Categoria: Europa

  • Circulação no Oceano Atlântico atinge o menor nível em mil anos e pode levar tempestade, seca e ondas de calor para a Europa

    Circulação no Oceano Atlântico atinge o menor nível em mil anos e pode levar tempestade, seca e ondas de calor para a Europa

    Sistema que transporta água da Corrente do Golfo para Hemisfério Norte pode perder estabilidade diante do aquecimento global

    O Globo26/02/2021 – 04:30

    RIO — Um sistema de circulação oceânica que transporta água quente da superfície da Corrente do Golfo para o Atlântico Norte está no seu ponto mais baixo dos últimos mil anos. A Europa, nesta situação, está mais sujeita a fenômenos extremos, como tempestades, secas e aumento das ondas de calor. Cidades da Costa Leste dos Estados Unidos, como Nova York e Washington, poderiam sofrer com o aumento do nível do mar.

    Mulher se protege de ondas em Auderville, na França, em 2018: a Tempestade Eleanor provocou ventos de até 155 km/h e forçou o fechamento da Torre Eiffel Foto: CHARLY TRIBALLEAU/AFP
    Mulher se protege de ondas em Auderville, na França, em 2018: a Tempestade Eleanor provocou ventos de até 155 km/h e forçou o fechamento da Torre Eiffel Foto: CHARLY TRIBALLEAU/AFP

    Conhecido como Circulação Meridional de Capotamento do Atlântico (Apoc, na sigla em inglês), o sistema pode ser reduzido em cerca de 34% a 45% até o final do século, o que o aproxima de um “ponto de inflexão”, ou seja, em que perderá totalmente a estabilidade. O panorama foi retratado em uma pesquisa publicada esta quinta-feira na revista Nature Geoscience.

    — Em um período de 20 a 30 anos, é provável que este sistema enfraqueça ainda mais, e isso inevitavelmente influenciará nosso clima, então veríamos um aumento nas tempestades e ondas de calor na Europa e no nível do mar na Costa Leste dos EUA — descreveu o climatologista Stefan Rahmstorf, do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, ao jornal britânico Guardian.

    Rahmstorf e cientistas das universidades Maynooth (Irlanda) e College London (Reino Unido) estudaram sedimentos de gelo da Groenlândia, que revelam padrões climáticos de outros períodos geológicos, e concluíram que o atual enfraquecimento da Apoc não foi visto pelo menos nos últimos mil anos.

    No Atlântico Norte, a água quente que vem do Golfo e do Norte do Brasil esfria e se torna mais salgada até afundar ao norte da Islândia, que extrai mais água quente do Caribe. Essa circulação é acompanhada por ventos que também ajudam a trazer clima ameno e úmido para a Irlanda, Reino Unido e outras partes da Europa Ocidental. O enfraquecimento deste sistema, segundo cientistas, é resultado do aquecimento global.

    — Corremos o risco de desencadear (um ponto de inflexão) neste século, e a circulação diminuiria no próximo século. Não podemos ter nem sequer 10% de chances de que isso aconteça, isso seria inaceitável. Precisamos parar o aquecimento global — explicou Rahmstorf ao Guardian.

    https://oglobo.globo.com/sociedade/um-so-planeta/circulacao-no-oceano-atlantico-atinge-menor-nivel-em-mil-anos-pode-levar-tempestade-seca-ondas-de-calor-para-europa-24900047

    Questões

    1. Qual papel das correntes marinhas na regularidade do Clima Mundial?

    2.Explique as temperaturas mais amenas do Litoral Oeste da Europa Ocidental em relação aos padrões climáticos da Europa Oriental.

    Prof Luciano Mannarino

  • A Europa entre ser jogador ou gramado na disputa dos grandes

    Autonomia da UE significa margem de manobra para o resto do mundo na rivalidade China-EUA

    22.out.2020 às 23h15

    A União Europeia (UE) tem uma opção a fazer. Ou será um jogador ou será o gramado em que outros jogarão. Foi esta a mensagem do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, em dezembro de 2019, quando falava do renascimento da competição estratégica no cenário internacional. Mencionou a China, mas não apenas ela.

    O ano de 2019 marcou mudança de tom da UE em relação a Pequim. Pela primeira vez, a Comissão Europeia passou a tratar a China também como um rival sistêmico. O rótulo impressiona, mas não resolve.

    É difícil para a UE definir o que quer da China em função de diferentes tensões —e todas elas se tornaram mais agudas com a pandemia.

    Até 24,7 milhões de trabalhadores podem perder o emprego em todo o mundo por causa da pandemia de coronavírus, afirmou a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
    Até 24,7 milhões de trabalhadores podem perder o emprego em todo o mundo por causa da pandemia de coronavírus, afirmou a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Rivaldo Gomes/Folhapress

    1) Há uma tensão entre valores e interesses na maneira como a UE vê a China.

