em geral, o epicentro fica em uma profundidade baixa – desta vez, foi a 10 km da superfície.

    Os tremores, explica Uchôa, não tem relação com os limites de placas tectônicas, que ficam em uma superfície mais profunda. O território brasileiro fica em cima de uma única placa tectônica, a Sul-Americana. Por isso, o país não registra terremotos de grande intensidade.

    https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/08/tremor-de-46-causa-avarias-e-assusta-moradores-na-bahia.shtml

    Questões.

    Explique o que são falhas geológicas e como elas podem provocar tremores de terra, como os registrados no Recôncavo Baiano.

    Analise as possíveis consequências sociais e econômicas de pequenos tremores de terra em regiões com construções antigas, como mencionado no caso da casa de tijolos de adobe.

    Discuta por que o Brasil, apesar de estar em uma única placa tectônica, pode registrar tremores de terra. Como isso se relaciona com a escala dos tremores no país?

    Avalie as medidas preventivas e de resposta rápida que podem ser adotadas pelas prefeituras e órgãos como a Defesa Civil em regiões propensas a tremores de terra.

    Aponte as diferenças entre os tremores de terra ocorridos no Recôncavo Baiano e terremotos de grande magnitude que acontecem em regiões de limites de placas tectônicas.

    Com base nas informações do geólogo Carlos Uchôa, explique por que a maioria dos tremores de terra no Recôncavo Baiano é imperceptível para os moradores. O que fez esse evento ser diferente?

    Considere os relatos dos moradores durante os tremores de terra na Bahia. Como as percepções pessoais podem influenciar a compreensão e a reação da população em situações de abalos sísmicos?

    Discuta a importância do monitoramento sismológico em áreas propensas a tremores de terra, mesmo quando estes são de baixa magnitude. Como essas informações podem auxiliar na prevenção de desastres?

    Explique como a liberação de energia em falhas geológicas pode causar deslocamento de blocos rochosos, resultando em tremores de terra. Qual é a relação entre a profundidade do epicentro e a intensidade sentida na superfície?

    Analise a atuação da mídia e das redes sociais na divulgação de informações sobre eventos sísmicos, como os tremores de terra na Bahia. Qual é o papel da comunicação em situações como essa?

      Prof Luciano Mannarino.

    1. De 1964 a 1985, veja linha do tempo da ditadura militar.

      De 1964 a 1985, veja linha do tempo da ditadura militar.

      1967

      15/mar – Costa e Silva toma posse

      Neste ano, as denúncias de torturas chegaram a 50

      1968

      28/mar – Polícia Militar mata o estudante Edson Luís de Lima Souto, no Rio, provocando protestos de rua

      26/jun – Passeata dos 100 mil reúne opositores e artistas no Rio de Janeiro

      18/jul – Teatro onde se encenava a peça Roda Viva em São Paulo é depredado e os atores, espancados

      12/out – Cerca de mil estudantes são presos em Ibiúna (SP), onde acontecia o Congresso da UNE

      13/dez – É baixado o AI-5. A imprensa é censurada e centenas de pessoas são presas

      Iniciam-se os “anos de chumbo”

      Denúncias de tortura chegaram a 85

      1969

      Ago – Costa e Silva adoece

      31/ago – Uma junta militar formada pelos comandantes do Exército, Lira Tavares, Marinha, Augusto Rademaker, e Aeronáutica, Márcio de Souza Melo, assume a Presidência

      4/set – Grupos de esquerda sequestram o embaixador americano, Charles Elbrick, e o libertam três dias depois, em troca da soltura de prisioneiros políticos

      17/out – Uma nova Constituição é promulgada, endurecendo o regime

      30/out – Congresso reaberto elege general Emílio Garrastazu Médici presidente

      4/nov – Líder da ALN (Ação Libertadora Nacional), Carlos Marighella, é morto em uma emboscada em São Paulo

      As denúncias de torturas chegaram a 1.027

      1970

      Início do “milagre econômico”, que duraria até o meio da década e registraria taxas de crescimento do PIB de dois dígitos

