Tag: #geoverdade

  • O que é lava?

    O que é lava?

    Material em   fusão natural no estado líquido ou viscoso, resultante de uma erupção vulcânica. As lavas podem se solidificar rapidamente — quando ácidas, e podem percorrer grandes extensões quando básicas. Uma lava vulcânica é, por conseguinte, um magma cuja solidificação podemos assistir ao presenciarmos uma erupção vulcânica. Os derrames vulcânicos podem alcançar, por vezes, grandes extensões, e formar camadas espessas, como ocorreu com o trapp do Paraná. As lavas podem ser atuais ou pertencer a outros períodos da coluna geológica.

    lava

    A saída das lavas pode se dar por fendas laterais da chaminé vulcânica ou, então, pela cratera central, situada no topo do cone. A superfície de um lençol de lava tem o aspecto de escória ao resfriar-se, o que é feito a partir da superfície. Durante o mesmo, as vezes se verifica o aparecimento de verdadeiros prismas, como se vê em certas rochas.

    Fonte: Novo dicionário geológico-geomorfológico – Antonio Teixeira Guerra, Antonio José Teixeira Guerra. Rio de Janeiro – Bertrand Brasil, 1997.

    Prof Luciano Mannarino

    TIPOS DE ROCHAS E CICLO DAS ROCHAS (vídeo e atividades)

    VÍDEO – TEORIA DA DERIVA CONTINENTAL

    Intemperismo, Erosão, Transporte e Sedimentação.

    O que são os fatores endógenos na formação do relevo?

  • O que são os fatores endógenos na formação do relevo?

    O que são os fatores endógenos na formação do relevo?

    Também chamados agentes internos ou ainda forças subterrâneas, têm origem no calor que permanece no interior do globo e nas pressões dos gases que são liberados. Podem-se fazer sentir extremamente, através de movimentos súbitos, rápidos ou lentos e imperceptíveis. Entre os agentes internos que contribuem para modificar a paisagem, podemos citar: vulcânicos, sismos, movimentos epirogênicos ou isostáticos, tectônicos etc. Por conseguinte, os fatores endógenos resultam da dinâmica interna, refletindo se externamente através das diversas manifestações acima citadas.

    Fonte: Novo dicionário geológico-geomorfológico – Antonio Teixeira Guerra, Antonio José Teixeira Guerra. Rio de Janeiro – Bertrand Brasil, 1997.

    Prof Luciano Mannarino

  • Multiversos…

    Multiversos…

    Se eu pudesse me encontrar agora com todos os Lucianos que escolheram viver uma vida plena com cada uma das pessoas que atravessaram meu caminho, faria a seguinte pergunta.

    Quem é o mais feliz?

    Luciano Mannarino.

  • Número de golpes de Estado no mundo em 2021 foi o maior em duas décadas

    Número de golpes de Estado no mundo em 2021 foi o maior em duas décadas

    Veja como estão Mianmar, Chade, Mali, Guiné e Sudão, os cinco países que assistiram a militares tomarem o poder neste ano

    26.dez.2021 às 17h00

    SÃO PAULO

    A fórmula até parece similar: militares alegam que houve fraude na eleição, que o governo civil é corrupto e ineficaz para mitigar as desigualdades sociais. Tomam, então, o poder, asfixiam liberdades civis e estabelecem um calendário fantasma de transição para a democracia. Com esse passo a passo já clássico, sete tentativas de golpe de Estado ocorreram no mundo em 2021, e cinco delas tiveram êxito.

    O número é o maior das últimas duas décadas, de acordo com monitoramento dos professores Jonathan Powell e Clayton Thyne, das universidades Central da Flórida e Kentucky, respectivamente.

    À Folha Powell diz que uma fusão de elementos fez de 2021 um ano mais propenso a golpes. O primeiro fator está relacionado ao cenário doméstico das nações: “A falta de legitimidade dos líderes locais leva à insatisfação popular, o que faz as Forças Armadas pensarem que um golpe seria celebrado”. A questão pode ser doméstica, mas o professor afirma que há uma crise global de legitimidade das lideranças.