    Ao mesmo tempo, são vultosos os interesses europeus na China, que avança rumo ao topo do podium da economia mundial. O comércio bilateral supera US$ 1 bilhão por dia. Uma pesquisa da Câmara de Comércio da UE na China em fevereiro deste ano revelou que 89% das empresas europeias não estão considerando reorientar investimentos da China para outros mercados.

    Muitas empresas vieram em função dos trabalhadores —mas ficaram por causa dos consumidores. Se a mão de obra barata era o incentivo inicial, hoje o mercado chinês, e sua classe média crescente, fazem a diferença. Na China desde 1978, a Volkswagen vende mais carros aqui do que em toda Europa ocidental.

    Além disso, a UE precisa do engajamento chinês em outros temas que lhe são caros, como mudança climática e multilateralismo comercial. Rifar os chineses não ajuda a avançar essas agendas —ao contrário.

    Lado a lado as bandeiras da China e da União Europeia
    Lado a lado as bandeiras da China e da União Europeia – Jason Lee-25.jun.2018/Reuters

    2) Há tensão entre as necessidades de países membros e a visão de Bruxelas.

    Pressionados pela crise, governos nacionais buscam investimentos para promover recuperação econômica e modernização de infraestrutura.

    Enquanto isso, a Comissão preocupa-se com a influência da China sobre economias da região. Atua para reforçar o controle sobre investimentos estrangeiros com base no argumento de segurança nacional.

    No ano passado, quando a Itália se juntou à Nova Rota da Seda, Bruxelas torceu o nariz.

    3) Há obviamente a tensão gerada pelos interesses americanos, que nem sempre coincidem os europeus a respeito da China. 

    A Europa sabe que agenda anti-China dos EUA, aliados históricos, não é exatamente o caminho que deve seguir.

    Propriedade intelectual: esse capítulo do documento trata basicamente de questões relativas a fórmulas, processos e padrões que são utilizados por negócios para obter vantagem sobre a concorrência e que podem ser considerados confidenciais. Também engloba propriedade intelectual relacionada a produtos farmacêuticos, indicação geográfica de um bem ou serviço, marcas registradas e coação contra produtos pirateados e falsificados

    Propriedade intelectual: esse capítulo do documento trata basicamente de questões relativas a fórmulas, processos e padrões que são utilizados por negócios para obter vantagem sobre a concorrência e que podem ser considerados confidenciais. Também engloba propriedade intelectual relacionada a produtos farmacêuticos, indicação geográfica de um bem ou serviço, marcas registradas e coação contra produtos pirateados e falsificados.

    Na esteira da pandemia, a percepção sobre a China em vários países europeus despencou, segundo o Pew Research Center. 71% do alemães e 70% do franceses teriam hoje visão desfavorável da China.

    À medida que a Europa mergulha numa segunda onda de casos de Covid-19 e que a China exibe autoconfiança e recuperação econômica, o ressentimento pode crescer. O contraste de uma Europa que desce e uma China que sobe exacerba tensões.

    Se, como diz Borrell, a UE tem escolhas a fazer, a China também as tem. Suas habilidades político-diplomáticas serão postas à prova. Os chineses podem ter moderado o tom, mas é cedo para dizer que acertaram a mão. A tentação do discurso triunfalista está sempre à espreita.

    Os europeus, por sua vez, precisam assegurar sua autonomia estratégica e fazer bom uso dela. A postura da UE diante da China e das tensões entre Pequim e Washington importa não apenas para o bloco, mas para todo o mundo.

    A atuação da UE ajudará a definir a margem de manobra os demais países terão para navegar a competição geopolítica entre as duas grandes potências.

    Tatiana Prazeres – Senior fellow na Universidade de Negócios Internacionais e Economia, em Pequim, foi secretária de comércio exterior e conselheira sênior do diretor-geral da OMC.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tatiana-prazeres/2020/10/a-europa-entre-ser-jogador-ou-gramado-na-disputa-dos-grandes.shtml

    Prof Luciano Mannarino

  • Divorciados, Reino Unido e União Europeia discutem a relação em clima quente (atividade)

    Divorciados, Reino Unido e União Europeia discutem a relação em clima quente (atividade)

    Blocos adotam posições extremas no início das negociações do pós-brexit, que começam nesta segunda (2)

    Ana Estela de Sousa Pinto
    BRUXELAS

    Divorciados oficialmente no último dia 31 de janeiro, Reino Unido e União Europeia começam a discutir sua relação futura nesta segunda-feira (2). Pelo tom das declarações feitas na semana passada, os dois lados prometem não facilitar a vida do ex-parceiro.

