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  • Divorciados, Reino Unido e União Europeia discutem a relação em clima quente (atividade)

    Divorciados, Reino Unido e União Europeia discutem a relação em clima quente (atividade)

    Blocos adotam posições extremas no início das negociações do pós-brexit, que começam nesta segunda (2)

    Ana Estela de Sousa Pinto
    BRUXELAS

    Divorciados oficialmente no último dia 31 de janeiro, Reino Unido e União Europeia começam a discutir sua relação futura nesta segunda-feira (2). Pelo tom das declarações feitas na semana passada, os dois lados prometem não facilitar a vida do ex-parceiro.

    Será a primeira reunião de uma série de encontros mensais, em que britânicos e europeus precisam decidir os termos de todos os seus intercâmbios, sob risco de voltar à estaca zero depois de 47 anos de união. A lista tem 13 áreas, cada uma delas com vários itens, cada item com várias novas regras a definir, em assuntos como produtos, serviços, pessoas, informações, segurança e defesa e mais.

    David Frost, negociador do Reino Unido, ao deixar sede da Comissão Europeia – François Lenoir – 7.out.2019/Reuters 

    Chegar a um acordo em todos esses campos até 31 de dezembro, como previsto, é tido por técnicos e diplomatas como impraticável, e os europeus balançam esse prazo como uma espada sobre a cabeça dos britânicos, para pressioná-los a aceitar suas condições ou pedir um adiamento.

    Boris Johnson, porém, dobrou a aposta. O primeiro-ministro do Reino Unido já prometia não prorrogar prazos; na semana passada passou a falar numa saída em junho, se as conversas não avançarem.

    Por enquanto, como ocorre em negociações —ainda mais se ela envolve 513 milhões de pessoas e PIBs somados de  € 15,9 trilhões (cerca de R$ 79,5 trilhões)—, os dois lados esticam a corda ao máximo e evitam até mesmo falar a mesma língua.

    Os britânicos proíbem que seus negociadores usem o termo “acordo ambicioso”, senha da União Europeia para rejeitar conversas aos pedaços —nas palavras de um representante europeu, “não gostamos de acordos-salame; preferimos os do tipo ravióli, refeição completa num prato só”.

    Michel Barnier, negociador por parte da União Europeia – François Lenoir – 26.fev.2020/Reuters 

    Mandato, jargão da burocracia da UE para o documento-base da negociação, foi substituído pelo Reino Unido por “abordagem” (“approach”). Mestre na comunicação, Boris trocou  “no deal” ou o “hard brexit” (separações sem acordo) por “um acordo do tipo australiano” —a Austrália não tem tratado de livre comércio com a União Europeia.

    Das mais problemáticas é a expressão “level playing field”, abreviada como LPF, patamar mínimo de discussão. Na prática, significa que a União Europeia só aceita acordo amplo para bens e serviços se o Reino Unido adotar suas regras trabalhistas, ambientais, fitossanitárias e etc.

    Nada mais indigesto para Boris, que fez a campanha do brexit prometendo retomar o controle de suas regulações. LPF aparece  20 vezes no mandato europeu, contra apenas uma na abordagem britânica. No vocabulário do Reino Unido, ela vira “garantias antidistorções”.

    As partes também trocam provocações sobre quem perde mais sem um acordo. A União Europeia é o principal parceiro comercial do Reino Unido, responsável por cerca de 45% das exportações britânicas em 2018 e 53% de tudo o que os ex-parceiros compram (os números variam com critérios e taxas de câmbio).

    Num dos setores mais importantes da economia britânica, o de serviços, o Reino Unido obtém 7,2% de sua receita de exportação com vendas à UE (o fluxo inverso representa só 1,1% das vendas europeias).

    A indústria britânica, principalmente a mais avançada, depende de fornecedores e clientes europeus, e um impasse pode elevar muito seus custos.

    Laboratórios farmacêuticos, agronegócio e indústria química também serão prejudicados se não houver entendimento sobre as regras de qualidade e segurança.

     

    O saldo é que há impacto para as duas economias, muito entrelaçadas nas cadeias de produção, fluxos financeiros e de pessoas (vivem no Reino Unido 3 milhões de cidadãos da UE; 1 milhão de britânicos tem domicílio na UE). Mas considerações políticas também complicam a DR.

    Boris vendeu a seu público interno a promessa de recuperar as rédeas do país, mas precisa evitar a perda de empregos e de crescimento econômico. Para isso, pode até se render às exigências europeias, mas só depois de embalar o resultado como prova de soberania.

