Categoria: ATIVIDADES

Modelos de atividades para a Sala de Aula (Geografia)

  • Como as pessoas ricas podem ajudar a salvar o planeta das mudanças climáticas?

    (CNN)As pessoas ricas não têm apenas saldos bancários maiores e estilos de vida mais luxuosos do que o resto de nós – eles também têm pegadas de carbono maiores.

    Quanto mais coisas você possui e quanto mais viaja, mais combustíveis fósseis são queimados e mais gases de efeito estufa são emitidos para a atmosfera.
    Passeando de carro, comprando artigos de luxo, mantendo as mansões aquecidas e dirigindo supercarros – todos eles têm uma pegada de carbono.
    A Oxfam estimou que a pegada de carbono média de alguém nos 1% mais ricos do mundo poderia ser 175 vezes a de alguém nos 10% mais pobres. Estudos também mostram que os pobres sofrem mais com as mudanças climáticas .
    Mas alguns argumentam que os ricos podem fazer o máximo para ajudar a consertar a crise climática. Veja como eles podem fazer a diferença.

    Gaste sabiamente

    As decisões de compra dos ricos significam muito mais na luta contra as mudanças climáticas do que as da maioria das pessoas.
    Ilona Otto e seus colegas do Instituto de Pesquisa de Impacto Climático de Potsdam estimaram que a família “super-rica” ​​típica de duas pessoas (que eles definiram como possuindo ativos líquidos de mais de US $ 1 milhão, excluindo sua casa principal) tem uma pegada de carbono de 129 toneladas de CO2 por ano. Isso representa cerca de 65 toneladas de CO2 por ano por pessoa, o que é mais de 10 vezes a média global.
    Otto observou que, como a amostra no estudo era pequena, os números são ilustrativos. “Provavelmente nossas estimativas são ainda mais baixas que as verdadeiras emissões de milionários”, disse ela.
    “Em relação às escolhas de estilo de vida, os ricos podem mudar muito”, disse Otto. “Por exemplo, colocando painéis solares nos telhados de suas casas. Eles também podem comprar carros elétricos e o melhor seria se evitassem voar”.
    No estudo, as viagens aéreas representaram mais da metade da pegada de um casal super-rico.
    Os arquitetos alemães Aktivhaus dizem que esta casa gera o dobro de energia que consome.
    Os arquitetos alemães Aktivhaus dizem que esta casa gera o dobro de energia que consome.
    As pessoas ricas também têm mais flexibilidade para fazer alterações.
    “Um consumidor de alta renda provavelmente tem acesso e é capaz de comprar produtos ou produtos mais favoráveis ​​ao clima de agricultores locais”, disse Tom Bailey, que contribuiu para um novo relatório que destaca o consumo nas cidades de alta renda.
    “Cidades de alta renda e indivíduos de alta renda também têm recursos para testar novos produtos, serviços e soluções”, explicou, acrescentando que eles têm a capacidade de criar um mercado para bens mais sustentáveis.

    Desinvestimento

    Além de escolher em que gastar dinheiro, as pessoas ricas podem escolher em quais indústrias investir – ou não investir.
    A Oxfam estima que o número de bilionários na lista da Forbes com interesses comerciais no setor de combustíveis fósseis aumentou de 54 em 2010 para 88 em 2015, e o tamanho de suas fortunas aumentou de mais de US $ 200 bilhões para mais de US $ 300 bilhões.
    O vapor sobe de uma usina a carvão na Alemanha.
    O vapor sobe de uma usina a carvão na Alemanha.
    Mas há uma tendência de investidores ricos venderem suas ações em indústrias prejudiciais ao clima, conhecidas como desinvestimento.
    Mais de 1.100 organizações e 59.000 indivíduos, com ativos combinados totalizando US $ 8,8 trilhões, se comprometeram a se desfazer de combustíveis fósseis por meio do movimento online DivestInvest .
    Entre eles está o ator de Hollywood Leonardo DiCaprio , que assinou o compromisso em nome de si mesmo e de sua fundação ambiental – e também um grupo de 22 indivíduos ricos da Holanda que se comprometeram a remover sua riqueza pessoal dos 200 principais petróleo, gás e carvão empresas.
    “Você não investe em carvão, não investe em petróleo, em gás, também em algumas empresas de automóveis que produzem carros normais, ou aviação, por isso direciona os fluxos financeiros”, afirmou Otto.
    E com o desinvestimento, um pouco pode percorrer um longo caminho. “Fizemos algumas simulações que mostram que, com o movimento de desinvestimento, você não precisa que todos desinvestem”, disse Otto. “Se a minoria dos investidores desinvestir, os outros investidores não investirão nesses ativos de combustíveis fósseis porque terão medo de perder dinheiro … mesmo se não tiverem preocupações ambientais”.

