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  • As pontes do Acre existem e unirão a região mais dinâmica do Brasil ao Pacífico

    As pontes do Acre existem e unirão a região mais dinâmica do Brasil ao Pacífico

    Obra conectará a capital do Acre a outras capitais sem a necessidade de balsa

    7.mai.2021 às 10h57

    Pedro Silva Barros

    É economista. Trabalha no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea (Brasília). Foi Diretor de Assuntos Econômicos da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Doutor em Integração Latino-Americana pela USP.

    O Acre foi a última grande expansão territorial do Brasil. Comprado da Bolívia no início do século 20, faz fronteira também com o Peru. Nos últimos anos, foi comum em diferentes regiões do Brasil, a expressão “o Acre não existe”. Convertida em piadas e memes, refletia de forma pejorativa sua pequena população, economia de baixa complexidade, infraestrutura deficiente e, sobretudo, a ignorância de regiões decadentes que tem dificuldade de conhecer o próprio país.

    As notícias do Acre para o grande público brasileiro nos últimos anos se resumiram às suas constantes inundações e a nova rota de migração. Ambos os fenômenos têm relação direta com as pontes do estado, que terão novo protagonismo devido à profunda mudança geoeconômica que o Brasil está passando.

    Nesta sexta-feira (7) será inaugurada pelo presidente Bolsonaro a ponte do Abunã, em Rondônia. A obra de 1,9 km sobre o rio Madeira conectará pela primeira vez a capital do Acre a outras capitais do país sem a necessidade de balsa.

    Ponte do Madeira, na região do Abunã, em Rondônia, que liga o Acre por estrada – Pedro Devani / Secom

    A decisão de construí-la foi da presidenta Dilma Rousseff em 2014, durante uma cheia que deixou Rio Branco, capital do Acre, isolada das demais capitais do Brasil por 90 dias. A crítica situação para os acrianos naquele momento foi amenizada pelas pontes de Epitaciolândia e Assis Brasil. Inauguradas em 2004 e 2006, ligaram o Acre à Bolívia e ao Peru, respectivamente. Essas pontes construídas no governo Lula juntas com a pavimentação da BR-317 até Assis Brasil, realizada no governo Fernando Henrique Cardoso, garantiram o fornecimento de combustível peruano e alimentos bolivianos para os acreanos.

    DO SONHO À DESILUSÃO EM UMA DÉCADA

    Também foi o caminho para milhares de haitianos que migraram para o Brasil após o terremoto de Porto Príncipe em 2010. Eles chagavam depois de longas viagens. Partiam por via aérea para o Equador, com escala no Panamá. Depois seguiam por terra pelo Peru para ingressarem no Brasil via Acre. A avançada política migratória equatoriana e o bom desempenho econômico do Brasil tornavam essa rota atraente. Em 14 fevereiro de 2021, os estrangeiros na ponte binacional entre Assis Brasil e Iñapari foram novamente notícia.

    Quatrocentos deles, em sua maioria haitianos, mas também oriundos de países da costa oeste africana e de países indostânicos, que vieram de diferentes estados brasileiros após estadia de períodos variados no país. Devido à restrição de entrada de estrangeiros no Peru, em decorrência da pandemia da Covid-19, os migrantes foram impedidos de ingressar no país vizinho, a fim de continuar seus projetos migratórios. Bloquearam a ponte por vários dias. Deixaram o Brasil sem ver inaugurada a ponte do Abunã. Talvez pela desilusão com a crise de saúde pública ou o aumento do desemprego.

    Faltava pouco. No final do governo Michel Temer, em dezembro de 2018, 85% da ponte do Abunã já estava pronta e a expectativa era que a inauguração fosse em agosto de 2019. Após atrasos, aditivos e alguns adiamentos, e 117 anos depois do Tratado de Petrópolis que formalizou o acordo entre Brasil e Bolívia para que o Acre formasse parte do território brasileiro, este estado estará interconectado por estradas ao Atlântico. Tão importante quanto, Rondônia, sul do Amazonas e noroeste de Mato Grosso terão um caminho totalmente pavimentado ao Pacífico.

