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  • Mundo com 8 bilhões é, sobretudo, mais envelhecido e desafiador

    Em 1965 entrei para a faculdade de medicina. A população mundial mal passava de 3 bilhões; a do Brasil, 83 milhões. As taxas de natalidade eram altas, e a grande preocupação era com a superpopulação. Prevalecia a teoria neomalthusiana, de incentivo ao uso de métodos contraceptivos e o controle do crescimento populacional com influência do Estado. Do contrário, o mundo não teria capacidade de produzir alimentos para tanta gente.

    Rios de dinheiro de fundações americanas chegavam para deter o “desenfreado crescimento da população”. De envelhecimento populacional ninguém falava. A proporção dos 60+ no mundo era de 4,2. No Brasil, idosos eram apenas 2,8% da população, enquanto 21,4% eram crianças abaixo de 15 anos.

    Três mulheres idosas caminham em rua de Maiaki, na Ucrânia – Yasuyoshi Chiba – 6.mai.22/AFP


    Ao longo das décadas que tenho como médico, um mundo bem diferente emergiu. Se as altas taxas de natalidade tivessem prevalecido, o marco mundial de 8 bilhões já teria há muito sido alcançado, e o Brasil teria uma população muito maior que os 215 milhões de hoje.

    Estima-se que o Brasil atinja seu pico populacional em 2046, com 231,1 milhões. A proporção de idosos, hoje em torno de 15,5%, dobrará até 2050. Segundo o IBGE, em 2022 a proporção de pessoas acima de 50 anos ultrapassou a de com menos de 30 anos. O único segmento da população que seguirá crescendo ao longo do século é o de pessoas idosas.

    Este cenário de rápido envelhecimento vislumbrado para o Brasil é compartilhado com outros países em desenvolvimento, como a China. A diferença é que no gigante asiático foi resultado de uma rígida política de um filho por família, enquanto no Brasil a queda da natalidade foi tão vertiginosa quanto não programada.

    Antes de 2000, o número médio de filhos ao final da vida reprodutiva de uma mulher atingiu o nível abaixo do necessário para reposição: dois —casais precisam ter em média mais de dois filhos para que haja crescimento populacional, salvo em países que recebem muitos imigrantes. Dentro em pouco as mulheres nascidas nos anos 1980 e 1990, quando as taxas de nascimento ainda eram relativamente altas, chegarão à menopausa. Teremos então atingido nosso pico populacional.

    As implicações para saúde são transcendentais. Focando o Brasil apenas, é necessário formularmos políticas de saúde para uma população muito mais envelhecida. Isso pressupõe uma perspectiva de curso de vida pois ninguém envelhece “de repente”. Somos, no final da vida, um reflexo de nossos hábitos e comportamentos –que, por sua vez, dependem de oportunidades para que eles sejam mais saudáveis.


    Saúde é criada no dia a dia, onde as pessoas vivem, trabalham, locomovem-se, divertem-se, amam-se, como já dizia, em 1986, a Carta de Ottawa de Promoção da Saúde da OMS. É, portanto, crucial fazer com que escolhas mais saudáveis sejam também mais fáceis, simples e baratas. Gritantes desigualdades distinguem aqueles que chegam bem à velhice e milhões que envelhecem precocemente e mal.

    Face à impossibilidade de prevenirmos por completo as doenças crônicas associadas ao envelhecimento, faz-se imperativo postergá-las o mais que possível. Se ganharmos dez, 15 anos sem doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, câncer, doenças neurodegenerativas, inclusive vários tipos de demências, não é só a qualidade de vida que aumenta. Os custos para os sistemas de saúde, público ou privado, baixam significativamente.

    O envelhecimento populacional pressupõe desenvolver uma cultura do cuidado. É um marco civilizatório. Não é viável, nem tampouco justo, que o ônus recaia exclusivamente na família. É dever do Estado desenvolver políticas e intervenções que dividam tal responsabilidade.

    Menos justo ainda esperar que o tal “cuidado pela família” seja um eufemismo, que recaia para as mulheres da família a responsabilidade. Cuidam dos filhos, dos pais, dos sogros e mesmo do esposo, geralmente mais velho, e, quando necessitam elas próprias de cuidados, não há ninguém que lhes cuide.

    Embora vivam mais, as mulheres sofrem mais de doenças incapacitantes, como as doenças osteomusculares. Essa questão de gênero é fundamental para um país que tão rapidamente envelhece. Os homens precisarão deixar de ser sobretudo recipientes de cuidado para dele participarem ativamente.

