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  • Israel vai dobrar número de habitantes nas colinas de Golã, anuncia governo

    Israel vai dobrar número de habitantes nas colinas de Golã, anuncia governo

    ORIENTE MÉDIO

    Medida deve apertar controle de Tel Aviv sobre território na fronteira com a Síria anexado após a Guerra dos Seis Dias

    26.dez.2021 às 17h06

    JERUSALÉM | REUTERS

    O governo de Israel aprovou neste domingo (26) um plano para dobrar em cinco anos o número de habitantes judeus nas colinas de Golã, território na fronteira com a Síria que Tel Aviv capturou e anexou após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, manobra que não conta com reconhecimento da comunidade internacional.

    O premiê Naftali Bennett, ao comentar a medida, citou o apoio ao reconhecimento da soberania israelense sobre a região dado pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e celebrou o fato do atual chefe da Casa Branca, Joe Biden, não ter revertido a decisão.

    Tanques de Israel nas colinas de Golã, território anexado por Tel Aviv após a Guerra dos Seis Dias – Jalaa Marey – 7.dez.21/AFP

    Cerca de 25 mil colonos israelenses vivem nas colinas de Golã ao lado de outros 23 mil drusos, uma minoria árabe que permaneceu nas terras após elas serem tomadas por Israel. O plano aprovado neste domingo prevê a construção de 7.300 novas casas em Katzrin, principal assentamento judeu, em um período máximo de cinco anos.

    Em fevereiro, pouco após Biden tomar posse da Presidência, o secretário de Estado, Antony Blinken, disse à rede americana CNN que o controle sobre a região continua sendo de vital importância para a segurança de Israel devido à presença de grupos e milícias apoiados pelo Irã na Síria, governada pelo ditador Bashar al-Assad. “Caso a situação mude, podemos olhar para as questões jurídicas, mas não estamos nem perto disso”, acrescentou.

    De acordo com o jornal The Jerusalem Post, o plano irá custar 1 bilhão de NIS (R$ 1,8 bilhão) para os cofres públicos. Dois novos bairros serão construídos em Katzrin, bem como duas novas cidades, que serão chamadas de Asif e Matar, além de sistemas de transporte e de saúde.PUBLICIDADE

    O assentamento israelense nas colinas de Golã tem escala muito menor do que na Cisjordânia ocupada ou em Jerusalém Oriental, áreas também capturadas na Guerra de Seis Dias e reivindicadas pelos palestinos.

    Israel insiste na ocupação do território ao afirmar que a cordilheira é essencial para a segurança do país, especialmente devido à guerra civil na Síria e ao aumento da pressão militar do Irã contra Tel Aviv.

    “Após cerca de dez anos da terrível guerra na Síria, toda pessoa bem informada entende que é preferível ter a presença israelense do que a outra alternativa”, disse o premiê Bennett após o anúncio.

    Colinas de Golã

    Fumaça escura sobe de vilarejo sírio afetado pela guerra civil próximo às colinas de Golã
    Fumaça escura sobe de vilarejo sírio afetado pela guerra civil próximo às colinas de Golã Daniel Avelar/Folhapress

    Iniciada em março de 2011, a guerra civil na Síria já deixou mais de 400 mil mortos e 6,6 milhões de refugiados. O conflito fragmentou o país, abriu espaço para o fortalecimento de facções extremistas e aprofundou a instabilidade no Oriente Médio.

    Quando as colinas de Golã foram ocupadas, em 1967, mais de 130 mil sírios fugiram da região. Desde então, nunca puderam retornar, e cerca de 340 vilarejos e fazendas que existiam no local foram destruídos.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/12/israel-vai-dobrar-numero-de-habitantes-nas-colinas-de-gola-anuncia-governo.shtmle

    Oriente Médio

    Rio Jordão, Colinas de Golã, Israel e a Síria. (Atividade)

  • O que são mudanças climáticas e outras 14 perguntas para entender o fenômeno

    O que são mudanças climáticas e outras 14 perguntas para entender o fenômeno

    1. O que são as mudanças climáticas?

    O termo mudança climática é mais amplo do que aquecimento global, que se refere apenas ao aumento da temperatura.

    O que se chama de mudanças climáticas inclui temperatura, intensidade das chuvas e eventos climáticos extremos, como furacões e ondas de calor.

    O clima do planeta muda constantemente ao longo do tempo. A temperatura média global atualmente é de 15ºC, e evidências geológicas indicam que ela já foi bem mais alta e bem mais baixa no passado.

