Categoria: ATIVIDADES

Modelos de atividades para a Sala de Aula (Geografia)

  • Segregação Socioespacial

    Segregação Socioespacial

    No caso de São Paulo, a pobreza urbana não é só uma questão de nível, ou índice, mas também de concentração espacial e social, envolvendo desigualdade, separação e homogeneidade espacial. Esse problema também está ligado às políticas públicas, que deveriam ser criadas para melhorar a situação dessas pessoas. O problema não é novo, nem está ausente das cidades norte-americanas e europeias. A literatura da área de Ciências Sociais acumulou um conhecimento considerável não apenas sobre os antigos processos de segregação que marcaram cidades como Nova York e Detroit, mas também sobre as dinâmicas de novas formas de segregação e pobreza urbana (Harloe et al., 1992; Marcuse, 1996; Logan et al., 1992)8 que levaram a novas formas de protesto urbano (Jencks, 1993)9. Embora a questão da desigualdade e da falta de equidade na distribuição dos benefícios da urbanização esteja presente no debate internacional, há uma forte ênfase na questão da separação entre grupos sociais e da homogeneidade social das várias partes da cidade, estruturada especialmente pela etnia e pela raça.

    Geralmente, a segregação nas cidades brasileiras é semelhante, com a pobreza tendendo a ser altamente concentrada em termos espaciais. No entanto, no Brasil a ênfase da literatura sempre esteve mais na existência de desigualdades e injustiças na distribuição da renda e dos serviços públicos do que na separação dos grupos sociais. Esses dois elementos estão obviamente associados empiricamente, assim como se imbricam nos processos que produzem o espaço urbano, mas enquanto na literatura internacional há forte ênfase na questão da análise da homogeneidade de cada espaço em particular, no caso nacional essa dimensão está praticamente ausente, sendo o foco centrado nas desigualdades. Por outro lado, parece muito mais difícil combater a pobreza por meio das políticas públicas no Brasil, visto que a pobreza acumulada é enorme e os processos que a reproduzem estão mesclados com vários aspectos de reprodução social10.

    UNESCO realiza seminário em Nova York sobre soluções brasileiras para  combater a pobreza urbana – ONU Brasil

    Uma importante consequência social da fusão entre desigualdade e a segregação é o forte efeito cumulativo dos riscos sociais e ambientais em alguns pontos críticos que chamamos de “hiperperiferias” (Torres e Marques, 2001). Na verdade, o nível dos problemas sociais e ambientais de determinadas áreas é impressionante, superpondo, em termos espaciais (e sociais), os piores indicadores socioeconômicos, com riscos de enchentes e deslizamentos de terra, um ambiente intensamente poluído e serviços sociais (quando os há) extremamente ineficientes (Torres, 1997)11.

    Embora a presença de populações pobres nas periferias e favelas não esteja em discussão, as causas de sua concentração espacial são objeto de debate. A literatura brasileira na área geralmente enfatiza três diferentes grupos de causas para esse padrão de urbanização:

    – o mercado de trabalho e a estrutura social – para essa literatura, a segregação urbana é uma consequência do mercado de trabalho, como nos trabalhos resenhados por Valladares e Coelho (1987). Para eles, a natureza da estrutura social brasileira e seu mercado de trabalho, bem como as recentes transformações pelas quais passaram, explicariam os padrões de alta segregação e as baixíssimas condições de vida nas periferias. A pobreza urbana no Brasil não seria um mero problema de integração na sociedade industrial moderna, mas um traço estrutural da economia capitalista dos países em desenvolvimento;

    – a dinâmica do mercado imobiliário e da produção de moradias – alguns autores enfatizam os incorporadores e suas estratégias. De acordo com essa linha de raciocínio, a estrutura urbana seria explicada em grande parte por esses atores, que teriam o poder de controlar as melhores localizações, especular com a terra desocupada e lucrar com mudanças na utilização das propriedades e suas redondezas (Ribeiro, 1997)13. Outros autores concentram-se no modo como o mercado imobiliário aloca grupos sociais e atividades econômicas por meio de mecanismos microeconômicos de valorização da terra; esses fatores promovem a segregação dos mais pobres por meio da competição pelo uso da terra (Smolka, 1987 e Abramo, 1994);

