Categoria: ATIVIDADES

Modelos de atividades para a Sala de Aula (Geografia)

  • UM MUNDO DE MUROS (BRASIL)

    À beira da estrada, a pobreza se esconde e o crime prospera

    Milhões passam diante da Vila Esperança, seus desempregados e seu esgoto aberto, mas, graças à gestora da rodovia dos Imigrantes, não a veem.

    24.jul.2017 – 02h00

    Duas vezes por semana, a dentista Mariana Salgado, 39, passa de carro ao lado do muro de concreto que foi construído na altura do quilômetro 58,5 da rodovia dos Imigrantes, em Cubatão (SP). Quando ela está se aproximando, fica nervosa, acha que alguém vai aparecer de repente, com uma arma na mão. “Não faço a menor ideia do que tem atrás desse muro”, diz a dentista, que mora em Santos e atende em São Paulo às terças e quintas-feiras. “Só sei que duas amigas minhas foram assaltadas aí.”

    Assim como Mariana, centenas de milhares de paulistas de classe média descem para o litoral pela Imigrantes, onde o pedágio é de R$ 25,60, e não sabem o que existe atrás daquele muro de 3 metros de altura, 25 centímetros de espessura e 1 quilômetro de extensão, construído pela Ecovias em maio de 2016.

    O muro separa os turistas dos cerca de 25 mil habitantes de Vila Esperança, favela onde 12% da população não tem nenhuma renda, 14% ganham até um salário mínimo, e todos despejam seu esgoto no rio que deságua nas praias frequentadas pelos paulistas de classe média.

    Só nesse trecho de um quilômetro, houve sete assaltos em 2015, um assalto e um latrocínio em 2016 e um assalto e uma tentativa em 2017, diz a polícia rodoviária. Segundo a Ecovias, o objetivo do muro é “melhorar as condições de segurança pública da rodovia”.

    Crianças brincam em Kombi abandonada debaixo de viaduto da rodovia dos Imigrantes na comunidade de Vila Esperança, em Cubatão (Lalo de Almeida/Folhapress)

    O trecho também recebeu reforço na iluminação, e foram instaladas novas câmeras para utilização pela polícia. A favela é controlada pelo tráfico de drogas. O murou pegou os moradores de Vila Esperança de surpresa. De um dia para o outro, começou a construção. Ninguém avisou.

    “Esse muro aí, é para proteger os turistas, né? Mas e a gente? Era por lá que a gente passava para vender na pista”, diz a potiguar Luzia Gonçalves da Silva, 54. Para ela, a barreira só atrapalhou. Luzia vendia água, refrigerante, biscoito de polvilho e salgadinho sabor bacon na pista. Da janela de casa, via a estrada -se estivesse congestionada, ela comemorava.

    Enchia o isopor de mercadorias e ajeitava no carrinho de mão. Chegou a virar noite vendendo na pista, em engarrafamento de Ano Novo. Luzia foi obrigada a desistir do trabalho de ambulante. Por causa do muro, o caminho até a estrada ficou mais longo, e ela não aguenta puxar o carrinho pesado na lama. De qualquer jeito, nem adianta chegar lá, porque o guarda manda voltar.

    Abriu então o Bar da Sofrência embaixo do viaduto no bairro e vende a dose de pinga a R$ 2 e a de conhaque a R$ 2,50. “Mas o movimento está fraco. Quem vai comprar se ninguém tem emprego e os bêbados só pedem fiado?”

    Luzia migrou do Rio Grande do Norte para Cubatão aos 13 anos, no auge do “milagre econômico” da ditadura militar. Naquela época, várias indústrias se instalavam na cidade. Ela foi trabalhar na feira em Vila Parisi, bairro de baixa renda que ficou conhecido como o coração do Vale da Morte depois que 37 crianças nasceram sem cérebro, por causa da alta concentração de poluição.

    Sebastião Ribeiro, chamado de Zumbi, batizou de “muro da vergonha” a barreira de concreto construída pela Ecovias. “Quando não sabem o que fazer, constroem um muro e acham que resolveram o problema”, diz.

    “São mais de 20 mil moradores pagando pelo que uns poucos fizeram.”

    Vila Esperança nasceu em 1972, com o início da construção da rodovia dos Imigrantes. Parte dos operários que trabalhavam nas obras da estrada construiu seus barracos ou palafitas no mangue, que é área de proteção ambiental.

    Zumbi veio do Maranhão em 1980 e se instalou em um barraco com a mãe e seis irmãos. Nos anos 90, com a crise econômica, a população da favela explodiu porque muita gente no polo industrial perdeu o emprego e acabou na invasão.

    O maranhense, que hoje tem 47 anos, cresceu vendendo água mineral e cocada na Imigrantes com a mãe. Formou-se em Direito aos 44 e hoje é o principal líder comunitário de Vila Esperança, além de ser secretário de assistência Social de Cubatão. Fundou uma ONG que troca material de reciclagem por uma moeda chamada “mangue”, que pode ser usada na lojinha da organização e em estabelecimentos locais.

    Segundo Zumbi, a comunidade também tem seu muro do orgulho, que foi construído pela ALL Logística (atualmente Rumo) para separar a ferrovia da favela e, assim, evitar acidentes.

    Quando duplicou a estrada de ferro, a Rumo se comprometeu com algumas medidas compensatórias para conseguir a licença ambiental. Asfaltou a via principal, construiu passarelas, reformou a ONG e equipou uma sala de informática com 18 computadores. Além disso, o muro de 3,5 quilômetros vai sendo aos poucos grafitado por moradores de Vila Esperança, que aprendem com o grafiteiro Tuim, de uma favela próxima.

    “Qualquer obra cria transtorno para a população, por isso fizemos uma aproximação com a comunidade e identificamos projetos existentes para mitigar impactos da duplicação da ferrovia”, diz Silvia Mari Azuma, coordenadora de licenciamento ambiental da Rumo.

    A Ecovias diz que sua responsabilidade se limita à ampliação, conservação, manutenção e operação das rodovias. “Assuntos relacionados à comunidade são de responsabilidade do poder público”, afirma a empresa. De fato, segundo a Artesp, agência regulatória de transporte do Estado, a construção do muro não exigia licença ambiental, portanto não houve medidas de compensação.

    Isso não amansa os críticos. “Em pleno século 21, construíram um muro de apartheid para isolar os pobres”, diz o prefeito de Cubatão, Ademário Oliveira. “Deviam ter investido o dinheiro em moradia, água e saneamento na comunidade.” A Ecovias gastou R$ 14,4 milhões com o muro e as outras medidas de segurança.

    Moradores da Vila Esperança, em Cubatão, fazem grafite em muro que separa a comunidade de linhas do trem (Lalo de Almeida/Folhapress)

    Para a vasta maioria da população que não tem nenhuma esperança de sair da Vila, o muro não faz diferença. “Não tenho nem o que falar sobre esse muro aí, para mim tanto faz como tanto fez”, diz Carlos Alexandre Vieira de Lima, o Xambito, 23.

    Às 15h de uma segunda-feira, o campinho de futebol sob o viaduto de Vila Esperança está lotado de jovens descalços disputando o clássico Dois Poste contra Santa Cruz. Ninguém tem emprego. Xambito é um deles. “Antes tinha bico de pedreiro, R$ 60 reais o dia mais o rango, e na feira era R$ 50 no sábado, R$ 50 no domingo e trazia uns legumes. Agora não tem nada.”

    A mãe de Xambito é viciada em crack. Ficou três anos presa depois de tentar assassinar o marido alcoólatra colocando chumbinho (veneno de rato) no café dele. A irmã de Xambito também é viciada em crack e se prostitui. O pai dele matou um homem, está preso e não vê Xambito há mais de 15 anos.

    “Minha mãe nunca trabalhou; pedra, cachaça e pó acabaram com a vida dela. Quando eu falo com ela não sai mais nenhuma lágrima, entreguei na mão de Deus”, diz ele. “Se a senhora visse, a pele da minha mãe está meio branca, meio preta, aconteceu alguma coisa, está feia demais a minha mãe, a pedra acaba com a pessoa.”

    Gato ao lado de palafita construída sobre mangue na comunidade de Vila Esperança, em Cubatão (Lalo de Almeida/Folhapress)

    Xambito precisa pagar pensão para seu filho de três anos, mas não quer voltar para a “vida errada”, como diz. “Eu tinha uns 16 anos quando entrei na vida louca. Quando a gente arrumava um trabalho, saía, aí quando nós estávamos na “precisão” de um dinheiro, entrava de novo na vida errada”, conta.

    “Essa vida errada aí, biqueira [ponto de vendas de drogas], tráfico, só tem dois caminhos: cadeia ou morte; não quero nenhum desses dois, quero ver meu filho crescer, botar ele pra jogar bola, pra estudar”, diz Xambito, que anda pela favela com uma caixinha de som tocando o sertanejo Felipe Araújo. Ele está correndo atrás de um “serviço fichado” (registrado). Já foi várias vezes aos pátios das fábricas em Cubatão, mas diz que aparecem dez vagas para 500 pessoas. “Só com ajuda de Deus para ser chamado, é muita gente desempregada.”

    Na Vila, apenas 24% dos moradores concluíram o ensino médio. Xambito parou no quinto ano e já tentou voltar a estudar várias vezes. “É preciso ter força, né, porque chega dois meses, três meses, fica cansativo; começo a fumar maconha, fico boladão e volto para casa.”

    Fumar, jogar bola e tomar emprestado o wi-fi do barraco vizinho para entrar no WhatsApp e no Facebook –é esse o dia a dia de Xambito e da maioria de seus amigos em Vila Esperança. “Queria mudar minha vida, está difícil pra caramba.” Ele já tentou a religião. “Já fiquei dois, três meses indo à igreja, louvava tremendamente, mas somos falhos, né, parei de ir e entrei de novo nas paradas.”

    Na comunidade de Vila Esperança, operários que trabalhavam nas obras da rodovia dos Imigrantes construíram barracos ou palafitas sobre o mangue (Lalo de Almeida/Folhapress)

    No lado pobre do muro, oportunidade é coisa rara. “A gente acorda e fica pensando, caramba, e agora, como eu vou arrumar dinheiro, eu vou roubar? O que eu vou fazer? Eu penso nisso, em roubar, não posso falar que não penso. Mas sei que, se fizer isso, posso voltar ou não voltar pra casa.”

    Xambito diz que não quer sucumbir à vida errada. Mas a tentação é grande. “Na vida errada, a gente sai com um dinheirinho legal, mano.” No dia 27 de maio de 2016, o estudante Reinaldo Lima de Souza, 17, morreu na altura do quilômetro 59 da Imigrantes. Durante uma tentativa de roubo, Reinaldo foi atingido por uma pedra no rosto que atravessou o para-brisa do carro onde ele estava.

    O muro de concreto de três metros de altura construído pela Ecovias já estava lá, isolando Vila Esperança.

    http://arte.folha.uol.com.br/mundo/2017/um-mundo-de-muros/brasil/excluidos/

     

     

    Questões

     

    1. Quais foram as principais características do muro construído pela Ecovias na Rodovia dos Imigrantes e qual foi o objetivo oficial declarado pela empresa para a sua construção?

    2. De que maneira a construção do muro afetou a economia informal dos moradores de Vila Esperança?

    3. O muro realmente contribuiu para a redução da criminalidade na região? Justifique sua resposta com base nas informações do texto.

    4. Como a construção do muro pode ser interpretada como uma forma de segregação social? Cite exemplos do texto.

    5. Segundo o texto, qual é a posição da Ecovias em relação às responsabilidades sociais e ambientais? Como isso reflete nas ações da empresa?

    6. Quais são os problemas ambientais enfrentados pela comunidade de Vila Esperança, conforme mencionado no texto?

    7. Como a falta de consulta à comunidade local durante a construção do muro impactou os moradores de Vila Esperança?

    8. De que forma os moradores de Vila Esperança utilizam o grafite como forma de resistência e expressão cultural?

    9. Considerando os impactos descritos no texto, quais medidas poderiam ser adotadas para promover um desenvolvimento mais sustentável e inclusivo na região?

    10. Compare a situação de Vila Esperança com outro caso de construção de barreiras urbanas no Brasil ou no mundo. Quais semelhanças e diferenças você identifica?

     

    Prof. Luciano Mannarino

    UM MUNDO DE MUROS (EUA E MÉXICO)

    UM MUNDO DE MUROS (CISJORDÂNIA E ISRAEL)

  • UM MUNDO DE MUROS (CISJORDÂNIA E ISRAEL)

    Barreira construída para trazer segurança aparta vidas e memórias

    Concreto que serpenteia por terras palestinas freou homens-bomba, mas afastou prospecto de paz

    DIOGO BERCITO E LALO DE ALMEIDA

    4.set.2017 – 02h00

    Umm Judah, 64, se esqueceu de muitas coisas. Entre elas, a palavra que moldou os anos mais recentes de sua vida: “muro”.