     Cheia do Rio Tarauacá, na cidade que leva o mesmo nome, no Acre
    Cheia do Rio Tarauacá, na cidade que leva o mesmo nome, no Acre Rafael Dias


    MARCHA PARA OESTE

    O Brasil caminha para Oeste na economia, na demografia e principalmente nas exportações. A atual fase dessa marcha é consequência do abandono industrial interno e da transição do centro dinâmico da economia mundial do Atlântico Norte à Ásia-Pacífico.

    Ao se isolar politicamente da América do Sul e desmontar o apoio estatal à internacionalização de suas empresas, o Brasil aprofundou a crise de seu setor industrial cambaleado pelo baixo crescimento interno. Não à toa, Brasil e Argentina foram os dois países cujo setor industrial mais perdeu peso relativo no mundo nos últimos cinco anos. O futuro produtivo do país parece não estar mais concentrado no Atlântico.

    Entre 2000 e 2010 todas as regiões do Brasil cresceram e as exportações per capita nominais se multiplicaram por mais de três, passando de US$ 324 para US$ 1.051. Em 2020, as exportações per capita do conjunto do Brasil haviam recuado para US$ 988. Mas o comportamento entre os estados é muito discrepante. São Paulo, líder em exportações industriais, exportava US$ 19 bilhões em 2000, atingiu US$ 59 bilhões em 2011 e regrediu a US$ 42 bilhões em 2020. Já Mato Grosso exportou US$ 1 bilhão em 2000 e US$ 18 bilhões em 2020, aumentando suas vendas externas concentradas no agronegócio ininterruptamente ano após ano.

    Nos últimos 20 anos, o comércio mundial triplicou seu valor nominal em dólares, as exportações da China multiplicaram seu valor por dez e as vendas externas de Mato Grosso aumentaram 18 vezes. Na proporção per capita, um mato-grossense exportou em média US$ 5.170 em 2020 enquanto um chinês exportou US$ 1.799.

    CUSTOS AMBIENTAIS

    A expansão da fronteira agrícola em direção ao norte e oeste veio acompanhada de altos custos ambientais e mudanças logísticas. Mato Grosso só esteve atrás do Pará em desmatamento nos últimos anos e parte significativa da produção agrícola do estado se dá em terras devastadas ilegalmente.

    A dinâmica tem sido desmatamento, aumento da exploração de madeira, seguida do crescimento da produção pecuária e, depois, da expansão das áreas de cultivo de grãos. Esse movimento avança em direção a Rondônia e ao Acre. Em 2000, Rondônia exportava apenas US$ 43 nominais per capita, sendo 90% madeira. Em 2020 foram US$ 764 por rondoniense, 52% só de carnes, 30% de soja e menos de 5% de madeira.

    Mas a saída pelos portos do Atlântico, cada vez mais longe da produção, tira competitividade da carne brasileira. A carne fresca e refrigerada tem um valor médio no mercado mundial 20% superior ao da carne congelada. O Brasil responde sozinho por 19,9% das exportações mundiais de carne congelada, mas apenas por 3,7% das carnes frescas e refrigeradas. As carnes de maior valor da fronteira ocidental brasileira serão muito mais competitivas nos mercados da Ásia-Pacífico se cruzarem os Andes por terra. Não apenas pelo custo, mas principalmente pelo tempo.

    CAMINHO MAIS CURTO

    Por vias pavimentadas, o distrito de Abunã, em Rondônia, está a 1.734 km do porto de Matarani, na costa do Pacífico peruano, e a 3.274 km do porto de Santos ou a 2.784 de Belém, Pará. Já a fronteiriça Assis Brasil, no Acre, está a 1.164 km de Matarani, 3.357 km de Belém e a 3.864 km de Santos. E Matarani está a alguns milhares de milhas náuticas mais próxima do Japão do que Santos ou Belém. Os dias economizados no trajeto pelos portos do Pacífico podem garantir acesso rápido de produtos refrigerados à Ásia, mercado que via Atlântico o Brasil só alcança em commodities e congelados. Para isso é necessário escala e logística.