    No entanto, o período atual de aquecimento está ocorrendo mais rápido do que no passado. Cientistas temem que as flutuações naturais no clima têm sido superadas por um aquecimento rápido induzido pelo homem com sérias implicações para a estabilidade climática do planeta.

    Não há mais dúvida de que essas mudanças são devidas em grande parte à atividade humana, especificamente à emissão na atmosfera de grandes quantidades de gases do efeito estufa, como CO² e metano.

    Cidade sob o sol
    2018 foi o quarto ano mais quente desde que os registros de temperatura começaram, em 1850

    2. O que é o efeito estufa?

    Esse fenômeno se refere à maneira com que a atmosfera da Terra retém parte da energia do sol. A energia solar que reflete na superfície terrestre em direção ao espaço é absorvida pelos gases do efeito estufa e reemitida em todas as direções.

    Ela passa então a aquecer tanto zonas mais baixas da atmosfera quanto a superfície terrestre. Sem esse efeito, a Terra seria quase 30ºC mais fria, tornando o planeta hostil à vida.

    Cientistas afirmam que o homem está acrescentando ao efeito estufa natural gases resultantes da indústria e da agricultura (chamados também de emissões), levando a uma retenção maior da energia solar e aumentando a temperatura do planeta. Isso é o que costuma se chamar hoje de aquecimento global.

    O mais importante dos gases do efeito estufa, em termos de impacto no aquecimento, é o vapor d’água, mas suas concentrações apresentam mudanças pequenas que persistem na atmosfera apenas por alguns dias.

    O gás carbônico (CO₂), no entanto, persiste por muito mais tempo (levaria séculos para retornarmos aos níveis pré-industriais). Além disso, apenas uma parte do CO₂ pode ser absorvido por reservatórios naturais como os oceanos.

    A maioria das emissões humanas de gás carbônico são oriundas da queima de combustíveis fósseis. Quando florestas capazes de absorver CO₂ são derrubadas por madeireiras ou queimadas para serem transformadas em pasto, o carbono aprisionado ali também volta à atmosfera, contribuindo para o aquecimento global.

    Outros gases do efeito estufa, como o metano, também são emitidos em atividades humanas, mas a concentração deles é pequena em comparação à do dióxido de carbono.

    Desde o início da revolução industrial, em torno de 1750, os níveis de CO₂ aumentaram mais de 30% e os de metano, mais de 140%. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera é hoje a mais alta em 800 mil anos, pelo menos.

    Urso polar nada no oceano
    As geleiras do Ártico diminuíram nos últimos anos

    3. Quais são as evidências do aquecimento global?

    Registros de temperaturas desde o século 19 mostram que a temperatura média da superfície da Terra cresceu 0,8ºC nos últimos cem anos. Quase 0,6ºC desse total ocorreu nas últimas três décadas.

    Os 20 anos mais quentes já registrados ocorreram nos últimos 22 anos, liderados pelo período entre 2015 e 2018.

    Ao redor do planeta, o nível médio do mar cresceu 3,6 mm por ano entre 2005 e 2015. A maior parte dessa mudança ocorre em razão da expansão térmica da água do mar. Com o aumento da temperatura dela, as moléculas se tornam menos densas, levando ao aumento do volume do oceano.

    Pessoas em meio a enchente em Moçambique
    Ciclones que atingiram a África nos últimos dois meses deixaram centenas de mortos

    Mas a redução da massa de gelo nos polos tem sido considerada o principal fator nessa tendência. A maioria das geleiras em regiões temperadas do mundo e ao longo da península da Antártida está diminuindo.

    Desde 1979, imagens de satélite mostram um declínio dramático na extensão de gelo no Ártico, a uma velocidade de 4% por década. Em 2012, essa faixa atingiu seu patamar mais baixo, que é 50% menor que a média entre 1979 e 2000.

    A camada de gelo na Groenlândia tem passado por um derretimento recorde nos últimos anos. Se todo esse gelo derreter, elevaria os níveis do mar em 6 metros.

    Dados de satélite mostram que a camada de gelo oeste da Antártida também está perdendo massa, e um estudo recente indicou que o lado leste da região, que não tem apresentado qualquer tendência de aquecimento ou resfriamento, pode ter começado a perder massa nos últimos anos.

    Mas cientistas não esperam mudanças drásticas. Em alguns lugares, a massa pode inclusive crescer, já que o aumento da temperatura pode levar à produção de mais neve.

    Os efeitos das mudanças climáticas também podem ser vistos na vegetação e nos pastos. Eles incluem mudanças nos ciclos de vida das plantas, como uma floração antecipada, e alterações nos territórios ocupados por animais.