    – políticas estatais – um outro grupo de autores focaliza o poder regulador do Estado sobre o território. De acordo com essas análises, o Estado pode manter privilégios e excluir uma parte significativa da cidade dos benefícios da urbanização por meio da legislação sobre a construção civil e o uso do solo (Rolnik, 1997 e Néri, 2002). Um elemento central aqui seria o zoneamento, que “congelaria” os benefícios da urbanização em determinadas partes da cidade habitadas pelos grupos mais ricos, ao mesmo tempo em que permite vários tipos de padrões de uso e de construção no restante da cidade. Outros estudos apontam padrões de segregação promovidos ou incrementados pela ação direta do Estado (Fix, 2001; Marques e Bichir, 2001; Vetter, 1975 e Vetter et al., 1981); aqui, as causas seriam o aumento do valor da terra em certas partes da cidade, resultante de investimentos públicos ou de obras públicas, os quais podem expulsar alguns grupos sociais ou substituí-los por outros (Vetter, 1975 e Vetter et al., 1981), ou mesmo a ação direta do Estado deslocando compulsoriamente populações de baixa renda (Fix, 2001).

    É muito provável que os três processos descritos acima ocorram simultaneamente. É verdade que famílias localizadas na base da estrutura social tendem a viver em condições mais precárias e a ter escolhas muito limitadas, especialmente na sociedade brasileira, onde a ascensão social é restrita. Mas também é verdade que o mercado imobiliário está estruturado em torno de ofertas de uso e locação do solo, e que a maioria da população não pode pagar quase nada para morar. Essas pessoas tendem a ser empurradas para lugares sem serviços públicos e com quase nenhuma renda diferencial. No entanto, também é verdade que o Estado pode incrementar esses processos, ou mesmo causar ou multiplicar a segregação e a produção de desigualdades de maneira direta e concentrada.

    http://www.revistaedugeo.com.br/ojs/index.php/revistaedugeo/article/view/747

    Questões

    Analise a relação entre desigualdade e segregação urbana em São Paulo. Como a fusão desses dois fatores contribui para a formação das “hiperperiferias” mencionadas no texto?

    Explique como o mercado de trabalho e a estrutura social contribuem para a segregação urbana no Brasil. Quais são as características específicas do mercado de trabalho brasileiro que agravam esse problema?

    Discuta o papel do mercado imobiliário na produção e manutenção da segregação urbana. Como as estratégias dos incorporadores imobiliários afetam a distribuição espacial das diferentes classes sociais nas cidades brasileiras?

    Avalie como as políticas estatais podem intensificar os processos de segregação e desigualdade urbana. De que maneiras o Estado, direta ou indiretamente, contribui para a exclusão de grupos sociais dos benefícios da urbanização?

    Compare a abordagem da literatura internacional sobre segregação urbana com a abordagem brasileira. Por que a questão da homogeneidade social e da separação entre grupos é mais enfatizada no contexto internacional do que no Brasil?

    Discuta como os três grupos de causas da segregação urbana apresentados no texto (mercado de trabalho e estrutura social, mercado imobiliário, e políticas estatais) podem atuar de forma simultânea e interconectada para agravar a situação da pobreza urbana.

    Considerando as diferentes causas da segregação urbana mencionadas no texto, proponha possíveis soluções ou políticas públicas que poderiam ser implementadas para mitigar esses problemas nas cidades brasileiras.

    Analise o impacto da concentração espacial da pobreza em São Paulo em relação aos riscos sociais e ambientais. Como esses riscos se acumulam nas “hiperperiferias” e quais são as possíveis consequências para as populações que vivem nessas áreas?

    Reflita sobre como a dinâmica da segregação urbana e da desigualdade se manifestam em outras grandes cidades ao redor do mundo. Como essas dinâmicas podem ser semelhantes ou diferentes das encontradas em São Paulo?

    Explore a importância da discussão sobre homogeneidade social na literatura internacional. De que maneira a inclusão dessa discussão no contexto brasileiro poderia contribuir para um entendimento mais profundo das desigualdades urbanas no país?

      Prof Luciano Mannarino.

    1. O debate sobre periferia, segregação e pobreza urbana (atividade)

      O debate sobre periferia, segregação e pobreza urbana (atividade)

      Desde os anos de 1970, a sociologia brasileira tem analisado intensamente a pobreza urbana. Espaços urbanos ocupados por esses grupos sociais foram caracterizados como “periferias” – espaços socialmente homogêneos, esquecidos pelas políticas estatais, e localizados tipicamente nas extremidades da área metropolitana. Tais espaços são constituídos predominantemente em um loteamento irregular ou ilegal de grandes propriedades, sem o cumprimento das exigências para a aprovação do assentamento no município.