    A União Europeia mantém um difícil equilíbrio entre 27 países com características e interesses díspares, quando não antagônicos. Neste ano, as divergências estão mais acirradas, com a discussão de quanto dinheiro o bloco terá nos próximos sete anos e como vai reparti-lo.

    Se os governantes da UE precisam mostrar a seus membros que o benefício da união é maior que os custos de se submeter a suas regras e burocracias, aliviar a vida de quem acabou de se desligar é uma não opção. Entenda o que está em jogo.

     

    O que é o brexit?

    É a saída do Reino Unido da União Europeia, que aconteceu em 31 de janeiro de 2020. O bloco reúne agora 27 países.

    Por que houve brexit?

    A saída foi aprovada pela maioria dos britânicos em referendo em 2016. O brexit foi proposto para que o Reino Unido não precisasse seguir regras e políticas comuns da União Europeia.
    Se já houve o brexit, por que mais reuniões?

    Para discutir as novas bases do relacionamento econômico e político entre o Reino Unido e a UE. As reuniões serão mensais, alternando-se entre Londres e Bruxelas. O acordo de saída estabelece um prazo de transição até 31 de dezembro deste ano.

    Durante a transição, o Reino Unido ainda está na UE?

    Não, e por isso não participa mais do Conselho Europeu, do Parlamento ou qualquer instância de decisão europeia. Mas continuam valendo todas as regras para cidadãos, consumidores, empresas, investidores, estudantes e pesquisadores, até que se negociem as novas bases.

    A Corte de Justiça da União Europeia continua a ter jurisdição sobre o Reino Unido, inclusive em relação ao acordo de retirada.

    O período de transição pode ser estendido uma vez, e o prazo final tem que ficar entre dezembro de 2021 e dezembro de 2022. A prorrogação tem que ser aprovada pelos dois lados até 1º de julho deste ano. Mas o premiê britânico, Boris Johnson, já disse que não haverá prorrogação.

     

    Como fica se houver prorrogação?

    Valem as regras do período de transição. O Reino Unido não participa do Orçamento para o período de 2021 a 2027, mas precisará fazer uma contribuição, porque estará se beneficiando do mercado comum.

    E se não houver acordo durante a transição?

    O comércio do Reino Unido com a UE passa a obedecer às regras da OMC (Organização Mundial do Comércio) a partir do dia seguinte.

    O que será negociado?

    Comércio de bens e serviços, investimentos, transporte, energia, regras de pesca, cooperação judicial, coordenação em ações de defesa, partilha de dados, propriedade intelectual e acesso a concursos públicos, entre outros pontos.

     

     

    Quais os pontos mais controversos?

    1. Regulação
    É a primeira de três condições que a Europa diz serem indispensáveis para um acordo amplo de zero tarifa e zero cota: o chamado ““level playing field”, ou seja, o compromisso dos britânicos de seguir regras trabalhistas, ambientais, fiscais e de subsídios vigentes na UE. O argumento é que isso evita competição desleal. Boris Johnson diz que não há intenção de baixar seus patamares de regulação, que já são no mínimo iguais aos britânicos.

    2. Irlanda
    A UE diz que não fará acordo sem garantia de que não haverá controle de fronteiras ou aduana entre a Irlanda do Norte (território britânico) e sua vizinha do sul. Para isso, seria preciso um controle no mar da Irlanda, que separa a ilha da Grã-Bretanha. O governo britânico, porém, tem sinalizado que não fará o controle marítimo.

    3. Pesca
    A UE quer garantir acesso livre às águas britânicas, enquanto Boris Johnson insiste em negociações anuais, baseadas em avaliações científicas sobre a quantidade de peixes e garantido primazia aos barcos britânicos. O Reino Unido vende 80% de seus peixes para a UE e importa de lá 70% do pescado que consome.

    4. Escopo e prazo
    O Reino Unido diz que não pedirá prorrogação de prazo e quer discutir livre comércio de um conjunto limitado de serviços e bens. A União Europeia afirma que não fará discussões aos pedaços e que a escolha por um prazo apertado é dos britânicos

    5. Setor financeiro
    Londres abriga o maior centro financeiro da Europa, e quer manter seu principal mercado para serviços bancários, seguros, gestão de patrimônio e operações financeiras. A União Europeia diz que acesso livre ao mercado não faz parte da conversa e menciona apenas cooperação “voluntária” na regulação financeira.