    Será a primeira reunião de uma série de encontros mensais, em que britânicos e europeus precisam decidir os termos de todos os seus intercâmbios, sob risco de voltar à estaca zero depois de 47 anos de união. A lista tem 13 áreas, cada uma delas com vários itens, cada item com várias novas regras a definir, em assuntos como produtos, serviços, pessoas, informações, segurança e defesa e mais.

    David Frost, negociador do Reino Unido, ao deixar sede da Comissão Europeia – François Lenoir – 7.out.2019/Reuters 

    Chegar a um acordo em todos esses campos até 31 de dezembro, como previsto, é tido por técnicos e diplomatas como impraticável, e os europeus balançam esse prazo como uma espada sobre a cabeça dos britânicos, para pressioná-los a aceitar suas condições ou pedir um adiamento.

    Boris Johnson, porém, dobrou a aposta. O primeiro-ministro do Reino Unido já prometia não prorrogar prazos; na semana passada passou a falar numa saída em junho, se as conversas não avançarem.

    Por enquanto, como ocorre em negociações —ainda mais se ela envolve 513 milhões de pessoas e PIBs somados de  € 15,9 trilhões (cerca de R$ 79,5 trilhões)—, os dois lados esticam a corda ao máximo e evitam até mesmo falar a mesma língua.

    Os britânicos proíbem que seus negociadores usem o termo “acordo ambicioso”, senha da União Europeia para rejeitar conversas aos pedaços —nas palavras de um representante europeu, “não gostamos de acordos-salame; preferimos os do tipo ravióli, refeição completa num prato só”.

    Michel Barnier, negociador por parte da União Europeia – François Lenoir – 26.fev.2020/Reuters 

    Mandato, jargão da burocracia da UE para o documento-base da negociação, foi substituído pelo Reino Unido por “abordagem” (“approach”). Mestre na comunicação, Boris trocou  “no deal” ou o “hard brexit” (separações sem acordo) por “um acordo do tipo australiano” —a Austrália não tem tratado de livre comércio com a União Europeia.

    Das mais problemáticas é a expressão “level playing field”, abreviada como LPF, patamar mínimo de discussão. Na prática, significa que a União Europeia só aceita acordo amplo para bens e serviços se o Reino Unido adotar suas regras trabalhistas, ambientais, fitossanitárias e etc.

    Nada mais indigesto para Boris, que fez a campanha do brexit prometendo retomar o controle de suas regulações. LPF aparece  20 vezes no mandato europeu, contra apenas uma na abordagem britânica. No vocabulário do Reino Unido, ela vira “garantias antidistorções”.

    As partes também trocam provocações sobre quem perde mais sem um acordo. A União Europeia é o principal parceiro comercial do Reino Unido, responsável por cerca de 45% das exportações britânicas em 2018 e 53% de tudo o que os ex-parceiros compram (os números variam com critérios e taxas de câmbio).

    Num dos setores mais importantes da economia britânica, o de serviços, o Reino Unido obtém 7,2% de sua receita de exportação com vendas à UE (o fluxo inverso representa só 1,1% das vendas europeias).

    A indústria britânica, principalmente a mais avançada, depende de fornecedores e clientes europeus, e um impasse pode elevar muito seus custos.

    Laboratórios farmacêuticos, agronegócio e indústria química também serão prejudicados se não houver entendimento sobre as regras de qualidade e segurança.

     

    O saldo é que há impacto para as duas economias, muito entrelaçadas nas cadeias de produção, fluxos financeiros e de pessoas (vivem no Reino Unido 3 milhões de cidadãos da UE; 1 milhão de britânicos tem domicílio na UE). Mas considerações políticas também complicam a DR.

    Boris vendeu a seu público interno a promessa de recuperar as rédeas do país, mas precisa evitar a perda de empregos e de crescimento econômico. Para isso, pode até se render às exigências europeias, mas só depois de embalar o resultado como prova de soberania.

    A União Europeia mantém um difícil equilíbrio entre 27 países com características e interesses díspares, quando não antagônicos. Neste ano, as divergências estão mais acirradas, com a discussão de quanto dinheiro o bloco terá nos próximos sete anos e como vai reparti-lo.

    Se os governantes da UE precisam mostrar a seus membros que o benefício da união é maior que os custos de se submeter a suas regras e burocracias, aliviar a vida de quem acabou de se desligar é uma não opção. Entenda o que está em jogo.

     

    O que é o brexit?

    É a saída do Reino Unido da União Europeia, que aconteceu em 31 de janeiro de 2020. O bloco reúne agora 27 países.

    Por que houve brexit?

    A saída foi aprovada pela maioria dos britânicos em referendo em 2016. O brexit foi proposto para que o Reino Unido não precisasse seguir regras e políticas comuns da União Europeia.
    Se já houve o brexit, por que mais reuniões?