      A maioria das casas desses locais é “autoconstruída”. Essa solução de moradia tornou-se predominante em São Paulo, embora as favelas (uma outra solução de moradia tradicional para os pobres) também estivessem presentes.

      Supunha-se que a configuração urbana geral fosse radial-concêntrica em sua geometria (Abreu, 1987; Brasileiro, 1976), com um pronunciado declínio do valor das terras, das atividades econômicas e das condições de vida a partir do centro em direção à periferia da cidade (Bonduki e Rolnik, 1982; Villaça, 1999; e Taschner e Bógus, 2000).

      Em outras palavras, seria possível argumentar que esse modo de entender a forma urbana seria “dual”, contrastando fortemente o centro rico com as periferias muito pobres e com piores serviços públicos. Entretanto, essas características de homogeneidade e localização das periferias têm sido ultimamente questionadas de vários modos:

      – o surgimento de vários novos empreendimentos urbanos fechados na zona oeste da Região Metropolitana, tradicionalmente ocupada pelos pobres (Caldeira, 2000); com isso, desfaz-se a geometria radial-concêntrica e ocorre um aumento significativo da heterogeneidade social nessa região, embora a ocupação desses condomínios tenda a produzir enclaves sem quase nenhum contato entre os grupos sociais;

      – um processo de disseminação da pobreza e de pobres por toda a cidade, que levou ao desenvolvimento de uma nova onda de favelas, marcada por múltiplas invasões de porções muito pequenas de terra não ocupadas pela urbanização, tais como pequenos espaços entre pontes e margens de rios ou linhas de trem. 

      – um novo fator de mudança gerado pelo Estado, que se tornou cada vez mais presente nas periferias, levando a um significativo aumento de vários indicadores sociais, especialmente os relacionados ao acesso a serviços públicos. Esse fato pode ser em parte explicado pela intensa pressão dos movimentos sociais urbanos durante o processo de mobilização política que marcou a sociedade brasileira na década de 1980. Entretanto, essas periferias foram também objeto de várias políticas dinamizadas pelo aparelho estatal durante as décadas de 1980 e 1990, como demonstram os estudos de Marques (2000) e Watson (1992), É muito provável que os dois processos tenham reforçado um ao outro (Marques e Bichir, 2001).

      Em relação aos indicadores sanitários, toda essa transformação significou quase uma universalização, até o ano 2000, do fornecimento de água e coleta de lixo nas mais importantes cidades brasileiras. No entanto, o mesmo não se aplica à rede de esgotos. Em outras palavras, os movimentos sociais e as políticas públicas introduziram importantes transformações nas periferias, exigindo uma reconsideração de antigos modelos analíticos que descreviam e investigavam essas concentrações populacionais nas décadas de 1970 e 1980. A proposição desse novo arcabouço conceitual é uma tarefa intelectual que ainda precisa ser realizada.

      Favela, lugar dos esquecidos - Jornal O Globo

      Os serviços e investimentos estatais, no entanto, não foram suficientes para elevar as condições de vida da população de baixa renda ao padrão das outras partes das cidades (Marques e Bichir, 2001). Isso se deve em parte ao tamanho do deficit entre essas condições de vida e um verdadeiro acesso a serviços e infra-estrutura, e também à qualidade dos serviços e equipamentos recentemente implantados pelo governo nessas áreas.

      Na grande maioria dos casos, as obras realizadas ali eram (e ainda são) de baixa qualidade. Assim, as melhorias públicas feitas nessas áreas não eram finalizadas e tendiam a deteriorar-se, pois a lógica sistêmica da infra-estrutura urbana não era respeitada.

      Em vários aspectos, esses processos contribuíram para a diferenciação dos grupos sociais urbanos pobres e seus territórios, fazendo das periferias (bem como das favelas) um fenômeno cada vez mais heterogêneo. Essa dimensão introduziu novos desafios conceituais e analíticos visto que, ao contrário dos anos de 1970, a simples classificação de um espaço como periferia já não nos permite prever os conteúdos sociais associados à moradia no local. Embora o desenvolvimento de um novo quadro conceitual seja uma tarefa complexa e necessariamente coletiva, esperamos que os elementos enfocados nas próximas seções apontem nesta direção.

      http://www.revistaedugeo.com.br/ojs/index.php/revistaedugeo/article/view/747

      Questões (sala de aula)

      1. Por que a homogeneidade e localização das periferias tem sido ultimamente questionada? Apresente exemplos utilizando o espaço urbano da Cidade do Rio de Janeiro.