    4. Quanto as temperaturas vão subir no futuro?

    Em uma ampla análise científica de 2013, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) previu uma série de cenários baseados na modelagem computacional. A maioria das simulações indica que a temperatura na superfície terrestre deve subir 1,5ºC até o fim do século 21, em relação a 1850.

    A Organização Meteorológica Mundial afirma que, caso a atual tendência de aquecimento se mantenha, as temperaturas podem subir de 3ºC a 5ºC até o fim do século.

    Um patamar de 2ºC tem sido considerado, há muito tempo, como a porta de entrada para um cenário mais perigoso. Recentemente, cientistas e formuladores de políticas públicas reviram a cifra e afirmaram que o aumento da temperatura não deveria passar de 1,5ºC.

    Média de aquecimento global projetada para 2100

    Ainda assim, um relatório do IPCC publicado em 2018 mostra que mesmo a meta de 1,5ºC exigiria “mudanças rápidas, amplas e sem precedentes em todos os aspectos da sociedade”.

    Mesmo com a redução drástica das emissões de gases que agravam o efeito estufa, cientistas afirmam que levaria décadas para retirá-los da atmosfera e por isso o impacto no clima continuaria por anos sobre grandes volumes de água e gelo.

    5. Como a mudança do clima vai nos afetar?

    Há vários graus de incerteza sobre o tamanho do impacto do aquecimento global. Mas as mudanças decorrentes dele podem levar à escassez de água doce, a uma transformação radical da capacidade global de produzir alimentos, além do aumento de mortes por inundações, tempestades, ondas de calor e seca.

    Isso ocorreria porque estima-se que as mudanças climáticas devem aumentar a frequência de eventos climáticos extremos, ainda que seja muito difícil associar qualquer evento isolado ao aquecimento do planeta como um todo.

    Cientistas preveem mais chuvas em geral, mas apontam um risco maior de seca em regiões afastadas do litoral. Tempestades e aumento do nível do mar devem levar também a mais inundações. Haveria, no entanto, alta variação desses fenômenos ao longo das regiões.

    Países mais pobres, que são menos preparados e equipados para lidar com mudanças bruscas, podem sofrer mais com as transformações.

    Há previsões também de extinção de animais e plantas incapazes de se adaptar à mudança rápida do habitat, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a saúde de milhões de pessoas pode ser ameaçada pelo avanço da malária, de doenças transmitidas pela água e da desnutrição.

    Com o aumento do CO₂ emitido na atmosfera, há um avanço da captura desse gás pelos oceanos, o que torna a água mais ácida. Esse processo contínuo pode representar grandes problemas para os recifes de coral do mundo, pois as mudanças na química impedem que os corais formem um esqueleto calcificado, essencial para sua sobrevivência.

    Modelos gerados por computador são usados nos estudos das dinâmicas do clima terrestre e levam a projeções sobre mudanças de temperatura.

    Esses cenários variam em torno da “sensibilidade climática”, a exemplo do peso de cada elemento (como o CO₂) no aquecimento ou no resfriamento. E mostram diferenças no modo com que esses “feedbacks climáticos” podem ocorrer.

    O aquecimento global causará algumas mudanças que provavelmente levarão a mais aquecimento, como a liberação de grandes quantidades de metano dos gases de efeito estufa à medida que derrete o permafrost (solo permanentemente congelado encontrado principalmente no Ártico). Isso é conhecido como feedback positivo sobre o clima.

    Mas feedbacks negativos podem compensar o aquecimento. Vários “reservatórios” na Terra absorvem CO₂ como parte do ciclo do carbono – o processo pelo qual o carbono é trocado entre, por exemplo, os oceanos e a terra.

    A questão é: como eles vão se equilibrar?

    6. Que países são os maiores emissores de gases do efeito estufa?

    Os países que emitem mais gases de efeito estufa são, de longe, a China e os EUA. Juntos, eles são responsáveis por mais de 40% do total global de emissões, de acordo com dados de 2017 do Centro Comum de Pesquisa da Comissão Europeia e da Agência Holandesa de Avaliação Ambiental (PBL).

    A política ambiental dos EUA mudou sob o governo de Donald Trump, que adotou uma agenda pró-combustíveis fósseis.

    Os maiores emissores de gases de efeito estufa

    Depois de tomar posse, o presidente americano anunciou a retirada do país do Acordo de Paris, referente à mitigação das mudanças climáticas.

    Na ocasião, Trump disse que queria negociar um novo acordo “justo” que não prejudicasse as empresas e trabalhadores americanos.