    Globalmente veremos nas próximas décadas transformações desafiadoras. A Índia deve ultrapassar a China como país mais populoso do mundo em 2023. A elas seguem-se os Estados Unidos, Indonésia e Paquistão, o Brasil ocupando a sexta posição. Em 2050, Índia e China seguirão nas primeiras posições, seguidas da Nigéria e, no ranking dos dez mais populosos países do mundo, estarão também Etiópia, Congo e Bangladesh.

    A ONU projeta que em 2064 teremos 10 bilhões e, na década de 2080, alcançaremos o pico de 10,4 bilhões

    O influente Institute for Health Metrics and Evaluation, ligado à Universidade de Washington, projeta que a população mundial será de 9,7 bilhões em 2064 e logo começará a diminuir, com exceção dos países subsaarianos. As implicações geopolíticas são óbvias: o resto do mundo muito mais envelhecido, imensas populações jovens de países pobres à procura de oportunidades. É hora de levar demografia como algo muito mais sério do que levamos no Brasil.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/11/mundo-com-8-bilhoes-e-sobretudo-mais-envelhecido-e-desafiador.shtml

    Prof Luciano Mannarino

    Questões

    1 Explique a Teoria Demográfica Neomalthusiana.

    2 Aponte fatores que explicam a diminuição da taxa de fecundidade da mulher brasileira.

    3 De que forma o “envelhecer bem” diminuiu os custos para o sistema de saúde?

    4 Os “cuidados pela família” acabam sendo responsabilidade dos membros femininos.

    Você concorda com essa afirmação? Justifique.

    5 O “envelhecer precocemente e mal” se relaciona com o acesso diferencial a riqueza? Justifique.

    DEMOGRAFIA E TEORIA DA TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA.

    Em meio à pandemia de Covid, EUA registram menor taxa de natalidade em mais de 40 anos

    Para conter crise demográfica, China autorizará 3 filhos por família

  • O que é o Protocolo de Kyoto?

    O que é o Protocolo de Kyoto?


    Crédito: Karsten Würth/Unsplash


    O Protocolo de Kyoto foi adotado em 11 de dezembro de 1997. Devido a um complexo processo de ratificação, entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005. Atualmente, existem 192 Partes no Protocolo de Kyoto.

    Em suma, o Protocolo de Kyoto operacionaliza a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima ao comprometer os países industrializados e as economias em transição a limitar e reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) de acordo com metas individuais acordadas. A própria Convenção apenas pede a esses países que adotem políticas e medidas de mitigação e informem periodicamente.

    O Protocolo de Kyoto é baseado nos princípios e disposições da Convenção e segue sua estrutura baseada em anexos. Apenas vincula os países desenvolvidos, e lhes impõe um ônus mais pesado sob o princípio da “responsabilidade comum, mas diferenciada e respectivas capacidades”, porque reconhece que eles são os grandes responsáveis ​​pelos atuais altos níveis de emissões de GEE na atmosfera.

    Em seu Anexo B, o Protocolo de Kyoto estabelece metas vinculantes de redução de emissões para 37 países industrializados e economias em transição e para a União Européia. No geral, essas metas somam uma redução média de 5% das emissões em comparação com os níveis de 1990 durante o período de cinco anos 2008–2012 (o primeiro período de compromisso).

    Emenda Doha

    Em Doha, Qatar, em 8 de dezembro de 2012, a Emenda de Doha ao Protocolo de Kyoto foi adotada para um segundo período de compromisso, com início em 2013 e duração até 2020.

    Em 28 de outubro de 2020, 147 Partes depositaram seus instrumentos de aceitação, portanto, o limite de 144 instrumentos de aceitação para a entrada em vigor da Emenda de Doha foi alcançado. A alteração entrou em vigor em 31 de dezembro de 2020.

    A emenda inclui:

    Novos compromissos para as Partes do Anexo I do Protocolo de Kyoto que concordaram em assumir compromissos em um segundo período de compromisso de 1º de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2020;
    Uma lista revisada de GEE a ser relatada pelas Partes no segundo período de compromisso; e
    Alterações em vários artigos do Protocolo de Kyoto que faziam referência específica a questões relativas ao primeiro período de compromisso e que precisavam ser atualizadas para o segundo período de compromisso.
    Em 21 de dezembro de 2012, a emenda foi divulgada pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, na qualidade de Depositário, a todas as Partes do Protocolo de Quioto, de acordo com os Artigos 20 e 21 do Protocolo.

    Durante o primeiro período de compromisso, 37 países industrializados e economias em transição e a Comunidade Européia se comprometeram a reduzir as emissões de GEE para uma média de 5% em relação aos níveis de 1990. Durante o segundo período de compromisso, as Partes se comprometeram a reduzir as emissões de GEE em pelo menos 18% abaixo dos níveis de 1990 no período de oito anos de 2013 a 2020; no entanto, a composição das Partes no segundo período de compromisso é diferente da primeira.