      2. O que são “periferias” dentro de um espaço urbano?

      3. O Estado pode melhorar a condição de vida das populações que moram nas periferias das grandes metrópoles? Exemplifique.

      4. o que são casas “autoconstruída” ?

      5. O que é migração pendular? (pesquisa)

      Prof. Luciano Mannarino.

    2. De 1964 a 1985, veja linha do tempo da ditadura militar.

      De 1964 a 1985, veja linha do tempo da ditadura militar.

      1967

      15/mar – Costa e Silva toma posse

      Neste ano, as denúncias de torturas chegaram a 50

      1968

      28/mar – Polícia Militar mata o estudante Edson Luís de Lima Souto, no Rio, provocando protestos de rua

      26/jun – Passeata dos 100 mil reúne opositores e artistas no Rio de Janeiro

      18/jul – Teatro onde se encenava a peça Roda Viva em São Paulo é depredado e os atores, espancados

      12/out – Cerca de mil estudantes são presos em Ibiúna (SP), onde acontecia o Congresso da UNE

      13/dez – É baixado o AI-5. A imprensa é censurada e centenas de pessoas são presas

      Iniciam-se os “anos de chumbo”

      Denúncias de tortura chegaram a 85

      1969

      Ago – Costa e Silva adoece

      31/ago – Uma junta militar formada pelos comandantes do Exército, Lira Tavares, Marinha, Augusto Rademaker, e Aeronáutica, Márcio de Souza Melo, assume a Presidência

      4/set – Grupos de esquerda sequestram o embaixador americano, Charles Elbrick, e o libertam três dias depois, em troca da soltura de prisioneiros políticos

      17/out – Uma nova Constituição é promulgada, endurecendo o regime

      30/out – Congresso reaberto elege general Emílio Garrastazu Médici presidente

      4/nov – Líder da ALN (Ação Libertadora Nacional), Carlos Marighella, é morto em uma emboscada em São Paulo

      As denúncias de torturas chegaram a 1.027

      1970

      Início do “milagre econômico”, que duraria até o meio da década e registraria taxas de crescimento do PIB de dois dígitos

      21/jun – Brasil é tricampeão mundial de futebol, e regime tira proveito do clima de ufanismo vigente

      Set – São criados os DOIs (Destacamento de Operações de Informação), com o objetivo de controlar as informações e reprimir os opositores do regime militar

      Cerca de 1.200 denúncias de tortura e 30 mortes foram registradas no ano

      1971

      20/jan – ex-deputado Rubem Paiva é preso em casa; seu corpo nunca foi encontrado

      17/set – Carlos Lamarca, militar desertor e um dos líderes da luta armada contra a ditadura, é morto por forças do regime na Bahia

      Chegam a 778 as denúncias de tortura, com 30 foram mortos

      1972

      Jan – Exército descobre base de treinamento de guerrilha do PC do B no Araguaia

      Ago – Anistia Internacional divulga relatório de 91 páginas com 472 nomes de torturadores e 1.081 torturados

      1973

      18/jun – Médici informa ao general Ernesto Geisel que ele será seu sucessor na Presidência

      Jul – O jornal Estado de S. Paulo começa a publicar poemas nos espaços censurados

      Out – Regime inicia sua maior nova ofensiva no Araguaia

      1974

      15/mar – Ernesto Geisel toma posse

      29/ago – Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura

      Set – Ocorrem prisões no Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento)

      Out – Exército mata última guerrilheira do Araguaia, a estudante Walkiria Afonso Costa, de 27 anos

      1975

      25/out – Jornalista Vladimir Herzog, simpatizante comunista, comparece ao DOI-Codi para prestar depoimento; horas depois, é encontrado morto

      27/out – Herzog é sepultado; no dia 31, é realizado um culto ecumênico na Catedral da Sé pela sua memória

      O ano termina com 585 denúncias de tortura

      1976

      16/jan – Operário Manoel Fiel Filho é preso e levado às dependências do Doi-CODI, onde é morto pela ditadura no dia seguinte