    7. Quais são as maiores companhias poluidoras do mundo?

    Um estudo do instituto de pesquisas Climate Accountability Institute, com sede nos Estados Unidos, diz que um grupo de 20 empresas é responsável por mais de um terço das emissões de gases causadores do efeito estufa em todo o mundo desde 1965. A estatal brasileira Petrobras aparece na lista, na 20ª posição.

    Segundo a análise, as 20 empresas produtoras de petróleo, gás natural e carvão foram responsáveis por 480,16 bilhões de toneladas de dióxido de carbono e metano liberados na atmosfera nesse período.

    O montante representa 35% das emissões totais de combustíveis fósseis e cimento, que foram de 1,35 trilhão de toneladas.

    Esse cálculo é baseado na produção anual de petróleo, gás natural e carvão relatada pelas empresas, e leva em conta as emissões desde a extração até o uso final do combustível.

    A Petrobras disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que tem buscado aplicar em suas operações “tecnologias que têm como consequência direta a redução da intensidade de carbono, com resultados significativos já alcançados”.

    Segundo comunicado da empresa, “desde 2008, já foram reinjetadas 9,8 milhões de toneladas de CO2 dos campos de pré-sal na Bacia de Santos”, e até 2025, “a companhia projeta reinjetar cerca de 40 milhões de toneladas de CO₂”.

    No processo de reinjeção, o CO₂ é separado do petróleo e do gás extraído do poço e reinjetado de volta, aumentando também a pressão interna — o que acaba por induzir uma produção maior.

    8. Qual é o impacto econômico das mudanças climáticas?

    No último século, as mudanças climáticas aumentaram a desigualdade entre as nações, puxando para baixo o crescimento econômico dos países mais pobres e aumentando a prosperidade de alguns dos países mais ricos do planeta, aponta um estudo da Universidade Stanford, na Califórnia.

    Segundo pesquisadores, o Brasil teria tido um crescimento 25% maior se não fossem os efeitos do aquecimento global.

    “Os dados históricos mostram claramente que as plantações são mais produtivas, e as pessoas são mais saudáveis e mais produtivas no trabalho quando as temperaturas não são nem tão quentes nem tão frias”, explica um dos autores da pesquisa, Marshal Burke, do Earth System Science, de Stanford.

    Indianos usando computador
    O aquecimento global prejudicou economias como a da Índia e de vários países da África, diz o estudo

    De acordo com a pesquisa, entre 1961 e 2010, todos os 18 países com emissões históricas que totalizam menos de 10 toneladas de dióxido de carbono per capita foram impactados negativamente pelo aquecimento global. Eles tiveram, em média, uma redução de 27% no PIB per capita comparado a um cenário sem alta nas temperaturas.

    Por outro lado, 14 dos 19 países cujas emissões ultrapassam 300 toneladas de dióxido de carbono per capita se beneficiaram do aquecimento global, tendo um crescimento médio adicional de 13% no PIB.

    9. O aquecimento global causa eventos climáticos extremos?

    Fenômenos climáticos se intensificaram em relação à média dos anos anteriores.

    As ondas de calor que atingiram a Europa em 2018 foram duas vezes mais prováveis ​​devido ao aquecimento global, de acordo com o consórcio World Weather Attribution (WWA).

    O aumento da temperatura na atmosfera e nos oceanos também está tornando furacões e tempestades mais intensos.

    “Podemos ver os traços das mudanças climáticas em todos os eventos extremos”, diz o cientista holandês Geert Jan van Oldenborgh, membro da WWA.

    É muito difícil provar que um evento específico foi “causado” pelas mudanças climáticas.

    Mas para o professor Michael Mann, da Universidade Estadual da Pensilvânia, perguntar se a mudança climática “causa” um evento específico é fazer a pergunta errada.

    “A questão relevante é a seguinte: as mudanças climáticas afetam esses eventos e os tornam mais extremos? E podemos dizer com bastante confiança que a resposta é positiva”.

    10. Quais são os impactos dessas mudanças nos oceanos?

    Os oceanos absorvem quase um terço das emissões de CO₂.

    Mas esse processo tem trazido um grande efeito indesejado – a diminuição do pH da água, tornando-a mais ácida.

    A chamada acidificação das águas oceânicas abala a fixação do carbonato de cálcio em conchas, ouriços do mar, ostras e outras espécies, causando o declínio de grupos sensíveis (a exemplo das estrelas do mar) e colocando em risco ecossistemas marinhos, como os recifes de coral. Estes são vitais à pesca por funcionarem como “berços” para peixes.