    A saída pelo Pacífico pode ser o caminho para agregar mais valor às exportações do Centro-Oeste e, principalmente, da Amacro, acrônimo referente à área da que congrega o sul do Amazonas, o leste do Acre e o noroeste de Rondônia, próximos à tríplice fronteira entre Brasil, Bolívia e o Peru. O Acre está prestes a viver uma grande transformação, de magnitude similar a que ocorreu em Mato Grosso e que está em curso em Rondônia. O desafio é aprender rapidamente para evitar as externalidades negativas da expansão agrícola de Mato Grosso e do Matopiba (parte do Maranhão, Tocantins, Piauí e Oeste da Bahia), reforçar o uso organizado e consciente do solo e coibir a devastação ilegal.

    No caso do Matopiba, o conceito surgiu após a realidade econômica se impor com altos custos ambientais e aproveitamento limitado dos benefícios sociais do aumento da produção. Na Amacro é possível definir o modelo de desenvolvimento no início da nova realidade econômica e seu planejamento será mais satisfatório se incluir a conexão com o Pacífico.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/latinoamerica21/2021/05/as-pontes-do-acre-existem-e-unirao-a-regiao-mais-dinamica-do-brasil-ao-pacifico.shtml

    Questão

    1 O que o autor quer dizer quando afirma que o “futuro produtivo parece não estar mais concentrado no Atlântico”?

    2 O que são países indostânicos? Explique

    3 De que forma a pauta de exportação do Estado de Rondônia entre 2000 e 2020 caracteriza o avanço da fronteira agropecuária na região?

    4 A saída pelo pacífico vai agregar valor as nossas exportações no setor agropecuário? Justifique.

    5 Estabeleça diferenças entre a Amacro e a Matopiba!!

    ACRE. UMA BREVE HISTÓRIA

    NO AGRONEGÓCIO, PRESERVAÇÃO E PRODUÇÃO DEVEM ANDAR JUNTAS

    Prof Luciano Mannarino

  • Em meio à pandemia de Covid, EUA registram menor taxa de natalidade em mais de 40 anos

    Em meio à pandemia de Covid, EUA registram menor taxa de natalidade em mais de 40 anos

    Crises sanitária e econômica adiaram planos de ter filhos e afetaram vida sexual dos americanos

    5.mai.2021 às 11h45

    Lucas Alonso

    BAURU (SP)

    Os EUA registraram, em 2020, o menor número de nascimentos de bebês em mais de 40 anos, na medida em que a pandemia de coronavírus forçou famílias a adiarem ou cancelarem planos de terem filhos.

    A taxa de natalidade nos EUA já vinha em queda nos últimos seis anos, mas agora alcançou a menor marca desde 1979. Os cerca de 3,6 milhões de bebês americanos que nasceram no ano passado representam uma queda de 4% em relação ao ano anterior, de acordo com dados divulgados pelo Centro Nacional de Estatísticas de Saúde dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).

    O CDC não atribui a queda diretamente à pandemia, mas especialistas vêm alertando que as diversas crises provocadas ou maximizadas pela Covid-19 têm impacto direto sobre a fertilidade das mulheres e sobre os planos das famílias para longo prazo.

    Americana apresenta bebê à família por videoconferência devido às restrições para contenção do coronavírus em Los Angeles, na Califórnia – Brandon Bell – 26.nov.20/AFP

    Os altos índices de desemprego, o cenário de incerteza econômica, os efeitos do vírus sobre a saúde mental das famílias e até o fato de que há mais pessoas precisando dedicar atenção a familiares em recuperação são alguns dos fatores que podem estar relacionados à redução do número de nascimentos.

    Dados mais antigos mostram que os EUA viveram cenários parecidos em outros momentos de crise. Segundo estatísticas do Population Reference Bureau (PRB), uma organização sem fins lucrativos, a taxa de natalidade americana atingiu o mínimo histórico em 1936, sete anos após a quebra do mercado de ações em 1929, que mergulhou o país no período conhecido como Grande Depressão.

    À medida que a economia do país se recuperou, os EUA viveram uma explosão demográfica, o chamado “baby boom”, concentrada principalmente no período pós-Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

    A partir da década de 1960, no entanto, o índice médio de fertilidade começou a cair em decorrência de importantes mudanças sociais, como a ascensão dos movimentos feministas, o surgimentos de novos e mais eficazes métodos de contracepção e, em 1973, a legalização do aborto nos EUA.