    6. Solução de disputas
    Para os europeus, qualquer discordância sobre o futuro relacionamento deve ser resolvido pela Corte de Justiça da UE. Boris argumenta que a Justiça europeia não pode se sobrepor às leis britânicas e sugere órgãos de arbitragem independentes.


    OS CHEFES DA NEGOCIAÇÃO

    David Frost, 55, inglês. Formado em história medieval europeia e francesa, é diplomata, foi embaixador na Dinamarca e encarregado de assuntos europeus no equivalente ao ministério britânico de Relações Exteriores.

    Michel Barnier, 69, francês. Formado em administração, está na política desde 1970 e foi ministro da Agricultura, do Ambiente e de Relações Exteriores na França e comissário da UE para mercado interno, entre outros.

     

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo

    Questões.

    1. Explique como se deu a entrada do Reino Unido na União Européia?

    2. Por que a questão da Irlanda é um dos pontos controversos?

    3. Quais seriam os pontos positivos que o Reino Unido observa ao pedir o desligamento da União Européia?

    4. Qual o papel da O.M.C no comércio Global?

    5. Por que a questão do “level playing field” é uma das maiores preocupações da União Européia?

    6. Analise a postura de cada integrante do Reino Unido em relação ao brexit.

     

    Ascensão da China embaralha negociações nucleares entre EUA e Rússia

     

    Prof. Luciano Mannarino.

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  • Cercado, Japão se afasta do pacifismo e acelera uso de armas ofensivas. (atividade)

    Cercado, Japão se afasta do pacifismo e acelera uso de armas ofensivas. (atividade)

    País descarta sistema de defesa antimíssil e admite empregar força vetada pela Constituição

     

    Igor Gielow
    SÃO PAULO

    Alarmado com a ascensão da China, uma Coreia do Norte imprevisível e a pouca confiança que Donald Trump inspira, o Japão deu mais um passo para retomar sua capacidade militar ofensiva.

    Na sexta (26), o Conselho Nacional de Segurança do país enterrou os planos para instalar em dois pontos de sua maior ilha, Honshu, o sistema antimísseis americano Aegis Ashore.

    A decisão decorre de revisão de custos e das queixas de moradores de cidades próximas, tornadas alvos óbvios, mas tem uma implicação estratégica maior.

    Carro de combate Tipo 16 atira durante exercício das Forças de Autodefesa do Japão em Gotemba, em maio
    Carro de combate Tipo 16 atira em exercício das Forças de Autodefesa em Gotemba, em maio – Charly Triballeau – 23.mai.2020/Pool via Reuters

    O primeiro-ministro Shinzo Abe afirmou que, como opção, o Japão estuda se armar com mísseis capazes de atacar bases de países inimigos antes que elas lancem seus foguetes.

    Assim, na prática Abe está dando uma interpretação criativa sobre o artigo 9 da Constituição japonesa, que proíbe o país de possuir armas ofensivas.

    A Carta é um legado da derrota do império na Segunda Guerra Mundial em 1945, tendo sido imposta pelos vencedores, os Estados Unidos.

    Ao longo da Guerra Fria, com a necessidade de conter a União Soviética no Pacífico, os japoneses foram se rearmando com apoio americano, apesar das limitações.

    “Desde então, a estratégia dos EUA é a de evitar a ascensão de poderes regionais. Um Japão capaz poderia minar a estrutura de alianças americana”, diz Phillip Orchard.

    Só que a última década, afirma esse analista da consultoria americana Geopolitical Futures, viu a discussão ser retomada com a ascensão da China e sua maior assertividade.

    Pequim tem investido em força naval e militarizou o mar do Sul da China, rota marítima vital e que os EUA querem livre, com bases.

    Já a ditadura de Kim Jong-un testa, periodicamente, mísseis com alcance de sobra para levar uma bomba nuclear ao Japão.

    Por fim, há rivalidades históricas diversas na região. Tóquio ainda não resolveu o status das ilhas Kurilas, disputadas com Moscou, e a relação com a Coreia do Sul é sempre tensa, por evocar a brutal ocupação japonesa de 1910 a 1945.

    O veto a possuir bombardeiros estratégicos, mísseis de longo alcance ou porta-aviões de ataque também marcou a psique nacional do pós-guerra.

    De um lado, o pacifismo floresceu fortemente na política, decorrente do trauma do conflito que viu as duas únicas bombas atômicas usadas em guerra explodirem no Japão.