      21/jun – Brasil é tricampeão mundial de futebol, e regime tira proveito do clima de ufanismo vigente

      Set – São criados os DOIs (Destacamento de Operações de Informação), com o objetivo de controlar as informações e reprimir os opositores do regime militar

      Cerca de 1.200 denúncias de tortura e 30 mortes foram registradas no ano

      1971

      20/jan – ex-deputado Rubem Paiva é preso em casa; seu corpo nunca foi encontrado

      17/set – Carlos Lamarca, militar desertor e um dos líderes da luta armada contra a ditadura, é morto por forças do regime na Bahia

      Chegam a 778 as denúncias de tortura, com 30 foram mortos

      1972

      Jan – Exército descobre base de treinamento de guerrilha do PC do B no Araguaia

      Ago – Anistia Internacional divulga relatório de 91 páginas com 472 nomes de torturadores e 1.081 torturados

      1973

      18/jun – Médici informa ao general Ernesto Geisel que ele será seu sucessor na Presidência

      Jul – O jornal Estado de S. Paulo começa a publicar poemas nos espaços censurados

      Out – Regime inicia sua maior nova ofensiva no Araguaia

      1974

      15/mar – Ernesto Geisel toma posse

      29/ago – Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura

      Set – Ocorrem prisões no Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento)

      Out – Exército mata última guerrilheira do Araguaia, a estudante Walkiria Afonso Costa, de 27 anos

      1975

      25/out – Jornalista Vladimir Herzog, simpatizante comunista, comparece ao DOI-Codi para prestar depoimento; horas depois, é encontrado morto

      27/out – Herzog é sepultado; no dia 31, é realizado um culto ecumênico na Catedral da Sé pela sua memória

      O ano termina com 585 denúncias de tortura

      1976

      16/jan – Operário Manoel Fiel Filho é preso e levado às dependências do Doi-CODI, onde é morto pela ditadura no dia seguinte

      19/ago – Bombas são jogadas na ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)

      22/set – Bispo dom Adriano Hipólito é sequestrado, e uma bomba explode na casa do jornalista Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo

      156 denúncias de tortura foram registradas no ano

      1977

      30/mar – Estudantes de São Paulo desafiam proibição do regime e vão às ruas protestar

      13/abr – Geisel lança o Pacote de Abril, que cria a figura do “senador biônico”

      Mai – Cerca de 80 mil estudantes entram em greve em todo o país

      6/jun – Polícia militar invade a Universidade de Brasília

      22/set – PUC-SP é invadida e 1.700 estudantes são detidos

      15/set – O jornalista Lourenço Diaferia é preso após escrever uma coluna na Folha que foi considerada ofensiva à memória do Duque de Caxias

      12/out – Geisel exonera o ministro do Exército, Sílvio Frota, representante da linha dura

      Dez – Geisel comunica o general João Baptista Figueiredo que ele será seu sucessor

      No fim do ano, havia cerca de 214 denúncias de tortura registradas

      1978

      Ao menos 26 bombas explodem ao longo do ano em diversas cidades

      Jun – Chega ao fim a censura à Tribuna da Imprensa, e o Jornal do Brasil publica todos os textos proibidos desde 1969

      Out – Justiça responsabiliza a União pela morte de Vladimir Herzog

      Dez – Na última edição do ano, o Jornal do Brasil traz na manchete: “Regime do AI-5 acaba à meia noite de hoje”

      1979

      Ao menos três bombas explodem ao longo do ano

      Tem início uma série de atentados a bancas de jornal

      13/mar – Metalúrgicos do ABC decretam greve geral. Sindicato, comandado por Luiz Inácio Lula da Silva, é colocado sob intervenção

      28/ago – É sancionada por Figueiredo a Lei da Anistia. Exilados podem retornar ao país

      Nov – Congresso põe fim ao bipartidarismo. Tancredo Neves cria o Partido Popular e Leonel Brizola, o PDT. Arena vira PDS e MDB, o PMDB