    Os mecanismos de Kyoto

    Um elemento importante do Protocolo de Kyoto foi o estabelecimento de mecanismos de mercado flexíveis, que se baseiam no comércio de licenças de emissão. Sob o Protocolo, os países devem cumprir suas metas principalmente por meio de medidas nacionais. No entanto, o Protocolo também oferece a eles um meio adicional para atingir suas metas por meio de três mecanismos baseados no mercado:

    Comércio Internacional de Emissões

    Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)

    Implementação conjunta (JI)

    Esses mecanismos incentivam idealmente a redução de GEE a começar onde é mais rentável, por exemplo, no mundo em desenvolvimento. Não importa onde as emissões são reduzidas, desde que sejam retiradas da atmosfera. Isso tem os benefícios paralelos de estimular o investimento verde nos países em desenvolvimento e incluir o setor privado nesse esforço para reduzir e manter as emissões de GEE estáveis ​​em um nível seguro. Ele também torna o salto-frogging – ou seja, a possibilidade de pular o uso de tecnologia mais antiga e mais suja para infraestrutura e sistemas mais novos e mais limpos, com benefícios óbvios de longo prazo – mais econômico.

    Monitoramento de metas de emissão
    O Protocolo de Kyoto também estabeleceu um sistema rigoroso de monitoramento, revisão e verificação, bem como um sistema de conformidade para garantir a transparência e responsabilizar as Partes. De acordo com o Protocolo, as emissões reais dos países devem ser monitoradas e devem ser mantidos registros precisos dos negócios realizados.

    Os sistemas de registro rastreiam e registram as transações das Partes sob os mecanismos. A Secretaria de Mudanças Climáticas da ONU, com sede em Bonn, na Alemanha, mantém um registro de transações internacionais para verificar se as transações estão de acordo com as regras do Protocolo.

    O relatório é feito pelas Partes mediante a apresentação de inventários anuais de emissões e relatórios nacionais sob o Protocolo em intervalos regulares.

    Um sistema de conformidade garante que as Partes cumpram seus compromissos e as ajuda a cumprir seus compromissos se tiverem problemas para fazê-lo.

    Adaptação
    O Protocolo de Kyoto, assim como a Convenção, também foi elaborado para ajudar os países a se adaptarem aos efeitos adversos das mudanças climáticas. Facilita o desenvolvimento e a implantação de tecnologias que podem ajudar a aumentar a resiliência aos impactos das mudanças climáticas.

    O Fundo de Adaptação foi criado para financiar projetos e programas de adaptação em países em desenvolvimento que são Partes do Protocolo de Kyoto. No primeiro período de compromisso, o Fundo foi financiado principalmente com uma parte dos recursos das atividades do projeto de MDL. Em Doha, em 2012, foi decidido que, para o segundo período de compromisso, o comércio internacional de emissões e a implementação conjunta também forneceriam ao Fundo de Adaptação uma parcela de 2% das receitas.

    https://unfccc.int/kyoto_protocol

    Prof Luciano Mannarino


    º

  • O que é um Continente?

    O que é um Continente?

    O que é um Continente?


    Grandes extensões de terrenos emersos da crosta terrestre limitados pelas águas dos mares e oceanos. O número de continentes e sua configuração têm variado muito no decorrer da história física da Terra, conforme nos ensina a paleografia.

    A partir, porém, do fim do Terciário e do início do Quaternário estes se mantiveram com a configuração aproximada que aparece nos nossos dias, tendo apenas certas zonas costeiras sofrido transgressões, seguidas, porém, de regressões marinhas, as quais afetaram áreas pouco extensas.

    A noção de continente é mais geográfica que geológica ou geomorfológica. Aos especialistas destas duas últimas ciências, o que mais interessa é o modo como surgiram estes fragmentos de terras emersas e como se desenvolveram suas configurações através dos diferentes períodos geológicos. A velha divisão dos continentes em antigo, novo e novíssimo corresponde, segundo Albert Demangeon, a uma divisão puramente artificial, que não tem nenhuma expressão do ponto de vista geográfico nem geológico.

    Há várias hipóteses que procuram explicar a origem e formação dos continentes. Dentre eles tem-se a de A. Wegener, também chamada deriva dos continentes. É importante assinalar aqui os contornos de certas áreas continentais como, por exemplo, do Nordeste brasileiro e do golfo da Guiné (Africa), que muito inspiraram esta hipótese. Atualmente a tectônica de placas (vide) explica a migração dos continentes.

    Fonte Novo dicionário geológico-geomorfológico/Antonio Teixeira Guerra, Antonio José Teixeira Guerra-Bertrand Brasil

    Prof Luciano Mannarino

    VÍDEO – TEORIA DA DERIVA CONTINENTAL