    Para discutir as novas bases do relacionamento econômico e político entre o Reino Unido e a UE. As reuniões serão mensais, alternando-se entre Londres e Bruxelas. O acordo de saída estabelece um prazo de transição até 31 de dezembro deste ano.

    Durante a transição, o Reino Unido ainda está na UE?

    Não, e por isso não participa mais do Conselho Europeu, do Parlamento ou qualquer instância de decisão europeia. Mas continuam valendo todas as regras para cidadãos, consumidores, empresas, investidores, estudantes e pesquisadores, até que se negociem as novas bases.

    A Corte de Justiça da União Europeia continua a ter jurisdição sobre o Reino Unido, inclusive em relação ao acordo de retirada.

    O período de transição pode ser estendido uma vez, e o prazo final tem que ficar entre dezembro de 2021 e dezembro de 2022. A prorrogação tem que ser aprovada pelos dois lados até 1º de julho deste ano. Mas o premiê britânico, Boris Johnson, já disse que não haverá prorrogação.

     

    Como fica se houver prorrogação?

    Valem as regras do período de transição. O Reino Unido não participa do Orçamento para o período de 2021 a 2027, mas precisará fazer uma contribuição, porque estará se beneficiando do mercado comum.

    E se não houver acordo durante a transição?

    O comércio do Reino Unido com a UE passa a obedecer às regras da OMC (Organização Mundial do Comércio) a partir do dia seguinte.

    O que será negociado?

    Comércio de bens e serviços, investimentos, transporte, energia, regras de pesca, cooperação judicial, coordenação em ações de defesa, partilha de dados, propriedade intelectual e acesso a concursos públicos, entre outros pontos.

     

     

    Quais os pontos mais controversos?

    1. Regulação
    É a primeira de três condições que a Europa diz serem indispensáveis para um acordo amplo de zero tarifa e zero cota: o chamado ““level playing field”, ou seja, o compromisso dos britânicos de seguir regras trabalhistas, ambientais, fiscais e de subsídios vigentes na UE. O argumento é que isso evita competição desleal. Boris Johnson diz que não há intenção de baixar seus patamares de regulação, que já são no mínimo iguais aos britânicos.

    2. Irlanda
    A UE diz que não fará acordo sem garantia de que não haverá controle de fronteiras ou aduana entre a Irlanda do Norte (território britânico) e sua vizinha do sul. Para isso, seria preciso um controle no mar da Irlanda, que separa a ilha da Grã-Bretanha. O governo britânico, porém, tem sinalizado que não fará o controle marítimo.

    3. Pesca
    A UE quer garantir acesso livre às águas britânicas, enquanto Boris Johnson insiste em negociações anuais, baseadas em avaliações científicas sobre a quantidade de peixes e garantido primazia aos barcos britânicos. O Reino Unido vende 80% de seus peixes para a UE e importa de lá 70% do pescado que consome.

    4. Escopo e prazo
    O Reino Unido diz que não pedirá prorrogação de prazo e quer discutir livre comércio de um conjunto limitado de serviços e bens. A União Europeia afirma que não fará discussões aos pedaços e que a escolha por um prazo apertado é dos britânicos

    5. Setor financeiro
    Londres abriga o maior centro financeiro da Europa, e quer manter seu principal mercado para serviços bancários, seguros, gestão de patrimônio e operações financeiras. A União Europeia diz que acesso livre ao mercado não faz parte da conversa e menciona apenas cooperação “voluntária” na regulação financeira.

    6. Solução de disputas
    Para os europeus, qualquer discordância sobre o futuro relacionamento deve ser resolvido pela Corte de Justiça da UE. Boris argumenta que a Justiça europeia não pode se sobrepor às leis britânicas e sugere órgãos de arbitragem independentes.


    OS CHEFES DA NEGOCIAÇÃO

    David Frost, 55, inglês. Formado em história medieval europeia e francesa, é diplomata, foi embaixador na Dinamarca e encarregado de assuntos europeus no equivalente ao ministério britânico de Relações Exteriores.

    Michel Barnier, 69, francês. Formado em administração, está na política desde 1970 e foi ministro da Agricultura, do Ambiente e de Relações Exteriores na França e comissário da UE para mercado interno, entre outros.

     

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo

    Questões.

    1. Explique como se deu a entrada do Reino Unido na União Européia?

    2. Por que a questão da Irlanda é um dos pontos controversos?

    3. Quais seriam os pontos positivos que o Reino Unido observa ao pedir o desligamento da União Européia?

    4. Qual o papel da O.M.C no comércio Global?

    5. Por que a questão do “level playing field” é uma das maiores preocupações da União Européia?

    6. Analise a postura de cada integrante do Reino Unido em relação ao brexit.

     

    Ascensão da China embaralha negociações nucleares entre EUA e Rússia

     

    Prof. Luciano Mannarino.