    Professora aposentada, a palestina vive nas cercanias de Belém diante de uma barreira de concreto de oito metros de altura.

    É esse o horizonte à sua porta, que a separa da terra que cultivou por décadas e das lembranças dos filhos iluminados pelos faróis e satisfeitos com os figos recém-colhidos.

    “É como uma venda”, diz à Folha. “Como se nos arrancassem os olhos.”

    Durante a entrevista, ela aponta a construção mais de uma vez por não se lembrar de como chamá-la, mesmo em seu árabe nativo.

    A professora aposentada palestina Umm Judah, 64, que vive diante de um muro de oito metros de altura; barreira a separa da terra que cultivou por décadas

    A professora aposentada palestina Umm Judah, 64, que vive diante de um muro de oito metros de altura; barreira a separa da terra que cultivou por décadas (Lalo de Almeida/Folhapress)

     

     

    O muro diante de sua casa é um trecho da barreira de 764 quilômetros que Israel ergue desde 2002 para se separar dos territórios palestinos da Cisjordânia, onde estão cidades como Belém e Ramallah. A maior parte é cerca, e o concreto é usado nas áreas urbanas. Faltam os últimos 194 quilômetros da construção.

    A barreira tem impacto brutal nas vidas de pessoas como Umm Judah. Mas israelenses de diferentes orientações políticas concordam, por outro lado, que existia a necessidade urgente de erguê-la.

    As memórias da Segunda Intifada ainda estão frescas. Cerca de 3.000 palestinos e 1.000 israelenses morreram entre 2000 e 2005 durante o levante palestino contra a ocupação israelense. Os palestinos enviavam homens-bomba; os israelenses revidavam com tanques.

    Muro erguido por Israel desde 2002 para se separar dos territórios palestinos da Cisjordânia; dos 764 quilômetros planejados para a barreira, 570 estão prontos (Lalo de Almeida/Folhapress) 

    O israelense Ury Vainsecher, 71, se recorda bem. Ele já vivia em Kfar Saba, cidade a um quilômetro do muro, no caminho para a palestina Qalqilya.

    “Quando meus filhos eram menores, eu os levava a todos os lugares de carro. Tinha medo de que tomassem o ônibus”, diz. “Entre eu ser vítima de uma explosão e uma palestina viver rodeada por muro, prefiro vê-la cercada.”

    Vainsecher perdeu um amigo em um atentado. O filho de um vizinho morreu em outro ataque, e um conhecido que estava em uma pizzaria de Jerusalém alvo dos terroristas, também.

    O trecho da barreira diante da casa de Umm Judah é um dos mais recentes.

    Um ano atrás, a palestina caminhava dois ou três minutos até seu pomar para passar o dia sob as oliveiras enrolando folhas de uva. Hoje ela precisa dirigir por 40 minutos para alcançar o outro lado.

    “Mas o muro ajudou os israelenses. Estão relaxados.”

    Judeus diante de muro próximos ao Túmulo de Raquel em Belém, na Cisjordânia, local considerado sagrado pela religião judaica (Lalo de Almeida/Folhapress) 

    A fricção causada pela barreira na vida de palestinos como Umm Judah envenena a possibilidade de haver paz entre os dois povos em breve.

    O projeto foi questionado desde a concepção por figuras como Yossi Beilin, arquiteto dos Acordos de Oslo (as negociações de 1993 que levaram à divisão da Cisjordânia em diferentes áreas de controle).

    Se não tivessem sido interrompidos pelo assassinato do premiê israelense Yitzhak Rabin por um ultranacionalista em 1995, tais acordos poderiam ter encerrado o conflito.

    “Era claro que os palestinos seriam humilhados pela construção do muro”, diz Beilin, em Tel Aviv.

    “Mas não foi feito por malícia, e houve esforços para que eles não sofressem, ainda que esses esforços não tenham sido suficientes”, afirma, citando uma série de apelos às cortes israelenses –seis deles com sucesso– para mudar a rota da barreira.

    Muros, diz Beilin, “não são fotogênicos”.

    Grafites e pichações no muro da Cisjordânia; entre as figuras retratadas há o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e forças policiais

    Grafites e pichações no muro da Cisjordânia; entre as figuras retratadas há o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e forças policiais (Lalo de Almeida/Folhapress)

     

    “São muito difíceis de explicar. A barreira virou um símbolo de como colocamos os palestinos em uma prisão. É a vida deles, e eles se perguntam por que têm que pagar esse preço.” Não apenas por terem sido separados da terra que cultivavam, mas também porque a sua liberdade de ir e vir foi drasticamente reduzida.

    Folha acompanhou a passagem de trabalhadores palestinos rumo a Israel em dois postos de controle militar, em Belém e em Ramallah.

    Às 5h, a fila já transbordava dos corredores metálicos que lembram um curral, os ratos passando pelo chão imundo. Ansiosos, alguns trabalhadores escalavam as grades e formavam uma fila paralela no alto, como equilibristas distópicos.

    O ritual é cotidiano para milhares. “Tornamos a vida de muitos palestinos terrível”, afirma Beilin. “Mas reduzimos o número de mortes, e é difícil dizer que isso tenha sido errado.”

    Trabalhadores palestinos em fila para atravessar posto de controle israelense em Belém, na Cisjordânia; alguns escalam as grades, formando uma fila paralela no ar (Lalo de Almeida/Folhapress)

    Não é errado, do ponto de vista legal, que um país construa muros em seus limites.

    Mas a divisão entre Israel e os territórios palestinos não é uma fronteira convencional porque, afinal, não existe um Estado palestino. A divisa costuma ser a chamada Linha Verde, que marca as fronteiras anteriores a 1967, ano da Guerra dos Seis Dias, quando Israel tomou a Cisjordânia.

    Vem daí mais uma complicação desta história, vivida diariamente por Umm Judah: de cada 6,5 quilômetros da barreira, 5,5 foram construídos dentro da Cisjordânia e, portanto, fora da fronteira. Em alguns trechos, o muro está 18 quilômetros distante de onde teoricamente deveria serpentear.

    A explicação de um tenente-coronel do Exército israelense que não pôde se identificar é a de que o trajeto foi adaptado às necessidades de segurança. Em algumas ocasiões o muro precisava passar em cima de uma colina, e não embaixo, por exemplo.

     

    “Nossa experiência nos tribunais é sempre a mesma”, afirma a advogada palestina Dalia Qumsiyeh, que representa Umm Judah.

    “O governo israelense usa a palavra mágica, ‘segurança’, e aprova assim os seus planos”, diz. “Mas, antes de falar em segurança, pensem na senhora que não consegue entrar em sua terra.”

    Ou no palestino Hani Amer, 60, que vive na região noroeste da Cisjordânia, sobre a linha em que o governo israelense queria ter construído o muro.

    Ele se recusou a deixar sua casa, a barreira a contornou, e ele foi cercado em seu terreno de 1.000 m² pelo concreto, o arame farpado e pelas cercas de segurança.

    O palestino Hani Amer, 60, abre portão para entrar em sua propriedade no povoado de Masha, na Cisjordânia; ele se recusou a deixar sua casa e a barreira a contornou (Lalo de Almeida/Folhapress)

     

     

    A poucos passos dali, está o assentamento israelense de Elkana, razão para as preocupações.

    “Disseram que ou eu saía daqui ou ficaria isolado. Quis ficar, a despeito de todas as dificuldades, porque é a minha casa”, diz, sentado em um balanço no jardim. À sua frente, está o muro.

    Por algum tempo, Amer precisou pedir que os soldados israelenses abrissem o portão da sua propriedade toda vez que queria sair.

    “Receber visitas era um inferno. Uma punição coletiva.” Com a pressão de organizações humanitárias, o agricultor teve uma pequena vitória: recebeu a chave para uma portinhola no muro, pela qual hoje passa.

    Ao receber a Folha em sua casa, Amer se agacha atrás de um carro, para que a polícia israelense não o veja –ele teme ser punido por receber a imprensa e falar de sua vida. Poderiam, por exemplo, lhe tirar a chave da portinhola.

     

    “Tive tantos problemas que já nem consigo me lembrar de todos”, diz, antes de relatar alguns.

    Quando seu filho de três anos engatinhou por baixo da cerca, por exemplo, a mãe não teve permissão para cruzar a barreira e buscá-lo. A criança foi encontrada do outro lado e trazida de volta.

    “Eu fui até os soldados e lhes disse: Vocês não são humanos. Vocês viram meu filho e não fizeram nada.”

    Ao ser lembrado que Israel ergueu o muro para garantir a segurança do país, Amer diz que “o que garante a segurança é a justiça”. “Quando você distingue entre dois irmãos, não tem segurança. Imagine entre dois povos.”

    A barreira rompeu em diversas regiões do país o contato, ainda que limitado, que havia entre palestinos e israelenses.

    Barricadas em um rua compartilhada por árabes e judeus em Hebron, na Cisjordânia; abaixo e à esquerda, abrigo anti-terrorismo no povoado israelense de Tzur Yigal, em Israel

    Barricadas em um rua compartilhada por árabes e judeus em Hebron, na Cisjordânia; abaixo e à esquerda, abrigo anti-terrorismo no povoado israelense de Tzur Yigal, em Israel (Lalo de Almeida/Folhapress)

     

    Amer vive próximo de Qalqilya, onde israelenses costumavam fazer compras antes da Segunda Intifada.

    O local é próximo também de Tzur Yigal, onde vive o israelense-uruguaio Eran Landau, 64. “Minha casa foi erguida por uma família palestina”, diz. “Tenho amigos do outro lado, apesar de ter lutado contra eles”, afirma.

    “O muro nos inquieta, mas ou você cuida da sua família, ou não. Quero viver bem, e quero que minha filha viva bem. Se ela puder ir para a discoteca sem riscos, não me importo com o que dizem.”

    Landau é membro de uma força-tarefa voluntária para a segurança de Tzur Yigal, e guarda armas, um capacete e uma máscara de gás dentro de uma sala à prova de explosões. “Tenho um fuzil M16 para viajar. Poderiam me atacar a qualquer momento com um coquetel molotov.”

    Policiais israelenses patrulham bairro árabe na Cidade Antiga de Jerusalem, em Jerusalém Oriental (Lalo de Almeida/Folhapress)
     

    O recém-eleito prefeito de Belém, Anton Salman, discorda da avaliação. “Não acho que seja questão de segurança. É confisco de terra”, diz diante do muro que divide sua cidade. Ele perdeu parte de suas propriedades, isoladas do outro lado da barreira.

    Os desvios em relação à Linha Verde engoliram 9,4% da Cisjordânia, um processo monitorado pelo israelense Dror Etkes, diretor da ONG Kerem Navot. “Fiscalizamos como Israel toma terras na Cisjordânia para dar aos colonos israelenses”, diz –os colonos são os israelenses que vivem dentro da Cisjordânia.

    “A barreira foi construída para permitir que os assentamentos crescessem. Há uma correlação entre a presença de colonos e da barreira.”

    Para o ex-soldado israelense Avner Gvaryahu, 32, é preciso entender a barreira como parte de um sistema mais amplo, que envolve o projeto dos assentamentos. “O governo quer minimizar o número de palestinos aqui.”

    Crianças palestinas jogam pedra e insultam soldados israelenses que estão do outro lado de muro em Ramallah, na Cisjordânia (Lalo de Almeida/Folhapress)
     

    Gvaryahu é o líder da organização Breaking the Silence, que compila testemunhos de soldados israelenses sobre a violência da ocupação da Cisjordânia. Ele foi paraquedista, período durante o qual recebia ordens diretas de colonos.

    “O objetivo do sistema é proteger os israelenses, mas ninguém protege os palestinos”, diz Gvaryahu. “Nunca haverá uma sensação real de segurança até que os palestinos tenham respeito e dignidade.”

    Ao redor dos muros e cercas, há zonas-tampão às quais o acesso de palestinos é restrito por razões de segurança.

    “Em algumas áreas entre barreiras é possível ver como surgiu uma nova vida selvagem”, diz Etkes, e aponta para um grupo de veados, que cruzam diante do carro da reportagem e se esgueiram por debaixo do arame farpado rumo à terra de que agora são na prática os donos.

    Palestina acompanhada da filha pede esmola na fila de posto de controle em Qalandia, na Cisjordânia (Lalo de Almeida/Folhapress)
     

    Umm Judah teme que esse seja o futuro de seu pomar, do outro lado do muro, caso o governo israelense decida que ela já não pode mais cruzar o controle militar. “Sinto como se tivesse perdido alguém da minha família. Roubaram a minha felicidade”, ela afirma, e chora.

    Depois, sobe em uma rua do vilarejo, alta o suficiente para enxergar por cima do muro. Vê seu pomar inacessível –damascos, pêssegos, peras, alecrim– e lamenta: “Vou morrer aqui”.