    Por outro, organizações nacionalistas, a maioria de extrema direita, ganharam força.

    Abe é membro da maior delas, a Nippon Kaigi (conferência do Japão), e visitou várias vezes o polêmico santuário Yasukuni.

    Caças F-15 japoneses (centro) voam com dois bombardeiros B-1B (acima) e dois caças F-35 americanos sobre a região de Kyushu, Japão
    Caças F-15 japoneses (centro) voam com dois bombardeiros B-1B (acima) e dois caças F-35 americanos sobre a região de Kyushu, no Japão – Ministério da Defesa do Japão – 31.ago.2017/Reuters

    O templo xintoísta em Tóquio homenageia 2,5 milhões de japoneses mortos em combate, inclusive mais de mil criminosos de guerra condenados.

    O premiê, que passou pelo cargo de 2006 a 2007 e voltou ao poder em 2012, é a figura dominante da política japonesa.

    Ainda assim, sua defesa do rearmamento ofensivo do país é duramente combatida na Dieta (o Parlamento local), e não deverá ser diferente agora.

    O governo tenta se equilibrar entre as demandas. Apesar do militarismo de Abe e da necessidade de manter o arquipélago com acesso a rotas marítimas de suprimentos, no ano passado o Japão se recusou a participar de patrulhas com os americanos no estreito de Hormuz.

    Os EUA queriam ajuda do aliado para pressionar o Irã, com quem quase foram à guerra no começo deste ano, e garantir o fluxo de petroleiros pela região.

    O motivo: o artigo 9 veta qualquer projeção de poder fora de águas territoriais.

    Shinzo Abe e Donald Trump durante encontro bilateral na reunião do G7 em Biarritz (França), em 2019
    Shinzo Abe e Donald Trump durante encontro bilateral na reunião do G7 em Biarritz (França), em 2019 – Carlos Barria – 25.ago.2019/Reuters

    Ainda assim, a Marinha japonesa participa de exercícios com americanos e australianos com frequência, e sua Guarda Costeira tem operado no mar do Sul da China.

     

    Os três países e a Índia formam uma aliança informal chamada Quad, que envolve estrategicamente as saídas chinesas para o mar — e o comércio mundial é 90% marítimo.

    No fim de semana, japoneses fizeram manobras com os indianos no Oceano Índico, outra sinalização aos chineses: Pequim e Nova Déli se envolveram em uma escaramuça fronteiriça com mortos há duas semanas.

    A questão econômica pesou no caso do sistema antimísseis. O Aegis Ashore custaria US$ 4,1 bilhões (R$ 22 bilhões no câmbio desta segunda, 29) ao Japão, dos quais US$ 1,6 bilhão (R$ 8,6 bilhões) já foram pagos, e o país está em recessão devido à pandemia do novo coronavírus.

    Isso não obrigou, contudo, a revisão de outros projetos do plano quinquenal de defesa do Japão, lançado em 2019.

    Nele, o país pretende gastar US$ 244 bilhões (R$ 1,3 trilhão). Em 2019, o Japão teve o oitavo maior orçamento militar do mundo, US$ 48,6 bilhões (R$ 262 bilhões).

    EUA lideram com US$ 684,6 bilhões (R$ 3,7 trilhões), deixando a China em segundo com US$ 181,1 bilhões (R$ 978 bilhões), segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.

    Um dos itens mais vistosos do pacote é a dupla de navios da classe Izumo, que estão sendo adaptados para receber a versão de decolagem vertical dos avançados caças americanos F-35. O Japão encomendou 45 desses aviões, capazes de lançar mísseis de longa distância.

    O programa, claro, é alvo de críticas da oposição, mas aos poucos vai tomando forma. Na semana passada foram iniciados os testes do oitavo destróier equipado com a versão naval do sistema antimíssil Aegis.

    Ele só não é visto como uma opção viável para o modelo terrestre porque seriam necessários ao menos três navios em ação 24 horas por dia.

    Fica bem mais barato comprar mísseis de cruzeiro de longo alcance, algo que começou a ser discretamente feito em 2017. Ou investir em mísseis balísticos, como Abe sugere.

    A negociação do americano com Kim, ora congelada, gerou sinais de alerta tanto em Tóquio quanto em Seul — que temem um desengajamento das obrigações americanas de defender os colegas.

    Até a eventual aquisição de armas nucleares, um tabu natural no Japão, foi discutida como meio de reforço de defesas.