    #geoverdade

     

  • Crise do Clima “Portugal”

    Portugal

    Tempestades de fogo mataram 115 portugueses em 2017

    Casas queimadas em Almaça, região no centro de Portugal que foi atingida por incêndios florestais em junho de 2017 – Lalo de Almeida/Folhapress

     

    Giuliana Miranda/Lalo de Almeida

    8.mai.2018 – 02h00

    CERDEIRA

    O agricultor António Marques da Costa, 74, anda todos os dias por um caminho de terra batida até uma fonte próxima para recolher a água com que abastece seus animais. Em seu percurso, na aldeia de Cerdeira, no centro de Portugal, contempla aquilo que foi destruído em 16 de outubro de 2017.

    Naquela noite anormalmente quente de outono teve início o pior incêndio florestal do ano, um dos maiores da história em Portugal. “Já vi outros fogos, mas não como esse. Os outros arderam e apagaram-se bem.”

    Foram 49 mortes, que se somaram às 66 vítimas de outro incêndio quatro meses antes. Muitos em Portugal associam os fogos à mudança climática causada pelo aquecimento global, mas, antes de tudo, criticam o despreparo das autoridades para lidar com a emergência.

     

    O agricultor António Marques da Costa, 74, caminha com um garrafão de água em meio a oliveiras em Cerdeira, na região central de Portugal – Lalo de Almeida/Folhapress

    À beira da estradinha, uma oliveira centenária consumida pelas chamas ainda carrega dezenas de azeitonas. Os frutos, que já estavam próximos da colheita, pendem murchos dos galhos. A paisagem se repete até onde os olhos alcançam.

    Marques da Costa presenciou algo que se torna mais e mais comum em Portugal e noutras partes do mundo, como a Califórnia, nos Estados Unidos. São as chamadas tempestades de fogo, incêndios florestais poderosos que realimentam as chamas com as próprias correntes de ar que criam, desde que hajam as condições meteorológicas adequadas e material combustível abundante.

    “O pior foi ver a arder tudo o que nós criamos aqui. Andávamos aí para trás e para frente para salvar uma casa em que eu fui criado e que eu dei aos filhos.” Além de mais de uma centena de oliveiras, o agricultor perdeu plantações, uma área com castanheiras e uma casa usada para guardar material de trabalho. Diz que não tem esperança de recuperar o que foi perdido no incêndio.

    “O que tiver, guarda-se. As casas eu já não recupero. Dinheiro [para reconstruir a casa e as plantações] eu não tenho. Minha aposentadoria é só de 300 euros, não dá para nada.”

     

    Vegetação e casas queimadas em área rural de Oliveira do Hospital, que foi atingida por incêndios florestais em 2017 – Lalo de Almeida/Folhapress

    Embora os incêndios florestais sejam bastante comuns no verão de Portugal, a extensão e a gravidade dos danos em 2017 foram inéditas: 115 mortos e ao menos 5.000 km² atingidos, mais que o triplo da superfície do município de São Paulo. Causou surpresa que os dois principais incêndios tenham acontecido no outono e na primavera.

    A tragédia anterior se dera em 17 de junho, um sábado de sol a quatro dias do início do verão. Deixou 66 mortos, incluindo nove crianças e adolescentes, e mais de 250 feridos na região de Pedrógão Grande e Góis, no centro do país.

    No dia 16 de outubro, outro incêndio florestal, desta vez na região de Oliveira do Hospital, Castelo Branco e adjacências, também na área central do país, matou 49 pessoas e deixou mais de 70 feridos.

    Os prejuízos materiais foram de cerca de 1 bilhão de euros (cerca de R$ 4 bilhões), segundo o secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson de Souza. E tudo indica que esse tipo de catástrofe pode se tornar mais frequente.

    Compare o passado recente de Espanha e Portugal, países limítrofes com clima semelhante e resultados distintos no que respeita a incêndios: enquanto na Espanha, a partir de meados da década de 1980, houve redução considerável da área queimada, em Portugal quase não houve variação.

    Ainda não é possível afirmar de forma taxativa que o aumento dos incêndios florestais em Portugal seja resultado do aquecimento global. Mas há indícios consistentes disso, aponta o climatologista Pedro Miranda, diretor do Instituto Dom Luiz –instituição dedicada à pesquisa de meteorologia, clima, geofísica e ciências da Terra– da Universidade de Lisboa.

    “Para haver fogo, é preciso ter floresta. E esta floresta deve ter condições favoráveis para arder. Isto é, tem de estar seca e em temperaturas elevadas.”

    Em Portugal, a diminuição das chuvas, com períodos prolongados de seca em vários anos, é uma das principais manifestações das alterações climáticas. E viria daí o maior fator a contribuir para a ocorrência de incêndios.