    Riqueza significa poder

    As pessoas ricas não são apenas tomadores de decisão econômica, mas também podem ter influência política. Eles podem financiar partidos e campanhas políticas e ter acesso aos legisladores.
    Hoje há mais CO2 na atmosfera do que em qualquer outro ponto, desde a evolução dos seres humanos.
    Hoje há mais CO2 na atmosfera do que em qualquer outro ponto, desde a evolução dos seres humanos.
    Otto argumentou que as pessoas ricas poderiam usar seu poder político para instigar mudanças positivas na política climática.
    “As pessoas com as maiores emissões têm a maior agência para mudar alguma coisa”, disse Otto. “Há muita pesquisa sobre os pobres, o impacto das mudanças climáticas sobre os pobres … objetivos de desenvolvimento sustentável e assim por diante. Mas quando se trata de ação, sustentabilidade e transformação, os pobres não podem fazer nada porque estão ocupados sobrevivendo.
    “Mas os educados, os ricos e os super-ricos – é um caso completamente diferente. Eles têm dinheiro e recursos para agir e também têm redes sociais”, explicou ela.

    Financiar pesquisas climáticas

    Os ricos também podem apoiar a pesquisa climática. Em 2015, o fundador da Microsoft, Bill Gates, comprometeu US $ 2 bilhões de sua fortuna para financiar pesquisa e desenvolvimento em energia limpa.
    As fazendas de corais podem salvar nossos recifes?
    As fazendas de corais podem salvar nossos recifes?
    Em maio, um grupo de cientistas escreveu a 100 instituições de caridade e famílias ricas do Reino Unido para pedir um “aumento extraordinário” no financiamento de questões ambientais e relacionadas ao clima.
    “Nós imploramos que você considere urgentemente investimentos significativos para evitar mais catástrofes ecológicas – seja através de seus investimentos pessoais ou de sua filantropia”, dizia a carta.
    Há muito incentivo para os ricos exigirem ação climática: um relatório recente da ONU alertou que o adiamento das políticas climáticas custará às principais empresas do mundo US $ 1,2 trilhão nos próximos 15 anos.

    Modelos

    Os super-ricos também podem influenciar as emissões de carbono de outras pessoas.
    “O alto status em nossas sociedades continua associado à alta riqueza material”, afirmou Otto. “É uma aspiração se tornar como os muito ricos e você imita o estilo de vida das pessoas com quem você quer ser”.
    A Ryanair está entre os maiores emissores de gases de efeito estufa da UE, de acordo com dados da UE.  Os rankings incluem centrais elétricas, fábricas e aviação.
    A Ryanair está entre os maiores emissores de gases de efeito estufa da UE, de acordo com dados da UE. Os rankings incluem centrais elétricas, fábricas e aviação.
    “Nós, como sociedade, temos que procurar novas formas de levar vidas ‘ricas’ que sejam independentes da riqueza material”, disse Stephanie Moser, da Universidade de Berna, na Suíça, que descobriu que a pegada de carbono de uma pessoa é mais indicada pela sua renda que suas crenças ambientais.
    “Temos que redefinir a riqueza em nossas sociedades para que seja possível viver uma” boa vida “sem altas emissões de gases de efeito estufa”, disse ela.
    https://edition.cnn.com/2019/07/12/health/rich-people-climate-change-intl/index.html
    Questões.
    1. O que é pegada de Carbono?
    2. No final do texto uma pesquisadora afirma que devemos “redefinir a riqueza em nossas sociedades para que seja possível viver uma boa vida”. O que ela estaria propondo?
    3. Por que Centrais Elétricas estão entre os maiores emissores de gás estufa?
    4. O texto relaciona poder e riqueza. De que forma essa relação compromete a democracia?
    Prof. Luciano Mannarino.
  • Cidades esperam avanços tecnológicos e descentralização da Justiça após virarem metrópoles (avaliação)