      19/ago – Bombas são jogadas na ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)

      22/set – Bispo dom Adriano Hipólito é sequestrado, e uma bomba explode na casa do jornalista Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo

      156 denúncias de tortura foram registradas no ano

      1977

      30/mar – Estudantes de São Paulo desafiam proibição do regime e vão às ruas protestar

      13/abr – Geisel lança o Pacote de Abril, que cria a figura do “senador biônico”

      Mai – Cerca de 80 mil estudantes entram em greve em todo o país

      6/jun – Polícia militar invade a Universidade de Brasília

      22/set – PUC-SP é invadida e 1.700 estudantes são detidos

      15/set – O jornalista Lourenço Diaferia é preso após escrever uma coluna na Folha que foi considerada ofensiva à memória do Duque de Caxias

      12/out – Geisel exonera o ministro do Exército, Sílvio Frota, representante da linha dura

      Dez – Geisel comunica o general João Baptista Figueiredo que ele será seu sucessor

      No fim do ano, havia cerca de 214 denúncias de tortura registradas

      1978

      Ao menos 26 bombas explodem ao longo do ano em diversas cidades

      Jun – Chega ao fim a censura à Tribuna da Imprensa, e o Jornal do Brasil publica todos os textos proibidos desde 1969

      Out – Justiça responsabiliza a União pela morte de Vladimir Herzog

      Dez – Na última edição do ano, o Jornal do Brasil traz na manchete: “Regime do AI-5 acaba à meia noite de hoje”

      1979

      Ao menos três bombas explodem ao longo do ano

      Tem início uma série de atentados a bancas de jornal

      13/mar – Metalúrgicos do ABC decretam greve geral. Sindicato, comandado por Luiz Inácio Lula da Silva, é colocado sob intervenção

      28/ago – É sancionada por Figueiredo a Lei da Anistia. Exilados podem retornar ao país

      Nov – Congresso põe fim ao bipartidarismo. Tancredo Neves cria o Partido Popular e Leonel Brizola, o PDT. Arena vira PDS e MDB, o PMDB

      1980

      10/fev – Partido dos Trabalhadores é fundado

      1º/abr – Metalúrgicos do ABC entram em greve; em 17.abr, governo decreta intervenção no sindicato, e dois dias depois, Lula é preso

      1981

      30/abr – Bomba explode por acidente no estacionamento do Riocentro, no Rio de Janeiro, frustrando atentado contra evento do Dia do Trabalhador; incidente, que matou um militar e feriu outro, mostra ação da linha dura do regime

      1982

      15/nov – É realizada a primeira eleição direta para governador desde que se instaurou o regime militar, e cerca de 48 milhões de eleitores vão às urnas; PMDB vence em São Paulo, Minas Gerais e Paraná; Brizola é eleito no Rio

      1983

      2/mar – Deputado Dante de Oliveira (PMDB) apresenta projeto de emenda constitucional que pede o restabelecimento da eleição direta para presidente

      15/mar – Governadores eleitos são empossados

      15/jun – Cerca de 5.000 pessoas participam de comício pelas Diretas, em Goiânia

      Nov – PT realiza comício em São Paulo. Folha inicia campanha pelas Diretas

      1984

      25/jan – Cerca de 200 mil pessoas participam de comício pró-Diretas na praça da Sé, em São Paulo

      Fev. a Abr – mobilização das Diretas se espalha pelo país

      25/abr – Emenda de Dante de Oliveira é derrotada na Câmara; faltaram 22 votos

      1985

      15/jan – Tancredo Neves é eleito presidente pelo colégio eleitoral

      14/mar – Na véspera da posse, Tancredo é hospitalizado em estado grave

      15/mar – José Sarney assume a Presidência da República pondo fim ao regime militar

      21/abr – No dia de Tiradentes, Tancredo morre aos 75 anos

      https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/06/de-1964-a-1985-veja-linha-do-tempo-da-ditadura-militar.shtml

      Aqui estão algumas questões discursivas sobre o texto:

      Analise a evolução da repressão durante o período da ditadura militar no Brasil entre 1967 e 1985.

      • Considere os mecanismos de controle, como o AI-5, e os eventos que marcaram a resistência ao regime.

      Discuta o impacto do Ato Institucional Número 5 (AI-5) na sociedade brasileira e na liberdade de expressão.

      • Como esse ato mudou a dinâmica política e social do país?