    “Nesses últimos anos, temos tido várias secas: em 2003, 2005, 2017. E elas vêm coincidir com períodos de mais fogos”, afirma Miranda.

     
     

    O climatologista afirma que já existem estudos reforçando a correlação entre as mudanças climáticas e a ocorrência de incêndios. Para confirmá-la de vez, entretanto, seria preciso um volume maior de dados.

    Os números do IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera), órgão vinculado ao governo, vão nessa direção. O ano de 2017 foi mesmo extremamente quente e seco: a temperatura média do ar ficou cerca de 1,1ºC acima do normal, fazendo dele o segundo ano mais quente desde 1931, atrás apenas de 1997.

    Proprietária de uma empresa de obras e serviços ligados à construção civil, a empresária Verónica Fonseca diz viver na pele aquilo que os cientistas descrevem em números. As instalações de sua fábrica foram destruídas no grande incêndio de outubro, que extrapolou a floresta e chegou à zona industrial de Oliveira do Hospital. Mais de 70 empresas queimaram na localidade.

    “Aqui eu noto muito: cada vez tem chovido menos”, relata. “Nesta região não é nada normal, nós passávamos semanas e semanas com chuva, e agora não tem acontecido isso. Eu acho que o tempo tem andado um bocadinho para frente. Não sei se há aqui algumas alterações climatéricas, mas todos os anos se prolonga mais o tempo de calor e de seca”, conta a empresária, nascida e criada na região.

    Ela fita com tristeza o amontoado de ferro retorcido no qual se transformou a fábrica fundada por seu pai há 40 anos. Uma dezena de funcionários escava os escombros e as cinzas em busca de materiais aproveitáveis. Caminhonetes de serviço são reconhecidas apenas por seus esqueletos.

    “Era como se o fogo voasse”, diz, relembrando os ventos fortes que ajudaram a propagar as chamas pelo ar seco. “Geralmente os fogos florestais aconteciam, mas nunca tiveram uma dimensão completamente catastrófica”, conta.

    Ela estima que seu prejuízo seja de pelo menos 1 milhão de euros (aproximadamente R$ 4 milhões). Reclama de pouca atenção do Estado português e mesmo da comunidade internacional.

    “Quando houve a situação em Pedrógão [o incêndio de junho que matou 66 pessoas], houve muita divulgação. Aqui foi bem menos”, compara. “Talvez porque lá houve mais perdas humanas.”

     

    Empresa de obras e serviços ligados à construção civil que foi destruída por incêndio florestal em 2017; abaixo, a empresária e proprietária do local Verónica Fonseca observa interior do estabelecimento – Lalo de Almeida/Folhapress

    Os incêndios de 17 de junho ficaram marcados sobretudo pelas imagens do trecho de rodovia que concentrou a maioria das vítimas fatais das chamas. No dia do incêndio, havia muitos visitantes na região de Pedrógão Grande, conhecida pelo turismo em suas praias fluviais. É um destino popular para quem viaja de Évora a Coimbra, duas das cidades históricas mais visitadas de Portugal.

    Quase seis meses após a tragédia, quando a reportagem da Folha esteve no local, as árvores queimadas e as placas de trânsito destruídas testemunhavam de modo sutil o que aconteceu na via nacional 236, que passou a ser conhecida como estrada da morte.

    A rodovia, assim como outras do interior de Portugal, é estreita e serpenteia por entre uma vegetação densa de pinheiros e eucaliptos, duas espécies com alto poder combustível.

    Segundo o relatório da comissão independente que investiga o incêndio, o local do sinistro tem ainda uma inclinação que aumenta em 67% a velocidade de propagação das chamas em comparação ao terreno plano. Quanto maior é a inclinação, maior é o efeito das colunas de convecção que aquecem a vegetação, o que ajuda a espalhar as chamas no sentido ascendente.

     

    As vítimas tentavam usar a via como rota de fuga do incêndio, mas acabaram morrendo ao ficarem encurraladas em um trecho de menos de 500 metros que foi engolido pelo fogo.

    Um ponto bastante criticado foi a falta de resposta das autoridades, especialmente o número insuficiente de bombeiros, que em Portugal são em sua maior parte voluntários (os profissionais normalmente se restringem às cidades maiores).

    A quantidade de bombeiros vem caindo em Portugal, segundo dados do INE (Instituto Nacional de Estatística). Em 2015, o efetivo era de pouco menos de 29 mil bombeiros. Dez anos atrás, eram 42 mil. Um dos principais motivos é demográfico: há cada vez menos pessoas –especialmente jovens– vivendo no interior do país.

    Os eventos derrubaram dois nomes da cúpula política: a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e o chefe da Proteção Civil, Joaquim Leitão, criticados pela atuação no primeiro grande incêndio e pelo fato de não terem evitado o segundo, quatro meses depois.