     

    http://arte.folha.uol.com.br/mundo/2017/um-mundo-de-muros/israel/conflito-ancestral/

     

    Prof Luciano Mannarino

     

  • UM MUNDO DE MUROS (SÉRVIA E HUNGRIA)

    Na porta da Europa, tentar entrar é ciclo de perpétua incerteza

    Política anti-imigrantes de premiê húngaro deixa no limbo, no mato e na neve milhares de retirantes e refugiados vindos da África, Ásia e Oriente Médio

    PATRICIA CAMPOS MELLO E LALO DE ALMEIDA

    07.ago.2017 – 02h00

    Duas cercas paralelas, de quatro metros de altura, estendem-se ao longo dos 175 quilômetros de fronteira entre a Sérvia e a Hungria para impedir a entrada de refugiados e migrantes.

    A primeira é uma cerca simples de arame farpado, construída em setembro de 2015. A segunda, uma barreira de alta tecnologia, ficou pronta em março deste ano. É equipada com sensores elétricos que dão choques leves em quem tenta passar e avisam aos guardas a localização exata do intruso.

    Tem câmeras com visão noturna e sensores térmicos que detectam a aproximação de pessoas. E alto-falantes que advertem em três línguas, inglês, árabe e farsi : “Alerta, você está na fronteira da Hungria, que é propriedade do governo húngaro; se você danificar a cerca, cruzar ilegalmente ou tentar atravessar, estará cometendo um crime”.

    Cercas paralelas que estendem-se ao longo dos 175 quilômetros de fronteira entre a Sérvia e a Hungria para impedir a entrada de refugiados e migrantes (Lalo de Almeida/Folhapress)

    Apesar da parafernália, milhares de sírios, afegãos, paquistaneses e iraquianos não desistem do que batizaram de “the game”, o jogo –a tentativa de cruzar ilegalmente a fronteira em busca de uma vida melhor na União Europeia.

    Durante semanas, os migrantes ficam escondidos em grupos de dez a 30 pessoas no mato, em locais chamados de “the jungle”, a selva, esperando a hora de cruzar. Quando o traficante de pessoas liga de madrugada, os grupos correm para a fronteira.

    A tática é se dividir: 30 pessoas entram de um lado, 20 de outro. A polícia não consegue pegar todos de uma vez e alguns conseguem entrar.

    A primeira cerca foi construída pelo nacionalista Viktor Orban, o primeiro-ministro da Hungria, no pico da crise dos refugiados. Na época, uma multidão de mais de mil pessoas por dia tentava entrar na Hungria. O número caiu muito, mas ainda há 50 pessoas tentando atravessar diariamente de forma ilegal.

    O paquistanês Rana Muzzafar Sabir, 28, já tentou cruzar 11 vezes da Sérvia para a Hungria. Na última, há um mês, policiais húngaros o pegaram já dentro do território da Hungria e o espancaram. Chutaram seu olho e quebraram seu nariz, ele conta. Depois, o deportaram para a Sérvia. Ele não foi para o hospital porque tem medo de a polícia aparecer.

    Os Médicos sem Fronteiras (MSF) atenderam 106 pessoas vítimas de violência da polícia de fronteira húngara de janeiro de 2016 a fevereiro de 2017. Na maioria dos casos, os migrantes tinham marcas de espancamentos, mordidas de cachorro e tiveram ossos quebrados. No inverno, refugiados relatam que os policiais despejavam água fria em suas roupas e os deixavam por horas na neve, a temperaturas abaixo de -10 °C.

    Sabir saiu de sua casa, em Lahore, há oito meses. Passou por Irã, Turquia, Bulgária e Sérvia. “Estou cansado, mas continuo determinado”, diz Sabir, da “selva” onde se esconde, nos arredores de Subotica, na Sérvia. Ele e mais dez paquistaneses acampam no local, onde há muito lixo espalhado, cobertores no chão e uma barraca.

    Refugiado paquistanês fala ao celular em vagão abandonado na cidade de Subotica, na Sérvia, próximo da fronteira com a Hungria
    Acima, Rana Sabir (o segundo da esq. para a dir.) e outros refugiados paquistaneses preparam refeição com alimentos doados por uma ONG em acampamento escondido chamado de

    Acima, Rana Sabir (o segundo da esq. para a dir.) e outros refugiados paquistaneses preparam refeição com alimentos doados por uma ONG em acampamento escondido chamado de “jungle” (Lalo de Almeida/Folhapress)

    Numa grade de jipe que virou grelha, os refugiados assam pão chiapati e cozinham frango ao curry com mantimentos trazidos por uma ONG. Carregam os celulares em postos de gasolina e vivem à base de energéticos.

    Muitos deles aprenderam o pouco de inglês que sabem no caminho, assistindo a vídeos no YouTube e ouvindo música no celular.

    Para despistar, a cada noite eles dormem em um lugar diferente, muitas vezes dentro de vagões abandonados de trem. Voltam para “a selva” para cozinhar e esperar o chamado do coiote, que cobra 2.500 euros (R$ 9.200) pela travessia da Sérvia até a Áustria, através da Hungria.

    Normalmente, só pagam se conseguirem chegar, mas alguns traficantes pedem uma “entrada” não reembolsável.

    ”Às vezes fico muito deprimido, não me acostumo com essa vida”, diz Sabir, que tem um MBA em finanças e trabalhava como contador na Pepsi em Lahore. Ele deixou o Paquistão porque começou a ser perseguido pelo grupo terrorista Lashkar-e-Taiba. “E quando cheguei aqui chamavam a gente de terrorista.”

    O afegão Hameedullah Suleiman, 18, já tentou cruzar seis vezes. Aluno exemplar, cursava faculdade de engenharia aeronáutica no Paquistão com bolsa de estudos, mas os pais exigiram que retornasse para seu vilarejo no sul do Afeganistão.

    “Se voltasse, teria que parar de estudar para trabalhar com meus irmãos na terra, sem falar no Taleban, que matou muita gente que conheço”, diz ele, que vive na “selva” há um mês. ”Às vezes penso: o que está acontecendo com a minha vida?”

    Suleiman quer ir para Londres, onde mora um tio seu.

     

    Existem cerca de 6.000 refugiados encalhados na Sérvia, esperando para entrar na União Europeia.

    Muitos vivem nos campos de refugiados e estão em listas de espera para entrar na Hungria, onde terão o pedido de refúgio analisado. Mas a espera pode levar dois anos, e muitos jamais conseguirão refúgio. Então, tentam cruzar ilegalmente.

    No campo de Obrenovac, no subúrbio de Belgrado, vivem 950 homens solteiros, sendo 250 menores de idade.

    Segundo Mirjana Ivanovic-Milenkovski, porta-voz do Acnur, a agência de refugiados da ONU, na Sérvia, 1 em cada 4 refugiados hoje na Sérvia é menor de idade, muitas vezes desacompanhado.

    Em Obrenovac, passam o tempo jogando críquete ou navegando na internet em seus celulares. Usam o campo de dormitório. Depois de uns dias lá voltam para a “selva”, para tentar cruzar para Croácia ou Hungria.

    Imigrantes em campos de refugiados na Sérvia esperam para entrar na Hungria, onde seus pedidos de refúgio são analisados (Lalo de Almeida/Folhapress)

    Em 2015, passaram mais de 400 mil migrantes pela Hungria, a porta para a UE, em seu caminho para países como Alemanha e Suécia, mais amigáveis a refugiados.

    Após a construção da cerca, o aumento do patrulhamento nas águas turcas e o acordo entre UE e Turquia para remanejar ao país euroasiático os que chegassem à Grécia, assinado em março de 2016, o número despencou.

    No entanto, muitos refugiados ficaram encalhados em campos na Grécia (mais de 60 mil) e na Sérvia (mais de 6.000).

    Boa parte dos sírios e iraquianos que vieram naquela época conseguiram ser acolhidos como refugiados pela UE.

    Sobraram cidadãos de países que têm mais dificuldade em receber esse status, como Paquistão, Bangladesh e Afeganistão, e os poucos que continuam a chegar.

    “A maioria não tem nenhuma perspectiva de entrar legalmente; a lista de espera tem milhares de pessoas, mas a Hungria só está admitindo oito por dia para a área de trânsito, enquanto têm seus processos analisados. Mesmo assim, após examinarem o processo, a maioria não conseguirá refúgio”, diz Stephane Moissaing, chefe da missão do MSF na Sérvia.

    “Nós todos sabemos que isso não é uma crise de refugiados. Dos que estão vindo, 95% são migrantes econômicos, não são perseguidos, mas querem uma vida melhor”, diz Zoltan Kovacs, porta-voz do primeiro-ministro húngaro Viktor Orban.

    À esquerda, policial húngaro que está sendo preparado para trabalhar na área que divide Sérvia e Hungria; à direita, o afegão Hameedullah Suleiman, 18, que já tentou cruzar a fronteira seis vezes

    À esquerda, policial húngaro que está sendo preparado para trabalhar na área que divide Sérvia e Hungria; à direita, o afegão Hameedullah Suleiman, 18, que já tentou cruzar a fronteira seis vezes (Lalo de Almeida/Folhapress)

    “Todos querem o estilo de vida europeu, e as fronteiras abertas passam a mensagem de que é isso possível; a Europa não pode assumir a responsabilidade por todos.”

    Para Robert Molnar, prefeito da cidade fronteiriça de Kubhekhaza, que se opõe a Orban, argumentar que a Hungria não deve receber migrantes econômicos é egoísta.

    “Cerca de 10% da população húngara é imigrante econômica, saiu do país em busca de oportunidades –então esses húngaros têm o direito de buscar uma vida melhor e os migrantes que vêm para cá fazer o mesmo não têm?”, diz.

    Desde 2012, Orban, que chama os migrantes de “cavalo de Tróia do terrorismo”, vem implementando uma política anti-imigração. O governo lançou uma campanha com outdoors em que se lia: “Se você vier para a Hungria, não tome os empregos dos húngaros” e “Se você vier para a Hungria, você precisa respeitar nossa cultura”.

    Policiais húngaros que estão sendo treinados para trabalhar na fronteira entre Sérvia e Hungria fazem exercícios

    Policiais húngaros que estão sendo treinados para trabalhar na fronteira entre Sérvia e Hungria fazem exercícios (Lalo de Almeida/Folhapress)

    Orban baixou leis autorizando o confinamento em centros de detenção dos refugiados que estão com processo em análise. Os centros são contêineres cercados por arame farpado onde refugiados vivem por meses, e foram criticados pelo Acnur e pela UE.

    Além disso, Orban criou uma divisão policial chamada Caçadores de Fronteiras e quer recrutar 3.000 pessoas.

    A cerca teve grande apoio da população. Imre Csonka, agricultor em Horgos, na fronteira com a Sérvia, lembra-se do dia em que milhares de refugiados e migrantes pisaram em sua plantação de crisântemos, em 2015.

    “Eles destruíram todo meu trabalho”, diz. “A cerca era necessária, a polícia sozinha não estava dando conta de deter toda essa gente”, afirma Csonka enquanto passa o trator em suas terras, a poucos metros da cerca.

     Segundo o governo húngaro, o gasto com a cerca, policiamento, áreas de trânsito e campanhas soma 1 bilhão de euros.

    “A Hungria não deveria receber um só migrante”, diz o caminhoneiro Attila Szegedi, 45, que fazia parte de uma milícia privada de defesa das fronteiras. “O Islã é incompatível com a nossa cultura”, diz.

    Para ele, a cerca foi uma boa medida, mas o governo não é duro o suficiente nas punições contra aqueles que entram ilegalmente no país.

    “Queremos que as pessoas vejam o que tem ocorrido na Alemanha, na França e na Suécia por causa dos migrantes, há uma onda de crimes, violência contra mulheres”, diz.

    “Não negamos que existam problemas de segurança, mas o governo exagera e assusta as pessoas”, diz o sociólogo Mark Kékesi, fundador da ONG Migration Aid (ajuda à migração), em Szeged.

    “A legitimidade do governo de Orban depende disso, o pensamento do eleitor é: ‘eles podem ser corruptos, mas defendem nosso país dessas pessoas que querem roubar nossos empregos e estuprar nossas filhas’.”

    Para o ativista Tibor Varga, 61, da Eastern Europe Outreach, a crise da migração é complexa e não será resolvida apenas com cercas.

    “Pense na seguinte situação: você acolhe em sua casa uma família sem teto de dez pessoas. Como você foi boa e os ajudou, eles chamam outras duas famílias com dez pessoas cada e pedem que você também as acolha”, diz ele, que trabalha há sete anos com refugiados na Sérvia.

    “O que você vai fazer? Você tem capacidade para ajudar todo esse pessoal? Não existem respostas simples.”