    O segundo fator, explica, seria a pandemia de Covid, quando a comunidade internacional se tornou menos pró-ativa para responder a golpes, já que os esforços de cada país estavam voltados para o combate da crise sanitária em seus próprios territórios.

    O professor de ciência política Jonathan Phillips, da USP, faz análise semelhante. Ele diz que as tensões internas sempre têm maior peso decisivo para um golpe, mas destaca que, neste ano, as condições internacionais foram mais relevantes que o normal. “Em termos de custo-benefício, os militares pensaram que seria mais lucrativo e menos custoso fazer o golpe nessa janela de atenção internacional.”

    Phillips, graduado em Oxford e pós-graduado pela Harvard, acrescenta que a maioria dos países que sofreram golpes neste ano não tinham regimes democráticos no poder, mas, sim, governos autoritários, o que também pesa na balança. Além disso, eram sociedades militarizadas, onde as Forças Armadas há muito interferiam na política.

    MianmarChadeMaliGuiné e Sudão seguiram o roteiro acima descrito e viveram golpes de Estado em 2021. Confira, abaixo, como cada país está no final deste ano e quais as perspectivas.1 10

    Países que passaram por golpes de Estado em 2021

    Mianmar (1/2): o país do Sudeste Asiático foi palco de um golpe em 1º de fevereiro, quando os militares destituíram o governo civil eleito alegando fraude nas eleições e prenderam diversas lideranças, entre elas Suu Kyi (no cartaz da foto), ganhadora do Nobel da Paz
    Mianmar (1/2): o país do Sudeste Asiático foi palco de um golpe em 1º de fevereiro, quando os militares destituíram o governo civil eleito a 1.abr.21/Facebook via AFPMAIS 

    

    MIANMAR

    A curta experiência democrática de Mianmar, que teve início em 2011, foi interrompida em 1º de fevereiro, quando o país do Sudeste Asiático estreou a lista de nações que foram palco de golpes de Estado neste ano. Naquele dia, as Forças Armadas, que não haviam deixado de ocupar espaço na política institucional, alegaram fraude nas eleições e destituíram o governo civil do poder.

    O golpe ocorreu após o partido apoiado pelos militares ser derrotado nas legislativas. Lideranças foram detidas, entre elas Suu Kyi, 76, ganhadora do Nobel da Paz e principal líder civil do país. O episódio levou a uma onda de protestos sociais, violentamente reprimidos.

    O saldo de mortos pelo regime chegava a 1.346 na segunda quinzena de dezembro, segundo levantamento da Associação de Assistência a Presos Políticos de Mianmar. Mais de 10 mil pessoas foram detidas, e pelo menos 75 foram condenadas à pena de morte.1 10

    A esposa de Phoe Chit, uma manifestante que morreu durante uma manifestação contra o golpe militar em 3 de março, chora sobre o caixão de seu marido durante seu funeral
    A esposa de Phoe Chit, uma manifestante que morreu durante uma manifestação contra o golpe militar em 3 de março, chora sobre o caixão de se 5.mar.2021/AFP/AFPMAIS 

    Houve, ainda, amplo movimento repressivo contra a imprensa. Cerca de 26 jornalistas foram detidos no país, segundo levantamento do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ, na sigla em inglês) —o número fez de Mianmar o segundo país que mais encarcerou profissionais da imprensa neste ano, atrás apenas da China (50).

    A junta que assumiu o governo do país asiático afirmou que irá promover eleições em agosto de 2023. Os generais têm tentado, ainda que sem sucesso, alçar reconhecimento diplomático —as Nações Unidas, por exemplo, relutam em aceitar o representante designado pelos militares para a Assembleia-Geral do organismo multilateral.

    Outra consequência do golpe foi o avanço, a galope, da pobreza no país. Projeções do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) mostram que metade da população de Mianmar pode estar abaixo da linha da pobreza no próximo ano.

