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  • Namazu e os terremotos. (Atividade)

    Namazu e os terremotos. (Atividade)

    Segundo um antigo mito japonês, os constantes terremotos que abalam a Terra têm origem em uma criatura mítica chamada Namazu. Este ser é descrito como um peixe-gato (bagre) de proporções gigantescas, vivendo nas profundezas subterrâneas. Namazu faz parte do folclore japonês como um dos youkais, entidades sobrenaturais que muitas vezes trazem desgraça e destruição. Ele é retratado em diversas namazu-e, xilogravuras ukiyo-e que não apenas capturam a imagem da criatura, mas também refletem o temor e a fascinação que ela provoca. Essas ilustrações eram populares durante o período Edo, especialmente após grandes terremotos, servindo como um meio de explicar o inexplicável.

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    Namazu

     Na lenda, apenas o deus Kashima possui o poder de conter o Namazu. Ele o faz usando uma enorme rocha sagrada chamada “kaname-ishi,” que ele pressiona sobre a cabeça do peixe para evitar que se mova. Esta rocha é considerada o ponto central e de equilíbrio da Terra. Entretanto, mesmo o poderoso Kashima não é infalível. Há momentos em que ele se distrai ou se cansa de sua tarefa vigilante. Nesses instantes, o Namazu aproveita para se debater, movendo sua cauda gigantesca e provocando tremores que ecoam pelo mundo humano, trazendo caos e destruição.

    O Namazu é visto como um símbolo da imprevisibilidade da natureza, especialmente em um país como o Japão, onde terremotos são uma parte constante da realidade. A figura do Namazu não apenas personifica a força devastadora dos terremotos, mas também serve como uma metáfora para a luta humana contra forças além de seu controle.

    Além disso, o Namazu adquiriu, com o tempo, um significado ambivalente. Enquanto ele é temido como causador de desastres, também foi interpretado como um agente de mudança. Acreditava-se que, após um grande terremoto, as injustiças sociais eram sacudidas, permitindo uma espécie de renovação. Isso se refletia no uso do Namazu como uma figura em amuletos e talismãs, invocando proteção contra futuros desastres ou como um lembrete da necessidade de estar preparado e resiliente diante das forças da natureza.

    Esta lenda, portanto, reflete a complexa relação do Japão com os terremotos, misturando temor, respeito e uma tentativa de dar sentido a um fenômeno natural implacável.

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    Questões

    Simbolismo Cultural:

    Como o Namazu reflete a percepção japonesa sobre os terremotos e a relação entre seres humanos e natureza?

    Mito e Realidade:

    Em que medida a figura do Namazu pode ser vista como uma forma de lidar com o medo e a incerteza em relação aos terremotos, especialmente em uma região tão suscetível a esses desastres como o Japão?

    Deus Kashima:

    Qual é o papel do deus Kashima na lenda, e como ele representa a tentativa humana de controlar ou equilibrar as forças da natureza?

    Arte e Mitologia:

    De que maneira as xilogravuras namazu-e influenciaram a cultura popular japonesa e a forma como as pessoas lidavam com desastres naturais na época?

    Interpretações Ambivalentes:

    Como a figura do Namazu, que é ao mesmo tempo um causador de destruição e um agente de mudança, pode ser interpretada no contexto social e cultural do Japão?

    Relação com a Modernidade:

    Será que a crença no Namazu e sua representação artística continuam a influenciar a forma como os japoneses veem os terremotos na era moderna?

    Vocêkais na Cultura Japonesa:

    O Namazu é apenas um entre muitos youkais do folclore japonês. Como a existência de criaturas sobrenaturais como ele reflete a maneira pela qual as culturas lidam com fenômenos naturais e desastres?

    Evolução da Lenda:

    Como a lenda do Namazu pode ter evoluído ao longo do tempo e qual a sua relevância nos dias atuais?

    Comparação com Outros Mitos:

    Existem outras culturas que também atribuem fenômenos naturais a criaturas míticas? Como essas lendas se comparam com a história do Namazu?

    Significado dos Amuletos:

    Por que o Namazu, mesmo sendo uma criatura temida, foi usado em amuletos e talismãs? O que isso revela sobre a cultura e a mentalidade da época?

    Prof Luciano Mannarino

    Veja também:

    Nova Zelândia cancela alarme de tsunami após três terremotos atingirem o país

    Prof. Luciano Mannarino

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  • Sem redenção!

    Sem redenção!

              Acredito que o ódio que uma pessoa sente é uma porta aberta para a compaixão como mecanismo de compensação.  Faz parte da natureza humana. Para contemplar remorso é necessário vivenciar a ira. Quem ama sabe o significado da solidão.