      1980

      10/fev – Partido dos Trabalhadores é fundado

      1º/abr – Metalúrgicos do ABC entram em greve; em 17.abr, governo decreta intervenção no sindicato, e dois dias depois, Lula é preso

      1981

      30/abr – Bomba explode por acidente no estacionamento do Riocentro, no Rio de Janeiro, frustrando atentado contra evento do Dia do Trabalhador; incidente, que matou um militar e feriu outro, mostra ação da linha dura do regime

      1982

      15/nov – É realizada a primeira eleição direta para governador desde que se instaurou o regime militar, e cerca de 48 milhões de eleitores vão às urnas; PMDB vence em São Paulo, Minas Gerais e Paraná; Brizola é eleito no Rio

      1983

      2/mar – Deputado Dante de Oliveira (PMDB) apresenta projeto de emenda constitucional que pede o restabelecimento da eleição direta para presidente

      15/mar – Governadores eleitos são empossados

      15/jun – Cerca de 5.000 pessoas participam de comício pelas Diretas, em Goiânia

      Nov – PT realiza comício em São Paulo. Folha inicia campanha pelas Diretas

      1984

      25/jan – Cerca de 200 mil pessoas participam de comício pró-Diretas na praça da Sé, em São Paulo

      Fev. a Abr – mobilização das Diretas se espalha pelo país

      25/abr – Emenda de Dante de Oliveira é derrotada na Câmara; faltaram 22 votos

      1985

      15/jan – Tancredo Neves é eleito presidente pelo colégio eleitoral

      14/mar – Na véspera da posse, Tancredo é hospitalizado em estado grave

      15/mar – José Sarney assume a Presidência da República pondo fim ao regime militar

      21/abr – No dia de Tiradentes, Tancredo morre aos 75 anos

      https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/06/de-1964-a-1985-veja-linha-do-tempo-da-ditadura-militar.shtml

      Aqui estão algumas questões discursivas sobre o texto:

      Analise a evolução da repressão durante o período da ditadura militar no Brasil entre 1967 e 1985.

      • Considere os mecanismos de controle, como o AI-5, e os eventos que marcaram a resistência ao regime.

      Discuta o impacto do Ato Institucional Número 5 (AI-5) na sociedade brasileira e na liberdade de expressão.

      • Como esse ato mudou a dinâmica política e social do país?

      Avalie a importância das manifestações estudantis e da oposição artística durante a ditadura militar.

      Qual foi o papel desses grupos na resistência ao regime?

      Comente sobre o ‘milagre econômico’ do início da década de 1970 e sua relação com a repressão política.

      Como o crescimento econômico foi usado pelo regime militar para se legitimar?

      Explique a importância da Lei da Anistia de 1979 no processo de transição para a democracia.

      Quais foram os efeitos positivos e negativos dessa lei para a sociedade brasileira?

      Analise como a repressão militar afetou as liberdades individuais e os direitos humanos no Brasil durante a ditadura.

      Inclua em sua resposta referências aos casos de tortura e perseguição política.

      Descreva a trajetória da imprensa durante o regime militar e a forma como ela lidou com a censura.

      Como os jornais e meios de comunicação contribuíram para informar a população e resistir ao regime?

      Discuta o papel dos movimentos de redemocratização, como as ‘Diretas Já’, na queda da ditadura militar.

      Quais foram os principais fatores que contribuíram para o fim do regime militar?

      Como os eventos da ditadura militar impactaram a construção da memória histórica e a identidade nacional no Brasil?

      Considere o legado deixado pelo regime militar e como ele é percebido na sociedade atual.

      Examine a influência da Guerra Fria e da política externa dos Estados Unidos na consolidação da ditadura militar no Brasil.

      Como o contexto internacional afetou as ações e decisões do regime militar brasileiro?