    Cidades esperam avanços tecnológicos e descentralização da Justiça após virarem metrópoles (avaliação)

    Estudo do IBGE coloca Campinas, Florianópolis e Vitória como novas metrópoles do país

     

    Marcelo Toledo
    RIBEIRÃO PRETO

    Após o IBGE publicar um estudo que aponta novas metrópoles no país, prefeituras das cidades com a nova classificação já esperam aumento de investimentos em setores como saneamento, além de avanço tecnológico e até mesmo a descentralização da Justiça.

     

    O país ganhou três novas metrópoles e viu outras 32 cidades receberem o título de capitais regionais em 12 estados, segundo o estudo Regic (Regiões de Influência das Cidades), feito pelo IBGE e que mostrou o avanço na rede urbana brasileira entre 2008 e 2018.

    As novas metrópoles são Campinas (primeira não capital a entrar na lista), Florianópolis e Vitória. Elas se somam a São Paulo, que ocupa o topo da hierarquia como grande metrópole nacional, Rio e Brasília (consideradas metrópoles nacionais), Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Manaus, Belém, Fortaleza, Recife e Goiânia.

    metropole

    Coordenador da pesquisa, o geógrafo Marcelo Mota diz que o estudo é importante para a definição de políticas de acesso a serviços públicos e para o setor privado planejar, por exemplo, a localização de filiais de empresas ou a regionalização de vendas conforme as zonas de influência de cada cidade.

    “A realidade evoluiu e o IBGE captou isso. Metrópole é uma cidade que tem capacidade de articulação muito grande no território. Todas as atividades de empresas, órgãos públicos, ONGs, indivíduos, associações, enfim, toda a constelação de entes que existe numa cidade e tem ligação de longa distância com outras.”

    Complexo Intermodal de Rondonópolis, que liga o terminal de Alto Araguaia a Rondonópolis, principal corredor exportador de grãos do país – Sirlei Alves/Divulgação

    Foram analisadas gestão do território, comércio e serviços, instituições financeiras, ensino superior, saúde, informação, cultura e esporte, transporte, atividades agropecuárias e ligações internacionais para se chegar ao resultado.

    Campinas foi alçada à condição devido ao seu dinamismo empresarial e ao porte demográfico, por influenciar uma rede com mais de 4 milhões de habitantes.

    A classificação como metrópole fará com que a prefeitura envie ao TJ (Tribunal de Justiça) um pedido para ser instalado na cidade um braço do tribunal de segunda instância. “Só temos segunda instância em São Paulo. Seria natural essa descentralização e seria natural começar por Campinas”, afirmou o prefeito Jonas Donizette (PSB).

    Para ele, a cidade pode se beneficiar também com programas de habitação e saneamento da União que começam pelas metrópoles.

    Já em Florianópolis, a prefeitura espera novas oportunidades de investimentos, especialmente na área tecnológica, que em 2019 obteve arrecadação de ISS (Imposto Sobre Serviços) superior a do turismo pela primeira vez.

    O secretário de Turismo, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, Juliano Richter Pires, diz que a vocação foi extrapolada pela pandemia, que atraiu paulistas e habitantes de centros maiores para a capital catarinense.

    “O home office mostrou que é possível associar qualidade de vida com qualidade profissional e temos um aeroporto entre os melhores do país. É muito fácil trazer a família para morar aqui e vez ou outra ir a São Paulo para o que for preciso.”

    Líder no ranking, São Paulo tem uma rede de influência que concentrava 49 milhões de habitantes em 2018 e mais de R$ 2 trilhões anuais de PIB, o equivalente a 23,6% da população e 33,3% da renda total do país, conforme o estudo do IBGE. Sua influência ultrapassa o próprio estado e atinge Mato Grosso do Sul, norte do Paraná, sul de Minas Gerais e do Triângulo Mineiro –onde divide influência com Belo Horizonte.