    CHADE

    O Chade deu sequência neste ano à tradição de sucessões presidenciais tensas e golpes de Estado, quando o filho do ditador Idriss Déby assumiu o poder após a morte do pai, dissolvendo o Congresso e consolidando a dinastia Déby no comando do país.

    Déby pai comandava o país do centro-norte africano desde um golpe de estado em 1990, que tirou do poder o ditador Hissène Habré. Em abril deste ano, ele venceu a sexta eleição consecutiva, contestada pela oposição e por grupos que lançaram uma ofensiva militar para retirá-lo do poder, após acusações de escalada autoritária.

    O presidente foi para a guerra lutar contra os rebeldes e morreu no campo de batalha dias depois, em 20 de abril. Pela Constituição, quem deveria suceder o mandatário nesses casos é o chefe da Assembleia Nacional, mas não foi o que aconteceu.

    O processo foi visto como um golpe, já que as regras de sucessão não foram respeitadas. Se parte do país já manifestava insatisfação com o pai, a nomeação do filho para liderar o Chade sem novas eleições inflamou protestos, que foram reprimidos de forma violenta e deixaram mortos e centenas de pessoas presas. A ofensiva dos rebeldes se manteve em campo, até ser derrotada pela junta militar em maio.

    A tomada de poder foi apoiada por aliados do país como a França, da qual o Chade foi colônia até 1960. O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Yves Le Drian, afirmou que havia “razões de segurança excepcionais que precisavam ser garantidas para estabilizar o país”.

    O regime tenta dar um ar de normalidade ao país assolado por miséria e fome. Em setembro, nomeou uma nova Assembleia Nacional —que não foi eleita, mas escolhida pela junta. Dois meses depois, anistiou 296 pessoas que haviam sido acusadas durante os protestos por “crimes de opinião”, “terrorismo” e “dano à integridade do Estado”.

    MALI

    O Mali sofreu em 2021 um golpe dentro de um golpe. No ano passado, em meio a protestos que pediam a renúncia do então presidente Ibrahim Boubacar Keita, o mandatário foi preso e deposto, em movimento liderado pelo coronel Assimi Goïta. Bah Ndaw passou a comandar o país, em um governo de transição que deveria durar até fevereiro de 2022.

    Em maio deste ano, no entanto, Goïta, que se tornou vice-presidente interino, mandou deter e depôs Ndaw, além do premiê. A justificativa foi uma remodelação do governo que excluiu dos ministérios dois oficiais que participaram ativamente do golpe em 2020. Segundo Goïta, ele não foi consultado, o que violaria a carta de transição.

    Havia ainda, porém, a promessa de manter as eleições para fim de fevereiro de 2022. Mas no início de novembro os integrantes da Cedeao (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental) souberam que as autoridades malinesas não iriam cumprir o prazo.

    A Cedeao, então, ameaçou com sanções, o que forçou Goïta a se comprometer com uma nova data: o coronel prometeu apresentar um novo cronograma até 31 de janeiro. Na última reunião, em 12 de dezembro, a entidade subiu o tom e reforçou a promessa de sanções a partir de 1º de janeiro caso o prazo não fosse respeitado. A União Europeia também anunciou que deve adotar medidas.

    Soma-se a isso um contexto de extrema insegurança, com o norte do país tomado por ataques jihadistas. A junta no poder ameaça recorrer ao Grupo Wagner, uma organização paramilitar que atua na África Subsaariana e é suspeita de ter ligações com o presidente russo, Vladimir Putin.

    GUINÉ

    Quando Alpha Condé, figura de oposição aos governos autoritários que historicamente dominaram a Guiné, foi eleito, em 2010, para a Presidência do país nas primeiras eleições democráticas desde a independência —conquistada em 1958—, a população guineense viu despontar a chance de, enfim, viver sob uma democracia. Pouco mais de uma década depois, a esperança foi frustrada.