    Imigrante lê em campo de refugiados na Sérvia enquanto espera por chance para entrar na Hungria (Lalo de Almeida/Folhapress)

    Alguns dias depois do encontro com a Folha na “selva”, o paquistanês Sabir tentou cruzar a fronteira pela 12ª vez e foi bem sucedido.

    Ele andou durante quatro dias para atravessar a Hungria, sem comer nada, só bebendo água. Foi se orientando pelo GPS no celular, mas, quando acabou a bateria, trocou o Google Maps pelo instinto. Está agora em um campo de refugiados na Áustria. De lá, vai para a França, onde quer morar.

    O afegão Hameed também cruzou alguns dias após o encontro com a reportagem, mas foi pego por policiais húngaros. Deportado, voltou para um campo de refugiados em Belgrado e pretende tentar cruzar em breve. Desta vez, pela Croácia.

    http://arte.folha.uol.com.br/mundo/2017/um-mundo-de-muros/servia/persistencia/

     

     

    UM MUNDO DE MUROS (EUA E MÉXICO)

    UM MUNDO DE MUROS (QUÊNIA E SOMÁLIA)

    UM MUNDO DE MUROS (CISJORDÂNIA E ISRAEL)

     

  • Berlim congela aluguéis por 5 anos para tentar frear gentrificação

    Cidade busca impedir que pessoas mais pobres tenham de deixar bairros com alta procura

    Melissa Eddy
    BERLIM | THE NEW YORK TIMES

    Os preços dos aluguéis de mais de 1,5 milhão de apartamentos em Berlim serão congelados ou reduzidos por cinco anos, graças a uma nova legislação que visa frear uma alta recente dos aluguéis que vem expulsando moradores mais velhos ou de renda mais baixa.

    Aprovada por legisladores na quinta-feira (30/1) e prevista para entrar em vigor em março, a medida é uma tentativa do governo de esquerda berlinense de barrar o processo de  gentrificação de uma cidade que ficou famosa por seu cenário criativo, mas está sentindo a pressão de investidores imobiliários e de projetos de infraestrutura.

    Bonecos e cartazes de protesto contra a alta do preço dos aluguéis em Berlim – Hannibal Hanschke – 23.fev.2019/Reuters

    “Criamos um instrumento que vai sustar o movimento ascendente absurdo dos preços pelos próximos cinco anos”, anunciou Katrin Lompscher, senadora responsável pelo desenvolvimento e vida urbana de Berlim, em coletiva de imprensa na sexta-feira. “Cabe aos políticos criar as condições básicas para permitir que pessoas de renda mais baixa e de classe média continuem a poder viver em Berlim.”

    Viver em imóvel alugado é mais comum na Alemanha do que em casa própria; mais de metade dos habitantes do país aluga o imóvel em que vive. Apenas 18% dos 3 milhões de habitantes de Berlim têm casa ou apartamento próprio.

    A nova lei não permite que a maioria dos aluguéis na cidade custe mais do que em 2019 e limita o valor que pode ser cobrado, com base na condição do imóvel e suas instalações.

    Críticos da medida dizem que ela vai dificultar o crescimento muito necessário do mercado imobiliário e afastar empresas dispostas a construir unidades habitacionais de custo acessível numa cidade que, conhecida nos anos 1990 por seu cenário “pobre, mas sexy” de festas e clubes, desde então tornou-se uma capital europeia que passa por transformações velozes.

    Empresários do setor imobiliário e membros do partido conservador da chanceler Angela Merkel ameaçaram contestar a lei. Segundo eles, a medida viola a constituição alemã, que estipula que os aluguéis são determinados pelo governo federal.

    “O teto imposto aos aluguéis equivale a uma desapropriação. É uma catástrofe para o mercado imobiliário berlinense”, disse Jürgen Michael Schick, presidente da Associação Imobiliária da Alemanha. Desde que a medida que impõe um teto aos aluguéis foi proposta pela prefeitura de Berlim, no ano passado, a entidade vem avisando sobre seus potenciais efeitos negativos.

    “Limitar e reduzir a receita obtida de aluguéis vai gerar incerteza para investidores e desencorajar os investimentos no setor”, disse Schick.

    Para Lompscher, o objetivo não é sustar o crescimento do parque habitacional, mas reduzir a pressão financeira sobre os inquilinos enquanto empreendedores imobiliários e autoridades municipais facilitam a construção de mais unidades habitacionais. Berlim, capital da Alemanha, tem planos para construir mais de 60 mil apartamentos adicionais nos próximos anos, disse a senadora, muitos dos quais serão imóveis de preço mais acessível.

    Após a queda do Muro de Berlim, em 1989, a cidade reunificada se viu com um excedente de apartamentos, muitos dos quais de propriedade do estado. Em um esforço para gerar recursos urgentemente necessários para custear a reunificação de Berlim oriental e ocidental, muitos imóveis foram privatizados.

    Investidores imobiliários estrangeiros não demoraram a entender o potencial de crescimento que havia em Berlim – onde os aluguéis ainda custam significativamente menos que em Londres, Paris ou Roma— e começaram a comprar e reformar apartamentos. Também começaram a cobrar aluguéis mais altos.
    Ao mesmo tempo a população de Berlim continuou a crescer. Entre 2012 e 2017 a cidade ganhou 250 mil habitantes a mais, segundo cifras oficiais.

    Esse conjunto de fatores levou a uma alta nos preços dos aluguéis, especialmente nos bairros mais procurados. Em 2017, Berlim foi a única grande cidade do mundo em que os preços dos imóveis subiram mais de 20% em relação ao ano anterior, e os aluguéis acompanharam essa alta.

    “Três milhões de inquilinos em Berlim vão se beneficiar da medida”, disse Iris Spranger, porta-voz para assuntos habitacionais em Berlim do SPD, um dos partidos governistas que aprovou a lei.

    “Após uma fase prolongada de aumentos galopantes, os aluguéis agora serão congelados”, ela disse. “É mais do que necessário.”

     

    Tradução de Clara Allain.

     

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/02/berlim-congela-alugueis-por-5-anos-para-tentar-frear-gentrificacao.shtml

     

    Questões
    1) Como ocorre o processo de gentrificação?
    2) É possível apontar em sua cidade esse processo ocorrendo? Exemplifique.
    3) A reportagem cita um evento que foi determinante para que a cidade de Berlim
    tornasse uma “capital européia”. Explique.
    4) Segundo a reportagem, a gentrificação em porções da Cidade de Berlim descortina
    uma questão política. Justifique.
    5) A gentrificação desconstrói o espírito  de um lugar.  Analise a afirmativa.
    Prof. Luciano Mannarino

  • Significado do nome de cada Bairro da Cidade do Rio de Janeiro.

    Significado do nome de cada Bairro da Cidade do Rio de Janeiro.

    Resultado de imagem para mapa da cidade do rio de janeiro com os bairros
    BAIRROS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO.

    Acari

    O bairro tem um nome tão especial, que deriva de um peixe! Imagine viver em um lugar tão original que leva o nome de um tipo de peixe. A famosa Favela de Acari é na verdade a união de diversos locais, incluindo o Conjunto Amarelinho, que surgiu nos anos 50 beirando a movimentada Avenida Brasil. É como se cada pedacinho desse bairro tivesse sua própria personalidade e história para contar.

    Água Santa

    Água mineral jorrava como uma fonte inesgotável de hidratação, sendo engarrafada e vendida na região como o elixir da juventude. A fonte mágica sobrevive até hoje, desafiando a sede e proporcionando esperança aos viajantes próximos ao posto de pagamento da Linha Amarela.

    Alto da Boa Vista

    O nome desse lugar incrível vem daquela vista de tirar o fôlego das montanhas do imponente Maciço da Tijuca. No início, era apenas a serra, e aí chegaram as fazendas de café, que deram aquela mudada no visual, desmatando as colinas e até alterando o curso dos rios na região. Sabe o que rolou? O imperador D. Pedro II resolveu dar um talento nisso aí, lá em 1861, e quem fez o trampo pesado foi o Major Archer. Coisa de doido, né?

    Andaraí

    Seu nome, vai entender, vem de uma expressão indígena engraçadíssima: “Andirá-y Açu”, que na boa linguagem dos índios tamoios quer dizer “Rio Grande dos Morcegos” – sim, morcegos! O tal “Rio dos Morcegos” hoje em dia se chama Rio Joana, e atravessa o bairro, separando as duas pistas da Rua Maxwell. E tem mais, outra versão dessa história diz que vem do Pico do Andaraí, que ao que parece, em tupi quer dizer algo como “empinada para cima” – vai entender esses tupis, né?

     

    Anil

    O bairro do Anil realmente tem suas raízes na região de Jacarepaguá, uma área originalmente rural. O nome “Anil” vem, como mencionado, da planta anileira, usada no passado para a produção de corantes. A área começou a se desenvolver quando grandes fazendas da Zona Oeste foram progressivamente loteadas, especialmente a partir do século XX.

    No entanto, diferentemente de alguns bairros mais antigos, o Anil foi ganhando forma à medida que a expansão urbana de Jacarepaguá avançava, especialmente com o crescimento das áreas residenciais. A Estrada do Anil, uma via importante, facilitou a conexão com outros bairros e ajudou a consolidar o bairro como um espaço de classe média, ainda com uma atmosfera tranquila e residencial.

    Bangu

    Corruptela de u bang ú (“a barreira negra”) ou bang ú (“cercado por morros”) na linguagem dos índios. Outra possibilidade está relacionada à palavra africana bangüê, utilizada pelos escravos para se referir ao local do engenho onde se guardava o bagaço da cana-de-açúcar que, após moída, alimentava o gado. O termo ficou consagrado ainda, como denominação de uma espécie de padiola feita de tiras de couro ou fibras trançadas, usada para transportar cana-de-açúcar e outros materiais de forma improvisada.

    Barra da Tijuca

    Depósitos de aluvião formados nas desembocaduras de rios e canais representam uma complexa interação entre as águas doces e salgadas, resultando em formações geológicas únicas. No caso deste bairro, o depósito é resultado do encontro das

    águas provenientes de um conjunto de lagoas da região, incluindo a Lagoa da Tijuca, com o Oceano Atlântico, por meio do Canal da Joatinga. O nome “Tijuca”, por sua vez, possui origem na língua tupi e significa “água podre”, revelando uma curiosa e histórica ligação com a região.

    Barra de Guaratiba

    No século 17, a região já era conhecida por esse nome, originado do tupi e significando “local onde as garças são abundantes”. O bairro está situado entre os manguezais e a Serra Geral de Guaratiba.

    Barros Filho

    A família Costa Barros era proprietária dos latifúndios na região. O pai passou toda a área para seu herdeiro, Barros Filho. Entre os anos de 1892 e 1898 foi instalada a estação de trem que deu nome ao bairro atravessado pela Avenida Brasil.

    Benfica

    Antigamente, os moradores chamavam a região de Praia Pequena e Praia Grande devido às praias que existiam no local. A partir de determinado momento, não se sabe ao certo quando, começaram a chamar o local de Benfica. Estudiosos apostam na influência de moradores portugueses, população em massa do local (existe em Lisboa, Portugal, uma região que leva o mesmo nome).

    Bento Ribeiro

    Homenagem a Bento Manuel Ribeiro Carneiro Monteiro, general e prefeito do Rio de 1910 a 1914, no governo do Marechal Hermes da Fonseca, que desempenhou um papel crucial na modernização e desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro durante o seu mandato. Sua liderança visionária e compromisso com o progresso resultaram em várias iniciativas e melhorias urbanas que ajudaram a transformar a paisagem da cidade, deixando um legado duradouro que perdura até os dias de hoje. .

    Bonsucesso

    O nome “Bonsucesso” vem de D. Cecília Vieira de Bonsucesso, que, em 1754, reformou a capela da região, cortada pelo Rio Faria. A região de Bonsucesso teve um papel fundamental no desenvolvimento histórico da área, sendo habitada por diversas comunidades e povos ao longo dos séculos. Além disso, a reforma da capela realizada por D. Cecília Vieira de Bonsucesso representou um marco significativo na expansão da presença religiosa na localidade, tornando-a um ponto de referência para os fiéis da região.

    Brás de Pina

    Brás de Pina foi uma figura proeminente no século 18, desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento da região que viria a se tornar o bairro. Além de ser o proprietário dessa área, ele também era conhecido por ser um contratante da pesca da baleia, uma atividade de grande importância na época. Além disso, Brás de Pina era responsável pela administração de um engenho de açúcar e aguardente, contribuindo significativamente para a economia local.

    Botafogo

    Acabou sendo batizado em 1590, quando Antônio Francisco Velho vendeu suas terras para um amigo, João Pereira de Souza Botafogo. O sobrenome era dado em Portugal aos especialistas em armas de fogo manuais. Brás de Pina – deve-se ao antigo proprietário de suas terras, Brás de Pina, que aqui mantinha um engenho de açúcar no século XVIII.