    Das 15 metrópoles, 5 estão no Sudeste. Para elas convergem 97 capitais regionais, 352 centros sub-regionais, 398 centros de zona e 4.037 centros locais — estes últimos, mais numerosos no Nordeste.

    As capitais regionais são definidas como centros urbanos que têm alta concentração de atividades de gestão, mas com alcance menor que as metrópoles.

    O estudo mostrou avanço de Mato Grosso nesse ponto. O estado só tinha Cuiabá como capital regional e agora passou a ter também Rondonópolis e Sinop.

    Em Goiás, Anápolis também subiu para essa categoria, assim como Cacoal e Ji-Paraná, em Rondônia. Em comum, são ligadas ao agronegócio.

    O secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, César Miranda, disse que o estudo consolida Rondonópolis como a mais importante cidade do interior do estado, e vê na soja e no gado bovino os principais pontos a gerar o avanço.

    Por ali passa boa parte da produção de soja do Centro-Oeste, escoada pelo terminal ferroviário, mas isso não é suficiente para o prefeito José Carlos Junqueira de Araújo (SD), que queria mais industrialização. “As commodities não são interessantes para nós. O correto é agregar valor à produção, é industrializar.”

    E levantaoutra questão: “A estrutura que tenho talvez seja maior que muitas cidades grandes de São Paulo, pois tenho de cuidar das pessoas 220 quilômetros distante da capital. Se a cidade não tivesse a estrutura que tem, como socorreria a região? É necessidade”.

    De maneira geral, as cidades progrediram ou se mantiveram estacionadas na classificação, mas 3% dos municípios foram rebaixados. É o caso de Campina Grande (PB), que segue como capital regional, mas agora caiu da classificação B para C.

    “Muitos municípios que buscavam serviços em Campina Grande passaram a ter Patos como referência. Com isso, ela perdeu área de influência”, disse o geógrafo.

  • Em cúpula, Lacalle Pou defende Mercosul sem alinhamento com EUA ou China.

    Em cúpula, Lacalle Pou defende Mercosul sem alinhamento com EUA ou China.

    Presidente uruguaio assumiu nesta quinta a presidência rotativa do bloco
    Ricardo Della Coletta
    BRASÍLIA

    No dia em que assumiu a presidência rotativa do Mercosul, o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, afirmou que o bloco não pode, diante da queda de braço global entre Estados Unidos e China, optar por ficar mais próximo de uma das potências mundiais em detrimento da outra.

    “Quero ser muito claro no que diz respeito aos EUA e à China. Não podemos cair na falsa dicotomia de estar mais próximos de um do que de outro”, declarou ele nesta quinta-feira (2), durante a cúpula do Mercosul. “Os países que triunfaram no seu desenvolvimento estiveram próximos dos dois.”

    A reunião dos chefes de Estado de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai ocorreu de forma virtual pela primeira vez na história devido à crise do novo coronavírus. Também participaram os presidentes de Chile, Sebastián Piñera, Colômbia, Iván Duque, e Bolívia, Jeanine Añez, além do chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell.

    O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, durante reunião virtual do Mercosul
    O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, durante reunião virtual do Mercosul – Walter Paciello/AFP

    Ao destacar a necessidade de um posicionamento equidistante do Mercosul entre China e EUA —que protagonizam as maiores disputas nas áreas de comércio e tecnologia—, a fala de Lacalle Pou foi interpretada por membros do governo Jair Bolsonaro como uma queixa em relação à política de alinhamento automático do Brasil com os Estados Unidos.

    Além de defender posições dos americanos, o chanceler Ernesto Araújo é criticado pela ala pragmática do governo por declarações que irritaram os chineses, hoje os maiores parceiros comerciais do país.

    Auxiliares do uruguaio, no entanto, negam essa versão e dizem que Lacalle Pou apenas explicitou uma posição consolidada de seu partido na área de política externa.

    Negociadores brasileiros ouvidos pela Folha avaliam, sob condição de anonimato, que o presidente do Uruguai buscou enviar uma sinalização para o setor exportador de seu país.

    Segundo esses interlocutores, os uruguaios pleiteiam há tempos a assinatura de acordos comerciais com a China e com os Estados Unidos, potenciais destinos das exportações de carne do país sul-americano.