    Condé, 83, foi reeleito em 2015. Em 2020, quando uma trava na Constituição o impedia de disputar o terceiro mandato, costurou uma reforma no documento. Alegando que promoveria os direitos humanos, como a proibição da circuncisão feminina, alterou a Carta Magna em março daquele ano, e conseguiu reeleger-se em outubro. A oposição alega que houve fraude no processo eleitoral.

    Com os argumentos de que era preciso colocar fim ao culto das personalidades políticas na Guiné e que o governo de Condé foi incapaz de melhorar os indicadores sociais, o coronel Mamady Doumbouya, líder do Grupo de Forças Especiais, liderou um golpe de Estado no país em 5 de setembro e sequestrou o presidente, que foi liberado somente três meses depois.2 11

    Uma tentativa de golpe de Estado contra o governo da Guiné provocou tiroteios perto do palácio presidencial, na capital, Conacri
    Uma tentativa de golpe de Estado contra o governo da Guiné provocou tiroteios perto do palácio presidencial, na capital, Conacri Cellou Binani/AFPMAIS 

    Doumbouya, 41, que recebeu treinamento na França e já serviu em missões no Afeganistão, autodeclarou-se presidente de transição e formou um governo com Mohamed Beavogui, ex-subsecretário-geral das Nações Unidas, como premiê. Não esclareceu, porém, qual será o calendário de retorno à ordem constitucional.

    Organizações internacionais, como a União Africana e a Cedeao, aplicaram sanções ao país e o excluíram de seus processos decisórios. A Cedeao pede que eleições sejam realizadas em, no máximo, seis meses, e afirma que, caso um calendário não seja estabelecido até o final deste ano, novas sanções serão aplicadas.

    SUDÃO

    Foi há três anos, em dezembro de 2018, que os sudaneses começaram a sair às ruas para protestar contra as condições de vida sob o regime de Omar al-Bashir, que estava no poder havia três décadas. Ao longo dos meses seguintes, os manifestantes conseguiram derrubar o ditador e arrancar das Forças Armadas o compromisso de que iriam entregar em breve o poder para um governo civil escolhido por meio do voto. O Sudão caminhava, enfim, em direção à democracia.

    Tudo mudou em 25 de outubro deste ano, quando tropas lideradas pelo general Abdel Fattah al-Burhan deram um golpe de Estado e prenderam os integrantes civis do governo de transição. Os militares decretaram estado de emergência e bloquearam as telecomunicações. Segundo a versão dos golpistas, o movimento visava impedir a eclosão de uma guerra civil no país do Norte da África.

    Manifestante sudanês coberto com a bandeira nacional ao lado de pneus em chamas durante uma manifestação na capital, Cartum; pessoas saíram às ruas após ter início um golpe militar no país da África Oriental: o premiê e diversas figuras civis do governo foram detidos ilegalmente
    Manifestante sudanês coberto com a bandeira nacional ao lado de pneus em chamas durante uma manifestação na capital, Cartum; pessoas saíram  25.out.21/AFPMAIS 

    Mesmo diante da repressão brutal das forças de segurança, que já deixou ao menos 40 mortos, multidões têm participado em marchas recorrentes para exigir a saída dos militares. Sob pressão, as Forças Armadas libertaram e restituíram Abdallah Hamdok, o premiê civil deposto no golpe de Estado —o acordo foi celebrado pela comunidade internacional, mas segue sendo rejeitado pelas ruas do país.

    Para Samahir Elmubarak, porta-voz da Associação de Profissionais Sudaneses (SPA, na sigla em inglês), principal grupo à frente dos protestos, a população não aceita mais o antigo esquema de partilha de poder com os militares. “O povo sudanês deixou claro ao longo desta revolução que queremos viver em uma democracia”, diz ela à Folha desde Cartum. “As Forças Armadas buscam dar um verniz de legitimidade ao golpe. Se este regime for aceito, golpistas em outros países se sentirão encorajados a tomar o poder por saber que não sofrerão consequências”.