         
         

        Prof Luciano Mannarino

      1. Dez anos após obras, São Francisco tem uma cidade com esgoto 100% tratado.

        Carlos Madeiro

        Colaboração para o UOL, em Maceió

        14/07/2020 04h01

        Passados quase 11 anos do início de suas obras, a transposição do São Francisco está praticamente concluída, teve obras entregues no mês passado, mas o rio segue longe de sua revitalização prometida e recebe diariamente toneladas de esgoto jogados por quase todas as cidades no seu percurso entre Minas Gerais e Alagoas. Segundo o CBHSF (Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco), dos 507 municípios que compõem a bacia, apenas um, Lagoa da Prata (MG), tem 100% do seu esgoto tratado. O município, por sinal, é apontado como modelo pelo comitê

        Lagoa da Prata (MG) é único município no caminho do rio a ter todo o esgoto processado - Divulgação
        Lagoa da Prata (MG) é único município no caminho do rio a ter todo o esgoto processado

        Logo quando o projeto foi lançado, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu que para cada real investido na obra, outro seria investido na revitalização. “Nós queremos revitalizar, recuperar as margens, as matas ciliares, fazer saneamento básico nas cidades para que não joguem dejetos no São Francisco, e começamos fazendo isso”, disse Lula, em 2009, durante o programa “Café com o Presidente”, em outubro de 2009.

        Em agosto de 2016, o governo Michel Temer lançou um novo plano de revitalização, prometendo investir R$ 10 bilhões em obras até 2026. Procurada pela reportagem, a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba) informou  que já implantou 89 sistemas de esgotamento sanitário, “que contemplam coleta e tratamento dos efluentes sanitários, em municípios integrantes da bacia hidrográfica do rio São Francisco, contudo não tem informação de quantos municípios tem tratamento de esgoto total.” Para este ano, a companhia informou ter aprovados “aproximadamente R$ 38 milhões na LOA (Lei Orçamentária Anual) 2020” para esse tipo de obras

        Esgoto sem tratamento é regra, não exceção, diz comitê

        Mas as poucas obras de fato implementadas de saneamento não evitam uma contaminação diária do maior rio 100% nacional. “Esse retorno que prometeram ao São Francisco não foi dado. Infelizmente o programa de revitalização não foi feito. No saneamento, lançamos esgoto in natura no rio em quase todas as cidades”, afirma Maciel Oliveira, vice-presidente do CBHSF. Para a revitalização do rio, o comitê elaborou um plano com várias intervenções previstas em saneamento e recuperação hidroambiental. “Precisaríamos, para resolver os problemas, de R$ 30 bilhões para a bacia”, revela Oliveira, contando que o comitê teve um encontro com a  Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) para tratar de projetos no tratamento e espera contar com apoio do órgão federal.

        Com a falta de participação do poder público, o comitê bancou com recursos próprios mais de 100 planos municipais de saneamento (premissa para poder receber recursos na área). “Sabemos que havia deficiência técnica e financeira, e decidimos custear para ajudar os municípios a receber as obras”, conta. Para Oliveira, o comitê não espera soluções advindas por conta de um novo marco legal de saneamento. “O marco legal pode ajudar em algumas situações, mas depende muito da maneira como vai ser implementado. Pode demorar muitos anos, e precisamos retomar investimentos para tratar o esgoto e deixar de ter um rio poluído, causando problema de saúde pública”, alega. A Codevasf afirma haver “previsão orçamentária de recursos na ordem R$ 540 milhões destinada a ações de saneamento (abastecimento de água e esgotamento sanitário) em municípios integrantes das bacias hidrográficas.

        Trecho final do rio acumula poluição do trajeto inteiro

        O problema da poluição no rio está justamente em seu trecho final, entre Sergipe e Alagoas, que recebe todo o esgoto despejado ao longo do seu trajeto. Ao todo, 59 cidades ficam às margens do rio, sendo 16 delas entre Alagoas e Sergipe, onde está o chamado baixo São Francisco.