    Em junho do ano passado, o Instituto Brookings, grupo de pesquisadores com sede na capital americana, publicou um relatório estimando que a crise de saúde pública causada pelo coronavírus e a consequente recessão econômica resultariam em uma queda de 300 mil a 500 mil nascimentos em 2021.

    Em dezembro, os pesquisadores revisaram a estimativa e a mantiveram em 300 mil nascimentos a menos neste ano, mas fizeram ressalvas a respeito de fatores cujo impacto na fertilidade ainda não havia sido mensurado de forma completa, como o fechamento de escolas e creches.

    ​Outro estudo, do Instituto Guttmacher, especializado em saúde reprodutiva, constatou que 34% das mulheres americanas adiaram seus planos de maternidade ou diminuíram a expectativa sobre a quantidade de filhos que desejavam ter devido à pandemia.

    Além da incerteza sobre o futuro, a queda na natalidade também pode estar relacionada a um movimento de queda na frequência e no interesse por sexo.

    Uma pesquisa realizada nos primeiros meses da pandemia nos EUA pelo Instituto Kinsey mostrou que 43,5% dos entrevistados relataram um declínio em sua vida sexual, enquanto 42,8% disseram não ter notado diferenças e 13,6% apontaram melhoras.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/05/em-meio-a-pandemia-de-covid-19-eua-registram-menor-taxa-de-natalidade-em-mais-de-40-anos.shtml

    Questões

    1 Explique o “baby boom” americano pós 2 Guerra Mundial.

    2 De que forma da Grande Depressão se manifestou nas taxas de natalidade americana?

    3 Quais são os motivos para a atual queda na taxa de natalidade americana?

    4 Explique a redução do índice médio de fertilidade a partir da década de 1960 nos EUA.

    Prof Luciano Mannarino

  • Encontro marcado!!!

    Encontro marcado!!!

    Encontro marcado

    – Tá nevando em São Joaquim!!! Acorda…

    – O quê?

    – Vi agora, tiraram uma foto e colocaram na internet. Neve!!! Vamos lá?

    – Que horas são?

    – 4:30!!!

    – Não vou a lugar nenhum e não leve minhas filhas….vai com Deus!!!

    Estadia em Urubici, julho e a sorte de ter uma forte massa polar sobre a serra catarinense. Deixa pra lá…eu vou, pensei comigo. Coloquei uma verdadeira armadura (luva, cachecol, gorro, etc.) – a temperatura estava abaixo de zero lá fora.

    Pegue o carro e parti em direção a São Joaquim, ninguém nas ruas, mas estava determinado. Assim que tomei a estrada fui acompanhado por um carro que surgiu não sei da onde, depois outro carro e mais outro. Agora eram quatro veículos.

    Dirigia devagar, pois a pista não tem iluminação e uma chuva fina caia. O meu farol alto iluminava o caminho a nossa frente. Ninguém ultrapassava  ninguém.

    Até que as gotas de água deram lugar a pequenos estalos em todo carro. Era granizo. Achei o estranho

    Logo o gelo desapareceu e pequenos grãos brancos se chocaram contra o para-brisa. E tudo a nossa frente estava tomado pelo branco. Parei o carro na estrada e sai e cada um dos motoristas também deixaram seus veículos e olhamos para o céu incrédulos.

    Até que alguém gritou

    – Neve, tá nevando…

    Um carioca, uma paulista, um casal de mineiros e um catarinense tinham pegado a estrada naquela madrugada para se abraçarem e brincarem como crianças por alguns momentos.

    Eu estava feliz ao lado de pessoas que nunca tinha visto em minha vida.

    Me pediram para ir com eles até Urupema(cidade mais fria do Brasil)

    Desejei boa viagem e voltei para o hotel.

    Muito frio!!!

    Adeus

    Luciano Mannarino.

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    Prof Luciano Mannarino.

  • Terremoto de magnitude 4,7 atinge cidades da região norte do Brasil

    Terremoto de magnitude 4,7 atinge cidades da região norte do Brasil

    Epicentro foi em Barcelos, no interior do Amazonas. Tremor foi sentido por moradores de Manaus

    Cristina Camargo

    SÃO PAULO

    Um terremoto de magnitude 4,7 foi registrado no início da madrugada desta quarta-feira (28) com epicentro em Barcelos, no interior do Amazonas, na divisa com Roraima. O tremor foi sentido também em Manaus, a 400 km de distância do epicentro. Barcelos, com 27 mil habitantes, fica às margens do rio Negro.