    Dani Avelar , Mayara Paixão , Patricia Pamplona e Thiago Amâncio

    tps://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/12/numero-de-golpes-de-estado-no-mundo-em-2021-foi-o-maior-em-duas-decadas.shtml

    Prof Luciano Mannarino

  • James Webb: por que a Agência Espacial Europeia lança seus foguetes da América do Sul

    James Webb: por que a Agência Espacial Europeia lança seus foguetes da América do Sul

    26.dez.2021 às 17h49

    BBC NEWS MUNDO

    Trata-se de um pequeno território na América do Sul continental, com apenas 83.846 quilômetros quadrados, área equivalente à de Santa Catarina.

    Mas dentro de suas fronteiras, está um dos centros espaciais mais importantes da Europa: Kourou, administrado conjuntamente pela ESA (Agência Espacial Europeia), o CNES (Centro Nacional Francês de Estudos Espaciais) e a empresa Arianespace.

    Centro Espacial de Kourou está na Guiana Francesa – Getty Images

    A Guiana Francesa, com cerca de 259.109 habitantes e uma densidade populacional muito baixa, tem papel chave na corrida espacial, não só da Europa, mas também do mundo.

    Foi dali que o James Webb, o maior telescópio espacial da história, decolou no sábado (25) a bordo do foguete Ariane 5

    Considerado o sucessor do Telescópio Espacial Hubble da Nasa (agência espacial dos Estados Unidos), o James Webb foi projetado para olhar mais fundo no universo e, como consequência, detectar eventos que ocorreram há muito tempo, mais de 13,5 bilhões de anos atrás.

    Cientistas também esperam usar suas capacidades mais avançadas para estudar a atmosfera de planetas distantes, na esperança de detectar sinais de vida.

    Com um custo de US$ 10 bilhões (R$ 57 bilhões), o James Webb, que demorou 30 anos para ser construído, é liderado pela Nasa em conjunto com a ESA.

    Webb tem como destino uma estação de observação a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra. Nessa viagem, que deve durar um mês, o telescópio vai acionar seu espelho primário de 6,5 metros de diâmetro e um escudo para proteger suas observações do cosmos da luz e do calor do Sol.

    O objetivo é obter imagens dos primeiros objetos que se formaram após o Big Bang. E tudo será administrado a partir da sala de controle localizada em Kourou. “Posso dizer que (o centro espacial europeu) tem uma das melhores localizações do mundo em termos de adequação para lançamento ao espaço”, diz Julio Aprea, um dos gerentes da missão, à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.

    A HISTÓRIA DE KOUROU

    Em 1964, a França teve que escolher um local para lançar seus satélites. O país europeu não tinha mais a Argélia, que se tornara independente em 1962.

    Quatorze locais foram analisados ​​até que os especialistas escolheram Kourou, uma cidade na Guiana Francesa localizada a cerca de 55 km da capital, Caiena, e a 500 km da linha do Equador.

    Foram muitos os aspectos avaliados, desde históricos, políticos e até técnicos. Essa região, habitada por colonos europeus desde o século 17 e que já foi um centro penal, tornou-se oficialmente um departamento ultramarino da França em 1946.

    O aspecto geopolítico é de considerável importância. Apesar de estar no nordeste da América do Sul, a Guiana Francesa é parte da França — sua língua oficial, portanto, é o francês e sua moeda, o euro. Isso simplifica as coisas.

    Finalmente, em 1975, o governo francês tomou a decisão de compartilhar seu Centre Spatial Guyanais com a recém-criada ESA.

    Mas é sua posição estratégica no mapa que é ideal para cientistas e engenheiros espaciais. Quase a totalidade do país é coberto por florestas tropicais. Isso representa uma vantagem de segurança em caso de acidentes. Tampouco é afetado por ciclones ou furacões, visto que esses são formados mais em direção ao Caribe.