    Cachambi

    Caxamby, de origem indígena, significa feixo, laço que amarra o capim ou mato trançado. Suas terras eram formadas por vastos capinzais, muito procurados para alimentar os animais, o que valorizava o terreno.

    Camorim

    Derivado do tupi camury, que significa “mata com muitos mosquitos”, o nome designa o bairro e sua principal estrada de acesso. Toda essa região pertencia a Gonçalo Correia de Sá, onde, em 1625, mandou levantar a capela de São Gonçalo de Amarante, padroeiro do lugar, que existe até hoje.

    Campinho

    No cantinho onde as ruas se encontravam, havia um ponto de descanso para viajantes ao lado de um campo onde rolava uma feira de gado – conhecido como “o campinho”. Parece que o lugar era tão legal que acabou dando nome à região.

    Campo dos Afonsos

    A área era ocupada pelo Engenho dos Afonsos, um vasto campo onde se produzia açúcar e se criava gado. Antes da 1ª Guerra Mundial, o Campo dos Afonsos foi ocupado pela Aeronáutica Civil e Militar e lá foi instalada a primeira escola de aviação do Rio de Janeiro, em 1913.

    Campo Grande

    Campo Grande, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, surgiu no período colonial como uma área de grandes fazendas e engenhos de açúcar. A região era essencial para o abastecimento da cidade e outras áreas próximas. Em 1878, a construção da estação ferroviária impulsionou o crescimento do bairro, facilitando o transporte de mercadorias e atraindo novos moradores.

    Ao longo do século XX, especialmente nas décadas de 1960 e 1970, Campo Grande passou por um processo acelerado de urbanização, deixando de ser apenas uma área rural. Com isso, tornou-se um dos bairros mais extensos e populosos da cidade. O comércio local se expandiu, e o bairro hoje é conhecido por sua forte economia e áreas residenciais, mantendo um equilíbrio entre o crescimento urbano e a preservação de sua história.

    Cascadura

    A origem do nome do bairro tem três versões: a primeira está ligada à inglesa Maria Graham, que relatou, em 1824, um passeio à Fazenda Real de Santa Cruz, fazendo referência ao local como “Casca D’Ouro”. A segunda remonta à dificuldade que os operários tiveram para abrir, com picaretas, a pedreira na construção da estrada de ferro – o conjunto de pedras ganhou o apelido de “casca dura”. A terceira, por fim, diz respeito a um dos primeiros moradores da região, um comerciante bastante difícil, fechado para negociações e doações.

    Caju

    As chácaras e sítios da região tinham muitos cajueiros, daí o nome do bairro. Mas há outra versão que diz ser devido  a um morro localizado no bairro que tinha o formato de uma castanha de caju

    Catete

    Significa, em tupi, “mato fechado”, o que basicamente quer dizer: “cuidado com os mosquitos e plantas espinhosas”. Aquele era o lugar onde o Rio Carioca fazia uma volta esperta, como quem dá uma pausa antes de se jogar no mar, talvez para apreciar a vista, quem sabe até fazer uma pose dramática antes do grande desfecho.

    Catumbi

    A origem do bairro remonta a um antigo arraial situado às margens do Rio Catumbi, cujo significado pode ser traduzido como “água do mato escuro” ou “rio sombreado”. Inicialmente habitado por ricos proprietários de terras e seus escravos, o bairro foi palco de inúmeras transformações ao longo dos anos, moldando sua identidade e características únicas. Ao longo do tempo, o local se desenvolveu, acolhendo uma diversidade de pessoas e culturas que contribuíram para a riqueza histórica e cultural da região.

    Cavalcanti

    O bairro de Cavalcanti, na Zona Norte do Rio de Janeiro, surgiu no final do século XIX, sendo uma área inicialmente rural. O nome do bairro homenageia o engenheiro Antônio de Sousa Cavalcanti, que foi responsável por obras de infraestrutura na cidade. A chegada da linha férrea em 1890, com a inauguração da Estação Ferroviária de Cavalcanti, foi um marco fundamental para o crescimento do bairro, facilitando a conexão com o centro da cidade.

    Com o tempo, Cavalcanti passou por um processo de urbanização, atraindo uma população de classe média e trabalhadora. Suas ruas residenciais e o comércio local foram se consolidando, mantendo um caráter tranquilo e familiar. Hoje, o bairro preserva sua história enquanto continua a desenvolver-se de maneira mais calma em comparação com outras áreas da Zona Norte.

    Centro

    Após a derrota imposta aos franceses invasores em 1567, o núcleo original da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi transferido da Urca para o Morro do Castelo, um local mais protegido dos ataques de estrangeiros e nativos hostis. Aos poucos, a população começou a ocupar a planície localizada entre os morros do Castelo, de Santo Antônio, de São Bento e da Conceição e a aterrar os pântanos e lagoas existentes nesta área central, portanto centro da cidade.

    Governador-geral Mem de Sá administrou o Rio até junho de 1568, quando então nomeou seu sobrinho, Salvador Correia de Sá, capitão e governador. Começaram aí, de fato, as atividades econômicas, sociais e o início do desenvolvimento urbano carioca.

    Cidade de Deus

    Na década de 1960, o governador Carlos Lacerda implementou uma política de remoção das favelas situadas na Zona Sul da cidade. Para isso, autorizou a construção de um grande conjunto habitacional na baixada de Jacarepaguá. Surgiu assim a Cidade de Deus. Desde o planejamento do conjunto, a ideia era usar nomes bíblicos em logradouros. Sendo assim, suas ruas têm nomes de personagens e cidades bíblicas, principalmente do Antigo Testamento.

    Cidade Nova

    Tem registros que remontam ao período do reinado de D. João VI. Até o início do século XIX, a região era um alagadiço que servia de rota de passagem entre o Centro e as zonas rurais da Tijuca e São Cristóvão. Com os aterros feitos com a intenção de melhorar esta travessia, surgiu o projeto de impulsionar o crescimento da cidade para a área, daí o nome.

    Coelho Neto

    Originalmente, a região era denominada Areal. A família Amaral era a principal proprietária das terras. Com a implantação da Estrada de Ferro Rio D’Ouro, foi construída a estação do Areal, que depois passou a se chamar Coelho Neto, uma homenagem a Henrique Maximiano Coelho Neto (1864-1934), famoso escritor, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras que ocupou a cadeira 2.

    Colégio

    Na região onde hoje está o bairro havia apenas um professor público, José Teodoro Burlamaqui. O seu colégio, de 1860, ficava no cruzamento das estradas da Pavuna e Barro Vermelho, cuja continuação ganharia o nome de Estrada do Colégio.

    Complexo do Alemão

    A ocupação da Serra da Misericórdia ocorreu no início do século 19 com Francisco José Ferreira Rego. Seus herdeiros venderam as terras para Joaquim Leandro da Motta, que dividiu a propriedade em grandes lotes. Um deles foi vendido para Leonard Kacsmarkiewiez, polonês refugiado da Primeira Guerra Mundial que ficou conhecido pelo apelido de “Alemão”, nome depois dado ao morro que lhe pertencia.

    Copacabana

    Significa mirante do azul, na língua Inca Quichua. Também existe uma cidade boliviana nas margens do Lago Titicaca com o nome de Copacabana. Originalmente, o nome do bairro era Sacopenapã que era um areal deserto quando pescadores ergueram uma capelinha no extremo sul da praia. Nela foi colocada a cópia de uma imagem de Nossa Senhora de Copacabana, trazida por mercadores de prata bolivianos. A igreja foi destruída para dar lugar ao Forte de Copacabana.

    Cordovil

    No século 17, as terras pertenciam a Bartolomeu de Siqueira Cordovil, um próspero proprietário de terras que administrava o Engenho dos Cordovil com maestria. O Engenho dos Cordovil possuía extensos canaviais que se espalhavam pela planície em direção a Irajá, formando uma paisagem impressionante de verdejantes campos de cana-de-açúcar que se estendiam até onde os olhos podiam alcançar. Além disso, a propriedade abrigava uma populosa vila de trabalhadores, que dedicavam seus dias à colheita e à produção de açúcar, contribuindo para a próspera economia local.

    Cosme Velho

    É uma homenagem ao comerciante português Cosme Velho Pereira que, no século XVI, habitava a parte mais alta do vale do Carioca. Na parte mais baixa do vale havia grande número de laranjeiras, também originando o nome do bairro vizinho, “Laranjeiras”.

    Cosmos

    Nas terras que pertenceram ao Engenho da Paciência, a Companhia Imobiliária Cosmos construiu um grande loteamento, a Vila Igaratá. Quando foi implantado o ramal ferroviário de Mangaratiba, uma área foi cedida para a construção da Estação Cosmos, inaugurada em 1928, que deu nome ao bairro.

    Costa Barros

    A região abrigava as fazendas da família Costa Barros, daí o nome do bairro. Os terrenos extensos e férteis eram o cenário onde a família Costa Barros construiu seu legado, dedicando-se à agropecuária e sendo reconhecida como uma das mais prósperas da região.

    Curicica

    Corruptela de ya-cury-ycica, “a árvore que baba”, da família das palmáceas, o nome designou também a antiga Estrada de Jacarepaguá que dava acesso à baixada fronteiriça ao Morro Dois Irmãos e limitada pela Estrada de Guaratiba (atual Bandeirantes).

    Del Castilho

    Com a construção da Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil (depois Linha Auxiliar) em 1892, foi implantada na região a estação Del Castilho, em homenagem a um engenheiro amigo de Paulo de Frontin.

    Deodoro

    A região era ocupada pelo Engenho Sapopemba (raiz achatada e trançada), fundado por Gaspar da Costa em 1612, e pela fazenda do Gericinó, na extensa baixada do Maciço do Gericinó. Com a chegada da Estrada de Ferro Central do Brasil, foi inaugurada, em 1859, a estação Sapopemba que, depois da instauração da República, passou a se chamar Deodoro em homenagem ao Marechal Deodoro da Fonseca. Ela se tornou uma das maiores do subúrbio.

    Encantado

    Segundo a tradição local, a origem do nome está relacionada ao rio que corria em suas redondezas, o Rio Faria. Dizia-se que suas águas encantadas tragavam tudo que nelas caíssem, até uma carroça com condutor, cargas e burro.

    Engenheiro Leal

    Este pequeno bairro situado no sopé do morro do Dendê era terra do Engenho da Portela, da família Cardoso Quintão. Sua origem é a implantação da Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil, depois chamada de Linha Auxiliar, em 1892. Nela, foi instalada a Estação Engenheiro Leal, companheiro de Paulo de Frontin e Magno de Carvalho, no início do século 20.

    Engenho da Rainha

    As terras pertenciam inicialmente ao Engenho da Pedra ou de Bonsucesso, e se expandiam desde a orla da Baía de Guanabara até Inhaúma. A rainha Dona Carlota Joaquina, esposa de Dom João VI, comprou uma quarta parte do engenho onde havia uma casa de 15 quartos, próxima à atual Rua Dona Luísa. Por isso o nome do bairro.

    Engenho de Dentro

    O nome surgiu de um engenho de açúcar existente no local, que pertencia ao mestre de campos João Árias de Aguirre, no século XVIII.  A abertura da Estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, trouxe ao bairro grandes oficinas ferroviárias, consideradas as mais importantes da América Latina em 1881. A estação do Engenho de Dentro foi inaugurada em 1873 e, mais tarde, foi demolida. Em 1937, foi construída a atual.

    Engenho Novo

    O nome Engenho Novo dos Jesuítas deriva de um importante marco histórico, o engenho construído no ano de 1707. Esse engenho foi uma peça fundamental na economia da região, contribuindo significativamente para o desenvolvimento local. Além disso, ele desempenhou um papel crucial na história da colonização, refletindo a influência e presença dos Jesuítas na área. Sua importância perdurou ao longo dos anos, deixando um legado que é lembrado até os dias atuais.

    Estácio

    A região era um matagal onde se refugiavam os porcos dos matadouros próximos, daí seu antigo nome de Mata-Porcos. Quando foi se firmando como bairro, com a chegada de cada vez mais moradores, a área passou a se chamar Estácio em homenagem ao fundador da Cidade, Estácio de Sá.

    Flamengo

    uma homenagem ao navegador flamengo, na verdade holandês, Olivier Van Noort, também conhecido como LeBlond. Há outras duas versões, que vem dos prisioneiros holandeses da região, ou os flamengos. Ou mesmo relacionado aos flamingos que frequentavam a região na época.

    Gamboa

    A alcunha deste bairro, que tinha uma das mais antigas praias do litoral carioca urbano, está ligada às gamboas ou camboas, pequenas represas feitas pelos pescadores locais para prender os peixes que entravam nas águas calmas entre a Praia da Saúde e o Saco do Alferes.