        Em Piaçabuçu (AL), onde está a foz do rio, análises da qualidade da água apontam um índice superior a 8 NMP/ml de coliformes fecais (NMP quer dizer “número mais provável”). O ideal é que esse valor seja de no máximo 1, segundo resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). “Esse trecho representa apenas 5% da bacia. Mas parte dos dejetos que são retidos nas nove hidrelétricas que temos ao longo do rio é liberada quando tem o aumento de vazão.

        Os esgotos destas cidades rio acima se juntam com os do rio abaixo”, explica o pesquisador e professor Emerson Soares, do Centro de Ciências Agrárias da UFAL (Universidade Federal de Alagoas) e que coordena a expedição anual feita no São Francisco para avaliar os problemas da região. Segundo as análises, todas as cidades do baixo São Francisco apresentam problemas com níveis acima de coliformes fecais.

        “Mas quanto mais descemos, vemos que mais contaminado fica. No estuário do São Francisco temos vários problemas”, explica.

        Dejetos contaminam peixes e podem prejudicar pessoas

        À beira do rio, diz Soares, vivem mais de um milhão de pessoas. “Além de saneamento básico precário, tem também o problema causado pelos agrotóxicos, ou dos metais pesados na água, efeitos da mineração em Minas e na Bahia”, conta.

        Ainda segundo o pesquisador, os efeitos negativos na água se refletem especialmente no estresse dos organismos que vivem no rio. “Os peixes são os primeiros a terem contato, mas eles se contaminam e passam para o homem. A gente observou na histologia desses organismos pesquisados, danos ao estômago, intestino, brânquias e fígado desses animais, e vai prejudicar não só eles, mas tornar impróprio para consumo humano”, pontua.

        https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2020/07/14/dez-anos-apos-transposicao-sao-francisco-tem-so-uma-cidade-100-saneada.htm

        Questões.

        1. Quais são os principais objetivos dessa Obra?

        2. Explique o  contexto da criação da SUDENE?

      2. A formação do território brasileiro

        A formação do território brasileiro

        EM13CHS204    
        Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas

        O Tratado de Tordesilhas definiu as áreas de domínio do mundo extra-europeu. Demarcando os dois hemisférios, de polo a polo, deu a Portugal o direito de posse sobre a faixa de terra onde se encontrava o Brasil: ficou Portugal com as terras localizadas a leste da linha de 370 léguas traçadas a partir de Açores e Cabo Verde, e a Espanha com as terras que ficassem do lado ocidental desta linha.

        O direito de posse de Portugal sobre a faixa de terra onde se encontrava o Brasil foi produto de crescentes rivalidades entre Portugal e Espanha pelas terras do Novo Mundo, durante a segunda metade do século XV.

        Portugal deu início à colonização do Brasil para compensar a perda para os muçulmanos de um importante comércio no Norte da África, garantir as rotas para as Índias e expulsar os franceses que assediavam a costa brasileira desde o início do século XVI.

        União Ibérica, que se extendeu de 1580 a 1640, cumpriu um importante papel na construção do território brasileiro: o de diluir as fronteiras estabelecidas pelo Tratado de Tordesilhas. Expandiu os limites territoriais tanto ao norte, com a conquista efetiva do Maranhão, quanto ao sul, alargando a fronteira na região platina.

        Data também deste período o início da expansão territorial para o interior. Em 1580, foram organizadas as primeiras expedições dos bandeirantes em São Paulo. Essa frente de expansão territorial para os “sertões” – palavra então usada para se aludir ao interior – prolongou-se por todo o período da dominação espanhola.

        • a conquista da Paraíba, em 1584
        • as guerras travadas contra os índios no norte da Bahia, atual Sergipe, em 1589
        • a bandeira a Goiás, em 1592
        • as primeiras incursões dos bandeirantes paulistas à região de Minas Gerais, em 1596
        • a bandeira apresadora de índios na região do baixo Paraná, em 1604

        A descoberta do ouro, no final do século XVII, nas regiões das Minas Gerais foi importante para a expansão territorial e para uma nova organização administrativa da colônia.