    Kourou fez seu primeiro lançamento em 1968 – Getty Images

    Já a Guiana Francesa tem o litoral norte e leste banhado pelas águas do Oceano Atlântico. Ela está a um ângulo de lançamento de 102 graus, o que lhe permite realizar todas as missões espaciais possíveis.

    Aprea explica que, para lançamentos ou órbita de transferência geoestacionária, na qual está localizada a maioria dos satélites de comunicação, os foguetes têm que decolar para o leste.

    Mas em seu caminho para o espaço, o foguete “se desprende” de camadas que caem em locais não povoados. No caso da Guiana Francesa, esse lugar é sobre o oceano.

    Mas também é fácil viabilizar lançamento a órbitas polares dali, em direção ao noroeste. Essas órbitas são sincronizadas com o Sol, o que significa que o satélite posicionado nessa órbita passará sobre o mesmo ponto na Terra na mesma hora todos os dias.

    “Se o Sol está sempre na mesma posição, as sombras serão sempre as mesmas, então você pode analisar melhor as diferentes mudanças. Se em vez disso você passar pelo mesmo ponto, mas tiver posições diferentes do Sol, as sombras mudam e é muito mais difícil analisar o que você está vendo”, explica Aprea.

    Alguns dos lançamentos mais importantes de Kourou foram o primeiro deles (1968), o lançamento do foguete Europa 2 (1971), o Ariane 1 (1979, o primeiro foguete de sucesso da ESA), o Soyuz (2011) e o Vega (2012).

    EFEITO ESTILINGUE

    Outra vantagem do centro espacial europeu é o que os cientistas chamam de “efeito estilingue”. E isso ocorre justamente pela proximidade do centro espacial com a linha do Equador. O “efeito estilingue” é a energia criada pela velocidade de rotação da Terra em torno do eixo dos polos. Vale lembrar que quanto mais perto um objeto está do Equador, mais rápido ele se move.

    Isso ocorre porque um objeto que está no meio do mundo tem que girar mais rápido do que um localizado nos polos do planeta. O tempo de rotação da Terra é de aproximadamente 24 horas. Mas dependendo da latitude, a velocidade empregada para que um objeto complete a rotação nesse tempo pode mudar.

    Telescópio James Webb foi lançado de Kourou a bordo do foguete Ariane 5 – Getty Images

    A linha do Equador mede 40.075 quilômetros. Mas, à medida que avançamos em direção aos polos, a linha circunferencial fica menor, então menos velocidade é usada para completar a curva em 24 horas.

    Essa energia dá um impulso inicial para os foguetes no momento da decolagem. “Imagine dois carros que têm que acelerar até 100 km/h. Um começa a partir de 0 km/h e o outro, a partir de 30 km/h. Obviamente, o segundo chegará mais rápido. Essa é a vantagem da linha do Equador”, explica Aprea.

    Esse impulso inicial é muito útil para lançamentos espaciais, pois economiza combustível e peso. Se o lançamento for feito em outras latitudes, o efeito muda e mais combustível é consumido. Também acrescentaria um peso considerável, até centenas de quilos, o que faz “uma grande diferença”, acrescenta Aprea.

    A Guiana Francesa é território francês, compartilhando mesma língua e moedas oficiais do país europeu. – Getty Images

    “Subir e descer é muito fácil. O que dá mais trabalho é entrar em órbita porque você tem que ir muito rápido para chegar a uma velocidade tal que você fique em órbita”.

    A ESA já está desenvolvendo o foguete Ariane 6 com o qual pretende aumentar o número de lançamentos. A agência espacial francesa está preparando as instalações em Kourou para a estreia desse foguete no segundo trimestre de 2022.

    https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/12/james-webb-por-que-a-agencia-espacial-europeia-lanca-seus-foguetes-da-america-do-sul.shtml

    Questões

    É possível estabelecer semelhanças entre Kourou e o Centro de Lançamento de Alcântara? Justifique.

    Cartografia

    tópicos