    As regras do Mercosul apenas permitem que acordos de livre comércio sejam fechados com a anuência dos quatro integrantes, o que na prática trava as ambições uruguaias.

    Tanto o Brasil quanto a Argentina rechaçam permitir um entendimento do Uruguai com os chineses, com medo de que produtos do gigante asiático acabem entrando sem impostos em seus países por meio do país vizinho, numa espécie de triangulação.

    Os Estados Unidos, por outro lado, rejeitam uma negociação comercial com o Mercosul e trabalham por entendimentos bilaterais, sendo que a prioridade é o Brasil.

    Em sua fala, Lacalle Pou também argumentou que o Mercosul deve aprofundar a relação com os chineses.

    “A China manifestou formalmente a vocação de aprofundar as relações com o Mercosul. Creio que existe uma espécie de omissão do nosso bloco em responder adequadamente a essa formalidade”, afirmou.

    “Nós, no nosso país, temos a convicção de que esse fortalecimento será para o bem da região. Pensemos na Ásia de 2050 e na China. Pensemos na quantidade e na qualidade de alimento que vão precisar e voltemos rapidamente à nossa região, a grande produtora de alimentos.”

    Nesse sentido, o Brasil defende uma flexibilização de normas do bloco para que acordos comerciais possam ser discutidos sem o consenso dos quatro membros, uma forma de acelerar esses entendimentos. A posição brasileira é partilhada por paraguaios e uruguaios.

    Nesta quinta, um dos trechos da declaração de Lacalle Pou foi interpretado por diplomatas brasileiros como uma sinalização de que o Uruguai pretende trabalhar por maior flexibilidade nas regras do Mercosul.

    “Os consensos às vezes podem significar lentidão. E por isso o consenso no Mercosul deve ser pragmático, que tenha a capacidade de analisar, de prever e de reagir nos tempos do mundo. Porque se isso [consenso] significar discussões quase acadêmicas, o mundo vai passar por cima de nós”, afirmou.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/07/em-cupula-lacalle-pou-defende-mercosul-sem-alinhamento-com-eua-ou-china.shtml

     

    Questões

    1. Qual a preocupação que o Brasil e a Argentina tem relação ao estreitamento das relações econômicas entre o Mercosul e os chineses?

    2. Na sua concepção, os acordos comerciais entre blocos de países devem se pautar pelo pragmatismo ou pela orientação ideológica dos principais parceiros?

    É possível identificar essa  dicotomia  nos integrantes do Mercosul? Justifique.

    3. Estabeleça diferenças e semelhanças entre o Mercosul e a União Européia.

    4. Por que os EUA rejeitam um acordo como o Mercosul?

    5. O que é ser protecionista em relação ao comércio externo? Quais são os pontos negativos e os pontos positivos dessa política econômica?

  • Família real belga fala pela 1ª vez em arrependimento por colonização na África.

    Família real belga fala pela 1ª vez em arrependimento por colonização na África.

     

    Carta à República Democrática do Congo não menciona especificamente rei acusado pela morte de 10 milhões de africanos

    BRUXELAS

    A família real da Bélgica expressou pela primeira vez arrependimento pela violência cometida contra a população da atual República Democrática do Congo durante a exploração colonial do país africano, que nesta terça (30) comemora 60 anos de independência.

    Em carta enviada ao presidente congolês Félix Antoine Tshisekedi Tshilombo, o rei Phillipe mencionou “atos de violência e crueldade, que ainda pesam em nossa memória coletiva”.

    Estátua do rei Leopoldo 2º, responsável pela morte de 10 milhões de pessoas na República Democrática do Congo, é pichada com tinta vermelha na cidade de Ghent, na Bélgica
    Estátua do rei Leopoldo 2º, responsável pela morte de 10 milhões de pessoas na República Democrática do Congo, é pichada com tinta vermelha na cidade de Ghent, na Bélgica – Philippe Francois – 18.jun.20/AFPa

    “O período colonial causou sofrimento e humilhação. Gostaria de expressar meus mais profundos arrependimentos por essas feridas do passado, cuja dor agora é revivida pela discriminação ainda presente demais em nossas sociedades”, acrescenta.