        A necessidade crescente de abastecimento na região das Minas, provocada pelo afluxo de população em busca de riquezas, contribuiu para a expansão do Brasil em direção ao Rio Grande, fomentando a criação de gado e rebanhos de todo tipo.

        Em 1693, no tempo em que se descobriu ouro nas regiões das minas, foram criadas as capitanias do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas. Entretanto, com o massacre dos paulistas em 1709 no conflito que ficou conhecido como “guerra dos emboabas” (confronto entre bandeirantes paulistas e forasteiros que procuravam ouro e pedras preciosas), teve início uma intervenção mais efetiva da Coroa na região de Minas Gerais: Minas foi separada da capitania do Rio de Janeiro, tendo sido criada a capitania de São Paulo, em substituição à de São Vicente – adquirida em 1710 pela Coroa. Além dela, outras foram compradas, como as de Pernambuco (1716) e Espírito Santo (1718), dando nova feição à administração portuguesa na colônia, mais presente e interiorizada.

        Tratado de Tordesilhas (1494) definiu as áreas de domínio do mundo extraeuropeu.

        O Tratado de Lisboa (1681) tratou da devolução da Colônia do Sacramento, ocupada pelos espanhóis no ano de sua fundação. O apoio da Inglaterra foi decisivo para Portugal conseguir essa vitória diplomática. A saída das forças espanholas só se dá efetivamente em 1683.

        O primeiro Tratado de Utrecht entre Portugal e França (1713) estabeleceu as fronteiras portuguesas do norte do Brasil: o rio Oiapoque foi reconhecido como limite natural entre a Guiana e a Capitania do Cabo do Norte.

        O segundo Tratado de Utrecht entre Portugal e Espanha (1715) tratou da segunda devolução da Colônia de Sacramento a Portugal.

        O Tratado de Madri (1750) redefiniu as fronteiras entre as Américas Portuguesa e Espanhola, anulando o estabelecido no Tratado de Tordesilhas: Portugal garantia o controle da maior parte da Bacia Amazônica, enquanto que a Espanha controlava a maior parte da baixa do Prata. Nesse Tratado, o princípio do usucapião (uti possidetis), que quer dizer a terra pertence a quem a ocupa, foi levado em consideração pela primeira vez.

        O Tratado de Santo Ildefonso (1777) confirmou o Tratado de Madri e devolveu a Portugal a ilha de Santa Catarina, ficando com a Espanha a Colônia de Sacramento e a região dos Sete Povos.

        O Tratado de Badajós entre Portugal e Espanha (1801) incorporou definitivamente os Sete Povos das Missões ao Brasil.

        O Tratado de Petrópolis (1903), negociado pelo Barão do Rio Branco com a Bolívia, incorporou ao Brasil, como território, a região do Acre.

        No final do século XVIII, novos ventos sopraram: Portugal enfrentou revoltas no Brasil visando à separação da Metrópole. São exemplos típicos as conjurações de Minas Gerais (1789), Rio de Janeiro (1794), Bahia (1798) e Pernambuco (1801).

        Esses movimentos desembocaram na independência do Brasil (1822), pouco tempo depois, mas o território brasileiro não foi afetado. Pode-se dizer que a grande questão enfrentada pelo Império (1822-1889) foi a de manter e consolidar a unidade territorial, superando as forças centrífugas das inúmeras revoltas locais.

        Com a proclamação da República, em 1889, as províncias do império foram transformadas em estados da República Federativa do Brasil (ver Divisão político-administrativa e regional). A região do Acre, no entanto, só foi incorporada ao Brasil em 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis, negociado pelo Barão do Rio Branco.

        O mapa abaixo mostra a atual extensão territorial do Brasil.

        Fonte dos mapas: IBGE (Regina Célia Silva Afonso)

        Prof Luciano Mannarino

        Geografia e a Marvel (Território)

        CONSIDERAÇÕES SOBRE A FORMAÇÃO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO (vídeo e atividades)