    O país concentra o maior contingente americano no exterior, 55,6 mil soldados em 23 de bases.

    Trump já retirou forças da África, do Oriente Médio e, agora, da Europa.

    Se parece improvável que os EUA deixem os japoneses à mercê do colosso chinês, até pela Guerra Fria 2.0 entre Washington e Pequim, Tóquio não deve pagar para ver.

    “O país tem pouca alternativa senão assumir maior responsabilidade por seus interesses de longo prazo”, diz Orchard.

     

    Questões
    1. O texto especula que o Primeiro-ministro Shinzo Abe estaria fazendo uma interpretação criativa do Artigo 9 da Constituição japonesa.
    Por quê?
    2. Retirar tropas do Japão  é, sob o ponto de vista financeiro, duplamente rentável para os americanos.
    Por quê?
    3. Explique a forte presença americana no arquipélago japonês logo após a fim da 2 Grande Guerra.
    4. Explique o título da reportagem.
  • Terremoto de magnitude 7,4 atinge o México, mata 6 e gera alerta de tsunami (atividade)

    Terremoto de magnitude 7,4 atinge o México, mata 6 e gera alerta de tsunami (atividade)

    Tremor teve epicentro no estado de Oaxaca, mas foi sentido também na capital

    CIDADE DO MÉXICO | REUTERS e AFP

    Um terremoto de grandes proporções atingiu nesta terça-feira (23) a região sul do México e deixou pelo menos seis mortos no estado de Oaxaca, segundo a agência de proteção civil do país.

    O tremor, de magnitude de 7,4, de acordo com o serviço sismológico dos EUA, gerou um alerta de tsunami para a costa do país, assim como para os países da América Central, além de Equador, Peru e Havaí.

    Segundo o órgão americano, as ondas podem chegar a três metros de altura nessas regiões.

    O epicentro do tremor ocorreu próximo ao vilarejo de Santa María Zapotitlán, na costa do Pacífico, mas também foi sentido na Cidade do México, que fica 500 quilômetros ao norte.

    Os moradores da capital deixaram os prédios assustados, mas não há registro de destruição em larga escala ou de vítimas na cidade.

    “Felizmente não há muitos danos. De toda forma, continuamos pedindo que ajam com cautela por causa de tremores secundários. Que todos se cuidem sem nos angustiarmos”, disse o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, em um vídeo transmitido nas mídias sociais.

    Miguel Candelaria, 30, da cidade de Juchitan, no estado de Oaxaca, disse que era impossível caminhar e que a rua “parecia um chiclete”.

    Quando o terremoto começou, ele correu com sua família para fora de casa, mas teve de parar no meio da rua enquanto o asfalto se curvava e balançava. Vizinhos gritavam aterrorizados, e outras pessoas alertavam para a possível queda de postes de energia.

    Pacientes e funcionários de uma clínica na Cidade do México aguardam na rua após o tremor
    Pacientes e funcionários de uma clínica na Cidade do México aguardam na rua após o tremor – Claudio Cruz/AFP

    A agência de proteção civil do México recomendou que os moradores se afastassem da costa para evitar um possível tsunami. Vídeos nas mídias sociais mostraram a água do oceano recuando em Oaxaca.

    Ainda que tenha tranquilizado sobre o panorama na Cidade Do México, Obrador afirmou que ainda aguarda informações mais detalhadas sobre a situação no epicentro do tremor — Oaxaca, um estado montanhoso, é conhecido pelas plantações de café e pelos resorts na praia.

    Terremotos de magnitude acima de 7 são capazes de causar danos generalizados. Em 2017, um tremor de 7,1 deixou 355 mortos no México.

     

    2. Por que essa região do México é propensa a ocorrência de Abalos Símicos?
    3. Por que a maré fica vazante antes de um tsunami?
    4. Estabeleça diferenças entre o epicentro e o hipocentro de um Abalo Sísmico.
    5. O número de vítimas fatais desse tipo de evento somente se relaciona com a intensidade dele? Justifique.
    Prof. Luciano Mannarino.
  • Romeu e Julieta no Trailer de “Guerra Infinita”.

    Romeu e Julieta no Trailer de “Guerra Infinita”.

     

    Creio que seja possível colocar fragmentos de textos consagrados em trailer de filmes de ação como forma de divulgar cultura.

    Tratasse de uma vingança!

    Professor Luciano Mannarino.