    “Aqui balançou bastante o lustre e meus cachorros começaram a latir um pouco antes”, relata a advogada e professora Alichelly Ventura, moradora do bairro Ponta Negra, na zona oeste de Manaus, perto da orla do rio Negro.

    Foi o segundo tremor sentido pela advogada este ano. No dia 31 de janeiro, moradores de Manaus notaram o reflexo de um terremoto de magnitude 5,7 na Guiana.

    Em janeiro, Alichelly sentiu a cama tremer e saiu do prédio em que mora junto com os vizinhos. Em outros bairros de Manaus os moradores fizeram a mesma coisa, com medo das consequências do terremoto.

    Nesta quarta-feira a situação foi menos assustadora. Segundo o USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos), o terremoto teve uma profundidade de dez quilômetros e foi um tremor com potencial para causar poucos danos perto do epicentro.

    Imagem do Serviço Geológico dos Estados Unidos mostra o epicentro do terremoto
    Imagem do Serviço Geológico dos Estados Unidos mostra o epicentro do terremoto – Reprodução

    Apesar do susto de moradores de Barcelos e de alguns bairros de Manaus, não há, até o momento, relatos de estragos ou de pessoas feridas.

    “É como se a gente estivesse tonta”, descreve a advogada moradora do bairro Ponta Negra. “Tenho medo porque moro em prédio e isso pode abalar as estruturas, dependendo da magnitude”.

    Em setembro de 2020, um terremoto de magnitude 6,9 foi registrado no oceano Atlântico, perto de Fernando de Noronha, no estado de Pernambuco. O epicentro foi localizado a cerca de 282 km a leste do arquipélago São Pedro e São Paulo, a 816 km a nordeste de Fernando de Noronha e também próximo a Natal (RN), Recife (PE) e Fortaleza (CE).

    Em agosto do mesmo ano, tremores de terra causaram pequenas avarias em imóveis e assustaram moradores em cidades do Recôncavo Baiano, Baixo-sul da Bahia e até em alguns bairros de Salvador.

    “Foi um susto para todo mundo. Aqui na cidade, registramos três tremores em sequência”, afirmou, na ocasião, o prefeito de Amargosa, Júlio Pinheiro (PT). Apesar do susto, não houve registro de feridos nem de danos físicos de maior proporção na cidade.

    https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/04/terremoto-de-magnitude-47-atinge-cidades-da-regiao-norte-do-brasil.shtml

    Questões

    De que forma o USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos) conseguiu monitorar esse evento sísmico no Brasil?

    O que representam as linhas vermelhas na figura usada na reportagem?

    Imagem do Serviço Geológico dos Estados Unidos mostra o epicentro do terremoto

    Por que o território brasileiro não apresenta abalos sísmicos de grandes intensidades?

    O que é epicentro de um terremoto?

    Terremotos!

    Namazu e os terremotos. (Atividade)

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    Prof Luciano Mannarino.

  • O que é o Censo? Entenda como a não realização dele afeta a nossa vida.

    O que é o Censo? Entenda como a não realização dele afeta a nossa vida.

    Giacomo Vicenzo Colaboração para Ecoa, em São Paulo (SP) 26/04/2021 15h07

    Você já ouviu falar do Censo Demográfico?

    Talvez já tenha recebido os recenseadores do IBGE, responsáveis pela pesquisa, em sua casa, ou já os notou circulando pelas vias da cidade nos anos em que o levantamento é feito. A pesquisa estava prevista para ser realizada este ano, mas na sexta (23) o governo anunciou que o orçamento de 2021 não terá recursos para realização. O IBGE já sinalizava o que estava por vir ainda em março, quando divulgou uma nota em que apontava que o corte previsto no projeto do orçamento iria impossibilitar que o Censo 2021 fosse realizado. O estudo já estava atrasado, pois geralmente é feito nos países de 10 em 10 anos e o último feito no Brasil, foi em 2010. Mas o que é o Censo Demográfico e como esse estudo afeta a nossa vida? Ecoa conversou com especialistas, um ex-ministro e profissionais que lidam com esses dados em diversas esferas para entender os impactos de sua não realização e explicar como funciona esse levantamento.