      Avalie a importância das manifestações estudantis e da oposição artística durante a ditadura militar.

      Qual foi o papel desses grupos na resistência ao regime?

      Comente sobre o ‘milagre econômico’ do início da década de 1970 e sua relação com a repressão política.

      Como o crescimento econômico foi usado pelo regime militar para se legitimar?

      Explique a importância da Lei da Anistia de 1979 no processo de transição para a democracia.

      Quais foram os efeitos positivos e negativos dessa lei para a sociedade brasileira?

      Analise como a repressão militar afetou as liberdades individuais e os direitos humanos no Brasil durante a ditadura.

      Inclua em sua resposta referências aos casos de tortura e perseguição política.

      Descreva a trajetória da imprensa durante o regime militar e a forma como ela lidou com a censura.

      Como os jornais e meios de comunicação contribuíram para informar a população e resistir ao regime?

      Discuta o papel dos movimentos de redemocratização, como as ‘Diretas Já’, na queda da ditadura militar.

      Quais foram os principais fatores que contribuíram para o fim do regime militar?

      Como os eventos da ditadura militar impactaram a construção da memória histórica e a identidade nacional no Brasil?

      Considere o legado deixado pelo regime militar e como ele é percebido na sociedade atual.

      Examine a influência da Guerra Fria e da política externa dos Estados Unidos na consolidação da ditadura militar no Brasil.

      Como o contexto internacional afetou as ações e decisões do regime militar brasileiro?

         
         

        Prof Luciano Mannarino

      1. Dez anos após obras, São Francisco tem uma cidade com esgoto 100% tratado.

        Carlos Madeiro

        Colaboração para o UOL, em Maceió

        14/07/2020 04h01

        Passados quase 11 anos do início de suas obras, a transposição do São Francisco está praticamente concluída, teve obras entregues no mês passado, mas o rio segue longe de sua revitalização prometida e recebe diariamente toneladas de esgoto jogados por quase todas as cidades no seu percurso entre Minas Gerais e Alagoas. Segundo o CBHSF (Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco), dos 507 municípios que compõem a bacia, apenas um, Lagoa da Prata (MG), tem 100% do seu esgoto tratado. O município, por sinal, é apontado como modelo pelo comitê

        Lagoa da Prata (MG) é único município no caminho do rio a ter todo o esgoto processado - Divulgação
        Lagoa da Prata (MG) é único município no caminho do rio a ter todo o esgoto processado

        Logo quando o projeto foi lançado, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu que para cada real investido na obra, outro seria investido na revitalização. “Nós queremos revitalizar, recuperar as margens, as matas ciliares, fazer saneamento básico nas cidades para que não joguem dejetos no São Francisco, e começamos fazendo isso”, disse Lula, em 2009, durante o programa “Café com o Presidente”, em outubro de 2009.

        Em agosto de 2016, o governo Michel Temer lançou um novo plano de revitalização, prometendo investir R$ 10 bilhões em obras até 2026. Procurada pela reportagem, a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba) informou  que já implantou 89 sistemas de esgotamento sanitário, “que contemplam coleta e tratamento dos efluentes sanitários, em municípios integrantes da bacia hidrográfica do rio São Francisco, contudo não tem informação de quantos municípios tem tratamento de esgoto total.” Para este ano, a companhia informou ter aprovados “aproximadamente R$ 38 milhões na LOA (Lei Orçamentária Anual) 2020” para esse tipo de obras

        Esgoto sem tratamento é regra, não exceção, diz comitê

        Mas as poucas obras de fato implementadas de saneamento não evitam uma contaminação diária do maior rio 100% nacional. “Esse retorno que prometeram ao São Francisco não foi dado. Infelizmente o programa de revitalização não foi feito. No saneamento, lançamos esgoto in natura no rio em quase todas as cidades”, afirma Maciel Oliveira, vice-presidente do CBHSF. Para a revitalização do rio, o comitê elaborou um plano com várias intervenções previstas em saneamento e recuperação hidroambiental. “Precisaríamos, para resolver os problemas, de R$ 30 bilhões para a bacia”, revela Oliveira, contando que o comitê teve um encontro com a  Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) para tratar de projetos no tratamento e espera contar com apoio do órgão federal.