    Flores colocadas na beira de estrada próxima a Pedrógão Grande em homenagem às vítimas dos incêndios florestais que atingiram a região central de Portugal em 2017 – Lalo de Almeida/Folhapress

    Não faltam relatos de tentativas, em vão, de conseguir auxílio. “Eu tentei pedir ajuda, mas nós não tínhamos comunicações em lado nenhum. As únicas autoridades que a gente viu foi muita polícia, a tentar coordenar, mas a certa altura até eles próprios já estavam preocupados com as próprias vidas deles. É mesmo assim: cada um estava por si”, conta a empresária Verónica Fonseca, sobre a noite do incêndio em sua fábrica.

    Sócio da fábrica Azeites do Cobral, o empresário Luís Miguel Brito também se viu sem apoio para combater as chamas naquela noite. Proprietário de caminhões, tratores e alguns equipamentos que dispersam água, ele precisou escolher entre salvar sua plantação de azeitonas ou as casas de seus vizinhos. Optou pelos vizinhos.

    “Eu tenho 30 hectares de olival, e ele foi destruído na totalidade. Tanto o olival tradicional, quanto os antigos, centenários. Perdeu-se para sempre a qualidade do azeite produzido pelas oliveiras centenárias.”

    Ele aposta em uma redução significativa no volume de azeite produzido em toda a região. O movimento fraco do lagar –local de processamento das azeitonas para obter azeite– em pleno período de colheita indica que os agricultores tiveram perdas significativas.

    Morador caminha em frente à casa destruída por incêndio florestal em Cerdeira, centro de Portugal – Lalo de Almeida/Folhapress

    A região de Oliveira do Hospital, onde fica a Azeites do Cobral, passou anos sem grandes sobressaltos por causa de incêndios. Um feito atribuído, entre outros fatores, ao bom manejo das florestas, como a limpeza constante das áreas de mata, diminuindo o material seco que alimenta as chamas.

    A realidade não se repete no restante do país, segundo especialistas, que classificaram as regras de ordenamento florestal de Portugal como insuficientes. Áreas com espécies nativas, como carvalhos e castanheiras, vêm sendo replantadas com pinheiros e eucaliptos, que oferecem retorno financeiro mais rápido, mas são mais propensas ao fogo por formarem bosques homogêneos de árvores resinosas que acumulam biomassa seca sobre o solo.

    De acordo com o Inventário Florestal Nacional, houve um aumento de 13% na quantidade de eucaliptos em Portugal entre 1995 e 2010. Hoje a árvore originária da Austrália é dominante nas florestas portuguesas.

    “Os incêndios dependem muito da ocupação dos terrenos e da maneira como ela é gerida”, diz o climatologista Pedro Miranda. “Se a nossa floresta não tivesse uma grande quantidade de árvores muito fáceis de entrar em combustão, ela seria mais resistente.”

    No relatório do estado do ambiente de Portugal em 2017, a Agência Portuguesa do Ambiente indica que os eventos ambientais extremos que marcaram o ano devem ser encarados como um prenúncio do que está por vir.

    “A seca grave, as temperaturas acima da média, a intensificação de fenômenos meteorológicos extremos que vivemos neste ano serão, de acordo com grande parte da comunidade científica, a nova realidade”, alertam.

    Coordenador do Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas da Região de Coimbra, a maior do país, com 19 municípios, João Carlos Mano Castro Loureiro, professor da Universidade de Coimbra, destaca que algumas características da floresta portuguesa, como a concentração nas mãos de pequenos proprietários privados, tornam necessária a criação de políticas públicas de estímulo à preservação de espécies autóctones.

    Acima, oliveiras destruídas por incêndios florestais em Travanca dos Lagos; abaixo, o empresário Luís Brito que precisou escolher entre salvar sua plantação de azeitonas ou as casas de seus vizinhos – Lalo de Almeida/Folhapress

    Suas projeções indicam que a própria viabilidade do eucalipto pode ficar comprometida diante do aumento das temperaturas e das mudanças que vêm com ele. “Pode haver oportunidade para espécies nossas, autóctones, muito mais bem-adaptadas a este clima.”

    O governo prometeu ainda para 2018 apresentar alterações na legislação florestal, inclusive na regulamentação do eucalipto e de outras espécies estrangeiras.

    Para os pesquisadores, é preciso também insistir na conscientização das populações para a nova realidade florestal no contexto da mudança climática. Em Portugal, assim como no Brasil, existe uma cultura de fazer queimadas para “limpar” o terreno.

     
     

    “As pessoas têm isso como sua rotina anual, um bocadinho insensível às condições [meteorológicas] daquele momento”, avalia o pesquisador. “Infelizmente, na tragédia que houve em outubro último, [foi] uma das principais razões para as pessoas terem feito queimadas.”