    Desse modo, o risco à descalcificação coloca toda a cadeia alimentar em perigo.

    11. As ondas de frio contradizem os indícios de aquecimento global?

    O clima é um panorama mais prolongado e completo dos padrões de tempo. Ele se refere às condições que prevalecem em uma região ou em toda a Terra, e pode ser estudado com uma análise das tendências históricas.

    Quando falam em clima, os cientistas estão se referindo à situação do planeta todo, ao longo do tempo. Ou seja, mesmo que esteja fazendo mais frio que a média em uma região específica, o mundo como um todo está, na média, mais quente – é isso que apontam centenas de estudos feitos por cientistas no mundo todo ao longo de décadas.

    Esse aquecimento da temperatura média da Terra – que cientistas creditam aos gases de efeitos estufa produzidos por ação humana – provoca eventos climáticos extremos, desde inundações na África até seca no Brasil, passando por invernos muito mais rigorosos na América do Norte.

    Gelo do mar Ártico diminuiu

    Em sua página na internet voltada para crianças, a Agência Espacial Americana (Nasa) explica que devemos esperar tempos frios mesmo que as temperaturas do planeta estejam aumentando de forma geral.

    “O caminho até um mundo mais quente terá muitos episódios de tempos extremamente quentes e extremamente frios”, diz o site da agência.

    Isso porque as mudanças climáticas incluem alterações na forma como correntes marítimas, correntes de vento e outros fenômenos meteorológicos funcionam ao redor do mundo, gerando eventos meteorológicos extremos – tanto de frio quanto de calor.

    12. O que é pegada de carbono?

    Trata-se da quantidade de carbono emitida por um indivíduo ou uma organização por um período determinado, ou emitida durante o processo de fabricação de um produto.

    Recentemente, a jovem ativista sueca Greta Thunberg realizou um giro pela Europa de trem para levar sua mensagem sobre a urgência de se enfrentar o que descreveu como a “crise existencial” das mudanças climáticas.

    Thunberg se recusou a viajar de avião sob o argumento de que queria reduzir sua pegada de carbono. Estima-se que, em uma viagem de trem, uma pessoa gera 15g de CO₂ por km. De avião, são 100g por km.

    13. E neutralidade de carbono?

    É um processo no qual as emissões de CO₂ são equivalentes a zero.

    A Costa Rica anunciou recentemente seus planos de atingir o “carbono zero” até 2050. Isso não significa, no entanto, que o país não emitirá gases do efeito estufa.

    Quando se fala de emissões líquidas equivalentes a zero, isso significa que o CO₂ lançado na atmosfera deve ser compensado pela absorção do carbono por outros métodos, com o plantio de florestas.

    14. A tecnologia pode ser usada para reverter ou frear esse processo?

    A geoengenharia é a área da tecnologia que poderia ser usada para deter ou mesmo reverter o aquecimento global. Entre os mecanismos estão, por exemplo, a captura do CO₂ da atmosfera e seu armazenamento de forma subterrânea.

    Há também tentativas como o lançamento de para-sóis para refletir a luz solar ou mesmo espelhos gigantes com o mesmo fim.

    Alguns cientistas alertam, no entanto, que estes itens são tecnologias de eficácia pouco comprovada.

    Outros afirmam que a geoengenharia será necessária ante a falta de medidas drásticas para reduzir as emissões de CO₂.

    15. Há um ponto em que a situação não terá mais volta?

    Os chamados mecanismos de retroalimentação podem ser positivos (aumentam o ritmo do aquecimento) ou negativos (desacelerando o processo).

    Um dos exemplos mais fortes de retroalimentação positiva é a chamada “Amplificação Ártica”, que explica por que as temperaturas têm, em média, aumentado mais no Ártico do que no resto do planeta.

    O gelo reflete a luz do sol, mas ao derreter surge o oceano escuro, que absorve essa radiação, esquenta e faz com que mais gelo derreta.

    Tendo em vista esses mecanismos de retroalimentação, há o que se chama de “ponto sem retorno”, ou seja, as mudanças climáticas ultrapassam o nível limítrofe em que será muito mais difícil detê-las ou revertê-las.

    Em outras palavras, o processo se agravaria por sua própria dinâmica interna, independente das ações que possam ser tomadas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa.

    Línea

    https://www.bbc.com/portuguese/geral-50019998

    Prof Luciano Mannarino

  • Lua Cheia!!!

    Lua Cheia!!!