     

     

  • Crise global desafia a principal iniciativa da política externa chinesa (atividade)

    Crise global desafia a principal iniciativa da política externa chinesa (atividade)

    11.jun.2020 às 23h15

    Em 2013, Xi Jinping anunciou o que viria chamar de “projeto do século” — uma iniciativa, estima-se, de pelo menos US$ 1 trilhão (R$ 4,98 trilhões) em infraestrutura ao redor do mundo.

    Eis que, pouco depois da largada, a Iniciativa do Cinturão e da Rota (ou BRI, sigla para Belt and Road Initiative) encontraria no caminho uma crise econômica de proporções colossais.

    Como a mudança de circunstâncias afeta a principal iniciativa da política externa chinesa sob Xi Jinping?

    Trabalhador de empresa chinesa de ferrovias atua em serviço para expandir capacidade de trens de carga entre a China e a Europa em Jinan, província de Shandong
    Trabalhador de empresa chinesa de ferrovias atua em serviço para expandir capacidade de trens de carga entre a China e a Europa em Jinan, província de Shandong – Wang Kai – 10.mai.20/Xinhua

    O que está em jogo para a China, que investiu capital político para obter apoio de mais de 130 países e que está investindo recursos financeiros em ferrovias, rodovias, portos, energia e conexão digital sob o selo da BRI?

    A realidade é que, com uma recessão iminente, muitos dos que recebem esses investimentos não terão condições de arcar com seus compromissos. Como Paquistão e Egito, vários outros recentemente pediram à China a renegociação de suas dívidas.

    Os financiamentos da BRI costumam contar com ativos importantes em garantia, como minas e portos, inclusive porque normalmente quem toma esses empréstimos tem risco de crédito alto. A China pode recorrer a essas garantias se necessário —mas com custo político alto neste momento de enormes dificuldades para países mais pobres.

    Em 2017, num episódio emblemático, os chineses assumiram por 99 anos o controle do porto de Hambantota, no Sri Lanka, quando o país não conseguiu honrar os compromissos financeiros.

    Pequim sabe que enfrenta uma dose de desconfiança em relação à BRI, mesmo que Hambantota tenha sido um episódio absolutamente isolado. Autoridades chinesas lembram que várias iniciativas avançam bem ou já foram concluídas com sucesso, como o caso da revitalização do Porto de Pireus, na Grécia.

    Com a recessão atingindo países parceiros, a China enfrenta decisões difíceis sobre a BRI.

    Se for flexível a ponto de perdoar as dívidas, enfrentará críticas internas. As finanças do país também estão sob pressão e, ademais, alguns sempre questionaram a aplicação desses recursos vultosos no exterior.

    Se for rigorosa no cumprimento dos acordos, estará sujeita, no plano externo, a acusações de comportamento econômico predatório. Além disso, colocará em xeque as boas relações com os países receptores dos investimentos, um objetivo chave da BRI.

    A China deve tomar o caminho do meio, equilibrando-se entre preocupações internas e externas, entre prioridades econômicas e políticas.

    Isso significa flexibilizar prazos e juros, mas sem chegar ao ponto de transformar empréstimo em doação. Também deve evitar a execução de garantias que levem à apropriação de ativos estrangeiros.

    É de se esperar que a China tire o pé do acelerador e aproveite a oportunidade para promover ajustes de rumo na BRI.

    Deve fazer uma depuração dos projetos, evitando os mais arriscados. Deve acentuar ênfase em projetos de infraestrutura digital e economia verde —uma inflexão que já buscava fazer. Dado o momento, acrescentará à iniciativa projetos na área da saúde, promovendo a “Rota da Seda da Saúde”.

    Desde seu lançamento, a BRI foi visto como um conceito vago, a começar pelo seu próprio nome.

    Pois como muito na China, ideias elásticas, com foco e regras flexíveis, permitem ajustes de rumo, conferem margem de ação para o governo.

    Esta é uma das horas em que a plasticidade da conceito do BRI mostra seu valor. Até porque suspender o projeto do século não é uma opção.

    Tatiana Prazeres

    Senior fellow na Universidade de Negócios Internacionais e Economia, em Pequim, foi secretária de comércio exterior e conselheira sênior do diretor-geral da OMC.

    Questões

    1. O que consiste a “diplomacia da armadilha da dívida” e como ela vem gerando uma desconfiança nos países que recebem vultosos empréstimos chineses para realizar obras de infraestrutura?

    2. Por que a China tem grande interesse em investir em portos, ferrovias, rodoviais em países que tem grande recursos naturais?