    O que é o Censo?

    O Censo Demográfico realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é um levantamento estatístico que traz diversos dados populacionais, como por exemplo, socioeconômicos, de modo de vida de uma população e étnicos. Se hoje você sabe quantas pessoas moram em sua cidade e outros dados a respeito da população do país ou do entorno onde mora, pode ter certeza que o Censo foi um dos responsáveis diretos ou indiretos por esses estudos. “Censo é a contagem da população. Parece simples, mas é basicamente contar cada mestre pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e que atuou como pesquisador do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) por sete anos. “Alguns dados podem ser estimados, como o total da população, a partir de taxas de natalidade e mortalidade. Outros não. O censo de 2010 tinha um gabarito com mais de 100 perguntas, onde eram medidas as coisas mais diversas, desde a quantidade de eletrodomésticos de uma casa até a escolaridade dos moradores”, explica Moraes.

    Quando foi o primeiro Censo?

    À primeira vista a ideia de levantamento demográfico nos parece algo relativamente novo e uma ferramenta das sociedades modernas, mas a verdade é que se chegamos até aqui com o número de informações e conhecimentos populacionais que detemos, é porque esse tipo de estudo já era feito no passado e foi sendo modernizado e adequado ao longo do tempo. A primeira concepção de Censo Demográfico surgiu há muitos anos atrás, como explica Paulo de Martino Jannuzzi, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) do IBGE a Ecoa: “O Censo Demográfico é o principal levantamento estatístico de qualquer país. Sua existência tem mais de 2 mil anos, pois contar o total populacional é algo que data em registros dos tempos bíblicos e sempre foi importante para que se tenha um dimensionamento da população [na época] para o exército e para fins fiscais”, explica Jannuzzi.

    O professor lembra que naturalmente os censos vão se sofisticando ao longo do tempo e ficando cada vez mais importantes. “Na Revolução Francesa e na Revolução Americana se tem a menção específica sobre censos como um instrumento para poder definir a representação [política] de cada região”, explica. Ao longo do tempo, o estudo passou a ter muitas outras funções, além da simples contagem populacional e hoje são um instrumento fundamental para retratar as sociedades ao longo de suas histórias. “Essa já é uma realidade desde o final do século 19, quando os questionários do censo começaram a levantar uma série de informações importantíssimas para o reconhecimento da identidade nacional”, ressalta Jannuzzi. O primeiro Censo Demográfico brasileiro foi em 1872 e o estudo ocorreu, de certa forma, com 20 anos de atraso, pois uma parcela da sociedade se opunha à realização do levantamento.

    Esse foi o primeiro e último da época do Império e era para ter sido feito em 1852, mas os latifundiários foram resistentes à realização do censo, pois, obviamente, a pesquisa iria mapear a quantidade de escravos e, portanto, identificaria as bases tributárias para reincidir impostos para o financiamento do Império”, explica Jannuzzi O professor ainda lembra que o Censo de 1872 já trazia informações sobre religião, ocupação, raça [como era entendida nesta época – alforriado, escravo e branco] e deficiência. “De lá para cá, as coisas se sofisticaram e a partir de 1960 com a introdução da técnica de amostragem, se tem a possibilidade de se detalhar ainda mais”, explica.

    Qual a importância do Censo atualmente?

    Nelson Teich -                                 REPRODUÇÃO/MINISTÉRIO DA SAÚDE                              -                                 REPRODUÇÃO/MINISTÉRIO DA SAÚDE
    Teich ficou no cargo de ministro da Saúde por menos de um mês Imagem: REPRODUÇÃO/MINISTÉRIO DA SAÚDE

    Já entendemos como o Censo funciona, uma coleta de dados e informações que são capazes de retratar uma sociedade e mostrar suas mais diversas nuances. No Brasil, com 28% dos domicílios sem acesso à internet, o estudo passa longe das possibilidades de ser feito de forma online e usa a visita dos recenseadores para coletar dados dos mais diversos e tem o objetivo de mapear por igual o país.

    Mas qual a importância de se fazer esse levantamento ainda hoje?