    Cada partícula do nosso corpo tem a idade do Universo (cerca de 15 Bilhões de anos). Somos constituídos por material celeste que usamos por um breve período até o fatídico dia em que devolvemos para a natureza. Esse material poderá ser usado por outros seres vivos. Há no seu corpo partículas já fizeram parte de outros organismos.

    Lembro do dia em que enterrei meu cachorro próximo a raiz de um pé de abacate no meu quintal. Alguns anos depois fiz saborosas vitaminas com a fruta que colhi. Talvez isso explique por que eu fico circunspecto diante de uma lua cheia.

    Nada se perde. Nada se cria. Tudo se transforma.

    Prof Luciano Mannarino

    Pensamentos

  • Energia nuclear pode ser aliada contra a mudança climática?

    Energia nuclear pode ser aliada contra a mudança climática?

    Opção gera poucos gases de efeito estufa, muito menos que o carvão, o gás ou a energia solar

    18.out.2021 às 6h00

    Julien MiviellePARIS | AFP

    É a pergunta que não quer calar: A energia nuclear, que não emite gases de efeito estufa, pode salvar o clima ou ao menos ajudar enquanto as energias renováveis são desenvolvidas? Especialistas e países parecem divididos sobre o assunto.

    “Tudo o que permite reduzir as emissões é uma boa notícia”, respondeu o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, ao ser questionado pela AFP sobre o papel da energia nuclear e das renováveis.

    “Todas as fontes de eletricidade limpa me satisfazem”, acrescentou.

    Uma das principais vantagens da energia nuclear, que representa em torno de 10% da produção mundial de eletricidade, é que não emite diretamente dióxido de carbono (CO2).

    Usina nuclear francesa em Civaux – Stephane Mahe – 8.out.2021/Reuters

    Mesmo quando se analisa o conjunto de seu ciclo de vida, considerando as emissões vinculadas à extração de urânio ou ao concreto das usinas, gera poucos gases de efeito estufa, muito menos que o carvão, o gás ou a energia solar.

    A energia nuclear avança “na maioria” dos cenários dos especialistas climáticos da ONU (IPCC) para limitar o aquecimento do planeta a 1,5ºC, em comparação com o final do século 19.

    Esta fonte parece estar destinada a desempenhar um papel-chave, especialmente quando o mundo precisar de mais eletricidade para substituir as energias fósseis, como no transporte rodoviário.

    Sendo assim, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aumentou suas projeções pela primeira vez desde a catástrofe de Fukushima em 2011 e prevê agora que a potência instalada será duplicada até 2050, no cenário mais favorável.

    A China lidera os países com mais reatores novos. “Muitos estão considerando introduzir a energia nuclear para apoiar a produção de energia confiável e limpa”, acrescenta o órgão com sede em Viena.

    Seu diretor-geral, o argentino Rafael Grossi, vê um sinal de que o mundo está cada vez mais consciente de que essa energia “é absolutamente vital para alcançarmos” a neutralidade do carbono em meados do século.

    Este objetivo será central na próxima grande cúpula sobre o clima, a COP26, programada para novembro no Reino Unido.

    Por outro lado, os cientistas do IPCC reconhecem também que a “futura implantação da [energia] nuclear pode ser limitada pelas preferências da sociedade”.

    Em alguns países, essa energia ainda possui uma imagem ruim por causa do risco de catástrofes ou do antigo problema dos resíduos, que continua sem solução.

    Na União Europeia (UE), por exemplo, a divisão é nítida e esquenta os debates sobre se o setor nuclear deve ser considerado uma atividade benéfica para o clima e o meio ambiente.

    A Alemanha decidiu abandonar essa fonte de energia progressivamente após a catástrofe de Fukushima, mas outros países da Europa central a veem como uma alternativa à sua dependência do carvão.

    A cidade de Namie, na província de Fukushima (Japão), classificada como de difícil retorno devido à radiação após acidente nuclear causado por terremoto e tsunami
    A cidade de Namie, na província de Fukushima (Japão), classificada como de difícil retorno devido à radiação após acidente nuclear causado p Rodrigo Sicuro/FolhapressMAIS 

    A opinião pública também não é unânime. “Na República Tcheca, a energia nuclear é vista como uma fonte de eletricidade confiável e relativamente barata”, afirma Wadim Strielkowski, especialista da Prague Business School.

    Já os críticos –geralmente defensores do pacifismo como o Greenpeace– abandonam seus tradicionais argumentos para se concentrarem na eficácia.

    O custo das renováveis não parou de cair, enquanto os grandes projetos nucleares se tornaram grandes e caros, geralmente com enormes custos adicionais.