        Com a falta de participação do poder público, o comitê bancou com recursos próprios mais de 100 planos municipais de saneamento (premissa para poder receber recursos na área). “Sabemos que havia deficiência técnica e financeira, e decidimos custear para ajudar os municípios a receber as obras”, conta. Para Oliveira, o comitê não espera soluções advindas por conta de um novo marco legal de saneamento. “O marco legal pode ajudar em algumas situações, mas depende muito da maneira como vai ser implementado. Pode demorar muitos anos, e precisamos retomar investimentos para tratar o esgoto e deixar de ter um rio poluído, causando problema de saúde pública”, alega. A Codevasf afirma haver “previsão orçamentária de recursos na ordem R$ 540 milhões destinada a ações de saneamento (abastecimento de água e esgotamento sanitário) em municípios integrantes das bacias hidrográficas.

        Trecho final do rio acumula poluição do trajeto inteiro

        O problema da poluição no rio está justamente em seu trecho final, entre Sergipe e Alagoas, que recebe todo o esgoto despejado ao longo do seu trajeto. Ao todo, 59 cidades ficam às margens do rio, sendo 16 delas entre Alagoas e Sergipe, onde está o chamado baixo São Francisco.

        Em Piaçabuçu (AL), onde está a foz do rio, análises da qualidade da água apontam um índice superior a 8 NMP/ml de coliformes fecais (NMP quer dizer “número mais provável”). O ideal é que esse valor seja de no máximo 1, segundo resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). “Esse trecho representa apenas 5% da bacia. Mas parte dos dejetos que são retidos nas nove hidrelétricas que temos ao longo do rio é liberada quando tem o aumento de vazão.

        Os esgotos destas cidades rio acima se juntam com os do rio abaixo”, explica o pesquisador e professor Emerson Soares, do Centro de Ciências Agrárias da UFAL (Universidade Federal de Alagoas) e que coordena a expedição anual feita no São Francisco para avaliar os problemas da região. Segundo as análises, todas as cidades do baixo São Francisco apresentam problemas com níveis acima de coliformes fecais.

        “Mas quanto mais descemos, vemos que mais contaminado fica. No estuário do São Francisco temos vários problemas”, explica.

        Dejetos contaminam peixes e podem prejudicar pessoas

        À beira do rio, diz Soares, vivem mais de um milhão de pessoas. “Além de saneamento básico precário, tem também o problema causado pelos agrotóxicos, ou dos metais pesados na água, efeitos da mineração em Minas e na Bahia”, conta.

        Ainda segundo o pesquisador, os efeitos negativos na água se refletem especialmente no estresse dos organismos que vivem no rio. “Os peixes são os primeiros a terem contato, mas eles se contaminam e passam para o homem. A gente observou na histologia desses organismos pesquisados, danos ao estômago, intestino, brânquias e fígado desses animais, e vai prejudicar não só eles, mas tornar impróprio para consumo humano”, pontua.

        https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2020/07/14/dez-anos-apos-transposicao-sao-francisco-tem-so-uma-cidade-100-saneada.htm

        Questões.

        1. Quais são os principais objetivos dessa Obra?

        2. Explique o  contexto da criação da SUDENE?

      2. ÁFRICA – Tiroteio de trabalhadores no Zimbábue por dono de mina chinês mostra abusos ‘sistêmicos’.

        O assassinato de dois trabalhadores do Zimbábue por um encarregado chinês mostra o abuso “sistemático e generalizado” que os habitantes locais enfrentam nas operações de mineração chinesas, diz a Sociedade de Direito Ambiental do Zimbábue (ZELA).

        Em uma declaração juramentada, a polícia disse que Zhang Xuen atirou em um funcionário cinco vezes e feriu outro na mina que ele administra na província de Gweru, no centro do Zimbábue, durante uma briga com trabalhadores com salários pendentes.
        Zhang foi acusado de tentativa de assassinato, disse o porta-voz da polícia do Zimbábue, Paul Nyathi.
        De acordo com relatos da mídia local , Zhang não apresentou um argumento porque não havia intérprete aprovado no tribunal. Ele continuará sob custódia até 7 de julho, segundo o relatório.
        O tiroteio aconteceu na manhã de domingo, quando o mineiro Kenneth Tachiona confrontou Zhang depois que ele supostamente se recusou a pagar seu salário em dólares americanos, conforme combinado, de acordo com a declaração.
        Tachiona atacou Zhang, que então sacou a arma, atirando no trabalhador três vezes na coxa direita e duas vezes na esquerda, de acordo com a declaração.
        A polícia disse que Zhang disparou outro tiro contra os trabalhadores e uma das balas roçou o queixo de um membro da equipe. Os trabalhadores feridos estão sendo tratados em um hospital particular.