    Ele não cita o nome de seu tio-bisavô Leopoldo 2º, tido como responsável pela morte de cerca de 10 milhões de habitantes, mas menciona o Estado Livre do Congo, território que foi propriedade privada do monarca de 1885 a 1908, e o período de 1909 a 1960, em que a região se manteve colônia da Bélgica.

    Segundo historiadores, cerca de 10 milhões de africanos morreram durante o reinado de Leopoldo 2º.

    Nas últimas semanas, cresceram protestos que existem há anos contra a permanência de estátuas de Leopoldo 2º nas cidades.

    Várias delas foram danificadas ou derrubadas durante manifestações após a morte do americano George Floyd nos EUA — em Bruxelas, uma das estátuas mais visadas fica justamente ao lado do palácio em que mora a família real.

    Estátua de homem de casaca e barbas longas sobre cavalo, com os olhos pintados de vermelho como se chorasse sangue e a palavra perdão escrida no peito
    Estátua equestre do rei Leopoldo 2º, que fica a lado do palácio da família real, em Bruxelas – Ana Estela de Sousa Pinto/Folhapressgenda
     

    A Secretaria de Patrimônio da região criou uma comissão para estudar a retirada definitiva de homenagens ao rei colonialista.

    A última vez que um rei belga havia mencionado Leopoldo 2º foi em 1960, em visita para marcar a independência da República Democrática do Congo. Na ocasião, o rei Baudouin elogiou o espírito empreendedor de Leopoldo 2º, que era chamado de “rei construtor”.

    Após as manifestações antirracistas, o departamento de comunicações da família real havia afirmado à mídia belga que o chefe de Estado estava “envolvido em uma reflexão sobre esses assuntos”.

    Embora o rei Phillipe fale em arrependimento, analistas belgas ressaltaram que não se trata de um pedido formal de desculpas, algo que caberia ao governo, hoje liderado pela primeira-ministra Sophie Wilmès.

    Durante a inauguração de uma placa comemorativa dos 60 anos da independência congolesa, a chefe de governo foi questionada se a Bélgica se arrependia de suas ações durante a época colonial. “Com certeza”, respondeu.

    “Em 2020, devemos ser capazes de olhar para esse passado compartilhado [com a República Democrática do Congo] com lucidez e discernimento. [Um período] também marcado por desigualdade e violência contra os congoleses”, disse.

  • Divorciados, Reino Unido e União Europeia discutem a relação em clima quente (atividade)

    Divorciados, Reino Unido e União Europeia discutem a relação em clima quente (atividade)

    Blocos adotam posições extremas no início das negociações do pós-brexit, que começam nesta segunda (2)

    Ana Estela de Sousa Pinto
    BRUXELAS

    Divorciados oficialmente no último dia 31 de janeiro, Reino Unido e União Europeia começam a discutir sua relação futura nesta segunda-feira (2). Pelo tom das declarações feitas na semana passada, os dois lados prometem não facilitar a vida do ex-parceiro.

    Será a primeira reunião de uma série de encontros mensais, em que britânicos e europeus precisam decidir os termos de todos os seus intercâmbios, sob risco de voltar à estaca zero depois de 47 anos de união. A lista tem 13 áreas, cada uma delas com vários itens, cada item com várias novas regras a definir, em assuntos como produtos, serviços, pessoas, informações, segurança e defesa e mais.

    David Frost, negociador do Reino Unido, ao deixar sede da Comissão Europeia – François Lenoir – 7.out.2019/Reuters 

    Chegar a um acordo em todos esses campos até 31 de dezembro, como previsto, é tido por técnicos e diplomatas como impraticável, e os europeus balançam esse prazo como uma espada sobre a cabeça dos britânicos, para pressioná-los a aceitar suas condições ou pedir um adiamento.

    Boris Johnson, porém, dobrou a aposta. O primeiro-ministro do Reino Unido já prometia não prorrogar prazos; na semana passada passou a falar numa saída em junho, se as conversas não avançarem.

    Por enquanto, como ocorre em negociações —ainda mais se ela envolve 513 milhões de pessoas e PIBs somados de  € 15,9 trilhões (cerca de R$ 79,5 trilhões)—, os dois lados esticam a corda ao máximo e evitam até mesmo falar a mesma língua.