    Os novos projetos nucleares são “muito mais caros e mais lentos que as renováveis”, estima Mycle Schneider, autor de um relatório anual crítico e para quem investir neste setor “agrava a crise climática”.

    No entanto, a indústria nuclear estima que ainda não ditou sua última palavra.

    Há alguns anos, tem seus olhos voltados para os pequenos reatores modulares (SMR, nas siglas em inglês): mais simples, fabricados em série e menos propensos a custos adicionais.

    “O futuro da energia nuclear (…) poderia passar pelos pequenos reatores”, estima Strielkowski. No entanto, apesar do interesse manifestado por vários países, só a Rússia lançou de fato uma usina que faz uso dessa tecnologia.

    https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2021/10/energia-nuclear-pode-ser-aliada-contra-a-mudanca-climatica.shtmlicos

    Questões.

    1 Por que a Energia Nuclear pode ser uma aliada contra a mudança climática?

    2 Aponte críticas quanto a produção de energia elétrica a partir da fonte nuclear.

    3 Quais foram os objetivos do Programa Nuclear Brasileiro?

    4 O que foi a “catástrofe de Fukushima”?

    5 Como é produzido energia elétrica a partir da fonte nuclear?

    Dez anos após Fukushima, energia nuclear cresce com China e crise climática

    Centrais Termonucleares (avaliação)

    Investimentos na matriz eólica superam R$ 187,1 bi na última década

    Energia insustentável

    Desarmamento nuclear é nobre, mas algo limitado pela política (atividade)

    Prof Luciano Mannarino

  • Com secas e degradação, Caatinga perdeu 40% de água original em 35 anos (EF07GE11)

    Com secas e degradação, Caatinga perdeu 40% de água original em 35 anos (EF07GE11)

    EF07GE11

    Caracterizar dinâmicas dos componentes físico-naturais no território nacional,
    bem como sua distribuição e biodiversidade (Florestas Tropicais, Cerrados, Caatingas, Campos
    Sulinos e Matas de Araucária).

    Carlos Madeiro Colaboração para o UOL, em Maceió

    07/10/2021 04h00

    O avanço da degradação ambiental, somado a um período de estiagens severas, levou o bioma da Caatinga a perder 40% de sua água de origem natural entre 1985 e 2020. O dado consta no estudo “Mapeamento Anual de Cobertura e Uso da Terra na Caatinga”, do projeto MapBiomas. Ao todo, foram 79 mil hectares de superfície de água a menos nesses 35 anos, o que equivale a uma área de 96 mil campos de futebol oficiais.

    Carro-pipa capta água em rio em Santa Bárbara (BA)  - Fernando Vivas - 21.out.2016/Folhapress
    Com secas e degradação, Caatinga perdeu 40% de água original em 35 anos Carro-pipa capta água em rio em Santa Bárbara (BA) Imagem: Fernando Vivas – 21.out.2016/Folhapress

    A água natural de um bioma se constitui, especialmente, pelas bacias de rios e açudes já existentes na região. A redução de água no bioma foi compensada, em partes, pela construção de fontes artificiais, como os reservatórios de hidrelétricas. Somando todas as formas encontrada na superfície, o estudo apontou para 922 mil hectares de extensão média da água mapeada em 2020 (menos 8,27% no período de 35 anos).

    Onde está a água de superfície na Caatinga:

    Hidrelétricas – 304.994 hectares (42,7% do total)

    Reservatórios – 211.556 hectares (29,6%)

    Natural – 196.365 hectares (27,5%)

    Mineração – 1.584 hectares (0,2%)

    Caatinga é um bioma que ocupa 844 mil km² do Nordeste e do norte de Minas Gerais, cobrindo 10,1% do território brasileiro. Nele, moram 27 milhões de brasileiros em 1.210 cidades —entre elas, uma capital: Fortaleza. Segundo Washington Franca Rocha, coordenador da equipe de Caatinga do MapBiomas, a perda natural só não causou maiores estragos porque houve uma série de ações públicas recentes. “A gente verificou que, a partir de 2004, houve um investimento em construção de açudes, reservatórios, em infraestrutura hídrica para se armazenar água. Não tivemos uma crise hídrica mais grave por conta dessas ações”, afirma.

    Menos vegetação, menos água.

    A perda de água tem relação direta com a perda de cobertura vegetal. A área remanescente de vegetação nativa, entre 1985 e 2020, por exemplo, caiu 10%. Dos dez municípios que mais perderam essa vegetação natural no período, oito ficam na Bahia.