    Moraes explica que ele é um norte fundamental ao Estado brasileiro na hora de criar políticas públicas. “O Fundo de Participação dos Municípios utiliza os dados do Censo para calcular quanto cada município tem a receber”, comenta. “Pensando em um exemplo atual, quando o Ministério da Saúde calcula qual o público-alvo de uma campanha de vacinação, utiliza-se os dados do Censo. Se sabemos que na cidade ‘X’ tem uma quantidade ‘Y’ de pessoas com mais de 60 anos, é porque houve um Censo que contou aquela população”, completa Nelson Teich, ex-Ministro da Saúde e médico oncologista explica, em entrevista a Ecoa, que os dados do Censo são como ter um diagnóstico do que está acontecendo com o país. “Sem esses dados, não se consegue dimensionar e nem diagnosticar os problemas para que se aloque as verbas de forma eficaz e se crie políticas públicas.

    É preciso lembrar que todos os recursos são finitos”, comenta Teich. Ainda que existam outros estudos, a importância do Censo é primordial no sentido de apresentar justamente diferenças entre regiões e populações. “Não se pode trabalhar um país na média, é preciso conhecer as características da Nelson Teich, ex-Ministro da Saúde e médico oncologista explica, em entrevista a Ecoa, que os dados do Censo são como ter um diagnóstico do que está acontecendo com o país. “Sem esses dados, não se consegue dimensionar e nem diagnosticar os problemas para que se aloque as verbas de forma eficaz e se crie políticas públicas. É preciso lembrar que todos os recursos são finitos”, comenta Teich.

    Ainda que existam outros estudos, a importância do Censo é primordial no sentido de apresentar justamente diferenças entre regiões e populações. “Não se pode trabalhar um país na média, é preciso conhecer as características das pessoas e os lugares. Até mesmo em países pequenos se encontra situações muito heterogêneas”, defende o ex-ministro de Saúde “Quando se tem a informação detalhada, se obriga que o gestor trabalhe, pois se tem o diagnóstico exato do que é preciso fazer”, completa.

    Como seria um Brasil sem Censo para sempre?

    Toda política pública é criada baseada nas necessidades da população, mas para conhecer essas necessidades é preciso ter dados às mãos. O ex-ministro da saúde Teich afirma que a pandemia de covid-19 mostrou que essa incapacidade de gerar informações levou a uma necessidade de se criar ações baseadas em intuições e não em diagnósticos reais dos problemas. “Sem dados se criam políticas públicas com base na impressão, não se sabe se está criando algo efetivo”, diz. “É como chegar a um lugar em que há muito câncer de pulmão e descobrir que quem usa isqueiro têm mais câncer. É claro que não é isqueiro, é cigarro. Mas sem essa informação, corre-se o risco de fazer uma campanha de política pública contra o isqueiro”, comenta Teich

    Mais do que navegar às cegas e encarcerar os vendedores de isqueiros em um Brasil hipotético, sem esses dados, o país não teria conseguido focalizar políticas públicas de segurança alimentar de forma bem orientada, que garantiram a saída do Mapa da Fome. “Ter mapeado a população em extrema pobreza nos Censos de 2000 e de 2010, trouxe a garantia de uma boa focalização em programas como o Bolsa Família, que fez com que as ações de segurança alimentar e assistência social se dirigissem aos bolsões de extrema pobreza na zona rural e nas periferias urbanas com um nível de qualidade técnica e precisão muito bom, que fez com que o Cadastro Único pudesse refletir esse mapeamento e auxiliasse na saída do Mapa da Fome”, comenta Jannuzzi. Adiado para 2022, a possível aceitação do estudo por uma parcela da sociedade preocupa o pesquisador. “O discurso contra o Censo é um sentimento que pode pegar em determinados segmentos, que podem não querer participar da pesquisa.

    Da mesma forma que se pregou a contra a vacina, talvez ano que vem tenhamos um movimento muito ruim em relação a isso”, avalia. “O Censo é uma realização técnica, mas que tem motivação política. O estudo traz um reconhecimento da identidade nacional. O fato de não se priorizar o estudo mostra que estamos em um momento muito diferente de outros da história do Brasil”, completa Jannuzzi.

    https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2021/04/26/o-que-e-o-censo-entenda-como-a-nao-realizacao-dele-afeta-a-nossa-vida.htm