    Gardênia Azul

    O bairro fica nas terras do antigo Engenho D’Água de Jacarepaguá, fundado pelo filho do Barão da Taquara, o médico e vereador Francisco Pinto da Fonseca. Na década de 1960, foi implantado o loteamento que deu nome ao bairro, com acesso pelas estradas do Capão (atual Avenida Tenente Coronel Muniz de Aragão) e do Engenho D’Água.

    Gávea

    Devido à vista privilegiada da Pedra da Gávea (embora esta se localize em São Conrado, outro bairro), que por sua vez foi assim batizada por ter em seu topo uma formação rochosa semelhante à gávea dos navios.

    Gericinó

    Corruptela de Iarí-Airy (“em cima, no alto”) e Cin-ó (“liso e fechado”), ou seja, “morro liso e fechado”, Gericinó levou o nome do morro homônimo de 889 metros de altura na divisa com o município de Mesquita. O novo bairro foi desmembrado de Bangu oficialmente em 2004.

    Glória

    O bairro deve seu nome à Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, uma das primeiras construídas na cidade no século XVIII, em torno da qual se consolidou o povoamento da região.

    Grajaú

    Foi dado em homenagem a cidade de Grajaú, terra natal do engenheiro que projetou, em 1920, o bairro, Antônio Eugênio Richard Júnior, no interior do Maranhão. Várias ruas do bairro tem nome de cidades e rios maranhenses. Richard vem a ser avô de Sergio Castro, empresário do ramo imobiliário e fundador da Sergio Castro Imóveis, logo Richard é bisavô do atual diretor da empresa, Claudio Castro.

    Grumari

    Do indígena “curu” (seixos, pedras soltas) e “mari” (que produz água), também designa uma árvore encontrada nas encostas da região. Cercada pelas serras do Grumari, de Guaratiba e de Piabas, é a última área natural e preservada do litoral carioca, incluindo a praia do Grumari, a vegetação de restinga e as praias selvagens acessíveis por trilhas.

    Guadalupe

    O nome do bairro foi uma sugestão de Dona Darcy Vargas, esposa do presidente Getúlio Vargas, em homenagem à padroeira da América Latina, Nossa Senhora de Guadalupe.

    Guaratiba

    Em indígena, significa “abundância de guarás”, aves aquáticas pernaltas. A Freguesia de Guaratiba foi criada em 1755, por iniciativa de Dom José de Barros Alarcão, com terras desmembradas da Freguesia de Irajá.

    Higienópolis

    Originalmente, a área era ocupada por uma fazenda com lavouras. Foi, mais tarde, convertida pela família Darke de Matos, proprietária do Café Globo, no bairro “Cidade Jardim Higienópolis”. O projeto é de 1934, durante a gestão do prefeito Pedro Ernesto.

    Honório Gurgel

    Com a inauguração da Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil (depois Linha Auxiliar), em 1892, a região passou a abrigar a Estação de Munguengue. Mais tarde, ela teve o nome alterado para Honório Gurgel em homenagem ao Tenente Honório Gurgel do Amaral, vereador cujo pai possuía uma fazenda em Irajá.

    Humaitá

    Seu nome provém da batalha do Humaitá, travada na Guerra do Paraguai. Os índios chamavam a região de Itaóca, devido à gruta que existia naquela área.

    Inhaúma

    Vem de “i” (água) e “n-hdú” (lodo, lama, barro), ou seja, “água suja”. Designava a extensa planície entre a Baía de Guanabara, a Serra da Misericórdia, e os morros dos Urubus e Juramento. Originalmente existia na região uma aldeia de índios tamoios.

    Inhoaíba

    O nome é uma corruptela de “nhu” (campo), “ahyba” (ruim), denominação dada pelos indígenas à baixada entre a serra de mesmo nome e Campo Grande. Com a implantação do ramal ferroviário de Mangaratiba, atual ramal de Santa Cruz, foi inaugurada em 1912 a estação Engenheiro Trindade, depois chamada de Inhoaíba. Ficou assim consolidado o nome do bairro. Porém, há quem diga que venha de “Terras do Senhor Aníbal”. Como se falava Nhô Anibal, pegou, foi indo até chegar ao Inhoaíba.

    Itanhagá

    Este nome tem origem na grande pedra situada à beira da Lagoa da Tijuca: Ita (pedra) e Anhangá (fantasmagórica), ou ”pedra que fala”. Os ventos produziam sons que apavoravam os indígenas.

    Ipanema

    Significa “águas perigosas” em tupi. Mas o nome não se refere ao bairro e sim a um rio paulista, em Iperó. O bairro recebeu esse em homenagem ao primeiro Barão Conde de Ipanema (não por acaso nome de uma rua em Copacabana), por seu filho o 2º Barão de Ipanema, o Comendador José Antonio Moreira Filho, que adquiriu um dos dois lotes da antiga Fazenda Copacabana. Em 1883 o Barão de Ipanema criou o Loteamento Villa Ipanema, tendo como sócio Antonio José Silva e o autor do projeto, o engenheiro Luís Raphael Vieira Souto, no que viria a ser Ipanema.

    Irajá

    A origem deste nome tem duas versões. Na primeira, Irajá significa “o mel brota”, nome dado pelos índios Muduriás que habitavam a região. Na segunda, o nome viria de “Aribo” (rio que brota do alto do morro e cai abaixo), referindo-se ao Rio Irajá, que nasce no Morro do Juramento e deságua na Baía de Guanabara..

    Jacaré

    É interessante notar como a etimologia da palavra “jacarepaguá” está intimamente ligada à geografia local, já que o termo é uma corruptela de “yacaré” (torto, sinuoso), em alusão às voltas que o Rio Jacaré faz. Essa conexão entre a língua e o ambiente natural ressalta a maneira como as culturas e idiomas se desenvolvem em harmonia com o mundo ao seu redor, incorporando elementos da natureza em suas expressões.

    Jacarepaguá

    Deriva-se de três palavras da língua Tupi-Guarani: YACARE (jacaré), UPÁ (lagoa) e GUÁ (baixa) – A “Baixa lagoa dos jacarés”. Na época da colonização, as lagoas da baixada de Jacarepaguá eram repletas de jacarés.

    Jacarezinho

    Na região do atual bairro Jacaré existia uma chácara entre o rio e a antiga fábrica Cruzeiro (depois substituída pela General Eletric), ocupada por casebres. Os moradores eram considerados invasores e, a partir da década de 1920, a população foi aumentando devido à instalação de indústrias na região e na Avenida Suburbana (atual Dom Helder Câmara). Com as migrações dos anos 50, a área sofreu adensamento considerável, com consequente valorização da terra, o que levou um de seus donos à justiça para remover os moradores. A população residente reagiu e conseguiu permanecer no local fazendo com que as terras fossem restituídas ao governo. Em 1980, foram realizadas obras de infraestrutura na comunidade (ou favela) do Jacarezinho. Seis anos depois, foi criada a XXVIII Região

    Jardim América

    Originou-se no Projeto de Arruamento e Loteamento Proletário denominado “Jardim América” em terreno situado à Rodovia Presidente Dutra. O loteamento, de 1957, resultou em 39 logradouros, 2782 lotes residenciais, 124 comerciais e 90 industriais atravessados pelo Rio dos Cachorros e pela faixa das linhas de transmissão elétrica da Light.

    Ilha do Governador

    Habitada pelos índios Temiminós, que a abandonaram em conseqüência dos ataques de inimigos Tamoios e traficantes franceses de pau-brasil, os quais foram definitivamente expulsos em 1567, pelos portugueses foi doada a 5 de setembro desse ano por Mem de Sá a seu sobrinho Salvador Correia de Sá (o Velho), futuro governador (daí o nome do bairro) da capitania. Ele se instalou na ilha em posição privilegiada, na elevação acima da atual Praia do Engenho Velho, de onde tinha o controle da Baía de Guanabara.

    Jardim Botânico

    Leva esse nome por ser a localização do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, fundado por Dom João VI. O Jardim Botânico é um dos pontos turísticos mais famosos da cidade, conhecido por abrigar uma diversidade incrível de plantas e flores tropicais. Além disso, sua importância histórica remonta à época do Império Português no Brasil, e suas belas estufas e trilhas naturais atraem visitantes de todo o mundo em busca de experiências únicas.

    Jardim Sulacap

    Tem como origem o projeto de arruamento e loteamento feito em 1951 pela Cia Sul América Capitalização S.A. (daí o nome), junto à estrada Intendente Magalhães e ao Campo dos Afonsos. O bairro é predominantemente residencial e sua população é formada, em sua maioria, por famílias de militares.

    Joá

    A denominação do bairro é originária do nome de um antigo morador, o francês Laurence Anchois, cujo sobrenome era pronunciado “Chuá”. Outra versão diz respeito ao morro da região, o Joatinga, que vem de yuá-tinga e significa “limoso, esbranquiçado”

    Lagoa

    A região tem como referencial histórico e atual a Lagoa de Sacopenapã, nome dado pelos índios Tupinambás, que significava “local ou caminho dos socós”, aves pernaltas comuns nessas paragens. Também a denominavam de Capopenipem, local de raízes chatas do fundo lamacento da lagoa.

    Laranjeiras

    Na época do Rio Colonial, havia sítios e chácaras com muitas laranjeiras nesta região, o que acabou dando nome ao bairro. A influência das laranjeiras na história e na identidade cultural do bairro perdura até os dias atuais.

    Largo do Pechincha

    Recebeu o nome devido ao comércio tradicional e forte, onde funcionava um grande mercado, frequentado por pessoas de todas as partes da cidade que barganhavam na hora de comprar as mercadorias. Então, quando se queria comprar alguma coisa, as pessoas diziam que iam pechinchar no largo.

    Leblon

    O nome teve sua origem numa chácara pertencente ao holandês Charles Le Blon que existia no local em meados do Século XIX e passou a ser chamado de Campo do Leblon. Em 1845 virou uma fazenda de gado.

    Leme

    Por causa da Pedra do Leme, contornada pelas praias da Urca e Botafogo e cujo formato, visto de cima, se assemelha ao do leme de um navio.

    Lins de Vasconcelos

    Médico-Major Modesto Benjamim Lins de Vasconcelos possuía propriedade no alto da Estrada da Serra do Matheus, que depois levou o nome de sua tradicional família, Lins de Vasconcelos.

    Madureira

    O nome do bairro vem de Lourenço Madureira, que, no século 19, era lavrador e criador de gado em terras da antiga Fazenda do Campinho, existente desde o início do século 17.

    Magalhães Bastos

    Originalmente, o local era conhecido como Fazenda das Mangueiras e, depois, Vila São José. Com a inauguração do ramal ferroviário de Mangaratiba, em 1878, foi implantada a estação Coronel Magalhães Bastos em homenagem a Antonio Leite de Magalhães Bastos Filho, comandante do primeiro batalhão de engenharia, que deu nome ao bairro.

    Mangueira

    As terras pertenciam ao Visconde de Niterói e ficavam juntas ao Morro do Telégrafo, assim chamado pela inauguração, em 1852, do primeiro telégrafo aéreo do Brasil, próximo à Quinta da Boa Vista. Ali foi instalada a Fábrica de Fernando Fraga, que produzia chapéus e passou a ser conhecida como Fábrica das Mangueiras pela intensa produção de mangas na região. A indústria acabou adotando o nome de Fábrica de Chapéus Mangueira. A Central do Brasil aproveitou a popularização da alcunha e batizou de Mangueira a estação de trem inaugurada em 1889.

    Manguinhos

    Como o próprio nome diz, tratava-se de uma grande região alagadiça, repleta de mangues, situada entre o Caju, a Praia Pequena de Benfica e as terras do Engenho da Pedra, prolongamento do antigo Saco de Inhaúma, na Baía de Guanabara. Incluía a ilha do Pinheiro e a ilha do Bom Jardim.

    Maracanã

    Vem do tupi maraka’nã, que significa papagaio. Provavelmente o rio homônimo recebeu este nome por ter suas cercanias habitadas por uma ou mais espécies destes pássaros.

    Maré

    Toda a região era constituída por pântanos e manguezais junto à orla da Baía de Guanabara. O termo “maré” tem origem no fenômeno natural que afligia os moradores das palafitas da região a partir da década de 1940.

    Marechal Hermes

    Fundado em 1913, o bairro foi o primeiro no Brasil implantado como uma vila proletária e planejado para ser estritamente residencial, com direito à infraestrutura de serviços públicos. Foi idealizado pelo então presidente Marechal Hermes da Fonseca para suprir a carência de moradias populares.

    Maria da Graça

    Na região ficava a Fazenda Maria da Graça, da família Cardoso Martins. Foi adquirida, mais tarde, pela Companhia Imobiliária Nacional que, em 1934, fez o arruamento e loteamento do bairro.