    O relatório interdisciplinar contou ainda com técnicos no terreno, que fizeram perguntas à população sobre as alterações climáticas. A socióloga Fátima Alves, pesquisadora da Universidade de Coimbra, destaca que são poucos os que não acreditam no aquecimento global e em suas consequências.

    “De um modo geral, já ouviram falar das alterações climáticas, conseguem identificar onde é que elas se manifestam em seu dia a dia”, avalia. Mas isso não basta: “As pessoas sabem o que se passa, mas não estão, digamos, igualmente comprometidas com a mudança do seu próprio comportamento”.

    https://arte.folha.uol.com.br/ciencia/2018/crise-do-clima/portugal/tempestades-de-fogo-mataram-115-portugueses-em-2017/

    Prof Luciano Mannarino

     
     
  • Novela do Brexit está longe de terminar, mas parte mais interessante começa agora

    Sexta economia do mundo passará a ter voz própria em temas comerciais

    Ao ler as manchetes da semana, talvez você tenha respirado aliviado com a notícia de que o brexit foi consumado e que o Reino Unido finalmente saiu da União Europeia na virada do 31 de janeiro. Pensou que a novela havia terminado? Longe disso.

    Mas a parte mais interessante começa agora. A sexta economia do mundo passará a ter voz própria em temas comerciais, com implicações significativas para a configuração da governança do comércio internacional. Independentemente da opinião que se tenha sobre o brexit, seria difícil negar que suas consequências são importantes.

    Definir os novos termos do relacionamento entre o Reino Unido e União Europeia é a prioridade para ambos. Hoje, um entendimento transitório mantém basicamente tudo como está até o fim do ano. E define 31 de dezembro como data limite para um acordo definitivo.

    A parceria entre os dois lados da Mancha deve incluir, por exemplo, cooperação em política externa, defesa e segurança e, naturalmente, em temas econômico-comerciais. Nessa área, questões regulatórias causarão controvérsia e marcarão as conversas. Os europeus insistirão na ideia de competição justa, antecipando que os britânicos venham a adotar um ambiente de pouca regulação e impostos baixos, modelo apelidado de Cingapura do Tâmisa.

    Em paralelo às negociações com os europeus, o Reino Unido tenta estabelecer sua própria rede de acordos comerciais mundo afora. Pretende, em três anos, concluir entendimentos que cubram 80% do seu comércio exterior. Já realizou consultas públicas para ouvir os interessados a respeito de um acordo abrangente com os EUA. Manifestou, entre outros, interesse em se juntar à Parceria Transpacífica Abrangente, que inclui 11 países sobretudo na Ásia.

    A atuação solo do Reino Unido altera o panorama das negociações comerciais. A necessidade de o país contar com seus próprios acordos faz todos os demais repensarem suas estratégias e prioridades negociadoras. Isso vale para o Brasil e o Mercosul também.

    O fato de o Reino Unido agora estar, digamos, no mercado, afeta também a própria atuação externa da União Europeia. O bloco tem ampla rede de acordos comerciais, mas não tem um com os EUA, que já estão dialogando com Londres. EUA e Reino Unido podem, em conjunto, vir a definir determinados padrões em detrimento de interesses europeus.

    Finalmente, o Reino Unido passa a ter voz própria na Organização Mundial do Comércio e promete ser um defensor vocal do livre-comércio e do multilateralismo. Pode vir a ser uma força importante a favor de reformas de que a Organização necessita. O país, como nenhum outro, precisará de uma OMC forte. Se não conseguir fechar um acordo com a União Europeia, dependerá das regras da OMC para dar previsibilidade ao seu comércio com o bloco.

    Está aberta a temporada dos jogos em vários planos, de negociações comerciais que ocorrem em paralelo e que se comunicam. Longe de ser um assunto entre União Europeia e Reino Unido, os desdobramentos do Brexit afetam o mundo todo. A parte mais importante da saga começa agora, em que os demais jogadores entram em campo.

    Tatiana Prazeres
    Senior fellow na Universidade de Negócios Internacionais e Economia, em Pequim, foi secretária de comércio exterior e conselheira sênior do diretor-geral da OMC.

    Questões (responder em grupo na sala de aula)

    Ensino Médio (3 ano)

    1) O que significa a expressão “brexit”?

    2) Explique o contexto  histórico da criação da União Européia.

    3) Qual o papel da O.M.C no comércio global e por que  …”Finalmente, o Reino Unido passa a ter voz própria”…nessa Instituição?

    4) Por que os europeus temem que Londres se torne uma  “Cingapura do Tâmisa”?

    5) Aponte pontos negativos para economia do Reino Unido no desligamento da União Européia.

    DESIGUALDADE GLOBAL (ÁFRICA DO SUL)

    Prof Luciano Mannarino