              Há, em nossa violência urbana, uma total indiferença de nossos algozes.  Eles tiram a vida de alguém como se precisassem transpor uma pequena poça d’água para atravessar a rua ou como se trocassem um canal de televisão que não gostam, etc.  Somos um simples obstáculo a ser removido para que eles tenham: Um carro, um celular, uma moto, um chinelo, etc.

            Se fosse raiva, as vidas tiradas poderiam se transformar em redenção num momento de arrependimento. Mas como há uma total indiferença, as vidas tiradas (e as respectivas dores geradas por suas ausências) não significam nada agora e muito menos depois.

     

    Prof Luciano Mannarino

    Indecifrável

    Rugas!

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  • O último jogo…

    O último jogo…

    A parte da rua onde as partidas eram realizadas com seus buracos no chão, calçadas irregulares, paralelepípedos, postes, pessoas e carros que passam etc., torna o futebol um jogo peculiar – quem já esteve de cara para o gol e foi obrigado parar a bola para uma kombi passar sabe o que estou falando.

    É nesse pequeno universo que sentimentos e aptidões são desenvolvidos e exercitados. A rivalidade, a solidariedade, o oportunismo, a superação, o esforço, a vitória, a derrota, enfim turbilhões de emoções que cada jogo oferece – Acredito que seja possível conhecer muito sobre nós mesmos e sobre as pessoas durante um simples jogo de futebol. 

    É uma escola, no entanto, no meu caso, teve um fim melancólico. É que no final da rua onde vivi começaram a construir um condomínio de seis prédios com dez andares cada um. Sabíamos que isso poderia afetar nossas partidas, porém continuávamos a jogar mesmo com passagem constante de caminhões.

    Mas na semana seguinte, após a entrega das chaves dos apartamentos, tudo mudou. O quarto automóvel que passou, com alguns minutos de jogo, descortinou o obvio: Havíamos perdido nosso “campo” de futebol. Ficou inviável.

    Olhamos uns para os outros e resignados, sem dizer uma palavra, cada um foi para sua casa e nunca mais voltamos a jogar na rua. Fiquei sozinho com a bola sobre meu pé refletindo sobre a perda do meu laboratório de sentimentos até que uma buzina e uma bronca interromperam minha melancolia.

    “Sai da rua seu maluco! Quer morrer???”

    (memórias do lugar)

    Professor Luciano Mannarino

    Pensamentos

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  • Caminhos para realização…

    Caminhos para realização…

    Ver a vida como uma batalha onde todos devemos lutar para usufruir dos bens que garantem uma vida “plena” reduzem a existência a uma disputa onde a conquista do Olimpo do consumo (carro do ano, a casa própria etc.) passa a ser, não importando os meios usados, a chave da realização.

    Se alguém não conseguiu “vencer” é porque não se esforçou e deve aceitar viver uma vida com limitações. Jogo jogado!

    No entanto, até que ponto esse modelo de felicidade é efetivamente nosso ou foi incorporado de maneira subliminar para que o motor da sociedade de consumo continue a se movimentar?

    O que seria da BMW, da Nike, da Samsung etc, se as pessoas encontrassem respostas existenciais meditando no alto do Tibet, não vissem a natureza como fonte de lucro e não passassem a ver o próximo como um inimigo a ser derrotado?

    Professor Luciano Mannarino

    Pensamentos

     

  • Uma noite para não dormir

    Uma noite para não dormir

              Era normal uma tempestade de verão no final da tarde – nos anos de 1970 o tempo era mais previsível, porém naquele dia a chuva caiu no início da noite. As chuvas convectivas (como é chamada pelos cientistas) são efêmeras. Como um orgasmo da natureza elas tem início, meio e fim . Essa veio acompanhada de ventos tão fortes que vários bairros ficaram sem luz. Foi terrível, porém ela foi se esvaindo até descortinar um lindo céu estrelado.

             Um imenso clarão começou a despontar no horizonte atrás do morro e aos poucos ele foi se erguendo e iluminando pessoas, casas, prédios e automóveis ao ponto de projetar suas sombras sobre o chão. Era linda lua cheia e o apagão  potencializou o seu brilho e tornou a noite espetacular.

             Estava na casa de um amigo no alto da rua, fiquei impedido de sair devido à chuva. Me despedi e desci a rua caminhando lentamente. Fui cumprimentando vizinhos e amigos que tinham colocado cadeiras sobre as calcadas, pois foram libertados da escravidão da televisão, para conversar sob aquele segundo “sol”. Uma brisa leve soprava ao longo de árvores prateadas e espalhava o doce cheiro e frescor de  mangas verdes. Uma noite para não dormir. Sim, eu estava feliz!

    Dezembro de 1987.

    (memórias do lugar)

    PROFESSOR LUCIANO MANNARINO

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