        Gweru na província de Midland, no Zimbábue.
        Gweru na província de Midland, no Zimbábue.

        A Embaixada da China no Zimbábue descreveu o tiroteio como um incidente isolado e disse que apoiava uma investigação aberta e transparente das autoridades locais.
        “Quaisquer atos ilegais possíveis e pessoas que violam a lei não devem ser protegidos. China e Zimbábue têm uma amizade e cooperação de longa data. Apelamos a todos os lados relevantes compromissos  para salvaguardar o bom senso”, disse a Embaixada da China em comunicado. Twitter.
        O Ministério das Relações Exteriores da China disse à CNN: “No geral, as empresas chinesas no Zimbábue operaram seus negócios de acordo com as leis e regulamentos locais, e fizeram contribuições positivas para o desenvolvimento econômico e social do Zimbábue.
        “Respeitamos o tratamento do caso no Zimbábue de acordo com a lei, mas, ao mesmo tempo, esperamos que o Zimbábue proteja a segurança, bem como os direitos e interesses legítimos dos cidadãos chineses. Existe uma amizade tradicional entre os dois países e acreditamos que ambos os lados o farão. ser capaz de lidar adequadamente com este caso “.

        Condições perigosas

        A China é o maior investidor estrangeiro do Zimbábue, com interesses significativos no setor extrativo do país.
        No ano passado, a empresa chinesa Tsignchan assinou um acordo de US $ 2 bilhões com o Ministério de Minas do Zimbábue para extrair cromo, minério de ferro, níquel e carvão, recursos vitais para a China.
        Pelo menos 10.000 chineses estão no Zimbábue e muitos estão trabalhando nos setores de mineração, telecomunicações e construção do país em uma base contratual, de acordo com um relatório da Brookings Institution de 2016 .
        Mas a presença deles no país às vezes tem sido controversa.
        As minas chinesas no país e as operações de mineração estaduais foram perseguidas com alegações de violações dos direitos humanos e más medidas de segurança para os funcionários.
        Em abril passado, trabalhadores de outra operação de mineração chinesa na província reclamaram de serem mal pagos e trabalharem sem roupas de proteção.
        Vários casos de mineradoras chinesas que se recusam a pagar salários ou fornecer a seus trabalhadores roupas de proteção, especialmente durante a pandemia de Covid-19, estão atualmente sendo investigados pela ZELA, de acordo com o vice-diretor Shamiso Mutisi.
        “Tornou-se um padrão e um sistema. Temos casos em que as mineradoras são abusadas, espancadas e discriminadas pelas mineradoras chinesas”, disse Mutisi.
        Em um comunicado divulgado na quarta-feira, a ZELA disse que os habitantes de algumas minas de propriedade chinesa geralmente operam condições “perigosas, severas e com risco de vida” , sendo mal pagos por seu tempo.
        O tiroteio de domingo é outra razão para o governo repensar seus compromissos políticos e econômicos com a China, disse o grupo.
        “Em muitas partes da África, incluindo o Zimbábue, os investidores chineses de mineração exibiram uma história de padrões ruins de segurança, saúde, meio ambiente, trabalho e direitos humanos”, afirmou o comunicado.
        A CNN entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores da China para comentar.

        24 corpos recuperados de mina de ouro inundada no Zimbábue
        24 corpos recuperados de mina de ouro inundada no Zimbábue
        A comunidade chinesa em Gweru se distanciou do incidente recente e prometeu pagar as contas médicas dos trabalhadores feridos e apoiar suas famílias ao lidar com o problema.

        A comunidade chinesa disse em comunicado que o incidente não reflete o comportamento de seus membros, e eles contrataram a empresa para compensar os trabalhadores.
        “Esperamos sinceramente que nossa amizade e cooperação entre os dois países e dois povos não sejam manchadas por esse incidente isolado, que não reflete o comportamento de todos nós como comunidade chinesa”, dizia o comunicado.
        (tradutor automático)
        https://edition.cnn.com/2020/06/27/africa/zimbabwe-mine-shooting-intl/index.html
        Questões
        1. Explique o interesse econômico da China na África.
        Prof. Luciano Mannarino