    Méier

    As terras abrigavam, no início do século 19, a extensa Quinta dos Duques, de José Paulo da Mata Duque Estrada e Dulce de Castro Azambuja. A filha do casal, Jerônima Duque Estrada, casou-se com o guarda-roupas do Paço, o Comendador Miguel João Meyer, descendente de alemães. O primogênito dos nove filhos, Augusto Duque Estrada Meyer, se destacou como acompanhante do Imperador Dom Pedro II, recebendo o título de Camarista e extensas terras abrangendo desde a Estrada Grande (atual Dias da Cruz) até a Serra dos Pretos Forros. O Camarista Meyer abriu várias ruas em suas propriedades, dando a elas nomes de seus familiares, como Carolina MeyerFrederico Meyer e Joaquim Meyer. Formava-se o atual bairro do Méier, versão aportuguesada do sobrenome.

    Olaria

    Em 1820, Francisco José Pereira Rego comprou terras entre o Caminho da Matriz (Itararé) e o Morro da Penha. Ali, a família Rego viria a instalar várias olarias para atender a vizinhança, aproveitando o terreno de barro vermelho. Outras fábricas de tijolos surgiram fazendo com que o local ficasse conhecido como “região das olarias”.

    Oswaldo Cruz

    Com a implantação da Estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, foi fundada na região, em 1898, a Estação Rio das Pedras. Mais tarde, o nome mudou para Oswaldo Cruz em homenagem ao grande médico sanitarista que erradicou a febre amarela no Rio de Janeiro e implantou o Instituto em Manguinhos.

    Paciência

    Deve seu nome ao Engenho da Paciência, de João Francisco da Silva, a mais antiga e importante fazenda de cana existente no Brasil. Ficava na Estrada Real de Santa Cruz, onde, no início do século 19, se hospedavam príncipes e nobres nas excursões à Fazenda Real.

    Padre Miguel

    O nome homenageia o Padre e Monsenhor Miguel de Santa Maria Mochon, espanhol de Andaluzia e vigário de Realengo. Nascido em 1879, Padre Miguel foi o reformador da Igreja Nossa Senhora da Conceição e o criador da primeira Escola Regular da Região, estendendo suas viagens de catequização aos engenhos de Nossa Senhora da Conceição da Pavuna e do Botafogo. Além de incentivar o teatro amador, foi o segundo personagem da cidade a exibir filmes de curta duração – sua casa paroquial se transformou em sala de projeção e cinema de referência local.

    Parada de Lucas

    O nome se refere a José Lucas de Almeida, um próspero agricultor que morreu aos 94 anos de idade. Quando da implantação da Estrada de Ferro Leopoldina (antiga Estrada de Ferro Norte), José Lucas doou parte de suas terras para uma parada de trens que, em 1949, tornou-se a estação Parada de Lucas.

    Parque Anchieta

    Parque Anchieta é um desmembramento do bairro de Anchieta que tem como origem loteamento de 1969 compreendendo 1639 lotes, 27 ruas e quatro praças.

    Parque Colúmbia

    Em 1956 surgiu um Projeto de Arruamento e Loteamento Misto, Proletário e Industrial, a 229 metros da rodovia Presidente Dutra, entre o Rio Acari e a Rua Embaú, resultando em sete ruas. O projeto foi implantado na propriedade da empresa Ferrometais Colombo Comércio e Indústria S.A., daí o nome Parque Colúmbia.

    Paquetá

    A ilha foi descoberta em 1556 por André Thevet, cartógrafo de Villegagnon, durante a invasão francesa ao Rio de Janeiro. Nome dado pelos Tamoios, Paquetá vem de “Pac” (paca) e “eta” (muitas), significando “lugar de muitas pacas”. Outros dizem que pode significar muitas conchas, ou muitas pedras. Mas escritos de André Thevet  narra a abundância na ilha do animal Pacarana, parente próximo da paca.

    Pavuna

    Vem do indígena “pabuna” ou “ypabuna”, que significa lugar ou região escura, sombria. A palavra deu nome ao bairro e ao rio de 14 quilômetros de curso que separa o Rio dos municípios da Baixada Fluminense. No século 16, os franceses registraram aldeias de índios Tupis em seus mapas, e uma delas, a aldeia de Upabuna, estaria às margens do referido rio.

    Pedra de Guaratiba

    Sua denominação teve origem na partilha das terras da região de Guaratiba entre os herdeiros de seu primeiro donatário, Manoel Velloso Espinha. Com a sua morte, seus dois filhos Jerônimo Velloso Cubas e Manoel Espinha Filho herdaram a freguesia de Guaratiba. Através de mútuo entendimento, dividiram entre eles as terras herdadas do pai, ficando Jerônimo com a parte norte e Manoel com a leste, tendo o Rio Piraquê como marco divisório.

    Penha

    A história oficial diz que a  primeira capela em louvor a Nossa Senhora da Penha foi erguida em Vila Velha, antiga capitania do Espírito Santo, entre 1558 e 1570. A segunda surgiu no Rio de Janeiro após a fundação da Fazenda de Nossa Senhora da Ajuda, propriedade do capitão português Baltazar de Abreu Cardoso. Por volta do ano de 1635, o Capitão Baltazar, ao ser atacado por uma cobra, pediu auxilio a Nossa Senhora da Penha. Agradecido por ter se livrado do perigo, construiu uma pequena capela no alto de suas terras, onde colocou uma imagem da santa. Pessoas que viam a pequena capela à distância logo passaram a subir a grande pedra para rezar e agradecer.

    Penha Circular

    As origens do bairro coincidem com a história do bairro da Penha. Seu nome vem da existência, no início da década de 1930, de uma linha circular destinada a permitir o retorno dos trens de subúrbios. A linha circular da Penha foi desativada na década de 40, sendo construída a estação de Penha Circular, que deu nome ao bairro.

    Piedade

    O nome do bairro era “Terra dos Gambás” (por existirem gambás aos montes) e os moradores se reuniram e escreveram uma cartinha para o diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil, no fim do século 19, quem teria escrito foi a esposa de Assis Carneiro, leiloeiro e dono de chácara. O texto era o seguinte: “Por piedade, doutor, troque o nome da nossa estaçãozinha”. O apelo acabou dando certo. “O diretor respondeu: “Perfeitamente minha senhora, ela se chamará Piedade”.

    Pilares

    Em 1873, as fazendas da região pertenciam a Francisca Carolina de Mendonça Zieze e a seu genro Gaspar Augusto Nascente Zieze. Eles doaram o terreno no qual a Irmandade de São Benedito dos Pilares levantaria a sua capela, remodelada mais tarde pelo Padre José Corrêa. Mas o nome Pilares tem duas versões: viria da Venda dos Pilares, devido aos adornos de pedra destacados na edificação, ou do largo do bairro, uma das paradas da Estrada Real de Santa Cruz (depois Avenida Suburbana e, hoje, Avenida Dom Hélder Câmara), onde havia pequenos pilares que serviam para amarrar cavalos, rodeando uma fonte d’água..

    Praça da Bandeira

    Em 1853, exatamente no local onde hoje está a praça, foi construído o antigo Matadouro da Cidade. Evoluiu em volta dele o Largo do Matadouro, que se tornou o centro de gravidade para o adensamento das cercanias. A região foi urbanizada no início do século 20, após transferência do Matadouro, em 1881, para Santa Cruz. A construção da Avenida Radial Oeste (atual Oswaldo Aranha) e do Trevo das Forças Armadas alterou a área nas décadas de 60/70, assim como a abertura do metrô. A antiga Estação Lauro Müller da Supervia passou a se chamar Praça da Bandeira.

    Praça Seca

    general Salvador Correia de Sá e Benevides (1601-1688) lutou contra os holandeses em Angola, defendendo os interesses portugueses. Foi governador do Rio de Janeiro por três períodos (1637-1642, 1648-1649 e 1659-1660), levando desenvolvimento à região. Faleceu em Lisboa em 1688, deixando suas terras para o filho, Martim Correia de Sá e Benevides, que se tornou o primeiro Visconde de Asseca e Alcaide-Mór do Rio de Janeiro. Dessa linhagem nobre dos Assecas, o quarto Visconde (1698-1777) foi o responsável pelos primeiros vestígios de povoamento mais efetivos em torno da Praça Seca (corruptela de Praça Asseca, ou Praç’Asseca).

    Quintino Bocaiúva

    A abertura da Estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, deu ao local a Estação Cupertino (dono de grande pedreira fornecedora para construções na cidade), inaugurada em 1o de maio de 1876. O nome foi mudado em 1912 para Quintino Bocaiúva em homenagem ao parlamentar, jornalista e comandante civil da Proclamação da República, que morou numa chácara nas proximidades.

    Ramos

    Dona Leonor Mascarenhas de Oliveira deixou, em meados do século 19, treze lotes da Fazenda de Nossa Senhora de Bonsucesso para serem divididos entre parentes e amigos. João Torquato de Oliveira herdou a casa e a fazenda-sede, região dos atuais núcleos de Bonsucesso e Ramos. Em 1870, sua viúva, Francisca Hayden, vendeu ao Capitão Luiz José Fonseca Ramos terras que abrangiam o Sítio dos Bambus, onde Ramos começou a prosperar. O bairro surgiu por obra dos descendentes do Capitão Ramos, quando os trilhos da Estrada de Ferro do Norte (Leopoldina) chegaram à área, onde foi construída a Parada de Ramos.

    Realengo

    O nome teria como origem o termo Campos Realengos, usado para nomear os campos de serventia pública que eram utilizados, principalmente, para a pastagem do gado por parte dos que não possuíam terra própria. Há uma versão, mais lendária, que diz que significa ‘Real Engenho’, que abreviado lia-se ‘Real Engo.’

    Recreio dos Bandeirantes

    As terras pertenciam ao Banco de Crédito Móvel, que as loteou em duas glebas. Joseph Weslley Finch comprou, nos anos 20, umas delas e costumava promover visitas de fim de semana para interessados na compra de seus lotes. Muitos paulistas adquiriram terrenos à beira-mar e construíram casas de veraneio. Por isso, a gleba de Finch passou a ser conhecida como Recreio dos Bandeirantes, e foi registrada como Jardim Recreio dos Bandeirantes. Mais tarde, todo o bairro passou a ter o mesmo nome.

    Riachuelo

    Surgiu nas terras da antiga fazenda do Engenho Novo, desmembrada em chácaras e, depois, ocupadas por loteamentos. A Estação Ferroviária, de 1869, se chamava Riachuelo do Rio em homenagem a uma batalha naval.

    Ricardo de Albuquerque

    A estação de Ricardo de Albuquerque, inaugurada em 1913, deve seu nome a José Ricardo de Albuquerque, antigo diretor da ferrovia e poeta. Situada no coração da região, a estação é um ponto de referência histórico que preserva a memória da importante contribuição de Albuquerque para o desenvolvimento da ferrovia local.

    Rio Comprido

    É uma referência ao longo Rio Iguaçu, que cruzava a região conhecida como Catumbi Pequeno (compreende atualmente o Rio Comprido e parte do Estácio). A área abrigou o Quartel General do Exército na época de Dom João VI, se tornando um bairro agradável para os ingleses, que nele habitavam em casas próprias ou propriedades cercadas de amplos quintais. A chácara mais famosa foi a do Bispo Frei Antonio do Desterro, erguida no século 17, também conhecida como Casa do Bispo, que serviu de residência episcopal até 1873, quando ali se instalou o Seminário São José. O prédio foi tombado pelo patrimônio histórico.

    Rocha

    A estação de trem, inaugurada em 1885 e extinta em 1960, recebeu o nome de um guarda-cancela da ferrovia, que também batizou o bairro. Esse bairro, conhecido pela sua história ferroviária, desenvolveu-se ao redor da estação e tornou-se um ponto de referência na região. Os moradores locais costumam contar histórias sobre os antigos trens que passavam pela região, trazendo consigo o movimento e a vida para a localidade.

    Rocha Miranda

    As terras pertenciam à Fazenda do Sapê, cujo proprietário, no século 19, era o Barão de Mesquita. Em 1916, a fazenda seria adquirida pela família Rocha Miranda, que promoveu o loteamento da região com a abertura de várias ruas com nomes de pedras preciosas: dos Topázios, das Esmeraldas, dos Rubis, dos Diamantes, Ametistas, Ônix, Turquesas etc.

    Rocinha

    Sitiantes passaram a ocupar as terras da antiga fazenda Quebra-Cangalha por volta de 1930. Elas foram divididas em pequenas chácaras em que cultivavam hortaliças vendidas na feira do Largo das Três Vendas (atual Praça Santos Dumont, na Gávea). Os comerciantes diziam para os fregueses que seus produtos vinham de suas “rocinhas” no Alto da Gávea e, a partir daí, o nome Rocinha se popularizou.

    Sampaio

    A estação de trem homônima da região é uma homenagem ao Coronel Sampaio, Patrono da Infantaria. O Coronel Sampaio foi um líder militar conhecido por seu compromisso com a defesa e organização das forças armadas. A presença da homenagem na região também serve como lembrete do papel significativo que o militar desempenhou, deixando um impacto duradouro na sociedade.