    Mapa de áreas degradas cresceu em 35 anos - Reprodução/MapBiomas - Reprodução/MapBiomas
    Mapa de áreas degradadas cresceu em 35 anos Imagem: Reprodução/MapBiomas Nesses 35 anos, foram ao menos 15 milhões de hectares de vegetação primária suprimidas

    “O que sustenta o bioma é a vegetação que retém água, não permitindo que ela, de forma acentuada, vá parar no oceano. Se você tira essa cobertura vegetal de forma acelerada, o que vai acontecer é que áreas mais expostas, sem cobertura, tendem a ficar secas”, explica.

    Isso acende um alerta a essas ameaças ao bioma. Reforça a condição de que o bioma está se tornando ainda mais seco. Tivemos uma redução contínua, não cíclica, como a gente consegue mostrar em um período de 35 anos. Algo está acontecendo na região que está se sobrepondo e causando a perda de água.Washington Franca Rocha, do MapBiomas Segundo Rodrigo Vasconcelos, da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana) e da equipe do MapBiomas Caatinga, a queda começou a se acentuar a partir de 2009. “Hoje, uma minoria [da água superficial] é natural, o que indica a necessidade de novas —e manutenção das atuais— políticas públicas para dar sustentabilidades a estados e municípios”, afirma. O que fica claro, ao longo da série temporal, é que o bioma vem apresentando uma perda de água. Isso merece destaque quando avaliamos que essa redução ocorre em todas as bacias. Há uma forte tendência de diminuição em termos de área mapeada. Rodrigo Vasconcelos, da UEFS e do MapBiomas.

    Rio São Francisco “seca”

    Em 35 anos, o maior reservatório do Nordeste: o rio São Francisco, perdeu 30.679 hectares de superfície com água —o que corresponde a 4,16% do volume total. O pesquisador Humberto Barbosa, coordenador do Lapis (Laboratório de Processamento de Imagens de Satélite), da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), publicou um artigo –junto com outros pesquisadores, em 23 de setembro– em que aponta a degradação ambiental acelerando e causando danos na bacia.

    “Nos últimos anos, toda aquela área do São Francisco vem enfrentando degradação, com a mudança no uso e ocupação do solo, que inclui a conversão de terras para a agricultura, em detrimento da vegetação nativa. Os períodos secos são relativamente comuns no rio São Francisco, mas há uma crescente preocupação sobre a capacidade de esse rio responder a esses eventos de secas”, conta. 2019:

    Sertania - Leo Caldas/Folhapress - Leo Caldas/Folhapress
    Agricultores de Sertânia (PE) buscam água ao lado de canal seco da transposição do São Francisco Imagem: Leo Caldas/Folhapress

    Barbosa diz que isso ocorre em razão da tendência das secas se tornarem mais frequentes e extremas, devido aos efeitos da mudança climática. O semiárido brasileiro é a região do Brasil mais afetada pela mudança climática. Simulações de modelos climáticos indicam possibilidade de redução de cerca de 40% das chuvas na região ainda neste século. A região já conta com 13% do seu território em processo de desertificação. Humberto Barbosa, Lapis/Ufal Segundo ele, as grandes secas que afetaram o rio São Francisco estiveram historicamente mais concentradas na região do Baixo São Francisco (entre Alagoas e Sergipe). “Mas, de acordo com a nossa pesquisa, há sinais de condições crescentes de seca nas demais áreas da bacia, como é o caso do Alto e Médio São Francisco”, explica, lembrando que, nessas áreas, estão localizadas as usinas hidrelétricas de Três Marias (MG), Sobradinho (BA) e Luiz Gonzaga (PE), além de importantes áreas agrícolas”, revela.

    Vista de satélite da barragem de Sobradinho (BA): perdas afetam o rio São Francisco - Planet Scope/Lapis/Ufal - Planet Scope/Lapis/Ufal
    Vista de satélite da barragem de Sobradinho (BA): perdas afetam o rio São Francisco Imagem: Planet Scope/Lapis/Ufa

    Com a maior escassez de água, Barbosa ainda aponta para uma tendência de acirramento nas disputas pelo seu uso. “A avaliação dos impactos de eventos intensos de seca na bacia do rio São Francisco é fundamental para desenvolver estratégias adequadas de adaptação e mitigação desses conflitos”, pontua.

    https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2021/10/07/com-secas-e-degradacao-caatinga-perdeu-40-de-agua-original-em-35-anos.htm

    Questões.

    Prof Luciano Mannarino

    Vegetação

    Domínio Caatinga

    Crise do Clima “Nordeste”