    Os britânicos proíbem que seus negociadores usem o termo “acordo ambicioso”, senha da União Europeia para rejeitar conversas aos pedaços —nas palavras de um representante europeu, “não gostamos de acordos-salame; preferimos os do tipo ravióli, refeição completa num prato só”.

    Michel Barnier, negociador por parte da União Europeia – François Lenoir – 26.fev.2020/Reuters 

    Mandato, jargão da burocracia da UE para o documento-base da negociação, foi substituído pelo Reino Unido por “abordagem” (“approach”). Mestre na comunicação, Boris trocou  “no deal” ou o “hard brexit” (separações sem acordo) por “um acordo do tipo australiano” —a Austrália não tem tratado de livre comércio com a União Europeia.

    Das mais problemáticas é a expressão “level playing field”, abreviada como LPF, patamar mínimo de discussão. Na prática, significa que a União Europeia só aceita acordo amplo para bens e serviços se o Reino Unido adotar suas regras trabalhistas, ambientais, fitossanitárias e etc.

    Nada mais indigesto para Boris, que fez a campanha do brexit prometendo retomar o controle de suas regulações. LPF aparece  20 vezes no mandato europeu, contra apenas uma na abordagem britânica. No vocabulário do Reino Unido, ela vira “garantias antidistorções”.

    As partes também trocam provocações sobre quem perde mais sem um acordo. A União Europeia é o principal parceiro comercial do Reino Unido, responsável por cerca de 45% das exportações britânicas em 2018 e 53% de tudo o que os ex-parceiros compram (os números variam com critérios e taxas de câmbio).

    Num dos setores mais importantes da economia britânica, o de serviços, o Reino Unido obtém 7,2% de sua receita de exportação com vendas à UE (o fluxo inverso representa só 1,1% das vendas europeias).

    A indústria britânica, principalmente a mais avançada, depende de fornecedores e clientes europeus, e um impasse pode elevar muito seus custos.

    Laboratórios farmacêuticos, agronegócio e indústria química também serão prejudicados se não houver entendimento sobre as regras de qualidade e segurança.

     

    O saldo é que há impacto para as duas economias, muito entrelaçadas nas cadeias de produção, fluxos financeiros e de pessoas (vivem no Reino Unido 3 milhões de cidadãos da UE; 1 milhão de britânicos tem domicílio na UE). Mas considerações políticas também complicam a DR.

    Boris vendeu a seu público interno a promessa de recuperar as rédeas do país, mas precisa evitar a perda de empregos e de crescimento econômico. Para isso, pode até se render às exigências europeias, mas só depois de embalar o resultado como prova de soberania.

    A União Europeia mantém um difícil equilíbrio entre 27 países com características e interesses díspares, quando não antagônicos. Neste ano, as divergências estão mais acirradas, com a discussão de quanto dinheiro o bloco terá nos próximos sete anos e como vai reparti-lo.

    Se os governantes da UE precisam mostrar a seus membros que o benefício da união é maior que os custos de se submeter a suas regras e burocracias, aliviar a vida de quem acabou de se desligar é uma não opção. Entenda o que está em jogo.

     

    O que é o brexit?

    É a saída do Reino Unido da União Europeia, que aconteceu em 31 de janeiro de 2020. O bloco reúne agora 27 países.

    Por que houve brexit?

    A saída foi aprovada pela maioria dos britânicos em referendo em 2016. O brexit foi proposto para que o Reino Unido não precisasse seguir regras e políticas comuns da União Europeia.
    Se já houve o brexit, por que mais reuniões?

    Para discutir as novas bases do relacionamento econômico e político entre o Reino Unido e a UE. As reuniões serão mensais, alternando-se entre Londres e Bruxelas. O acordo de saída estabelece um prazo de transição até 31 de dezembro deste ano.

    Durante a transição, o Reino Unido ainda está na UE?

    Não, e por isso não participa mais do Conselho Europeu, do Parlamento ou qualquer instância de decisão europeia. Mas continuam valendo todas as regras para cidadãos, consumidores, empresas, investidores, estudantes e pesquisadores, até que se negociem as novas bases.

    A Corte de Justiça da União Europeia continua a ter jurisdição sobre o Reino Unido, inclusive em relação ao acordo de retirada.