    Santa Cruz

    A terra foi a princípio doada a Cristovão Monteiro, depois passou a pertencer a Companhia de Jesus, os jesuítas que colocaram uma grande cruz de madeira, pintada de preto, encaixada em uma base de pedra sustentada por um pilar de granito. Mais tarde, já durante o Império, o cruzeiro seria substituído por outro de dimensões menores. E, atualmente existe uma cruz no mesmo local, mas não é o cruzeiro histórico, e sim uma réplica que foi erigida durante o comando do então Coronel Carlos Patrício Freitas Pereira. O cruzeiro deu nome à Santa Cruz. A poderosa fazenda de Santa Cruz, um imenso latifúndio, se tornou a mais desenvolvida da Capitania, com milhares de escravos, cabeças de gado e variados tipos de cultivo.

    Santa Teresa

    Antigamente, o bairro se chamava Morro do Desterro, com acesso pela atual Ladeira de Santa Teresa, onde foi construída a capelinha de Nossa Senhora do Desterro, em 1629. Depois, em 1750, o Governador Gomes Freire de Andrade construiu o Convento de Santa Teresa para abrigar a ordem de religiosas.

    Santo Cristo

    Em 1879, o bairro teve grande parte aterrada pela Empresa de Melhoramentos do Brasil. As Ilhas dos Melões e das Moças, localizadas no antigo Saco do Alferes próximas à atual Rodoviária Novo Rio, foram extintas para a construção do Cais do Porto, no início do século 20. Esses aterros deram origem ao atual bairro de Santo Cristo, cuja Igreja de Santo Cristo dos Milagres, erguida em 1872, localiza-se no atual Largo de Santo Cristo, antigo Largo do Gambá.

    Santíssimo

    Nesta localidade ficava o Engenho do Lameirão, de Manuel Suzano, com sua capela de Nossa Senhora da Conceição do Lameirão, o templo mais importante das redondezas. Em 1750, a capela teve permissão para manter em sacrário o Santíssimo Sacramento e, para isso, foi criada uma irmandade. Este acontecimento passou a designar de Santíssimo toda a região situada entre Bangu e Campo Grande, batizando o atual bairro.

    São Clemente

    Por causa de um grande proprietário de terrenos naquela parte da cidade, o Sr. Clemente de Matos, muito devoto do santo do qual havia herdado o nome, era uma figura proeminente e influente na comunidade local. Além disso, sua devoção ao santo era notória, e ele contribuía generosamente para as festividades religiosas em honra do padroeiro da cidade.

    São Conrado

    No início do século 20, o Comendador Conrado Jacob Niemeyer possuía grande fazenda na região e nela ergueu uma pequena igreja, em 1916, em devoção a São Conrado.

    São Cristovão

    O nome se deve à igrejinha dedicada ao santo erguida pela Companhia de Jesus junto à praia habitada apenas por alguns pescadores. Com a expulsão dos jesuítas em 1759 e a chegada da Família Real em1808, a região antes destinada à agricultura e à pecuária foi retalhada e dividida em chácaras, então adquiridas por ricos comerciantes.

    São Francisco Xavier

    O bairro é um dos menores do Rio. As terras pertenciam ao Engenho Novo dos Jesuítas, construído a partir de 1707. Daí o nome em homenagem a um santo . A história do bairro está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento da região, e muitos dos seus edifícios possuem valor histórico e arquitetônico, proporcionando um ambiente charmoso e acolhedor para moradores e visitantes.

    Saúde

    Recebeu este nome por origem de uma promessa religiosa a Nossa Senhora da Saúde, que salvou a esposa de um rico comerciante português, Manuel Negreiros, que ergueu em 1742 a Capela de Nossa Senhora da Saúde, sobre um morro rochoso de frente ao mar. No século 17, seus trechos eram conhecidos como Valongo e Valonguinho.

    Senador Camará

    O trem chegou à região por intermédio do ramal de Mangaratiba, sendo inaugurada a estação Senador Camará em 1923, uma homenagem a Otacílio de Carvalho Camará, gaúcho, deputado pelo Distrito Federal (1915) e senador em 1919.

    Senador Vasconcelos

    Pela região passou a antiga estrada Rio-São Paulo, onde foi instalada, em 1914, a Estação Senador Augusto Vasconcelos. Trata-se de uma homenagem a um senador federal que também deu nome ao bairro.

    Sepetiba

    Em tupi, significa sítio dos sapês. A região já foi coberta de florestas densas, repletas de vida selvagem e sons misteriosos.. A natureza exuberante e vibrante da floresta encantava quem ousava adentrar seus domínios, alimentando lendas e histórias sobre seres mágicos que protegiam aquele lugar sagrado.

    Tanque

    No final do século XIX havia grande circulação de bondes com tração animal pela região e esse local fazia parte do trajeto entre a “Porta D’Água”, na Freguesia, e a Taquara. Por isso, em 1875, foi construído um grande reservatório para cavalos e burros matarem a sede. Desde então, passou a ser chamado de Largo do Tanque..

    Taquara

    É uma espécie de bambu de crescimento rápido e amplamente encontrado na região, conhecido por sua versatilidade e resistência. Além de ser utilizado em cercas e na fabricação de cestos, esse tipo de bambu também é empregado na construção de móveis, artesanato e até mesmo na produção de instrumentos musicais.

    Tijuca

    O nome Tijuca, de origem indígena, significa água podre, charco ou brejo. Referia-se às lagoas da atual Barra, depois passou para as montanhas, floresta e vertente oposta, correspondendo à antiga região do Andaraí Pequeno que, entre os séculos 19 e 20, transformou-se no atual bairro da Tijuca. Na década de 70, parte do Andaraí Grande foi incorporada a ele.

    Todos os Santos

    Era inicialmente um prolongamento do Méier. A Estação Ferroviária de Todos os Santos (daí o nome), inaugurada em 1868, foi extinta no final da década de 1960.

    Tomás Coelho

    Servido pelos trens da antiga Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil (mais tarde Linha Auxiliar), a região ganhou a Estação Tomás Coelho. O nome é uma homenagem ao Conselheiro Thomaz Coelho, Ministro da Guerra no Segundo Reinado que instalou o Colégio Militar na Tijuca, em 1889.

    Turiaçu

    Corruptela de “tury” ou “tory” (facho) e “açú” (grande, extenso), significa “fogaréu” ou ainda “fogaréu feito de sapê”. Na região, atravessada pela Estrada do Otaviano, ficava o Engenho do Vira-Mundo, último grande fabricante de rapadura e cachaça depois da decadência do Engenho de Portela. Esse local era famoso não apenas pela produção de rapadura e cachaça, mas também pela beleza natural que o cercava, com extensos campos verdes e belas paisagens que se estendiam até onde os olhos podiam alcançar. A presença da Estrada do Otaviano, que ligava diversas comunidades, contribuiu para a diversificação cultural e troca de experiências, fazendo da região um ponto de encontro único, onde as histórias se misturavam e as tradições se entrelaçavam em um tecido cultural rico e diversificado.

    (Bairro onde passei minha infância)

    Urca

    Há lendas sobre o nome, tem quem diga que era o nome do navio do holandês Olivier Van Noort, o LeBlond. Outras que é por causa do morro rochoso que lembra um tipo de embarcação antiga usada pelos holandeses para transporte de carga.

    Vargem Grande

    As terras pertenciam à sesmaria de Gonçalo Correia de Sá. Sua filha, Dona Vitória de Sá, as doaria mais tarde aos Monges Beneditinos. Ali, Frei Lourenço da Expectação Valadares criou, no século 18, a fazenda Vargem Grande, cujas ruínas ainda existem no Sítio Petra, número 10636 da atual Estrada dos Bandeirantes.

    Vargem Pequena

    A região era parte da enorme sesmaria de Gonçalo Correia de Sá e foi dada em 1628, como dote, a Dom Luiz de Céspedes (governador geral do Paraguai), marido de sua filha, Dona Vitória de Sá. Com a morte dela, em 1667, a propriedade seria deixada para os Monges Beneditinos, que dividiram o Engenho do Camorim da família, criando a fazenda de Vargem Pequena.

    Vasco da Gama

    Em 1998, ano do centenário do Clube de Regatas Vasco da Gama, um projeto transformou a área onde fica a sede / estádio do clube e suas adjacências, incluindo a Comunidade Barreira do Vasco, no bairro Vasco da Gama.

    Vaz Lobo

    Grandes chácaras onde se cultivava café, aipim e batata doce, entre os morros do Sapê e da Serrinha, ocupavam a área. Uma delas, a do Capitão-Tenente José Maria Vaz Lobo, no cruzamento com a Estrada de Irajá (atual Avenida Monsenhor Félix), deu nome ao bairro.

    Vicente de Carvalho

    O nome do bairro se refere a um fazendeiro local, Vicente de Carvalho, que batizaria também a estrada e a estação da Estrada de Ferro Rio D’ Ouro, implantada na segunda metade do século 19.

    Vidigal

    O major de milícias e intendente da polícia Miguel Nunes Vidigal, de grande influência no Primeiro Império, recebeu dos monges beneditinos, em 1820, extensas terras que iam das encostas da Pedra Dois Irmãos até o mar, onde construiu a Chácara do Vidigal. Em 1886, seus herdeiros venderam a propriedade ao engenheiro João Dantas.

    Vigário Geral

    Nas terras pantanosas da região havia a Fazenda Nossa Senhora das Graças, que abrigava o Engenho do Vigário Geral, também conhecido como Engenho Velho. O tal vigário geral seria o Cônego Dr. Luiz Borges da Silva Oliveira, dono do Engenho Nossa Senhora das Graças na segunda metade do século 18. No entanto, existem fontes citando o monsenhor Félix de Albuquerque ou o Padre Dr. Clemente de Matos, ambos donos do Engenho de Irajá, como o “Vigário Geral” que deu nome ao bairro.

    Vila Cosmos

    A Companhia Urbanizadora Imobiliária Kosmos (daí o nome), que algumas vezes é grafado assim com K, construiu o loteamento Vila Florença, implantado em 1930 nas terras de Guilherme Guinle. Atualmente, é um bairro essencialmente residencial, atravessado pela Avenida Meriti.

    Vila da Penha

    O Projeto de Arruamento e Loteamento da Vila Penha, de propriedade da Empresa Industrial de Melhoramentos do Brasil, elaborado em 1927/1930 e alterado em 1936, consolidou a urbanização do bairro.

    Vila Militar

    No início do século 20, os batalhões e regimentos da cidade se concentravam próximos ao Centro, em São Cristóvão, no Campo de Santana, no antigo Arsenal de Guerra (atual Museu Histórico), na Fortaleza de São João e na Praia Vermelha. O Marechal Hermes da Fonseca resolveu então transferi-los para uma nova vila militar na zona suburbana, que pudesse se interligar com as unidades de Realengo. No governo Afonso Pena, as fazendas e engenhos da região entre Deodoro e os limites com a Baixada Fluminense começaram a ser desapropriados.

    Vila Isabel

    Todas as terras do bairro eram da Fazenda do Macaco, limitada pelo Rio Joana, pelo Caminho do Cabuçu (atual Rua Barão do Bom Retiro) e pela Serra do Engenho Novo. Dom Pedro I a presenteou à Imperatriz D. Amélia de Beauharnais, Duquesa de Bragança, sendo frequentes os passeios do casal no local. Com a volta de Dom Pedro a Portugal, a fazenda ficou abandonada, sendo atingida pela epidemia de cólera em meados do século 19. Em 1872, o Barão João Batista de Viana Drummond (mais conhecido por ter inventado o jogo do bicho) comprou a fazenda e montou a Companhia Arquitetônica de Villa Izabel, em homenagem à Princesa Isabel, para a promoção de loteamento. Assim, em 1873, nascia o primeiro bairro planejado da cidade.

    Vila Valqueire

    No passado, o bairro era ocupado pelo Engenho Valqueire. A origem do nome se deve ao proprietário das terras em meados do século 18, Antonio Fernandes Valqueire. A sede do engenho ainda existe, em ruínas. Sua mais antiga construção é a Igreja São Roque, próxima à Rua Quiririm. Dizia a lenda que o engenho tinha este nome porque era um terreno que media 5 alqueires. Como a placa fazia a indicação com algarismos romanos, V Alqueire virou Valqueire.

    Vista Alegre

    O projeto imobiliário com o nome de Jardim Vista Alegre (1954) levou à construção de 400 casas na região. Em sua periferia existiam chácaras com hortas, verduras, fazendolas e um grande pântano, repleto de rãs, onde foi construído o chamado Bairrinho. Vista Alegre é um dos menores bairros da cidade.

    Fonte: https://diariodorio.com/nome-dos-bairros-do-rio-de-janeiro/

    Professor Luciano Mannarino.

    A História do Rio de Janeiro.