    O período de transição pode ser estendido uma vez, e o prazo final tem que ficar entre dezembro de 2021 e dezembro de 2022. A prorrogação tem que ser aprovada pelos dois lados até 1º de julho deste ano. Mas o premiê britânico, Boris Johnson, já disse que não haverá prorrogação.

     

    Como fica se houver prorrogação?

    Valem as regras do período de transição. O Reino Unido não participa do Orçamento para o período de 2021 a 2027, mas precisará fazer uma contribuição, porque estará se beneficiando do mercado comum.

    E se não houver acordo durante a transição?

    O comércio do Reino Unido com a UE passa a obedecer às regras da OMC (Organização Mundial do Comércio) a partir do dia seguinte.

    O que será negociado?

    Comércio de bens e serviços, investimentos, transporte, energia, regras de pesca, cooperação judicial, coordenação em ações de defesa, partilha de dados, propriedade intelectual e acesso a concursos públicos, entre outros pontos.

     

     

    Quais os pontos mais controversos?

    1. Regulação
    É a primeira de três condições que a Europa diz serem indispensáveis para um acordo amplo de zero tarifa e zero cota: o chamado ““level playing field”, ou seja, o compromisso dos britânicos de seguir regras trabalhistas, ambientais, fiscais e de subsídios vigentes na UE. O argumento é que isso evita competição desleal. Boris Johnson diz que não há intenção de baixar seus patamares de regulação, que já são no mínimo iguais aos britânicos.

    2. Irlanda
    A UE diz que não fará acordo sem garantia de que não haverá controle de fronteiras ou aduana entre a Irlanda do Norte (território britânico) e sua vizinha do sul. Para isso, seria preciso um controle no mar da Irlanda, que separa a ilha da Grã-Bretanha. O governo britânico, porém, tem sinalizado que não fará o controle marítimo.

    3. Pesca
    A UE quer garantir acesso livre às águas britânicas, enquanto Boris Johnson insiste em negociações anuais, baseadas em avaliações científicas sobre a quantidade de peixes e garantido primazia aos barcos britânicos. O Reino Unido vende 80% de seus peixes para a UE e importa de lá 70% do pescado que consome.

    4. Escopo e prazo
    O Reino Unido diz que não pedirá prorrogação de prazo e quer discutir livre comércio de um conjunto limitado de serviços e bens. A União Europeia afirma que não fará discussões aos pedaços e que a escolha por um prazo apertado é dos britânicos

    5. Setor financeiro
    Londres abriga o maior centro financeiro da Europa, e quer manter seu principal mercado para serviços bancários, seguros, gestão de patrimônio e operações financeiras. A União Europeia diz que acesso livre ao mercado não faz parte da conversa e menciona apenas cooperação “voluntária” na regulação financeira.

    6. Solução de disputas
    Para os europeus, qualquer discordância sobre o futuro relacionamento deve ser resolvido pela Corte de Justiça da UE. Boris argumenta que a Justiça europeia não pode se sobrepor às leis britânicas e sugere órgãos de arbitragem independentes.


    OS CHEFES DA NEGOCIAÇÃO

    David Frost, 55, inglês. Formado em história medieval europeia e francesa, é diplomata, foi embaixador na Dinamarca e encarregado de assuntos europeus no equivalente ao ministério britânico de Relações Exteriores.

    Michel Barnier, 69, francês. Formado em administração, está na política desde 1970 e foi ministro da Agricultura, do Ambiente e de Relações Exteriores na França e comissário da UE para mercado interno, entre outros.

     

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo

    Questões.

    1. Explique como se deu a entrada do Reino Unido na União Européia?

    2. Por que a questão da Irlanda é um dos pontos controversos?

    3. Quais seriam os pontos positivos que o Reino Unido observa ao pedir o desligamento da União Européia?

    4. Qual o papel da O.M.C no comércio Global?

    5. Por que a questão do “level playing field” é uma das maiores preocupações da União Européia?

    6. Analise a postura de cada integrante do Reino Unido em relação ao brexit.

     

    Ascensão da China embaralha negociações nucleares entre EUA e Rússia

     

    Prof. Luciano Mannarino.

    #geoverdade